Ponto de vista

Ponto de vista

18/04/2019

Pessimismo

Eu tinha um costume que agora se intensificou: tirar meus 15 minutinhos de cochilo após o almoço. Agora aumentei o tempo, pois tenho mais tempo para dedicar a essa prática prazerosa. Mas o acordar nem sempre é o melhor momento do dia. Deles há que me levanto com o humor nos calcanhares, ou, para ser mais preciso, na ponta dos pés. Isso não é bom para a saúde, só não é pior, porque não dura mais que uns instantes. Mas enquanto dura...

Mas o que é que eu tenho a ver com isso? Deve-se perguntar você, leitor. Permita que responda de forma que pode até parecer grosseira, mas é a realidade: NADA! Se eu dou esta explicação é para tentar mostrar qual é o espírito que muitas vezes me anima a ler certas notícias e quando passo a fazer as minhas análises, por mais que pessoais e não compartilhadas, sobre a atual situação política vivenciada pelo mundo que aí temos, não sou nada otimista.

Hoje está sendo um desses dias. Levantei pouco depois das 14 horas – tinha deitado lá pelas 12h30 e uma preocupação se instalou em minha mente, fato que me fez parar para refletir. E o resultado, no meu ponto de vista, não é nada agradável quando se olha para um futuro incerto que nos está sendo prometido. Mas antes de prosseguir é preciso que eu explicite a importância que esse meu pensar tem para a minha pessoa: quase nenhuma, pois a idade avançada, a saúde comprometida e um certo direito (que querem a todo custo tirar-me) a usufruir um pouquinho do restinho de tempo que ainda tenho para pisar neste solo, não requerem assim tanta esperança. A minha preocupação está voltada para quem por cá ficar: filhos, netos e não sei se atingirá a geração a seguir - bisnetos - pois o meu desconfiômetro não me aponta dados exatos.

Que situação é essa? Vejamos: deixemos de lado as questões partidárias (o que não significa que devamos deixar de lado aquelas outras, as ideológicas) e analisemos com certa frieza o contexto social mundial.

O primeiro ponto que deve ser observado: nós, de esquerda, somos minoria. Não adianta querer falar que os miseráveis estão deste ou daquele lado, pois eles, a bem da verdade, estão do lado de onde lhes cair alguma migalha de pão para matar a fome que atormenta hoje, segundo a ONU/FAO 870 milhões de pessoas[1]. Em tal situação não há como contar com um apoio para a tomada de atitude de reviravolta no mundo da política.

O segundo ponto que precisamos olhar e interpretar com bastante clareza, é que a extrema direita está avançando a passadas bem largas sobre a totalidade (ou quase, para não me acusarem de radical) do mundo. Até os grupos que já foram mais socialistas e passaram por conservadores, estão enfrentando ondas gigantescas, verdadeiros tsunamis de movimentos neofascistas.

O terceiro ponto me leva a tentar fazer uma aproximação ao avanço desses movimentos extremistas para tentar compreendê-los. Começo pelo IRA, que depois de passar uns anos em ponto morto, parece ter avançado a alavanca das marchas e está novamente em pé de guerra contra os católicos da Irlanda. Na Inglaterra, o tal do Brexit já fez cair um governo, o segundo está pendurado na caneta e quem avança é, justamente a ala mais à direita, logo ali, na conservadora Inglaterra. No Parlamento Europeu, pressionados pelas situações vivenciadas na França de Macron, na Espanha com seus dois grupos separatistas – os Bascos e os Catalães, na Itália com o governo recém empossado com grande inclinação à direita. A Bélgica está sob forte pressão da extrema direita e Bruxelas está ameaçada de tombar nas garras afiadas dos extremistas. Vejamos o caso da Polônia[2], minha gente, logo eles, os polacos aderiram ao populismo com quase 40%. Nós brasileiros estamos sob a mais descarada ditadura de extrema direita beirando o fascismo neonazista. A Argentina, com Macri, um país completamente destroçado pela direita. O Chile... Os Estados Unidos e sua besta fera TRUMP.

Que esperar dum mundo onde os mais ricos estão incitando os pobres a lutarem contra os seus pares, onde a fome ameaça cada dia mais, num mundo em que a própria natureza se encarrega de punir o homem pelo seu desmando, como aconteceu em Moçambique, no Rio ou na Conchochina. Este mundo vai precisar dar uma voltar. Este mundo precisa passar pelos horrores que já foram vivenciados num passado não tão distante, este mundo precisa ser repensado a partir do nada, precisa ser desmontado (lembro das palavras da Presidenta Dilma: “Não ficará pedra sobre pedra”) e então surgir uma nova humanidade. Esta que aí está nos sacrificando está podre, fedorenta, logo cairá e será tragada pelos micróbios que habitam o solo ou completamente reduzida a cinzas pela ação das novas inteligências artificiais.

Não nos iludamos mais, vamos continuar lutando até à queda, esse é o nosso desafio. Que caiamos de pé, jamais ajoelhados ante a miséria que nos querem impor. Sonhar com a vitória é um bálsamo para feridas da escaramuça, mas, desculpem meu desalento, ela não virá tão cedo. Por isso eu digo que não seremos nós, nem nossos filhos, talvez nossos netos consigam erguer um mundo melhor. Quero até ser otimista, mas diante dum panorama destes, fica difícil de segurar o otimismo. 

 

[1] https://correionago.com.br/portal/segundo-a-onu-870-milhoes-de-pessoas-passam-fome-no-mundo/

[2] https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-ameacador-avanco-da-extrema-direita-na-Europa/6/34965

 

09/04/2019

INVERNO EDUCACIONAL

Nuvens sombrias – prenúncio de mau tempo, ver tempestade – ainda pairam sobre o MEC. Arriscaria ir um pouco mais longe para passar a minha opinião sobre a mais recente aquisição daquela pasta de vital importância para o país: se antes tínhamos um lunático gerenciando a Educação, hoje temos um ser híbrido resultante da mistura de duas espécies ameaçadoras: Paulo Guedes e a sua megalomania, de um lado e de outro, Olavo de Carvalho com sua esdrúxula teoria da terra plana. Poderia, então, passar a chamar o novo ministro de "Paulo Carvalho" ou "Olavo Guedes". O resultado, certamente, seria igualmente catastrófico para a nossa educação.

 

Alguém poderá, desavisadamente, me questionar o porquê deste ataque temporão a quem acaba de ser nomeado. Responderei apenas que esse aí é daqueles que quando não suja na entrada (foi o caso), suja na saída, como já aconteceu com outros. Veja, apenas foi nomeado e já atacou de forma vil e abjeta os nordestinos. Creio que o complexo que esses “sudestinos” têm da gente do nordeste está relacionado ao nosso sucesso em áreas em que eles gostariam de ser considerados superiores. Essa tristeza de criatura já abriu a cloaca para dizer que as universidades nordestinas não devem ensinar filosofia e sim agricultura e parceria com os israelitas. Não o deveria ter dito! Já meteu o pé na jaca, mal entrou.

 

Este novo “Sinistro” acompanha o raciocínio vingativo de seu chefe: quem não pensa como ele é seu inimigo declarado. Não admira que tenhamos, em 100 dias, uma elevação dos números da violência que ele prometeu combater. Além do aumento, há que analisar os requintes de crueldade e insanidade de quem comete tais atos. Não vou enumerar e analisar, aqui, cada uma das barbaridades cometidas, ater-me-ei apenas à última (conhecida) que foi a do assassinato de um pai de família, pelos militares, com 80 tiros. Companheiros e companheiras, matar já é algo indigno de um ser para com um outro. Matar de um tiro, ou qualquer que seja o meio, é compreensível levando em consideração os fatos que possam ter contribuído para a prática "sobre forte emoção" de tal atitude – muito embora, jamais justifiquem – mas disparar 80 tiros de fuzil contra um automóvel no qual viajava uma família que acabava de gozar seu fim de semana, “apenas por que foi confundido com um bandido” é fato para ser considerado crime hediondo e de guerra. Mas claro que nossos dirigentes vão aplaudir e olhe lá se não condecorarem os “heróis” de tal proeza. A nossa vida não está valendo, para esse povo, nem dez réis furados! Para eles a vida humana não vale nada, a menos que seja “sócio contribuinte” da caixinha mensal que faz engordar sua aloprada ganância.

 

Lembram daquela arminha que ensinaram até criancinha a fazer com as mãos? Pois é! Conheço alguns e algumas que já enfiaram o cano da arminha nos seus mais diversos buracos e tentaram disparar, de desespero por estarem percebendo, tardiamente, a burrada que fizeram. Só que essa arminha com a mão e os dedinhos não dispara, esperem a oportunidade de terem uma arma de verdade para vocês sentirem o peso na consciência.

 

Enquanto isso, a educação, que nunca foi uma das maiores prioridades, continua à deriva e cada um faz o que melhor acha adequado para si e para a situação que defende. É triste. É como uma pequena canoa à deriva no alto mar proceloso. De lamentar aqueles que não conseguirem se equilibrar, pois vão caírem nas águas agitadas e estarão fadados a pagar pelos pecados de todos os outros. Sei que é cruel, mas como dizia um compatriota meu: “Navegar é preciso...”

 

Termino este raciocínio, assim, a quente, questionando: “Quando é que esse novo Sinistro vai cair do ginete que lhe emprestaram”?

 

08/04/2019

Se você contar na ponta dos dedos, como se costuma dizer, faz hoje 98 dias que a nulidade assumiu o poder do Brasil. Sim nulidade, pois até este momento só acertou a nomeação do astronauta, uma vez que estamos indo para o espaço, com tanta besteira que vem sendo dita e feita.

Hoje foi o dia de mais uma dessas façanhas: há muito anunciada, foi hoje concretizada a exoneração do demente, agora ex-ministro da educação, Velez, vulgo "o colombiano".

Jpa temos ma nova bomba para "dirigir" os destinos da educação. Diz o "patrão" que o homem é doutor e sabe muito bem o que tem a fazer. Veremos se ele está realmente ensaiado para fazer as patujadas que o "patrão" quer impor.

Acredito piamente que será mais um pau mandado sem independência ara fazer algo meritório de nossa parte que somos os mais envolvidos com o processo educacional. Acredito não sejam precisos dias, em horas talvez comecemos a "ver" quem é a nova peça nessa máquina emperrada. Desejando sorte, fico no aguardo...

 

06/04/2019

Quem tem acompanhado as últimas notícias sobre o desenrolar do governo brasileiro deve ter notado que as críticas vindo do exterior são bastante contundentes. Uma delas, aliás, nos coloca a todos num mesmo balaio sujo de ignorância e outras mazelas mais, dizendo que o povo brasileiro é o menos esclarecido do mundo. Confesso que fico “pistola” com tais afirmações generalistas, mas por outro lado sou obrigado a concordar com a parte que fala que é um povo pouco esclarecido. Vejamos a argumentação:

 

1 – Recebo mensagem via whatsapp me anunciando que: “Os professores do Ceará ameaçam greve geral se a Reforma da Previdência passar”. Sou, mesmo que a contragosto, obrigado a reconhecer que quem fez a pesquisa e chegou à conclusão acima descrita do povo brasileiro, tem toda a razão. Ora, tente alguém me convencer da utilidade da greve geral depois de aprovada a Reforma! Vão fazer papel de “pouco esclarecidos” (para não ser agressivo com a classe à qual pertenço).

 

2 – Vejo nesta “ameaça” uma tentativa de uma (ou várias) central sindical mostrar algum serviço para com a categoria. Mas sejamos objetivos, é ter uma visão muito curta da realidade. Eu, se quisesse impedir qualquer coisa, preciso sempre agir antes que a coisa aconteça, depois, como diz um ditado que muita gente deturpa “Inês é Marta” (o povo costuma dizer que depois ‘Inês é morta’, mas o ditado não diz assim e foi escrito da forma como eu coloquei antes).

 

Se estamos (não tenho a menor dúvida!) sob ameaça de transformações radicais que só nos trarão prejuízo, precisamos agir agora. Fazer toda a pressão do mundo sobre Deputados e Senadores para que eles votem contrariamente ao desejo do louco que já admitiu publicamente que não tem capacidade para governar a si próprio, que dizer uma nação. Se há que fazer greve, que seja uma GREVE GERAL E ILIMITADA NO TEMPO. Só dessa forma, talvez, se consiga mudar alguma coisa nessa situação que está beirando um retrocesso ao Séc. XIV, pois há um grupelho brigando pelo retorno da monarquia. Loucura, geral!

 

O povo, sim, O POVO, precisa fazer alguma coisa para acabar com esses estigma que está sendo criado no exterior e que só faz se confirmar aqui, entre fronteiras: somos acomodados e nada esclarecidos. Sobre o “acomodados”, acredito que venha da malemolência típica dos trópicos, mas quando o assunto é “pouco esclarecidos”, aí a coisa muda de figura e temos que olhar a situação pelo prisma do capital que tem todo o interesse em que o povo seja mantido na ignorância para não reclamar do pão e água que lhe é servido a troco de trabalho árduo ininterrupto. Somos escravizado em pleno século XXI e, se não agirmos com presteza, acredito que logo voltarão os grilhões.

 

Bem, este é apenas mais um dos meus “ponto de vista”!

 

30/03/2019

A propósito da Alfabetização, com Magda Soares.

Uma das maiores autoridades em Alfabetização, Magda Soares, considera as ideias do novo governo um retrocesso sobre o tema:

“Vivi o Estado Novo e passei pela ditadura, mas nunca vi um período tão assustador como este na Educação”.

Voltamos ao velho tema, que vez por outra sai do seu casulo e se expões de forma escancarada, mas nem assim se consegue construir um tendência que vise não a unificar, mas pelo menos a aproximar as ideias a respeito.

Numa recente entrevista que uma das "papisas" da Alfabetização e Letramento deu à Revista Nova Escola, o tema volta a ser abordado de uma forma que não me surge clara quanto ao entendimento do processo em si, considerando o desenvolvimento que a humanidade vem produzindo, muito menos como possibilidade de fazer frente às novas “tendências” que o governo atual pretende desenvolver.

Vamos ao jogo aberto e em campo neutro – Brasil x Alfabetização – e vejamos como ficará o placar ao final dos noventa minutos. É jogo de semifinal, só um poderá prosseguir.

O campo, de dimensões mínimas, está sendo ameaçado de perder mais uma “banda” para a cobiça do capital, resta saber se será na largura ou no comprimento. Ou seja, a área da educação está de verbas super reduzidas e ainda querem rapinar mais um pedaço. O árbitro aceita qualquer propina, e, se bobearem, recebe dos dois lados, para ele quanto mais, melhor. O terreno está enlameado, pois as tempestades que se têm abatido sobre ele não foram pequenas: décadas de desrespeito e falta de sensibilidade dos administradores que não gostam nem de pensar na possibilidade que alguém possa atravessar seu caminho. Já chegaram ao ponto de mandar abater quem tenha ousado lutar pelas maiorias (os pobres).

Sobre as equipes é possível dizer que não há equilíbrio possível, será uma luta do David contra o Golias, em versão séc. XXI.

A nossa autoridade, presente ao jogo, tem status de mandante, na área, mas percebo nela um pequeno problema: o seu jogo muito individualista. Não me mostra um jogo coletivo, de equipe (veja o vídeo que acompanha a matéria: uma só professora, para uma só criança). Não quero parecer pessimista, mas a insistir nessa tática de ataque, será o analfabetismo quem vai fazer gol primeiro. Senão vejamos: em qual escola de educação infantil, no Brasil, nós temos essa relação de um professor por aluno? No mínimo 25, para não ser muito duro com o trato da temática. Numa escola particular, paga a peso de ouro, ainda se consegue uma relação um pouco mais justa, mas assim mesmo – a menos que a escola não tenha matrículas suficientes – dificilmente você verá um professor para cinco ou seis alunos no máximo. Vocês lembram de quando estudaram Psicologia da Educação, da proposta de Carl Rogers? “No máximo um professor para quatro alunos” – propunha ele. Pois bem, não chego a tanto. Entretanto o árbitro deixou o jogo correr e o analfabetismo fez 1 x 0.

Preciso, contudo dizer que concordo com a nossa autoridade, que não devemos utilizar métodos para alfabetizar e letrar as crianças. É um fato. Mas preciso dizer também que diante da realidade que vivenciamos hoje, precisamos de práticas, de práticas inovadoras. Na minha percepção não vamos obter sucesso se pretendermos alfabetizar e letrar crianças, mantendo-as trancadas dentro de uma escola (“prisão”, já alguém reprisou isso), sentadas num banco/cadeira que ao fins de poucos minutos se torna insuportável para a criança e lhe retira toda a pouca capacidade que ela já adquiriu de se concentrar num assunto. Criança é vida, ação, coragem, valentia, destemor, arrojo, e principalmente, curiosidade. O que nos é proposto: que a criança fique ali sentadinha, escutando a professora, um anjo de paciência, repetir "piiii ruuuu liii tooo", num ato que se assemelha à pura abstração. O placar marca agora 2 x 0 a favor do analfabetismo.

No meu entender de torcedor, não rola, essa bola do jogo é quadrada. É aí que eu digo, não é o método que importa, Professora Magda, a Sra. tem toda a razão, mas isso que a professora está fazendo no vídeo é “método”. Eu prefiro práticas. Coisas do dia a dia que a criança conhece, vê, apalpa, segura, movimenta, pois o que ela conhece é o que ela vive. O que ela ainda não viveu, ela ainda não tem a suficiente capacidade abstrativa de absorver, compreender com facilidade. Por isso a escola não pode ser semelhante a uma cadeia, ela precisa ser um cópia em miniatura da cidade, ou do bairro em que se localiza e um pouco com a casa onde a criança possa "viver". Com letreiros nas paredes, ruas com nomes, praças com jardins e lagos, árvores e os passarinhos que nelas vêm cantar e repousar, com sol, com chuva, com crianças brincando e adultos trabalhando, com livros e revistas e demais fontes de informação. Nesse contexto a educação (alfabetização significativa) passa a acontecer quase automaticamente. Como  ela não é essa realidade, começa o placar a indicar goleada (3 x 0 para analfabetismo).

Não podemos esquecer a influência que as Tic’s e a TV têm nas vidas dessas crianças. É necessário, contudo, saber mostrar à criança a real importância de tais “instrumentos pedagógicos” e qual o viés que eles apontam para as nossas criancinhas. Não podemos esquecer que existem departamentos inteiros de empresas publicitárias dedicadas exclusivamente a pensar a propaganda que vai atingir os pais através da vontade incutida nas crianças.

Entendo, finalmente, que letrar e alfabetizar seja socializar, muito mais que ensinar. Como já dizia o saudoso Paulo Freire, "Ler não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação".

 

14/03/2019

Não, não há enganos, há, lamentavelmente, assunto para escrever um montão de coisas, então este é o segundo ponto de vista do dia de hoje.

O acontecimento trágico de Suzano

 

Seguindo a lógica brasileira, vamos lá tentar encontrar um culpado para esse ato que, caso os autores não tivessem morrido, mereceriam, sim, a pena de morte. Não é difícil encontrar um culpado fora de nós, pois não são motivos que nos faltam. Nós não somos culpados(!), os culpados são os jogos violentos da Internet, e as modinhas importadas do Império.  Neste momento, em que somos assaltados e assediados pelas tais de “Séries”, tudo que ali é praticado por jovens americanos os nossos querem repetir.

 

O tempo tem andado meio chuvoso e até “fresquete” por estas bandas do país, mas nada justifica que os nossos moleques (não consigo trata-los de outra forma) andem de pesadíssimos moletons de capuz enfiado na cabeça sob um sol de rachar quase sempre acima dos 32 graus. É muito instinto de vira-lata como é “moda” chamar agora. Pessoalmente, só entendo que outras tragédias iguais ou similares a essa não tenham acontecido antes por não haver um incentivo formal à violência, essa violência latente em grande parte da população brasileira que agora encontrou a justificativa para todo ato covarde e de violência. Vamos fazer arminha e armar o povo para que mais morram, mais rápido!

 

Nas a culpa não é minha que prefiro ficar assistindo jogo do Flamengo, que conversar com meus filhos/as; a culpa não é minha só porque prefiro ficar no bar num “Happy-Hour” que levar meus filhos/as a um museu, um cinema, uma exposição, a uma trilha, ou coisa parecida; não, eu não posso ser culpado só porque instigo meu filho a ser “mais macho” que os outros e a não levar desaforo para casa; de modo algum alguém pode me condenar por abandonar meus filhos/as em começo de adolescência livres para assumirem suas responsabilidades sem que eu lhe dê um mínimo de assistência e orientação; jamais poderão me culpar só porque eu defendo a escola sem partido, sem esse negócio de kit gay, discussão de gênero, etnia e mamadeira de piroca; não, não posso ser culpado por não ter coragem de dizer NÃO aos meus filhos/as, dou tudo que me pedem só para me ver livre deles com suas perguntas infantis; me perdoem, mas eu não posso ser condenado só porque entreguei meus filhos e filhas aos cuidados da famosa babá eletrônica (a TV) enquanto eu ia jogar meu “rachinha” com os companheiros de trabalho. A culpa não é minha. Nunca foi e nunca será. A culpa está sempre nos outros, que não educam seus filho/as e depois nesse tal de desenvolvimento tecnológico que só ensina o que não presta.

 

As vítimas não são culpadas, pelo contrário, considero-as triplamente vítimas: 1 – da falta de educação, e está para piorar com a negação deste atual desgoverno; 2 – de um sistema socioeconômico que privilegia uns poucos em detrimento de uma esmagadora maioria; 3 – de outras vítimas que são seus pais, espezinhados pelos podres poderes.

 

Eu fiquei muito feliz quando percebi o ato de coragem dos governos do PT em colocar o maior número possível de criaturas para estudar. Pensei: “A hora do Brasil está chegando, com uma população mais esclarecida, o país do futuro terá sim Ordem e Progresso”. Errei totalmente meu palpite por não ter levado em conta um velho ditado que diz que “quem nunca teve nada, com pouco se lambuza”! Foi o que aconteceu. Milhões foram tirados da miséria em que viviam, mas esqueceram rápido de onde tinham vindo e logo pensaram ser ELITE. E a elite não suporta pobre. Lembram do bordão “Quero que pobre se exploda”?! Pois está aí a pobreza se auto explodindo só por ter sonhos de grandeza. Enquanto isso os ricaços vão ficando cada vez mais perto das fortunas que tanto almejam conseguir, nem que seja através da alma ao diabo, se é que isso aí existe.

 

Nossa sociedade (mundialmente falando, não me refiro só ao Brasil) está podre. Fede. Decompõe-se só com a pressão do ar. Como aparentemente não há mais nada no mundo para ser conquistado, tentam conquistar uns aos outros para mostrarem ser mais potentes. Vivemos uma tremenda bolha de arrogância, ganância e hipocrisia, o dia que essa bolha estourar, talvez depois das nuvens de poeira sentarem, consigamos ver um futuro longínquo, porém possível, em que cada um seja igual a si mesmo e aos outros. Mas até essa bolha rebentar teremos muito sofrimento a suportar.   

 

14/03/2019

ESTAMOS FAZENDO O CERTO?

 

Bom dia pessoal.

Tenho andado um tanto afastado por motivos de ter que resolver certas “pendengas” do cotidiano que não me permitem sentar alguns minutos para fazer maiores reflexões. Hoje, aproveitando que estou sem poder me locomover, o meu carro está com a minha filha que precisou dele para realizar um trabalho, para tentar colocar alguma ideia no papel (na net seria mais justo).

Logo pela hora do café da manhã, quando tenho o mau costume de passar os olhos sobre as notícias e os e-mails que recebo, voltei a perceber que se continua a cometer certos enganos que são impostos pela lei nº 10.639/03 e os modismos que ela “permite”. Não vou discutir a lei e nem tampouco afirmar ou negar a necessidade de a aplicar. O que quero discutir são métodos. Métodos que me escapam quando percebo que muita gente está colocando a tinta para correr sem fazer a devida reflexão sobre o assunto.

Pelo texto legal as escolas brasileiras devem oferecer, obrigatoriamente, o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Algo de errado nisso? Sim e não, é a contradição que proponho analisar. Pelo lado do “sim”, isto é, se eu vejo algo errado e manifesto-me pela afirmativa e levanto o seguinte questionamento: que conhecimento têm os nossos pesquisadores do Continente Africano? Que países conhecem ali? Quais as culturas que analisaram “in loco”? Como então falar da cultura africana? A menos que se tomem por base os filmes do Tarzan ou aquele outro “Os segredos da Arca Perdida” (são apenas exemplos), não entendo como se possa proceder a uma educação voltada para aquilo que se desconhece. Pelo lado do “não”, posso até afirmar minha simpatia pelo estudo das práticas, ritos e cultura da assim nomeada afro-brasilidade. São postura e atitudes com características herdadas de antepassados distantes da nossa geração, vindos ou não da África.  A cultura afro-brasileira que se propala é, na minha interpretação, uma mistura de culturas de negros escravos africanos, sim, com acento bem carregado das práticas dos nossos índios que existiam à época do “descobrimento” e, principalmente, da “colonização”. E essa sim, chamemos-lhe de nossa raiz, tem todo o meu apoio para estudos aprofundados.

A minha tese sobre este assunto, sustenta-se no meu conhecimento pessoal de três regiões africanas, nas quais passei, ao todo vinte e oito meses, convivendo no dia a dia com aquela realidade. Para exemplificar (e a informação pode ser obtida via internet) basta que se diga que apenas no então chamado de Distrito de Cabo Delgado (Norte de Moçambique) eram falados mais de 60 dialetos e praticadas outras tantas "religiões". Das crenças, não adianta querer começar a falar neste espaço ou teria que escrever um livro. Deixo como exemplo de práticas (atrozes) a perseguição dos albinos, que quando localizados são massacrados para que as pessoas fiquem com pedacinhos dos seus corpos, pois segundo certas crenças, isso traz sorte, proteção contra inimigos e outras coisas mais. Isso significa que quem tem por infortúnio de nascer albino, terá que passar a vida escondido para não ser sacrificado em benefício de terceiros. A esse respeito recomendo a leitura de artigo publicado em 2017, por uma revista da UFRGS, acessível através deste link:  https://seer.ufrgs.br/revfacdir/article/download/77472/46268

Retomando a minha tese, que se estudem as origens da cultura brasileira que passa pela interferência dos africanos que para cá vieram deportados e escravizados, mas que não se pretenda dar isso um caráter de estudo da cultura africana, pois ela é bem mais complexa que se imagina.

Como sempre digo, este é o meu ponto de vista, com o qual ninguém é obrigado a concordar e é através dele que me permito, por mais que muitos julguem que estou falando abobrinhas, afirmar que a nossa cultura é tão rica, tão profícua e calcada em bases tão sólidas que deveríamos, primeiro, nos ocupar da nossa para depois, então, podermos viajar e perceber a realidade dos outros. Já escutei justificativas que afirmavam que “conheciam a África” pelo saber livresco. Por educação e por respeito à opinião alheia, não contestei, apenas perguntei o que a pessoa iria escrever em preto (ou qualquer outra cor) na folha de papel em branco que lhe estendia.  Fiquei sem saber se a pessoa havia entendido o recado.

Deixo, por agora, um até à próxima oportunidade este meu pensar e mantenho-me sempre disposto ao diálogo, reafirmando que não pretendo ser o dono do saber, mas ser conhecedor de algumas realidades que as pessoas afirmam conhecerem apenas porque leram.

 

06/03/2019

POLÍTICA, CARNAVAL E CINZAS

O fogo está se extinguindo, vão sobrar as cinzas. Mas cuidado, pois entre as cinzas podem esconder-se algumas brasas ainda incandescentes. Essas são perigosas, pois pouco visíveis e só detectáveis quando causam queimaduras.

 

A folia está passando, e o ano, dizem, vai começar. Bom mesmo que comece, melhor, bom mesmo seria se começasse, pois o que temos anunciado, até agora, são ameaças, punições e vinganças: um regime do mal.

 

As águas em que navega o barco Brasil são rasas, pouco profundas e, portanto, não conseguem esconder a podridão que tende a vir à tona. Praticam-se atos que não dizem claramente o que se deseja ou se pretende. Surgem aqui e ali gritos isolados que mostram descontentamento com determinadas situações, mas falta a coragem de enfrentar o bode Ioiô de frente. Manda-se um recado meio anônimo através de um samba que diz verdade, mas ao qual falta o apoio popular capaz de forçar uma virada radical nos rumos que a nação perece estar prestes a trilhar. Escondem-se as pessoas no meio de milhares de outras para dar seu recado, tímido, mesmo se repicado e repetido por milhares doutras pessoas, melhor: brinca-se com coisas sérias e, no final, tudo não consegue passar de uma brincadeira de carnaval.

 

A única coisa séria destes carnavais é a morte. Ela chegou e fez sua escolha. O Brasil deveria respeitar a dor que ela causou, mas em vez disso armou-se como se fosse para uma guerra na qual o inimigo está completamente cerceado de qualquer tentativa de escapatória. Hoje em dia, neste país do faz de conta momesco, até falar é proibido. Mas há aquelas pessoas que não têm mais necessidade de dizer nada, basta a sua presença para transformar um mar de de gente num tsunami de apoios e aplausos. Isso provoca ainda mais a ira de Netuno que, com seu tridente, tenta acertar a nau vencedora que continua a singrar entre os mares revoltos da incompetência.

 

Vestir uma camiseta com uma imagem impressa é sinônimo de espancamento e braço quebrado: selvajaria autorizada e querendo que seja premiada, caos, fascismo, medo. A República Democrática do Congo já consegue perder aos pontos, do Brasil, no quesito terror institucionalizado. Descemos muito baixo induzidos por um factoide provocado por alguém que só apareceu sutilmente no fardamento de um policial fortemente armado para conduzir um avô de 73 anos, debilitado por quase um ano de masmorra, ao enterro de seu netinho, a quem, nem como última homenagem, devolveram o tablet confiscado para procurarem provas que incriminassem esse avô.

 

O Brasil está doente, mas continua cantando. Começo a acreditar que aqui tudo termina em samba. Digo um pouco mais, acredito que aqui tudo se acaba “no samba”, depois dele tudo se esquece e voltamos à mesmice de antes. Gostaria de ver esses milhões de pessoas que durante o carnaval gritaram palavras de ordem, algumas até bem fortes (mas não o suficiente), continuarem a se reunir para gritarem contra a Reforma da Previdência, contra a Reforma Trabalhista, contra toda a retirada do menor dos direitos já adquiridos através de lutas históricas pelos trabalhadores. Mas não terei, certamente esse prazer, pois cada qual vai voltar para a sua conchinha e ali procurar o jeitinho de ficar cada vez um pouco menos mal. O individualismo aflorará novamente e aquele igual que ao meu lado gritava a mesma palavra de ordem passa a ser visto como um diferente, inferior, digno, inclusive da morte. Nesse ritmo o Brasil sucumbirá. É lamentável ver uma nação que já esteve entre as seis mais poderosas do mundo cair ao fundo do poço, apenas porque um bando de lunáticos resolveu eleger (com ou sem fraude, agora pouco importa) alguém incapaz de gerir a própria vida.

 

Sempre fui contra o governos dos militares, mas neste momento estou quase rogando ao Cel. Mourão que dê um tremendo pé na bunda de quem se diz presidente e assuma ele o comando do país. Hoje tenho a certeza que os militares serão menos ruins que essa coisa que diz e desdiz, que aí está plantada.

 

O carnaval, por este ano, com ou sem censura, passou pela "avenida Brasil". Para o ano que vem teremos mais, institucionalizado, mas durante o ano esperamos ter muitos outros “carnavais” que consigam unir pelo país afora milhares, milhões de brasileiros sequiosos de justiça e bem-estar-social. Talvez assim os Pierrôs e os Arlequins da política se desnudem das suas fantasias para “não se confundirem com a ralé” e nós tenhamos a oportunidade de colocar em seus lugares pessoas realmente comprometidas em desenvolver o país que habitam.

 

Vamos manter nossa brasa acesa.

 

22/02/2019

Uma falsa calmaria

A olhar a produção aqui apresentadas, os meus dias parecem ter sido de ócio. Ledo engano. Tenho produzido como jamais me vi produzindo, intelectualmente falando, entenda-se, como jamais tinha feito. Daí a falta de tempo de vir conversar com meus leitores. Neste período de início de mandato, perdão, neste início de começo de ano, tomei a decisão de tentar passar para o papel as ideias que minhocavam na minha cabeça. os resultados estão aparecendo.

Comecei, após uma reflexão demorada, por compreender a atualidade da minha dissertação do mestrado, a tal ponto que resolvi transformá-la em um livro que poderá contribuir com a reflexão dos alunos dos cursos de Pedagogia da vida. Vale salientar que aqueles escritos já têm 18 anos, já atingiram a maior idade legal, portanto já podem, ser responsabilizados por suas opiniões. A realidade vivenciada neste momento me fez perceber que eu já antevia, naquele período histórico, o que se está passando hoje. Eis o motivo da minha retomada desse texto longo de cerca de 150 páginas, nas quais analiso com alguma perspicácia o destino dos movimentos sociais, principalmente do movimento estudantil como uma possibilidade formadora de massa social crítica. Mantive meu texto original e acrescentei dois pontos nas chamadas páginas pré e pós textuais, isto é, um prefácio e outro posfácio, que tentam arrematar o meu pensamento sobre a questão. 

Num segundo momento senti-me compelido - além de incentivado - a escrever um pouco sobre a minha experiência de vida. Tarefa árdua que driblei de uma fórmula que até a mim surpreendeu. Logicamente não vou entregar aqui, de bandeja, a metodologia que a mim me pareceu bastante inovadora e capaz de produzir efeitos benéficos na ato de se produzir.  A este trabalho dou um duplo sentido, o primeiro, já declinado (contar um pouco das minhas andanças pelo mundo) e o segundo - que me parece o mais importante dos dois - aquele que mostra como essas andanças foram formando a base do meu conhecimento, a solidificação da minha base educacional e na via de acesso ao ponto que atingi, socialmente falando. Um texto que certamente surpreenderá muitas pessoas, não só pelo seu conteúdo, mas, principalmente, pelo apoio "didático" que produzi para servir de embasamento ao mesmo: um CD, no qual mostro fotos, vídeos, músicas e outros materiais que auxiliam na compreensão do texto e muito mais do contexto que reproduzo.

Os resultados, portanto estão aí. Estou iniciando um terceiro, bem mais específico, pois colocará em destaque aspectos desconhecidos para muitas pessoas do desenvolvimento do processo educativo da região do Cariri. Este sim, um trabalho, bem mais demorado, pois apesar de o ter iniciado há algum tempo ainda não consegui passar do título, uma vez que a cada leitura que faço - dentro das referências que possuo e que se iniciam lá no séc XIX, tenho vontade de apagar tudo o que já tenho elaborado e recomeçar do zero. Digamos que estou no período a que normalmente chamo de "tempestade mental". Tenho que dar uma ordem às coisas e começar a rabiscar algo para ver a forma que vai melhor se adaptar.

Ufa! Ainda há quem diga que estou um tanto preguiçoso. Mas não é esse o meu maior mal. O meu mal maior surge após o trabalho concluído. O sonho desmorona tal qual castelinho na areia da beira do mar diante da dificuldade e carestia para publicar. Não tenho capital para colocar nas mãos de quem possa produzir estas duas obras, se encaminhando para três. Creio que vou partir para uma busca nem sempre frutífera de patrocínios. Com a crise que dizem se abate sobre os ombros dos nossos capitalistas (pega na mentira) não vai ser muito fácil levantar o capital necessário para a primeira tiragem (quiçá a única) desses dois trabalhos. Coragem não me falta, faltam-me talvez ideias mais objetivas dos principais alvos a atingir para conseguir meu intento, daí o deixar aqui meu apelo a quem possa me passar alguma ideia, que o faça, que terá a minha recompensa mesclada com o meu agradecimento. Aceito todas as ideias, desde que legais. Para tanto deixo meu contato direto, para que quem o não conhece ainda, para que possa passar as informações necessárias.

Como diz o velho ditado: "É nas piores horas que reconhecemos os amigos". Tenho apenas a acrescentar que, apesar da minha limitação por motivos de saúde, estou aceitando pequenos trabalhos extras, como forma de angariar recursos destinado a esse fim. Algumas aulas isoladas, ou até disciplinas completas, orientações de trabalhos etc, desde que eu consiga encaixar meus horários disponíveis dentro do tratamento de saúde que realizo serão muito bem vindas.

O meu contato direto:

E-mail: profmanuelfernandes@gmail.com

Tel Cel: (88) 99913 8466 (Tim) tb é Wapp

 

 

07/02/2019

A DOR DE SER

A minha luta, no campo educacional, tem girado em torno da formação docente e dela não arredo pé até que eu perceba que esta minha insistência esteja produzindo frutos sadios e em quantidade razoável. É costumeiro se ouvir dizer que cada louco tem sua mania: a minha é essa, que ganhei a partir do momento em que cheguei neste país tropical.

 

A minha formação atendeu à minha necessidade de compreender os motivos pelos quais as crianças brasileiras têm tanta “dificuldade” em serem alfabetizadas. Seria por algum motivo genético? Poderia ser! Mas não acreditei muito nisso. Seria por falta de quem lhes ensinasse? Aí a ferida começa a doer, pois apesar de faltarem no país mais de 170 mil professores, temos milhares (e não são poucos que se encontram no desemprego). Bem, e agora? O que está escondido, voluntária ou involuntariamente, atrás desse dado alarmante?

 

A vida, pessoal e profissional, tem me mostrado caminhos, saídas direções que se fossem seguidas teríamos, certamente que festejar bons resultados. E, não! Não pensem que eu tenho guardado algum segredo ou alguma poção mágica que possa, de uma hora pera a outra, modificar o panorama caótico que se vislumbras quando se olha com atenção para a nossa educação escolar. Mas não só a educação escolar, a educação familiar está em condições bem mais precárias e as duas se destroem mutuamente, quando, na verdade deveriam ser complementares em dupla mão, ida e volta.

 

Das muitas discussões que já tive oportunidade de participar e cujo tema era esse, raras vezes notei que estivesse em frente de pessoas que tinham bem claro em suas mentes a distinção entre o que é ser professor e o que é ser educador. Isto posto, adianto que entendo perfeitamente – coisa que muitos dos meus pares não parecem entender – que todo educador pode ser um professor, mas nem todo professor é, nem precisa ser um educador. Temos vivido, no Brasil, uma situação confusa a esse respeito, pela infelicidade de uma proposta de formação docente aligeirada para suprir as necessidades do capital, sem que tenha havido uma preocupação com a manutenção da peça principal que faz a roda capitalista girar, que é o homem. Não basta que o homem produza, precisa estar nas melhores condições para dar a produção que dele se espera. Mas o egoísmo capitalista, conhecedor de que a fábrica de fazer gente estava marchando a todo o vapor – vejam-se as antigas famílias com 20 e mais filhos (mão de obra barata e sempre renovada – não se preocupa com essa “manutenção” pois sabe que tem peças de reposição com grande oferta, logo há que tirar o máximo de cada uma delas, sem se preocupar com o tempo em que ela vai quebrar, pois lá foram tem um monte de peças novinhas esperando a oportunidade de serem exploradas. Nesse sentido, para quê educação?

 

Apesar de ser o tema deste meu escrito, do meu permanente pensar, das minhas maiores inquietações, abomino falar da formação de professores, principalmente nos termos em que aí está posta. E porque digo isto? Repetindo-me pela “enésima” vez, digo que não acredito na formação do professor numa sala de aula de uma universidade. Primeiro, não é ali que ele vai trabalhar, o lugar que estará destinado é na educação básica, a menos que esses “professor” dê continuidade aos estudos e para tal se prepare. Então, alguém irá me questionar: onde se forma o professor? Parto do princípio que não é professor quem quer, mas quem pode. Educador, todos nós somos (queiramos ou não), pois sempre tem alguém aprendendo alguma coisa estando em relação com a gente, mesmo que mais não seja, como evitar pessoas iguais a nós. Mas aí a pergunta: quantos engenheiros, médicos, advogados você conhece que tenham sido formados por educadores? Tenho a certeza que a sua resposta vai ser: nenhum, todos precisaram passar pela mão de um professor.

 

Ora, aí está uma diferença gritante que teimamos em não querer ver. Sei vão chamar-me de velho ranzinza, mas para mim isso é uma glória, um louvor, pois me oportuniza a possibilidade de tentar mais uma vez fazer a diferença entre os tempos dos professores, que já lá vão, hoje restam poucos, entre professor e pedagogo. Já sei, a turma da pedagogia vai já se encarregar de tirar meu coiro, mas não faz mal, aqueles que foram meus aluno/as no curso que agora aponto, sabem muito bem que sempre lhes dizia, logo no primeiro semestre, que estavam ali para não aprenderem grande coisa enquanto futuros professores.

 

Pesquisa realizada por mim, no “meu” curso, com os meus alunos ratifica os dados coletados por todo e qualquer sistema avaliativo a que sejam submetidos os nossos alunos da base. Base, neste contexto, é o ensino infantil em composição com o ensino fundamental. Veja a palavra FUNDAMENTAL, isto é, o momento em que se consolidam – ou deveriam consolidar – os conhecimentos elementares que serão desenvolvidos mais adiante no processo de aprendizagem. Se esta base não for bem sólida, como poderei erguer a minha construção de forma sólida? É como se eu estivesse construindo castelos na areia da praia e mais, bem pertinho do arrebentar das ondas mais alterosas: tudo ruirá e nada ficará de onde se possa partir para algo mais concreto. Precisamos, portanto, de ter bons “construtores” na base, precisamos de professores e não de “teóricos” da educação. Mas voltando à pesquisa, devo lamentar ter que reconhecer que os formandos do curso de Pedagogia foram incapazes de fechar uma prova de Português e muito menos de Matemática que tinha sido aplicada no fim do ano letivo anterior nas escolas de ensino fundamental do Estado.

 

Qual vai ser a minha argumentação: primeiro, só pode ser professor quem sabe aquilo que vai ensinar. No caso de não saber, de não dominar aquele conteúdo, poderá ser apelidado de “guardador de Televisão” quando o Sr. Tasso Jerreissati implantou no Ceará o Tele Ensino, que acabou redundando num tremendo fracasso. Segundo, trabalhar na abstração não é proibido, mas trabalhar toda a escolaridade nesse modelito do “vamos imaginar”, não dá resultados. As escolas precisam estar devidamente apetrechadas de modo a permitirem a práxis: sabe, aquele negócio que nos diz que precisamos teorizar as práticas para que haja uma maior assimilação? Pois é, Será que alguém consegue formar um bom agricultor, vivendo permanentemente com ele no mar, dizendo-lhe: “Olha, a terra precisa estar preparada, para receber as sementes que germinaram e nos darão o que comer”. O nosso formando, à boa maneira o calango, vai balançar a cabecinha em sentido afirmativo e você fica ciente que é um ótimo professor, pois seu aluno lhe diz que aprendeu. Coloque-o num pedaço de terra e veja o resultado de sua obra. Terceiro, pedagogo não é um professor. Todo professor pode ser um pedagogo, mas nem todo pedagogo pode ser um professor.

 

E por que eu insisto tanto no pedagogo? Porque são eles os encarregados de ensinar as nossas crianças, de complementar a educação que elas devem trazer de casa, de mostrar as primeiras relações entre as coisas da vida, da natureza, dos seres, dos rios, dos mares, dos ventos, das nuvens e da chuva que delas cai, do sol, da lua e das estrelas, dos animais domésticos e dos não domesticados, da terra e das plantas, do homem e da mulher, das contas e da leitura, do saber, do sonhar, do imaginar e da curiosidade... Enfim! Mas o que o nosso pedagogo aprende? A teoria de Jean Piaget, que depois vai dar origem à teoria construtivista, e uso apenas esta para não alongar muito a explicação; aprende quem foi Durkheim, ou Marx, ou Jean Jacques Rousseau, aprende que a educação existe desde que o homem surgiu sobre a terra, mas tem dificuldade em ler um texto simples de Saviani, de Rubem Alves, de Nosella ou o bilhete que o diretor da escola deixou em sua pasta. Do resto, ouviu falar um dia na educação básica que pratica a aprovação direta (sem necessidade de saber) e é aprovado num curso de Pedagogia pago (o que interessa é que não atrase as prestações) e no fim temos mais um PROFESSOR no mercado.

 

NÃO! Definitivamente, não! Enquanto essa cegueira permanecer no meio acadêmico e principalmente no meio político, não teremos melhora dos níveis de aprendizagem nas nossas escolas. Para mudar essa situação, contudo, vão ser necessários sacrifícios enormes de todas as partes envolvidas. As famílias precisam voltar a ter a possibilidade de se reestruturarem minimamente para dar sustentação a um aprendente e isso não se faz sem uma distribuição de renda que permita uma vida digna a cada cidadão deste país. Será necessário que os poderes instituídos cumpro com seu sagrado dever de zelar pela melhoria das condições de cada um e de cada instituição. É muito romântico “alfabetizar à sombra daquela mangueira”, mas uma escola equipada estará, na medida em que tiver profissionais competentes e bem remunerados, em melhores condições de garantir mais aprendizado que a boa vontade, digna de registro daquele que trabalha lá sob a mangueira. Precisamos valorizar cada cidadã e cada cidadão deste país que com o suor do seu corpo engrandece cada vez mais uma minoria de escroques que não merecem sequer o título de cidadãos, aqueles que ao domingo à noite estão na igreja batendo no peito, mas que ao saírem dali são capazes de passar por cima de um pobre indefeso e quantas vezes incapacitado de se locomover mais rápido. Precisamos deixar de pensar tanto em TER e pensar um pouquinho mais em SER.

 

Sou de um tempo em que o professor descerrava placas com nomes de ruas ou lugares; dos tempos em que o professor era o convidado de honra da festa familiar, por mais que prefeito ali estivesse; do tempo em que o pai pedia auxílio ao professor para encaminhar “aquela ovelha desgarrada” que existia na família; do tempo em que o professor era valorizado de todas as formas possíveis. Hoje, mal pago, sacrificado, desrespeitado, é recebido a bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta, balas de borracha (ou de verdade) e cassetete. Os mandantes, os donos do brazil não querem que o professor faça o seu dever de formar cidadãos críticos e capazes de escrever a própria história. A turma do Ali Baba que se implantou no poder quer tomar conta até das vidas miseráveis dos mais pobres, mandando-os matar com o apoio da lei.

 

Pobre país rico onde um bando de analfabetos e ignorante ambiciosos acabaram com um futuro promissor à troca por trinta moedas. A história certamente dará conta daquele lugar que se dizia a sexta potência mundial, mas que não passava do acoite de um bando de canibais travestidos de “homens de bem”. Aqui, terminarei meus dias. Vez por outra a luz já começa a fraquejar e a chama da vela já não tem aquela pujança de quando foi colocada e acesa no castiçal. Mas enquanto tiver uma gota de sangue que irrigue este coração velho não deixarei de lutar, com as armas que tenho, para que se mudem realidades falsas. O país atravessa uma enorme crise e se há neste país alguém que possa realmente mudar a situação catastróficas em que a ignorância nos colocou, esse alguém é o professor com a ajuda do educador, mas infelizmente é uma classe que foi levada a se desunir, a se separar, a olhar para diferentes alvos, em prol da própria existência, ou divergia, ou sucumbia. E o estômago fala alto, porém o orgulho e a diferença de caráter é das razões maiores dessa separação. O imediatismo de uns prejudica o continuísmo o desenvolvimento de outros.

 

É o mundo que temos hoje. Triste mundo. Mas ainda guardo bem alto meu orgulho de dizer que fui professor e que tentei ajudar a tornar as coisas mais amenas. Se não tivéssemos sido nós, os professores, estaríamos certamente pior.

 

Respeitem o professor.

 

31/01/2019

O PESADELO APENAS COMEÇA

 

Hoje eu tive um tempinho para me dedicar a olhar o que restou da nossa já capenga LDBEN. Posso jurar, de pés juntos que quase tive um problema cardíaco. Minha nossa, o que fizeram com uma lei que nasceu com seríssimos problemas de saúde? Se lá nos idos 1997 (vale recordar quem já possa ter esquecido que essa lei data de 20/12/1996) a aprovação daquela lei já causou transtornos, inclusive de interpretação legal (basta ver as emendas, cortes e acréscimos feitos imediatamente após a sua promulgação), imagem agora que um louco assume a gerência da nação e resolve remexer com o sistema educacional do país, de forma a que este se enquadre no hospício que é a sua visão de uma sociedade que caminhava a passos largos para ampla democracia.

Quando em 2001assuni a tarefa de lecionar Políticas Educacionais no curso de Formação Docente, já me debatia com alunos e companheiros de profissão ante as incongruências que famosa 9.496/96 apresentava e mal eu imaginava que poucos dias depois se transformaria numa verdadeira colcha de retalhos, daquelas mal costuradas que se rasgam com a maior facilidade. Quiçá não estava ali, já, o germe do golpe baixo e sórdido que o aís vem sofrendo. O tempo foi passando, algumas políticas dando mais certo que outras e nós íamos esquecendo o texto legal sobre a educação que, sempre na calada da noite, ia sofrendo castrações, restrições e tudo que não presta.

Recentemente, durante o período em que estivemos sob a capa do vampiro mor, fomos surpreendidos até por um notório saber como condição para ser professor (tudo isso registrado no corpo já ultra dilacerado da famosa lei. Após a posse do “esfaqueado” a coisa descambou de vez e hoje, ao tentar fazer uma leitura da dita cuja não sei mais o que é e o que não é válido, tal a bagunça que foi feita. O importante contudo não é a bagunça em si, pois vive por estas bandas tem o costume de viver entre confusões e jeitinhos, e sim as alterações que ele propôs ao que ainda poderia servir.

Recomendo aos diretores de escolas que antes de darem início às atividades contratem um bom advogado (tem que ser um exímio leitor) para ficarem a saber quais atitudes educacionais devem adotar. De minha parte prometo que irei me debruçar, especificamente, sobre a formação docente que esse louco jogou ao vento e para a qual precisamos, usar tubos de cola superbond para remendar os retalhos, e finalmente perceber se algo se aproveita.

Triste país em que nem a educação de seus filhos é prioridade!

 

22/01/2019

A VELHA MOÇA

 

Nascida nos idos de 1939, isto é, ela é mais velha que eu 10 anos e sete dias, mas entre nós os laços são quase aqueles de dos irmãos gêmeos. Crescemos, fomos aos poucos nos construindo e cada qual seguiu seu caminho, separados. Mas apesar da distância a vida nos obrigava a nos aproximarmos, estarmos lado a lado e por vezes nem nos notávamos. Logicamente, herdamos de nossos antecessores o caráter forte, mesmo por baixo de uma aparência frágil que, com o passar do tempo foi se tornando mais forte e, apesar dos meus 70 e dos 80 dela, continuamos fortes e decididos a fazer a diferença no nosso espaço existencial.

Com tudo o que já vivemos, com as “andanças” da vida, nossos caminhos seguem feito duas paralelas: eu dependendo muito mais dela, que ela dependendo de mim. Aprendemos, juntos, a respeitar os mais velhos e por esse motivo eu a enalteço, glorifico, mas quando necessário temos os nossos momentos de inépcia: nem ela com toda a sua idade e percurso realizado, nem eu com minha casmurrice somos donos da verdade. Coexistimos num regime de paz aparente mais provocado pelas nossas “companhias” que pela nossa identidade.

Chamo-a de Velha moça (parodiando Roberto Carlos na música O Velho Moço[1]) e assumo o papel que o RC destaca. Não quero de modo algum comparar-me a ela, que apesar de ser a Velha Moça continua atualíssima jovem, provocadora, atraente, sempre nas mais altas esferas da sociedade letrada e eu, apesar de mais novo, me sinto decrépito perto da sua “juventude”. Voltando à música direi que “(..) Eu sou apenas o que sou – Eu sou um moço velho que já viveu muito – que já sofreu tudo – Que já morreu cedo – Eu sou um velho moço – que não viveu cedo – Que não sofreu muito – mas não morreu tudo – Eu sou alguém livre – Não sou escravo e nunca fui senhor – Eu simplesmente sou um homem (...)” que ainda acredito nela.

Vamos acabar com o enigma: A Velha Moça é a Pedagogia, criada pelo decreto lei nº 1.190 de 04 de abril de 1.939, mas que ainda hoje nos faz erguer uma sobrancelha e nos deixa arrepiados quando percebemos que nem tudo corre como deveria. Em todo caso, quero aqui registrar para as devidas reflexões que deveríamos fazer em conjunto, mas como eu digo, o barulho de muitas cabeças pensando incomoda quem não gosta de fazer nada. Eu, o Velho Moço, sou um pouquinho tudo isso que o RC diz: Já vivi muito, já aprendi alguma coisa (nunca o suficiente), já morri um pouco, principalmente no meu ímpeto de ir lá e fazer, mas conservo intactas as minhas habilidade intelectuais e isso me possibilita dizer que “ainda não morri tudo”!

Sei que é cedo, mas antecipo aqui o aniversário da nossa querida Pedagogia e que nós saibamos, no transcurso deste ano, valorizar ainda mais esta ARTE que não é só a docência, como muita gente julga.

PARABÉNS PEDAGOGIA E PEDAGOGOS/AS

 

[1] Relembre aqui: https://www.youtube.com/watch?v=G-wjZBCilxw

 

15/01/2019

O meu texto de hoje tem a pretensão de fazer uma homenagem e de marcar um posicionamento a respeito de um dos maiores problemas que a nossa educação enfrenta, que não são poucos. Já aqui falei (repito-me, portanto!) sobre o caos que se abateu nestes dois últimos anos sobre a área educacional e não tem permitido grandes análises ou tomadas de posição; tudo que tem surgido tem tido a capacidade de me deixar perplexo, acredito que o mesmo aconteça com muitas mais pessoas. O mínimo que se espera é que apareça um “pacificador” que nos traga elementos que possibilitem pensar minimamente o trabalho que teremos que desenvolver dentro de dias com a volta às aulas.

Eis que, zapeando pela Net, me deparo com as declarações do Sr. Secretário de Alfabetização, título pomposo que por si só já merece uma vênia, a propósito do nosso processo de alfabetização. A reportagem é da UOL e pode ser acessada pelo link da seção Educação, ou aqui: https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2019/01/14/contra-ideologia-novo-secretario-de-alfabetizacao-quer-mudanca-no-ensino.htm

O Sr. Carlos Nadalim é mais uma cria do “grande philósopho” Olavo de Carvalho – aquele que afirma que a terra é plana e quadrada. Para quem desconhecer os dois, esta referência inicial não deve ser de grande proveito, mas acredite, não está perdendo nada se não conhecer. São da mesma turma da ministra Damares. A educação brasileira, sendo educação brasileira: campo de pouso de paraquedistas que vez por outra, parecem ter sido jogados fora da aeronave que o transportava rumo ao mundo louco em que vivem.

Após este pequeno introito, quero prestar a minha homenagem à Professora Magda Soares que, do alto de seus 86 anos, mostra mais lucidez e visão futurista para o processo de alfabetização que esse Sr. Secretário e seu guru.

Quem me acompanha sabe que eu luto por um processo de alfabetização que conduza nossas crianças a um aprendizado de qualidade. Não vou brigar pelo método – para mim que seja o método fônico ou aquele outro método construtivista, discuto processos. Talvez eu esteja errado (e se estiver, estendo minha mão à palmatória), creio que falamos de coisas distintas: ou seja, entendo por método: a maneira, a teoria que dá sustentação a uma prática; entendo por processo: o conjunto de fatores capazes de desencadear a aprendizagem da leitura e da escrita conscientes, ou seja, atingir o letramento. Que métodos usar para desenvolver esse processo? Qualquer um, ou todos em conjunto, repito, não me interessam os métodos e sim o produto final, para isso preciso ter clareza de que todos somos diferentes e temos maneiras diferentes de aprender.

A criança, ao adentrar a sala de aula, no primeiro ano do fundamental, já domina um mínimo de três mil palavras. Convém aqui abrir um parêntesis para discutir o seguinte contexto: se acriança já domina três mil palavras, podemos dizer que são três mil palavras que ela conhece, sabe-lhes o significado, pelo menos o significado que ela, criança, dá àquela palavra. Vamos a um exemplo: a criança fala “casa”, ora ela conhece a casa, a sua casa que certamente não é igual à casa de seu amiguinho, mas é a “casa”. A educação escolar não tem que se preocupar com qual/como é a casa: bonita, alta, baixa, feia, nova, velha. Ela é simplesmente a “casa” e deverá ser, por exemplo, a partir desse conceito que a criança faz do que seja uma casa que se deve começar a trabalhar. Sempre me repito ao dizer que precisamos trabalhar a concretude com as crianças e não (neste momento, bem entendido) a abstração. Veja: “bola”, “lápis”, “mesa”, “cadeira”, “sol”, “luz”, “escuro”, “pai”, “mãe”, “irmão”... imagine o mundo que essa criança já conhece, mas o que nós fazemos? Meninos, hoje vamos aprender a família do “B”. A criança entra em parafuso, pois a família que ela conhece é a dela e a do seu vizinho, se tiver um. A partir desse momento, mesmo que involuntariamente, a criança começa a perder a confiança na escola: “querem que aprenda coisas que não me interessam. Queria mesmo era aprender alguma coisa que me ajudasse a levar um pão para casa, ou a ajudar papai lá no trabalho dele”.

Sou quase contemporâneo da Professora Magda Soares, devemos, portanto ter estudado em cartilhas minimamente semelhantes. O método utilizado naqueles tempos era o fônico, mas até para isso há uma explicação que me parece plausível: nos anos em que eu aprendi a ler não tínhamos tanta facilidade de contato com a linguagem escrita como temos hoje.  E creio que foi por isso que eu aprendi medianamente a escrever, pois fui construindo o meu saber na relação oralidade/representação gráfica. Quando eu falava a palavra “pau”. Sabia o que era, de onde vinha e para o que poderia servir e a isto eu chamo de letramento. Nos tempos atuais somos bombardeados por discursos: orais, escritos e imagéticos.

Então, o que me preocupa, hoje, é que em troca de “ideologias” como as que estão sendo propostas pelo atual governo – que analfabeticamente diz que vai acabar com elas, não entendendo que vai tirar uma e colocar outra em seu lugar – não tenham a coragem de estabelecer, através de diálogo franco e aberto com toda a sociedade (por mais alienada que ela se mostre) uma política educacional de Estado, acabando com as picuinhas das discussões descabidas sobre a questão de gênero, das cores que meninos e meninas devem vestir, se mulher com mulher é feio, se anjo tem sexo.

A educação precisa melhor, muito, mas estou com a Professora Izolda Cela: “Eu acho uma perda de energia, tempo e neurônios estabelecer essa guerrinha, essa oposição entre método fônico e um método mais global ou construtivista. É absolutamente improdutivo...”.

É hora de pensar com seriedade o futuro do país que queremos construir e não discutir como quero que o país seja para que eu me possa dar o melhor possível na vida. O Brasil entrou direitinho, de cabeça, na onda do individualismo: Cada um por si (venham lá as armas!) e Deus por todos (que as igrejas continuem suas mamatas). A escola vai ajudar a consolidar esta asquerosa maneira de pensar sem o outro!

 

13/01/2019

Ultimamente – não faz tanto tempo assim, pois trata-se de um fenômeno que só venho notando desde a virada do ano, portanto a considerar a data de hoje, há exatos treze dias – tenho fiscalizado na medida do possível a evolução das visitas a este meu site e qual não é a surpresa e principalmente a admiração de perceber que do dia 03/01/19 a esta data (13/01/19) o número de visitas atingiu a marca das 5.000 (isso mesmo, cinco mil visitas em dez dias).

 

É claro que fico muito feliz por saber que tem gente que até aqui em busca de algo e isso é o que me atormenta, por dois motivos:

1 – não sei quem são, nem o que buscam, pois não há interação entre nós;

2 – não podem dizer que são meus amigos, pois no Face tenho pouco mais de 200 amigos e no twitter não chegam a 100.

 

Esta situação me deixa perplexo e perquiridor. A perplexidade fica por conta da ausência de qualquer manifestação (positiva/negativa) aos meus escritos, que eu chego a chamar de loucuras pró revolucionárias; a perquirição, por sua vez, diz respeito à falta de críticas, de contestações ou até mesmo reconhecimento ou negação do que vou afirmando/negando nos meus escritos.

 

Todos nós – uns mais que outros – gostamos de receber sejam elogios, sejam reprimendas que nos façam refletir de outra forma, mas a mim não me tem sido dado o prazer de receber nada disso. Não podem dizer que não têm como interagir, pois, algumas páginas, não todas é certo, têm uma caixa de diálogo que podem usar para se comunicarem comigo através de comentários, perguntas, acusações, reclamações, sugestões, enfim, e existe na página inicial do site toda a informação do meu endereço eletrônico através do qual também há a enorme possibilidade de interagir.

 

Tenho consciência de que muito daquilo que digo (às vezes até repito) não traz grande novidade para os leitores. Muito do que escrevo são “sentimentos” pessoais e quantas vezes “de momento” e que isso não contribui em grande coisa para o mundo acadêmico que vivo. Talvez consiga impressionar alguns neófitos na docência, mas aí novamente vem a pergunta, de onde vem esse número elevado de visitas ao site? Eram, no momento em que comecei a escrever este texto, 28.309 visitas. Ao terminar, farei novo levantamento e deixarei aqui registrado para ver se alguém me ajuda a compreender, então esse fenômeno.

 

Não pensem que estou me envaidecendo ou que ando em busca de “celebridade através dos licks, ou da quantidade de visitas. Nada lucro com isso a não ser o saber que tenho amigos ou até inimigos em grande quantidade e que infelizmente não conheço, por não se mostrarem.

 

Bem, já escrevi sobre esta minha preocupação e por hoje só me resta anunciar que terminei a escritura de um pequeno livreto que após revisão e devido processo será publicado, espero eu que seja lançado no dia do meu 70º aniversário. Um segundo, que trará a minha dissertação de Mestrado que tanto se adequa ao momento que vivenciamos também está em fase final de arrumação para seguir para publicação.

 

Este ano promete!

 

Ia esquecendo: a marca das visitas, neste momento é de: 28.317. Ou seja, em pouco mais de 15 minutos tive oito visitas.

 

A todo/as muito obrigado!

 

05/01/2019

O ano que talvez não devesse ter começado!

 

Ainda não descobri em qual categoria devo colocar o povo brasileiro, se nos acomodados, nos despreocupados, nos “não estou nem aí”, nos oportunistas que esperam que as coisas caiam dos céus, sinceramente não sei!

 

Vejo e sofro a cada instante agressões gratuitas vindas de gente menos preparada para assumir postos decisivos na vida da nação e não percebo a menor movimentação desse povo que aqui na internet se diz usado, vilipendiado, roubado, excluído. Sinto-me como se estivesse em minha residência e um estranho entrasse e passasse a dar as ordens, a comandar nossas ações sem ter a menor resistência: “um peraí”! Nada.

 

Olhando a situação de uma posição de animal perdido do rebanho, parece-me que nada fará estourar a manada, e um a um, todos caminharam alegres e felizes para o matadouro tal qual o peru da Sadia. Quando abro os jornais do exterior e percebo as movimentações realizadas por grupos de profissionais que se identificam pela cor da roupa que vestem, ou pela cor da caneta que exibem, que obrigam um governo a retroceder sobre as medidas anunciadas, sinto um orgulho imenso de dizer que sou trabalhador. Quando esses trabalhadores exigem a saída de um presidente da república eleito democraticamente, apenas por não cumprir o prometido ou querer ir além dos interesses maiores de seu povo, dá vontade de fazer parte do grupo. Quando parte desses trabalhadores são professores que querem ser respeitados, valorizados socialmente, bem pagos e com condições de trabalho adequadas ao bom desenvolvimento de suas atividades, aí eu exulto. Imaginem o que esses trabalhadores a que me refiro escutassem da pessoa eleita, que ele não será o presidente delas... a guerra estaria declarada! Aqui, fica por isso mesmo, sentam em cima da Constituição e urram aos sete ventos que a lei são eles e todos baixam as orelhas e enrolam o rabo.

 

Isso é luta de classes! Isso é democracia: o governo do povo para o povo, não uma associação de colarinhos brancos e mãos sujas que visam apenas os seus mais recônditos desejos, nem que para isso tenham que “matar cem mil”. Se em vez de ameaçar matar, matassem a fome e a miséria desse povo talvez tivessem mais paz e tranquilidade, talvez não precisassem de andar em carros blindados e o seu sono seria bem mais tranquilo. Mas o ser humano é assim mesmo, egoísta por natureza e avarento por opção.

 

O mundo, não é só brazil, está virando um imenso manicômio onde o mais sadio das faculdades mentais quer ser o dono de tudo que seus olhos remelados conseguem ver. A briga, entre os loucos, é para ver quem consegue cometer a maior atrocidade para com a sociedade de modo geral.

 

Estamos bem servidos, pois o trem está sem freios e o mecânico há muito bateu em retirada. Ele que estava certo e não me venham dizer que os ratos são os primeiros a abandonar o navio. Conheço um, verde e amarelo, jamais vermelho, por mais que seu nome signifique “braseiro”, que está servindo se bote salva-vidas para esses ratos todos. Resta saber se depois de tanto buraco roído no queijo, restará alguma coisa para segurar o bote à superfície ou se seremos todos sugados pelas bombas estratoras do ouro preto do pré sal.

 

Ref: http://br.rfi.fr/franca/20190104-canetas-vermelhas-apos-coletes-amarelos-ira-de-professores-se-alastra-na-franca?ref=fb

 

31/12/2018


Se nós vivermos bem o hoje, amanhã será um novo dia. Dos meus 70 janeiros que já vivi, nunca esperei tão pouco do ano iniciante quanto este que se aproxima. Vejo, ao contrário e com marcante desânimo que o "mundo brasileiro estará entrando em processo de retrocesso violento capaz de nos conduzir a práticas próprias da Idade Média.

Mas bem, eu estou aqui para encerrar meu ano de atividades "intelectuais", que não foi tudo aquilo que poderia ter sido, caso não tivesse sido acometido de doença renal crônica, fato que me obriga a relações íntimas e profundas com uma máquina de Diálise, três vezes por semana. No início essa nossa relação foi problemática, sou do tipo "possessivo", mas desta vez nada de carregar a "dama" ´para casa, tenho que visitá-la numa clínica especializada e com ela me relacionar diante de pelo menos mais uns vinte parceiros de sofrimento. Ela me chupa o sangue, todinho até a última gota, usufrui dele por quatro horas ao final das quais me abandona extenuado.

Pois bem, tenho, hoje, esse tratamento como a possibilidade de alongar uma existência graças à tecnologia/ciência que o governo que vai apossar-se ilegitimamente amanhã está condenando ao abandono (pelo menos ao abandono financeiro, tão necessário para o desenvolvimento tecnológico do país). Enquanto estive na ativa (docência) sempre prezei por formar cidadão críticos, mas hoje me vejo quase manietado por uma população que mais parece sofrer de acefalia que gozarem de perfeita saúde. Não podemos fazer tudo.  Precisamos compreender que, pelo uso do cachimbo, o brasileiro tem a boca torta e isto, entenda-se, fez com que muitos que se beneficiaram do governo popular, de cunho socialista, ou pelo menos progressista, tivesse voltado a fumar cachimbo. Entortaram a boca que haviam endireitado.

Parece ser um mal facilmente transmissível e que percorre grandes distâncias em espaços de tempo relativamente curtos, basta que olhemos à nossa volta e percebamos que a maioria dos países que tinham governos progressistas voltaram todo para uma posição extremista de direita. São as famosas crises do capital fazendo arruaça com a população mundial.

Mas bem, no novo dia que inaugurará novo espaço considerado anual terei o prazer de estar de novo com vocês, não prometo para não faltar, mas se estiver será com o máximo prazer, tanto mais que apesar de não haver grande interação entre eu e vocês, sinto-me extremamente honrado quando olho para o marcador de visitas e vejo que ultrapassei a casa das vinte e cinco mil visitas (25.799) no momento em que escrevo este texto. Não tenho outra forma de agradecimento que continuar o que venho fazendo.

Lamento não poder me dedicar mais à pesquisa aplicada que vinha desenvolvendo com a educação de crianças do ensino fundamental (anos iniciais), pois não estou mais a serviço da universidade, muito embora ainda não me tenham aposentado, estou somente afastado para tratamento de saúde enquanto a aposentadoria não chega. Por esse motivo fico vários atributos necessários ao bom desenvolvimento das pesquisas: o prestígio e "passe" livre que a universidade nos concede automaticamente pela relação com a educação básica; a falta de bolsistas que são, a bem da verdade, quem pratica a pesquisa e nos traz dados para teorizarmos. Se for só isto já não é pouco.

Tenho mais tempo para refletir, estudar, teorizar, a isso tenho-me dedicado. Tenho escrito bastante. Quero me presentear com a edição de um livro só meu. Tenho três em conclusão, não sei qual deles editarei primeiro, ou se será o único, de qualquer forma quero-o como presente dos meus 70 anos. Restam-me pouco mais de dois meses para terminar a escrita para que depois possa ser editado em tempo para o meu aniversário. Confio na minha boa vontade que é o mais importante elemento para o sucesso em qualquer empreendimento.

Sendo assim, mais uma vez agradecer as vossas visitas e lhes deixar meus votos de que todos consigam atingir a felicidade que almejam.

Por hora só lhe digo até amanhã.

 

26/12/2018

Das releituras que venho fazendo, tenho notado, em oposição à atual (ou deveria dizer à mais atual) crise da educação brasileira que se vem manifestando pela ação desse debiloide que não tem sequer noção do seja o processo educacional (prova disso é que não consegue articular duas frases seguidas com sentido sem misturar as bolas, mostrando assim, que a força da politicagem é muito maior que a força do saber e chegou à presidência da republiqueta das bananas em que transformaram o Brasil), que estamos retornando sobre os passos já dados e nos aproximarmos do modelo educacional romano (a.C.).

Sêneca dizia, do alto da sua teoria> "Non scolae, sed vitae est descendu" (não se deve ensinar para a escola, mas para a vida)" (GADOTTI, 2002, p.43). Por seu turno, Plutarco "insistia que a educação procurasse mostrar a biografia dos grandes homens para funcionar como exemplos vivos de virtude e de caráter" (idem). E quero ficar nestes dois pensadores para elaborar um pensamento um tanto obtuso que espero lhes faça pensar um pouco.

Efetivamente, a nossa educação (mostrada nos muros das grandes e médias cidades) está centrada na escola, que o digam os outdoors da vida que nos saturam com a sua poluente insistência que esta ou aquela escola é melhor que as demais, nem que para isso tenham que comprar a imagem de um estudante de outra escola, como acontece amiudadas vezes. Estão preocupados em promover a escola e não os estudantes, não falam deles em geral, falam de alguém em específico como se esse alguém, por si só tivesse a capacidade de representar todos os outros estudantes que sofrem, muitas das vezes, para acompanhar minimamente o que lhe querem enfiar cuca abaixo, por não importa qual método, pois papai paga para isso. Não há um olhar, enviesado que seja para escola pública, a essa destinamos os piores métodos, os piores professores, as mínimas receitas.

Mas pelo outro lado, temos com a teoria de Plutarco, a disseminação da prática daqueles que os mandatários têm como exemplos. Aqui para nós, ter que encarar o escárnio contra um Paulo Freire em troca a um PornoFrota ou ao "cavala paraguaio" com suas ideias de jerico é, no mínimo assustador, para não dizer tenebroso.

Vou voltar a cair na mesma cantiga, já desgastada de tanto ser ouvida (o disco já deveria ter furado, mas como ainda é daqueles feitos nos bons tempos, tem resistido), mas não encontro jeito, a não ser se alguém tiver coragem de enfrentar a ditadura que se está instalando e estabelecer um Programa Educacional de Estado elaborado pelos pensadores nacionais da educação em plena discussão com a sociedade em geral e os professores de uma forma específica. Enquanto cada bosta que entrar no governo puder e quiser agir a seu bel prazer e sob a batuta de outras potências, nós estamos na mó de baixo, seremos sempre perdedores, seremos sempre escravizados, pois a educação escolar de qualidade será destinada, como lá nos velhos tempos (primórdios) aos futuros "dirigentes", à elite dominadora e interesseira.

Hasta quando?

                                 

12/05/2018

E a educação vai de mal a pior...

 

O “incêndio” que devora a qualidade da nossa educação não pode ser negligenciado e nem tentar apaga-lo com medidas paliativas. Um incêndio se debela atacando-lhe a base. Para resolver a “crise” na educação é preciso utilizar a mesma técnica.

 

Este assunto, para mim é recorrente, pois entendo – mas não quero ser o dono da verdade – que para melhorar a educação é preciso investir muito mais que a miséria que estes governos têm praticado. Os governos de esquerda quiseram dar uma alavancada e para isso propuseram um percentual dos lucros do pré sal. Foram derrotados, expulsos e até presos, enquanto as nossas riquezas são repassadas para outros países, a troco de algumas migalhas que ainda faltam para locupletar o bando que se apossou do Brasil.

 

Não havendo mais que fazer – na fraca imaginação do atual governo – vêm anunciar mais uma medida esdrúxula: A avaliação da educação infantil. Trata-se de mais uma medida paliativa que não produzirá que efeitos pífios. A própria legislação vigente – a LDB 9.393/96 – não preconiza esse tipo de avaliação. Consideremos que a EI é uma preparação para o mundo escolar, embora possa ter alguns poucos conteúdos ministrados, muito mais destinados a socializar a criança que outra coisa. Ora, essa socialização não pode ser medida através de processos avaliativos, são os docentes quem deve ficar encarregado de realizar esse processo da melhor maneira e avaliar a evolução da criança através das atitudes e modos de se socializar.

 

Na minha opinião – e as opiniões pertencem às pessoas assim como os fatos pertencem à verdade – as maiores debilidades do país estão relacionadas com a formação profissional e vocacional, e isso é um dos muitos aspectos que prejudicam a educação. Tenho batido e rebatido essa tese desde muito tempo (tem sido para mim aquilo a que chamamos de “cavalo de batalha”), junto aos meus companheiros de profissão. Tentei, por várias vezes, mostrar, no curso de pedagogia, que o modelo de formação que ali é ministrado não forma ninguém, para nada. Em pesquisa que realizei em todos os semestres – através da prova do Mais Educação, apenas do segundo ao quinto ano – tive a confirmação do que aqui assevero a respeito da formação, pois um percentual elevado de “futuros professores” errou uma simples conta com uma subtração. A publicisação dos resultados dessa pesquisa que já estão tabulados, surgirão num artigo que espero publicar ainda este ano (possivelmente só no segundo semestre).

 

Há, ainda, a comprovação que os muitos programas de formação docente criados pelo governo, principalmente para aqueles professores que já estão no chão da escola, têm se mostrado ineficientes. Há o rouba descarado do dinheiro que é destinado à educação, ou, também deslocado para outras áreas. Algo que me assusta é forma como a merenda escolar (quantas vezes a única refeição de parte das crianças) é utilizada para que nossos políticos enriqueçam às custas da fome de quem não como se alimentar. Veja-se o exemplo do governo de São Paulo que botar a mão na grana fácil, retirou a carne ou o frango da merenda e passou a oferecer ovos que faturou a R$12,50 a unidade. E não vão presos, em contrapartida quem possibilitou ao pobre ter três refeições diárias está detido e incomunicável.

 

Por outro lado, há na nossa educação uma prática de “igualdade” entre os estudantes, para mim essa igualdade não passa de uma falsa promessa de democracia. Sou menos pela igualdade e muito mais pela equidade. A diferença é absurda entre esses dois conceitos. Essa avaliação, se realizada, servira apenas para começar a rotular os estudantes, praticamente ao nascerem. Espero que os “pensadores” dessa “grande” parafernália que é a nossa educação coloquem a mão na consciência e permitam o aumento das verbas para a educação e que exerçam o dever de fiscalizar a aplicação desse dinheiro. Tudo começa a melhorar quando os meios para se alcançarem objetivos melhoram. Mas infelizmente, nesta República das Bananas os responsáveis pelo desenvolvimento do país, que nós elegemos (bem ou menos bem), só têm um objetivo: Roubar o máximo que puderem. Assim fica difícil! As políticas públicas são meras letras mortas que serve aos desejos dos corruptos que em tudo levam um terço. Não, não se trata de religiosos, são, antes do mais exploradores do suor alheio. O Brasil precisa ser eliminado do mapa e depois recriado.

 

Tentando resumir meu pensar a este respeito digo que quando o sucesso de uma política de educação se mede por aquilo que foi desfeito e não por aquilo que foi feito, é bastante revelador.

 

Eu continuo a minha luta! Venha lutar você também!

 

 

11/03/2018

Hoje sou um professor afastado das atividades docentes, em situação de pré-aposentadoria e esta situação me permite pensar com um pouco mais de liberdade, isto numa comparação com os tempos de sala de aula, nos quais os afazeres e as situações criadas não permitiam uma tranquilidade maior para a reflexão. É, portanto, nesta nova situação que tenho passado a examinar as práticas docentes.

 

A diferença já começa aqui: examino as práticas e não tanto as teorias. Não negligencio nenhuma delas, apenas valorizo cada uma em seu lugar no contexto que pretendo examinar aquelas.

 

Para fazer essa análise preciso de um parâmetro de progresso permanente. Escolho, para isso a evolução do telefone celular. Apenas para contextualização devo declinar que uso esse tipo de aparelho há tanto tempo quanto sou docente (já faz uns aninhos, a pensar que o meu primeiro celular era reconhecido pelo apelido de tijolão), por essa época já ministrava minhas aulas de Estrutura e Funcionamento do Ensino, no curso Pedagógico do Ensino Médio, lá no UV8 do Conjunto Ceará. Hoje, quando essa disciplina foi transformada em Políticas Educacionais, mas continua a ter a mesma ementa, utilizo há pouco mais de seis meses um já arcaico MotoG5.

 

O paralelo que desejo estabelecer com a última frase do parágrafo anterior é o que me faz pensar que nós, docentes, não acompanhamos a evolução da construção dos saberes que afirmamos em nossos cursos. Permanecemos no tempo do tijolão quando a ciência já está quase prestes a abandonar a nanotecnologia. Mas será culpa nossa?

 

Apenas em parte (pela acomodação), mas a grande responsável pela inércia dos processos educativos adotados nas escolas é, sem dúvida alguma, a política educacional engessada pelo poder econômico em torno de um limite de conhecimentos que cada um pode e deve ter, segundo a visão desse tal poder econômico. Precisamos conhecer, mas não mais que o suficiente ao desempenho de nossas funções, de forma a atender as necessidades de produção do sistema capitalista. 

 

Quero lançar um desafio aos meus parceiros formadores através de umas simples questões: Quantas vezes você já alterou o seu texto básico nos últimos cinco anos? Ou continua ministrando aula sempre seguindo a já surrada sebenta? Já imaginou o quanto o conhecimento já evoluiu e você aí, paradão/ona, contando a mesma história?

 

É curioso como o empregador consegue perceber melhor os graves problemas da escola – embora nada faça para resolver a distorção -  e esta, a escola, não consiga perceber as carências que lhe afetam em relação a esses problemas. O empregador, ciente das deficiências educacionais formativas, não pretende saber mais aquilo que o candidato a uma vaga diz saber, prefere perceber aquilo que o candidato sabe fazer do que diz conhecer. E a nossa escola continua a subir (que passe aqui a parábola da Dona Aranha), carecendo de uma forte tempestade para a derrubar.

 

O preço que pagamos é muito alto e deveria ser motivo para nos assustar e se transformar nessa tempestade que derrubara a Dona Barata. Sinto uma vergonha, que não é alheia, quando leio/escuto/vejo reportagens dando conta de médicos incapazes de fazer a leitura de um simples teste de glicose que detecta o diabetes, para ficar neste único exemplo.

 

Não se trata da defesa, da minha parte, do pragmatismo puro e simples, nada disso, o que defendo e defenderei sempre é que, em educação escolar, deveremos sempre teorizar as práticas e não praticar as teorias. Aliás, acontece uma grande contradição entre aqueles que defendem a segunda vertente (prática das teorias), pois exultam quando afirmam para seus discentes “Aprendam com os erros”! Aprender com o erro é executar a primeira vertente (teorizar a prática). Mas o pensamento continua lá em Marrakech!

 

22/02/2018

Apenas para relançar. Trago um pensar construído na análise da situação política que o mundo vive na atualidade. A reflexão parte de um comentário de um colega de armas que adapto à língua brasileira e trago um pouco mais para perto da nossa realidade.

A culpa das desigualdades sociais não é dos ricos, porque isso é o que a esmagadora maioria gostaria de ser, veja-se os milhões de pessoas que todas as semanas tentam a Mega Sena. A culpa é dos que não querem, não podem ou não sabem exigir os seus direitos. Uns querem, mas não podem; outros podem, mas não sabem; outros sabem, mas não querem.

Tudo na vida é binário, noite/dia, preto/branco, molhado/enxuto, negativo/positivo, capital/trabalho. O equilíbrio consegue-se com a intensidade das lutas entre as partes. O capitalismo, seja privado ou de Estado, é uno e homogêneo, já os trabalhadores dividem-se, hostilizam-se ou acomodam-se em vez de se unirem, tendo sempre presente a parábola dos sete vimes.

A classe política joga um jogo de altas fichas, faz apostas gigantescas sobre esse elemento que, infelizmente, se verifica por todos os setores da vida do trabalhador: a falta de uniformidade capaz de formar uma maioria significativa e representativa da sua vontade. Sobre isso, sobre a  divisão classista, os políticos investem pesado para alcançarem pesados lucros. E se dão bem. Quando não ganham, roubam, pois não há quem os impeça.

Para virar esse jogo só através da união (sinônimo de força) das classes em situação menos favorecida. É nesse sentido que refiro a parábola dos sete vimes. 

 

21/09/2017

Apenas para situar este texto pretendo esclarecer o que eu entendo por ponto de vista. Assim, no meu entender, o ponto de vista serve para criar uma polêmica a respeito de uma ideia e em torno da qual se espera encontrar uma consensualidade. Este desejo de conceituar o ponto de vista está diretamente ligado ao assunto que hoje venho abordar, pois estimo que ele fará correr muita tinta. Portanto, e ainda que muitas pessoas possam discordar, espero que entendam que se trata apenas disso: um ponto de vista e que como tal deve ser encarado e discutido, já que esse é um dos seus objetivos. Mas vamos ao caso.

 

O assunto sobre o qual quero emitir este ponto de vista é o PLS 336/2017 (Projeto de Lei do Senado) que pretende anular a aprovação automática, também conhecida como progressão continuada, praticada no sistema educacional brasileiro. Por si só, a partir do enunciado, já começa a deixar os cabelos em pé a muita gente. Acredito, piamente, que já se levantaram muitas vozes – favoráveis e contrárias – a tal iniciativa. Precisamos argumentar para não fazermos juízos de valor vazios, ocos ou, simplesmente, movidos pela/o paixão/ódio gestada/o ao primeiro contato com a ideia.

 

Se atentarmos para o passado mais próximo deparamo-nos, de imediato, com a verdade manifestada na sentença: “ninguém valoriza o professor”. É, infelizmente, uma imensa realidade. Do político ao aluno, passando pelos pais desses alunos (sociedade), ninguém dá a mínima ao professor. Bons tempos foram aqueles em que um professor liceal tinha status de desembargador! Hoje, nem no comércio lhe confiam crédito para comprar algum material para trabalhar (já que o governo não oferece). Traduzindo: a nossa educação está desvalorizada.

 

O nosso professor é agredido física e moralmente  no chão da escola porque há muito ele perdeu a força do respeito que a sua caneta impunha. Hoje, professor não é mais o espelho no qual os alunos pretendem ver-se refletidos, preferem aventuras mais fortes, pois o professor, por força da desqualificação que as políticas educacionais foram introduzindo, não passa de alguém, cafona, que pretende modelar as mentes “imaginativas de nossos aborrecentes”.

 

Perderam-se os referenciais, como nos diz Michel Serres (2012), a respeito da nossa juventude: “Ils sont formatés par les médias, diffusés par des adultes qui ont méticuleusement détruit leur faculté d’attention en réduisant la durée des images à sept secondes et le temps des réponses aux questions à quinze, chiffres officiels ; dont le mot le plus répété est « mort » et l’image la plus représentée celle de cadavres”[1].  Pode parecer um tanto macabro, mas tenhamos um pouco de capacidade analítica para olhar à nossa volta: o que percebemos? Isso mesmo. Qual o atrativo que oferecemos às noveis gerações? Uma TV que aliena? O desemprego que mata de fome? A droga que aparentemente alivia o sofrer? Uma família desestruturada? Uma sociedade podre?

 

Depois... depois vem o momento em que você tem que enfrentar na universidade a esse jovem “promovido por força de lei”. E o vazio se aprofunda. Continuamos a fingir – sim, é isso mesmo – a fingir que ensinamos a quem finge ainda mais que aprende. Pergunte aos nossos acadêmicos quantos livros completos leram ao longo do seu curso. Não se surpreenda se a resposta for: “nenhum”, ou “bem poucos”. É... eles não gostam de ler, porque não sabem ler, ninguém lhes ensinou nos tempos de “escola obrigatória”. Repare nos termos: escola obrigatória. Sacrifício! Não há prazer em ir para uma instituição que mais parece um estabelecimento correcional, com grades (curriculares e de ferro), disciplinas (de estudo e comportamental) impostas, onde esses “feitores” nos obrigam a aprender um montão de coisas que não nos interessam e que já fazem parte dos museus do som e da imagem. Mas, é por que não lhes ensinaram? O círculo começa a não se fechar. Porque não há obrigatoriedade de “aprender agora” – é preciso respeitar o ritmo de cada criança que, com essa ideia vai sendo promovida até sair da escola sem dominar minimamente aquilo se aguarda que ela aprenda: a ler e escrever! São “o futuro da nação”, visto que a nação os quer analfabetos para melhor os dominar.

 

Volto a Michel Serres (2012) que nos dá uma imagem bem real da atual situação do professor, uma situação que o “Deus mercado” foi construindo através de, ou sobre, uma desconstrução. Diz ele que perdemos para os médias: ”Critiqués, méprisés, vilipendés, puisque pauvres et discrets, même s’ils détiennent le record mondial des prix Nobel récents et des médailles Fields par rapport au nombre de la population, nos enseignants sont devenus les moins entendus de ces instituteurs dominants, riches et bruyants”[2].  

 

O PLS 336/2017 traz em si uma pequena, porém considerável, possibilidade de resgate da “dignidade profissional” do professor que, ao retomar em mãos o controle da caneta azul e/ou da caneta vermelha, terá a oportunidade de se transformar, novamente, num orientador, no amigo, no conselheiro, no espelho, jogando para bem longe a imagem do palhaço que nos faz rir e a quem podemos maltratar sem que incorramos no risco de sofrer alguma punição. No entanto, tudo só passará a funcionar dentro de previsto depois que o círculo se fechar completamente. Esse círculo é muito grande, complexo e exige medidas que podem parecer draconianas a muitos dos habituados ao conformismo. Não há uma só instância na qual o círculo possa permanecer como está. Não há como obrigar, precisa que se trate de um construto, de algo permanentemente moldado de acordo com as transformações que forem sendo produzidas. Não é coisa de pouco tempo. Para desconstruir, basta uma canetada; para construir é preciso uma mão de obra especializada, um trabalho constante e vigoroso, uma engenharia que garanta as resistências e, principalmente, materiais de primeira linha.

 

Finalizo afirmando a minha crença nas vantagem da proposta da retomada em mão da nossa educação. Que se aprove o PLS 336/2017.

 

[1] De Michel Serres (2012). Petite Poucette. "Eles são formatados pelas mídias, transmitidas por adultos que destruíram meticulosamente sua faculdade de atenção reduzindo o comprimento das imagens para sete segundos e o tempo para respostas às perguntas a quinze, números oficiais; cuja palavra mais repetida é "morte" e a imagem mais representada é a dos cadáveres” (numa tradução livre, minha). Pode localizar em: https://www.sendspace.com/file/uyw29h  

[2] Idem. "Mesmo que eles mantenham o recorde mundial dos vencedores do Prêmio Nobel e das medalhas ‘Fields’ em comparação com o número da população, os nossos professores se tornaram os menos ouvidos entre esses instrutores dominantes, ricos e barulhentos” (tradução livre, minha)

 

07/07/2017

O ponto de vista de hoje vai ser curto, porém objetivo.

Estive (ainda estou) sob ameaça de ter que fazer uma cirurgia de catarata, nada muito preocupante, principalmente para quem tem um sistema da visão completo, eu já sou mono ocular. Aí o nó arrocha! Mas não é sobre que quero versar nesta noite de sexta-feira.

O "temeroso", o desarticulado marionete nas mãos do Eduardo Cunha, se prontificou, com alguma resistência, a fazer mais um papel de bobo, desta feita junto ao G20.

Do meu ponto de vista, anotem o dia e hora que digo isto, ao retornar ao Brasil será imediatamente conduzido para trás das gades: terá sido deposto! Não merece melhor destino: quem trai, merece ser traído!

O #JAMAISMAIA já antecipou, neste dia, a parte mais controversa de seu "projeto de governo" e durante um relativo pequeno espaço de tempo terá sonhado profundamente com a possibilidade de vir a ser o presidente do Brasil. Conta com o apoo dos golpistas menores (em importância) para lhe darem apoio. Cumprirá sua sina de JUDAS, Trairá. E nem vai precisar das tintas moedas! Enquanto o seu sonho não vira pesadelo, aguentemos o "ÍNDIO DA ODEBRECHT" tentar anular a sua dívida de milhões junto à união. Só depois pensamo no "Botafogo" que aliás, até como time de futebol anda um tanto mal das pernas!

Triste nação que tem como possibilidades (por força de lei) de ser dirigida por um grupo de ladrões inescrupulosos.

Aí está! Cumpro a sina, antecipando o #FORAMAIA

 

18/06/2017

Meu pangaré pocotó

 

Já, em idos tempos, foi chamado de “meu corcel lutador” ou “cavalinho de batalha”, mas hoje, coitado, cansado de guerra, já não passa desse pangaré anunciado. Claro que digo a que ou a quem me refiro: à luta que travo (em consonância com tantos outros reais e leais companheiros de guerra, mas entre os quais não conseguimos união) em prol da elevação da qualidade da formação docente. Já virou quase um mantra proferido quase à exaustão como meio de tentativa de convencimento.

 

Em outros (muitos) textos já produzidos, alguns deles aqui socializados, venho apresentando a minha análise crítica àquilo a que chamo de reprodução de ideais educacionais formativos que remontam a tempos pretéritos, principalmente quando se mantém institucionalizado o falido sistema 3+1 proposto por Valnir Chagas lá nos de 1960.

 

Atualmente estamos nos aproximando de um limite espaço temporal que nos foi colocado pelas mais recentes Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN’s) para que se adequem as licenciaturas a um modelito que, na minha opinião, disfarça bastante mal a sua tentativa de ser peneira com a qual se deseja tampar o sol. Imposições, restrições, receituários e prescrição de “doses cavalares” de remédio amargo para tentar, tanto bem que mal, esconder as mazelas e as chagas abertas no corpo da educação nacional que vai, em ritmo acelerado, de mal a pior, mesmo depois que minimizaram os valores inferiores desejáveis para que ela se situasse entre aquelas dignas de países que compõem o jet set da high society mondial. Vi e participei de reuniões em que pessoas (a quem chamo de conformistas e/ou incapazes de pensar fora da caixinha enfeitada que lhes estendem) se “digladiaram” para manterem “suas disciplinas”, seus campos de conforto, insensíveis às projeções mais desastrosas que era possível formular naquele momento sobre o sombrio futuro que planejavam nos aconchegantes gabinetes refrigerados dos donos do poder, para essa mesma educação.

 

Ora, se a educação não anda bem vamos aumentar as horas de formação dos “professores” – mesmo não tendo percebido que muitos dos cursos já se encontravam além dos limites que agora pretendem impor. Trago como exemplo o curso em que sou encarregado de parte ínfima da formação desses novos professores: O nosso curso, antes das modificações sugeridas¸ já totaliza 3.210 horas, i.e., nove semestres (insuficientes para aplicar a carga didática estipulada) em disciplinas de créditos variáveis, sendo que cada crédito equivale (aqui) a 18 horas/aulas. Esta questão dos créditos/horas é um outro imbróglio que precisa ser exposto (já que é difícil esclarecer). Vejamos: as disciplinas são calculadas em 4 créditos de 15 horas cada, perfazendo um total de 60 horas. Calma! Isso é no papel, para inglês ver! Na realidade, nós formadores, estamos sendo obrigados a cumprir 18 encontros (segundo quem manda de 50 minutos), mas – e lá vem confusão – são registradas nos nossos diários 72 horas. Entendeu? Não?  Deixemos para lá, por agora... só por agora!

 

Dizia eu, então, que vi alguns defensores das novas diretrizes regozijar pelo acréscimo de 400 horas – obrigatórias – na formação docente, assim, apenas alterando em parte a nomenclatura das disciplinas e o registro (para espanto meu) de distribuir entre os conteúdos uma parte de prática. Vejamos: Filosofia da Educação: quatro créditos = três teóricos e um prático. Ops! Onde foi que eu já vi esse filme do 3+1? Reflitamos: como fica, na prática, essa prática filosófica? Será só enganação?!

 

Considerando a hipótese do aumento simples e cru das 400 horas passaremos, nós, a um curso com mais de 3.600, o significará, simples modo de calcular (400:18 = 22 créditos) ou se complicarmos um pouco a matemática (400:15 = 27 créditos), estes cálculos só depende da opinião de quem for fazer os cálculos considerar o crédito de 18 ou de 15 h/a. Fica complicado! E complica tanto mais ainda quando começamos a perceber determinadas incongruências nesse processo. Vejamos algumas, apenas para ilustração: 1) O nosso curso ficará muito próximo dos 12 semestres que é exatamente a duração de um curso de medicina ou de direito (não vou nem apelar para o retorno, sob qualquer aspecto que se queira, dos cursos em oposição).  2) A cegueira é tamanha que não permite vislumbrar uma diferenciação entre o que sejam as disciplinas práticas daquelas outras teóricas, a tal ponto que o aumento se dá, exatamente, nestas últimas, como se não houvesse capacidade intelectiva que registre que com esta atitude estamos apenas prolongando o sofrimento do apenado. 3) Não parece haver senso crítico que perceba os artifícios que estão por trás de todas as “facilidades” introduzidas a pretexto de “formar” o professor, como já ocorreu em outros momentos, com programas similares. Questiono, a isso sou obrigado, todos os cursos “extras” que vêm sendo implementados pela política ultra moderna (o tempo da pós modernidade já se desmanchou em líquido) de educação e de formação docente: (PARFOR, Segunda licenciatura, FECOP, Pedagogia em Regime Especial. Complementação pedagógica...), pois embora as novas diretrizes ainda não tenham sido aprovadas em função do desmantelamento que se instalou em Brasília, já é possível encontrar com grande frequência, na Internet, os cursos (particulares) “reconhecidos” de Pedagogia em apenas 1 ano e na modalidade a distância, como já pulularam os cursos de esquina de rua noutros tempos bem presentes e atuais, ou como os chamados cursos supletivos! Vale ressaltar que enquanto oferecem cursos desrespeitam a legislação vigente que diz que nenhum professore sem formação ingressará a serviço da educação, segundo a LDB, pois essa prática continuará a fornecer clientela para tais cursos.

 

A quem desejam enganar? Por que não se faz uma discussão séria e se atacam, na base, os gravíssimos problemas que a educação vem enfrentando e que todos conhecem, mas para os quais receitam apenas medidas paliativas? Que educação desejam? A resposta, principalmente a esta última questão, está na boca do povo: aquela que transforme o ser social em máquina acéfala produtora de mais valia por um período interminável de tempo. Estão no bom caminho para alcançarem seus objetivos.

 

Só nós podemos impedir. Vamos para a luta, meu pangaré?

 

19/04/2017

Dia de índio! Dia de índio?

A bem da verdade de muita gente - jamais generalizar - não deveríamos festejar o "Dia de índio" e sim discutir a precarização das condições de vida desses nossos irmãos. Na condição de educador (ou melhor, na condição de formador de educadores) sempre tenho pregado uma tese que se opõe à prática de enfeitar as criancinhas de índios sem que elas saibam, pelo menos, que no país que elas vivem ainda existem índios (poucos, mas existem) e que esses merecem todo nosso apoio e respeito. No entanto, logo ao raiar do sol percebo nas redes sociais a figura de formadxs que se arvoravam ares de inteligência sob o disfarce de falsos índios. Um pequeno detalhe que faz uma enorme diferença: a maioria desses fazem parte do seleto grupo dos "lutadores pelos direitos das minorias". Será?

 

Por falar em minorias precisamos esclarecer quem são e o que fazem. Vou falar de duas que estiveram em destaque na última segunda feira, dia 17/04/2017, aqui no meu local de trabalho: de um lado as crianças que sofrem do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) - uma abordagem inicial, mas que se mostrou tão promissora que entre organizadores e plateia foi firmado um compromisso de continuidade do estudo das deficiências (não apenas do autismo, mas de tantas quanto possível)- aplaudido de pé; do outro lado, estava a tristeza de ver a minimização daquilo que já é considerado uma minoria no nosso meio (os professores/formadores de novos professores), ao ponto que chegou a doer de perceber a falta de interesse de discutir - ou pelo menos escutar - o que há sobre um dos transtornos que se estão tornando tão frequentes no chão da escola comum, até como forma de de propiciar a chamada inclusão.

 

Precisamos, urgentemente, que alguém com algum tipo de poder, que ainda desconheço, nos inclua de fato, já que no discurso somos/estamos todos incluídos e só os diferentes estão fora do círculo dos ditos normais. Acredito que precisamos rever nossos conceitos com a maior brevidade possível; precisamos praticar a autoavaliação que tanto reclamamos de nossos formandos; carecemos de modéstia para reconhecermos a nossa falibilidade quando o assunto somos nós mesmos e não os outros a quem rotulamos; precisamos aprender a aceitar, muito mais que a classificar.

 

Não está longe o tempo em que a própria família "escondia" o deficiente para não passar vergonha, mas felizmente e graças ao trabalho de alguns abenegadxs, essa realidade tem sido transformada. De nossos dias, a sociedade já começa a compreender que nenhuma deficiência é castigo, que nenhuma situação de anormalidade na existência de deficientes precisa ser escondida por ser característica da incapacidade dos pais em gerar filhos sadios... já lá vai o tempo "da roda do convento" ou os tempos distantes da Grécia antiga em que o pai tinha o direito de matar ou abandonar filhos deficientes e filhas mulheres a seu belo prazer ou livre arbítrio. Conquistas têm sido feitas, mas precisamos intensificar a luta e uma das formas de assim proceder é contribuir para a criação de ESPAÇOS LIVRES DE DIÁLOGO sobre a problemática gerada pela deficiência de uma criança. Precisamos desse espaço de troca de experiências, de ajuda mútua, de reconforto para as famílias (quantas delas se não desestruturadas, em mau estado emocional, psicológico e/ou financeiro) que sofrem tanto ou mais que as próprias crianças. Que dizer do estado emocional que não devem apresentar os parentes mais próximos, os cuidadores, os profissionais que, de alguma forma, lutam diariamente com esses seres que vivem seu próprio mundo? Como não pensar naqueles que precisam saber avaliar todas as mínimas possibilidades que sejam de socialização desses seres especiais? 

 

É preciso muita maturidade e uma sabedoria quase sem limites para entender todas estas necessidades provocadas por um capricho da natureza que concede a alguns pais a graça de aprenderem como lidar com seres especiais, como são essas crianças que lhes foram confiadas. Muitos não superam a provação de serem pais de um pequeno ser que os obriga a modificarem totalmente seus planos de vida. A esses, principalmente, devemos um apoio, uma força extra necessária para abdicarem de seus direitos e sonhos em benefício de um pequeno ser que talvez nem se aperceba dessa situação criada ao seu redor.

 

Quero, enquanto puder, fazer parte de uma legião de apoiadores dos pais/parentes de crianças com qualquer tipo de deficiência. Precisamos ser muitos, podemos ser mais e nem nos custará tão caro assim: quantas vezes um gesto, uma palavra amiga, um ouvido atento são mais importantes que bens financeiros ou materiais.

 

Pense nisso você também: lembre-se - juntos somos mais!

 

 

 

 

 

12/01/2017

Vamos por partes.

Tenho demonstrado que não sou pessoa alienada e que, se vez por outra finjo engolir um sapo, isso não deve ser entendido como regra a aplicar a cada vez que se deseja passar a perna na minha pessoa. Creio que isto é ponto esclarecido, vamos ao próximo.

 

Dizem que é muito bom saber reconhecer quando se perde “uma parada”. Pois bem, estou aqui para confessar que perdi mais uma. Não é a primeira e, certamente não será a última. Não se trata, a bem da verdade, de uma disputa contra mim, exclusivamente, pois as perdas mais acentuadas vão estar noutro local, um local mais frágil e susceptível a manobras e a adestramentos.

 

Sou, costumeiramente, uma criatura preocupada com o coletivo, repudiando todo tipo de sectarismo do mais simples ao mais radical e/ou extremista. Não sou antissocial, mas procuro evitar certos contatos que sei que me causarão mal só pela aproximação. Digamos que sou bastante seletivo. Sou costumeiramente vigilante e lutador pelo bem comum, contrapondo-me àquilo que considero menos acertado a partir do ponto de vista da ética, seja ela do cotidiano individual ou do seu fazer profissional. Tenho pago o preço por esta minha postura, mas devo confessar que durmo muito bem sobre as minhas orelhas. Outros não poderão dizer tanto, assim, com a mesma tranquilidade.

 

Fui, um dia, apelidado de “Mãe Dináh”. No caso, acredito que me queriam colocar no lugar dela por dois motivos: um que se justifica parcialmente pelo simples fato de não carecer ser mais inteligente que ninguém para perceber onde é que o barco vai fazer água e isso eu vejo de bem mais longe que boa parte dos mortais; o segundo motivo tem a ver com “o incômodo” em que me transformo quando sinto que tenho as minhas razões para tal e, nesse caso, talvez me queiram ver distante como se encontra agora a vidente que faleceu em 03 de maio de 2014.

 

Hoje, um passarinho me disse que algo meio estranho está sendo preparado, Tenho minhas provas, mas vou guardar para quando eu tiver dados concretos em mãos. Quero apenas adiantar que sempre fiquei e continuo ficando muito triste com a dicotomia teoria/prática ou, se quisermos, o discurso/ação. Redobrarei minha atenção e na hora certa a compreensão final acontecerá.

 

Não tenho muito mais o que festejar. Soltei os foguetes, vou ter que apanhar as canas. Ossos de um ofício desenvolvido em ambiente onde a ética não passa de uma palavra bonita e de efeito deslumbrante sobre aqueles que desconhecem a podridão que se esconde por trás de um falso sorriso.

 

Para encerrar este Ponto de Vista, que desta feita é mais que a vista de um ponto, gostaria de pedir emprestadas as palavras atribuídas a Meryl Streep, mas que na verdade são de um “patrício” meu que atende pelo nome de José MICARD Teixeira[1]:

 

Já não tenho paciência para algumas coisas, não porque me tenha tornado arrogante, mas simplesmente porque cheguei a um ponto da minha vida em que não me apetece perder mais tempo com aquilo que me desagrada ou fere. Já não tenho pachorra para cinismo, críticas em excesso e exigências de qualquer natureza. Perdi a vontade de agradar a quem não agrado, de amar quem não me ama, de sorrir para quem quer retirar-me o sorriso. Já não dedico um minuto que seja a quem mente ou quer manipular. Decidi não conviver mais com pretensiosismo, hipocrisia, desonestidade e elogios baratos. Já não consigo tolerar eruditismo seletivo e altivez acadêmica. (...) E acima de tudo já não tenho paciência nenhuma para quem não merece a minha paciência.

 

Tempo... que bom conselheiro és!

 

[1] Para quem quiser tirar as dúvidas sobre a autoria das palavras: http://seniorplanet.org/how-the-internet-put-a-powerful-quote-in-meryl-streeps-mouth/

 

05/01/2017

Virada a página, substituído o calendário, trago a primeira reflexão deste novo ano. Confesso que não estou muito animado, mas vamos à luta, pois sem ela nada conseguiremos.

 

O ano ainda nem começou para todos (no Brasil o ano só começa depois do carnaval – que crime!), mas para alguns o tempo já urge. Entre todos, os já no posto e aqueles que esperam a passagem de Momo, alguns pensam e vislumbram um ano difícil, este de 2017. Pessoalmente devo dizer que também no meu horizonte observo as nuvens são mais de tempestade que de calmaria. O bom disto tudo é estarmos preparados e não acalentarmos grandes expectativas para não termos grandes desilusões.

 

Então, percebamos que mal demos início a esse novo ciclo e as questões sociais – principalmente elas – já começaram a precipitar-se de forma aterradora: nos dois primeiros dias tivemos duas chacinas que, espero e faço força, para que não sejam o tom do resto do ano e neste futuro quase imediato que vivenciamos a cada dia nosso.

 

Diante do acontecido (o assassinato de uma família e a briga entre “famiglias” do tráfico dentro dos presídios – e esse episódio ainda não terminou) cabe a pergunta que não quer calar: qual a nossa quota parte na culpa pelo sucedido? Sim! Não precisamos encontrar sempre a culpa nos outros deixando de lado ou sacudindo a água do nosso capote, pois parte de todo sangue derramado nesses dois episódios trágicos escorreu entre nossos dedos. Somos cúmplices dos assassinos quando não atentamos para o nosso dever cívico de eleger bem nossos representantes e deixamos que um grupo de bandidos se apodere do poder de decisão que lhe outorgamos, quantas vezes a troco de um valor tão irrisório que chega a causar vergonha; somos cúmplices quando criticamos apenas pelo “que ouvimos dizer”; somos cúmplices quando não reconhecemos que, para viver o amanhã precisamos vivenciar intensamente o hoje e que isso implica, necessariamente, olhar o ontem para que possamos fazer comparações e, a partir daí, tomar as decisões que nosso espírito crítico nos aconselhar; Somos cúmplices quando permitimos que outros escrevam a nosso história de forma que não desejamos que ela seja escrita – e não escrevemos, nós mesmos, porque não reconhecemos que somos analfabetos políticos, a pior espécie de analfabeto, tal como nos revelava Bertold Brecht; Somos cúmplices quando permitimos que bandidos nos assaltem e nos vilipendiem em nossos direitos e permaneçamos apáticos, serenos, consentâneos.

 

De tudo isto, por tudo isto e com tudo isto me permitam ser pessimista: nunca Momo riu tanto do povo quanto rirá neste seu reinado que se avizinha. Mas não esqueçamos que, enquanto ele sorrir, muitos de nós poderemos amargar a tristeza e a dor da incerteza do amanhã.

 

A menos que assumamos nossa responsabilidade e tomemos nas nossas mãos o destino que estão querendo traçar para nós, chego a pensar que não há mais sentido em festejar o quer que seja.

 

Que o Ano Novo não se manifeste repleto de Velhas Práticas. Afinal, o Brasil – e por decorrência o brasileiro – merecem melhor sorte.

 

Que, apesar de tudo, façamos um ano bom acontecer.

 

                Θ Θ Θ Θ Θ Θ

 

20/12/2016

 

Salvo aconteça coisa brava, este será o último PONTO DE VISTA deste, que é um ano para ser esquecido sob muitos aspectos. Para mim não foi dos piores anos da minha vida, mas andou bem perto. Foi um ano que não deixou muito para comemorar. Até para lembrar de alguma coisa menos ruim fica difícil, é preciso fazer um grande esforço pra encontrar esse algo.

 

De um modo individual, cada um de nós terá mais ou menos coisas a lembrar de ambos os lados da fasquia – melhor ou pior -, mas não teremos, certamente, que apenas lamentar. No plano coletivo a desgraça está armada: de ruim a pior e ainda não estamos perto de ver o fim da safadeza que estão fazendo com a gente. Por enquanto – até que alguma possível gordurinha acumulada nos últimos tempos se dissolva – ainda não dá para sentir os efeitos nefastos das medidas que esse ignóbil que administra o país está adotando. Na hora que for preciso recorrer a outros meios para tentar sustentar um padrão de vida minimamente decente, “a giripoca vai piar”.

 

Será, talvez, chegado o momento em que a pancada vai ser tão pesada que o povo vai ficar aturdido e possa então se dar conta de tudo que agora parece ignorar. Mas esta passividade me inquieta. Este estado de torpor não pode permanecer por muito tempo, pois corremos o risco de não sair mais dele e de irmos aprofundado esse estado letárgico a ponto que se transforme em coma profundo.  É uma situação de extremo mal estar. Apatia total: nada se move, nem a produção, nem a reflexão, tampouco a ação.

 

Arriscar palpites, prognósticos é um exercício extremamente desaconselhável, pois na contramão pode vir alguma política castradora de sonhos, ideais, utopias, numa velocidade tão grande e numa avidez tão profunda que é capaz de limitar até o ato de tentar programar o amanhã, que dizer um futuro apenas mais distante. Estamos de tal forma manietados que, parece, até o ato de pensar dói. Aliás, só esse fato pode justificar a inércia que o país vivencia nestes últimos seis meses. Quando alguém pensa em retomar o curso normal da vida surgem ruídos provindos da má lubrificação a que a máquina está exposta. A falta de confiança no amanhã é entrave enorme, quase intransponível que contribui para enferrujar todo o sistema.

 

O mundo anda. O bem ou o mal feito aqui mesmo renderá seus dividendos, mas enquanto a prestação de conta não acontece vamos padecendo... como sovaco de aleijado. Esperemos apenas que o aleijado não fique tetraplégico.

 

 

01/12/2016

 

Li uma frase de minha querida amiga Verônica Fragoso – a quem trato variavelmente de "Vê" ou simplesmente de "Loura" – que me colocou para refletir. Disse (melhor, escreveu) ela: “Estamos criando uma sociedade de plagiadores”!

Pus-me a matutar:

A Academia quer, porque quer, que os “nossos” trabalhos sejam referenciados, isto é, Fulano (ano, pág.) disse que “(...) ... (...)”; ou, Cicrano, ano pág. (apud Beltano, ano, pág.) elaborou a seguinte ideia: “(...) ... ... (..)”. Por fim, o que me parece mais inquietante, a Academia tende a nos anular, a nós, sim, pobres mortais que ainda não alcançamos o “Hall Of Fame” e como recompensa permite que escrevamos nos trabalhos “Nós” – quando na verdade que queimou as pestanas e trucidou neurônios fui EU; ou sendo um pouquinho mais severa nos impõe um impessoalíssimo que dói na alma: “Fez-se”, limitando assim a nossa voz, a nossa escrita.

Ora, entre o gênio e o plagiador existe simplesmente um tênue sinal gráfico – as aspas – que representam toda a distância entre eles; num momento pode levar-nos à glória, mas por uma pequena distração ou por um ato involuntário pode levar-nos à prisão, à desonra e ao rótulo nada nobre de plagiador.

A nossa sociedade permite, pelo menos até agora e que eu escreva ligeiro, pois pode a regra mudar com esse louco de temporário que assumiu o poder, o livre pensar. Esse ato tão difícil para tanta pessoas pode acabar coincidindo com o de outras pessoas e por isso, principalmente quem vive na Academia onde os discursos são muitas vezes reproduzidos como se estivéssemos e fôssemos papagaios dentro de uma gaiola, é possível que um pensamento chegue muito próximo – senão exatamente – àquele de outrem. Tudo pode acontecer.

Quero aqui, neste momento, refletir sobre algo do momento: o acidente que vitimou todo o time da Chapecoense e dizer de peito aberto: “Foi assassinato, pois quiseram economizar no combustível para lucrar mais e isso causou a queda do avião”! Sou EU, neste momento de raiva (ou não) quem está dizendo (escrevendo) isto, mas quantas pessoas não disseram já a mesma coisa, não tiveram exatamente o mesmo pensar? Quem, neste caso está plagiando quem?

Vamos a outro exemplo, este no meu campo de atuação. Afirmar que “o ensino brasileiro vai de mal a pior e num agravamento acelerado” é algo que qualquer cidadão pode pensar tamanho o desacerto que corre nessa área. A pergunta que fica é: por que não EU?

Apenas para acalmar quem possa pensar que a demência está me atacando, deixo o conceito de plágio.

Para Aurélio (2012) e PRIBERAM (2012): “Plagiar significa cometer furto literário. Apresentando como sua ideia ou obra literária ou científica de outrem”. Repare que não são só as palavras, em si, que representam o plágio, o simples tomar da ideia já é causa de plágio. Se entendo bem – e devo declarar que sou grande defensor das ideias alheias – ninguém mais pode pensar.

Se a partir de um dado momento eu necessito de dizer algo, tenho que ter conhecimento daquilo que os outros já disseram em alguma parte do mundo? Será se o meu pensamento lógico mostrar o caminho percorrido para que EU tenha chegado a um determinado conhecimento não é garante da minha capacidade de pôr em prática aquilo que tanto recomenda a escola: “Prepare seu aluno para que ele seja construtor de seu conhecimento”. Como assim, seu conhecimento, se tudo já está nos livros e foram os outros que o construíram? Algumas coisas não batem certinho dentro da minha cabeça quando começo a pensar neste desafios de lógica que a Academia nos coloca.

Enquanto não se resolve essa pendenga... vamos continuando com o velho ranço, nós todos, por mais que esse nós seja apenas EU com minhas ideias estapafúrdias.

 

09/11/2016

O momento histórico que o mundo atravessa é, no mínimo, assustador. Parece que os velhos valores da humanidade estão se perdendo por completo e no seu lugar estão sendo implantados novos pressupostos de base individualista e sem perspectiva de uma compreensão alternativa. Por todos os rincões do mundo estão eclodindo, quais ovos de serpente, novas ditaduras de predomínio capitalista e viés belicoso. Entre as mais pacatas, mas nem portanto menos terríveis, podemos enquadrar aquela que vem atropelando o povo brasileiro depois de um sonho de felicidade, de uma possibilidade de realizar sua utopia de mobilidade social, permitindo erradicar a fome e vislumbrar, ainda que num horizonte ainda distante, a promessa de dias melhores.

 

O medievo já se reinstalou, quero agora saber quando chegará o dia 14 de julho de 1789. O reizinho ia nu e 1793 foi decapitado. A nova ordem mundial foi e continua sendo bastante bem urdida. Nem a possibilidade de ir viver em Marte me parece mais tão segura contra os desmando que por esta terra se praticam. Logo mais estaremos voltando à caverna de Platão. Resta saber quem será o primeiro a sair, ver a luz e trazer a boa nova ao interior da gruta.

 

Caminhamos pela terra de ninguém, sem lei, sem grei ou, como diz a canção já que no Brasil tudo termina em música, sem lenço e sem documento. Voltamos a um estado no qual, lá no medievo o homem era compreendido apenas como uma entidade composta de corpo e espírito. Veja essa aplicação na atualidade: o povo (trabalhador) precisa de corpo para produzir para o capital e de espírito para ser sujeitado em nome de uma divindade qualquer utilizada para esse fim. Nossos algozes, contudo, não pararam para refletir que que podemos ter, nós, uma visão bem mais ampla – embora não generalizada – uma visão a que podemos chamar de terceira competência que é a mente e sua forma de nos permitir refletir sobre nossos interesses de uma forma mais geral. A política tudo justifica desde que seja em demérito do povo. Fazem-se escolhas, mas quando se fala em escolhas devemos sempre pensar que, em se tratando de política, se de um lado é ruim, do outro pode ser bem pior. A sociedade, como um todo, está apodrecida... fica difícil de produzir bons frutos. Este mundo velho, com sua liquidez, está escorrendo para o ralo.

 

08/10/2016

 

Estou, sinceramente, perplexo com a passividade que se abate sobre o “heroico povo brasileiro”. Não consigo mais pensar dentro da caixa. Está tudo muito confuso. Tudo perdido em meio a um labirinto do qual ainda não descobri como sair. Não tenho, até agora, condições de juntar algumas pedras e começar a resolver este quebra-cabeças.

A cada dia que se passa surgem  novas ações que visam desestruturar o pouco que já se havia conseguido a tão duras penas e depois de um período tão conturbado quanto foi a ditadura militar. Confesso que, interiormente, até eu me sinto desarrumado, meu pensamento não consegue mais seguir uma linha minimamente reta, independentemente da direção que ela possa tomar: esquerda, direita mais ao centro ou ao extremo – um caos completo.

 

Em educação, a minha área de atuação, o mundo desabou em poucos dias. A legislação em vigor não tem mais aplicabilidade diante das investidas desregradas e criminosas que sofreu por parte deste desgoverno que aí está após usurpação dos direitos de quem governava legitimamente. A nossa LDB – tão sofrida e já tão remendada – não tem mais ponta firme por onde se pegue. Tudo que ela preconizava, factível ou não, não tem mais razão de ser ou, se não quisermos ser tão fatalistas, não há como elaborar algum plano de ação em educação diante da situação caótica que nos apresentam.

 

No mesmo rumo seguem outros segmentos básicos da sociedade: a saúde, a segurança, o emprego nosso de cada dia e a estima de ser brasileiro. Estão acabando com tudo sob o nosso olhar mais passivo e condescendente possível e, o que é mais inquietante, com o aplauso de uma galera que deve ter fumado algum produto estragado.

 

O mundo se prepara para uma nova ordem, para um novo modelo de gerenciamento. O velho barbudo (Marx) já nos avisava em pleno século XIX que o capital era cíclico e que vivia tendo altos e baixos. Foi sintomático e precursor desse fenômeno o fato que ora se abate sobre nós, no momento bonito e histórico de retomada gradativa dos comandos de boa parte dos países por forças progressistas ditas de esquerda: na América Latina tivemos bons exemplos com Argentina, Chile, Brasil, Colômbia, Venezuela; na Europa podemos citar os casos da França, da Espanha e da própria Inglaterra. Mas era apenas a pausa estratégica, o recuo para avançar, para preparar o golpe que se fazia urgente aplicar para inibir o avanço e mesmo derrubar os modelos que opõem ao liberalismo e ao capital.

 

As tentativas de cercar a “fera” em seu próprio reduto não sortiram grandes efeitos, afinal a fera estava bem nutrida e com reservas físicas para aguentar o impacto: e rugiu. Começaram a cair, um a um os poderes instituídos que poderiam apresentar algum perigo, e uma curiosidade deve ser registrada: sem a menor reação dos perplexos derrubados. A chave de ouro para fechar a conta já foi alcançada sem um simples estrebuchar de quem quer que seja: a Petrobrás e os seus trilhões foram entregues de bandeja por um Judas e sua camarilha. Agora falta dar o golpe final para que se instaure o novo modelo e esse, de igual forma, não causará maior empecilho ao império do mal para conseguir, pois o povo ordeiro e pacífico, amante do samba e da cachaça, não oferecerá resistência, antes se fará uma festa para comemorar a dependência de quem sempre foi seu sonho de consumo.

 

O arremate vira sobre a forma de “negociação final” da Floresta Amazônica (que já é mais deles que nossa) e, como bônus por boa clientela, os ‘ricanos receberão de graça todo o conteúdo do Aquífero Guarany.

 

Finalmente a tão sonhada e decantada Independência está a caminho. Podem começar a preparar nova documentação e a aprender o mais rápido possível a nova língua que serão obrigados a falar.

 

E não pense em revolta, pois a “redebosta” já mostrou que não há vantagem em brigar por coisas tão pequeninas. Durma bem e pense nas suas próximas férias em Hollyood (já que mais não seja como escravo de algum gringo).

__________

Embora tenha todo o espaço para manifestar minhas opiniões (opiniões e não imposições ou certezas) crio este espaço para mostrar da forma o mais evidente possível que não sou tão "sonhador" (no sentido pejorativo do vocábulo) quanto possam imaginar. Assim, tentarei trazer para aqui as defesas que julgo pertinentes sobre os meu PONTO DE VISTA, quando o assunto é a educação brasileira.

Tenho defendido abertamente a fusão de todos os cursos de licenciatura em um só CENTRO, no qual estarão organizadas diversas COORDENAÇÕES de cursos distintos, logicamente. Essa possibilidade já me valeu alguns adjetivos menos "nobres", mas nem isso me tem feito desanimar, não cedo de meus ideais por coisa pouca!

Hoje, quase que acidentalmente, deparo-me com uma notícia que me traz mais força, mais ânimo, mais garra para continuar lutando por esse objetivo. Pena que ainda não conte com a adesão à ideia de muitos de meus pares, para não dizer de sua totalidade. Se tiver que os condenar não será por outra coisa além de "conformismo"!

O exemplo que tanta força me dá vem destas palavras:

"A UFABC começa a se diferenciar pela organização. Ao invés de departamentos acadêmicos separados uns dos outros, a universidade possui três grandes centros, um para as áreas das ciências naturais e humanas, outro com as engenharias e ciências sociais e o terceiro com as disciplinas de matemática, computação e cognição".

A leitura da notícia, na sua totalidade, produz em mim um efeito de bálsamo e de estimulante de modo simultâneo. Faça uma leitura, busque informar-se apenas um pouquinho mais e venha discutir com a gente. Eu estou exercendo a minha função de pedagogo, ajude-me a fazer uma educação de melhor qualidade que essa que lhe estão oferecendo. Não esqueça que, se você está em formação para ser um licenciado, precisa refletir bastante sobre a sua função social na estrutura que aí temos.

Continuo na defesa do meu PONTO DE VISTA!

Não obrigo ninguém a aceitar minhas ideias, peço, simplesmente, que reflitam minimamente na parte que julguem passível de aceitação. Se não encontrarem nada... nada lhes cobrarei... Mas não me cobrem, a mim, de fazer mais do que faço! Não nessa área!

 

20/02/2016

Para alguns amigos a notícia que aqui trago não chega a ser mais uma surpresa, boa surpresa por sinal, pois eles já conhecem este fato, mas, na realidade, cético como eu sou, apenas agora passo a divulgar de forma aberta esta minha conquista.

Perguntar-me-ão por quais motivos o faço só agora e aqui neste local. Responderei, sempre com a minha forma peculiar de ser direto, objetivo e nem sempre muito politicamente correto: Só agora porque foi o dia em que recebi a confirmação da publicação; e, segundo aqui, por que, mais uma vez quero deixar bastante claro que o que está no artigo é a tradução "DO MEU PONTO DE VISTA" considerando os aspectos legais e as práticas que analiso no mesmo.

O artigo que acabo de publicar na Revista Lusófona de Educação - com Qualis CAPES A1 - retrata a minha preocupação com a Educação Indígena, no Brasil, e mais especificamente com a Educação Superior destinada àqueles povos. Bem entendido que para atingir a educação superior é obrigatório galgar os demais degraus educacionais até chegar lá, mas essa é toda uma outra discussão que tratarei num próximo escrito.

Portanto e por hoje, deixo-lhes o link da revista para que possam confirmar a publicação e possam navegar com a devida tranquilidade tanto no meu artigo como no dos demais participantes da edição.

http://revistas.ulusofona.pt/index.php/rleducacao/issue/view/679

 

16/04/2016

 

"Se apenas leres os livros que toda a gente lê, apenas podes pensar o mesmo que os outros estão a pensar”.


Haruki Murakami"

 

Seguindo esta linha de pensamento é possível afirmar que “fazendo a mesma coisa que os outros fazem estaremos perpetuando os mesmos erros/acertos que eles cometem”. Gera-se, assim, o comodismo que, por sua vez, está na origem do atraso, do subdesenvolvimento a que muitas sociedades estão sujeitas.

 

Analisando as práticas formativas que venho presenciando ao longo de já numerosos 15 anos, tempo em que o tempo não parou; tempo em que o saber evoluiu; tempo em que o homem sofreu transformações no seu modo de pensar, ser e estar no mundo sou forçado pelas evidências a considerar que tenho/temos repicado mais a segunda opção que a primeira. Temos feito a mesma coisa, linearmente, por vezes sem mudar uma só vírgula, como se à nossa volta tudo estivesse, exatamente, nos mesmos lugares e pintado com as mesmas cores, inalterado.

 

Que motivos há para que esta situação venha se perpetuando ao longo do tempo histórico? Não são poucos, mas também não fazem a unanimidade. Aquele que considero mais grave – entendam que esta é a minha posição pessoal, passível de discordância, mas, contudo, merecedora de respeito – é a falta de abertura para a prática do conselho de Murakami (ler livros diferentes) que versem sobre a mesma temática, mas que tragam para a mesa de discussão novas visões, novas análises, novos paradigmas. Li um dia não sei mais onde, que as nossas Dissertações e Teses estão repletas de repetições, por causa da “adoção” de determinados autores como sendo, cada um deles, o supremo sacerdote de “determinadas religiões” (entenda-se o sentido figurativo), intocáveis, inquestionáveis. Muitos desses “endeusados” têm conseguido o milagre da multiplicação dos bens pessoais. Vale salientar que não há crime algum nesse fato, não cabendo, portanto, a menor das admoestações ou reprimendas sociais ou judiciárias, senão a reflexão sobre o ponto de vista da estagnação do ato de pensar.

 

Precisamos entender, também, que esses “endeusados” para atingirem esse status precisaram mostrar seu valor para que a comunidade acadêmica os reconheça e absorva suas teorias de modo bastante tranquilo e os possa elevar àquilo que considero de clássico. Tentando clarear um pouco mais este meu ponto de vista para que ninguém possa dizer que não captou o real significado das palavras e/ou das ideias coloco no patamar dos “clássicos” aqueles autores que deram sua contribuição para o desenvolvimento de processos educacionais que, a seu tempo, foram responsáveis pelo maior ou menor sucesso da educação nacional. Coloco ali, então, pessoas que estão mais distantes de nós, mas, e aí entra o diferencial, é preciso colocar alguns de nossos contemporâneos. Para quem como eu já faço parte da ala da “velha guarda” posso trazer a este discurso figuras que já não estão mais entre nós, mas que continuam fazendo “sucesso” entre os nossos pesquisadores, algo assim como se fosse a cereja do meu bolo fazer uma referência de alguém que já morreu, mas que um dia deu uma enorme contribuição para a educação do seu tempo. Lembro-me de Valnir Chagas[i] (Raimundo Valnir Cavalcante Chagas 1921-2006) intelectual a quem é atribuída a forma 3+1 que se transformaria no curso de formação de professores, reconhecido como Pedagogia; podemos citar outros como Paulo Freire (apesar de sua atualidade) e tantos outros que tento sintetizar com Lauro de Oliveira Lima, defensor da psicogênese que numa de suas obras Intitulada de “Escola no Futuro”[ii] fazia a seguinte imagem da escola:

"A escola é um campo de concentração com mil controles, fichas, horários, torres de observação, representados pelo mecanismo desumano dos processos de verificação, pelo esoterismo lotérico e pitagórico dos processos de promoção através de médias “ponderadas” (sic!) pelo inspetor federal, o homem da moralidade escolar, pelo diretor, o déspota para quem o regulamento “c’est moi”, pelos inspetores de alunos, os “SS” eternamente redivivos, sempre prontos a atirar no trânsfuga ou no rebelde e agora mais (me Hércules!), por um psicólogo escolar encarregado da “lavagem cerebral” de conversão e ajustamento de um homem livre a um sistema de autômatos...".

 

Respeitáveis pensadores, dignos do nosso respeito, mas de quem devemos pensar que, pelo menos parcialmente, o pensar já foi suplantado pelo caminhar da história da educação que estamos escrevendo a cada dia que se passa. É nesse sentido, de preservar o pensar original, o pensar clássico, que se devem avaliar as novas contribuições que estão sendo urdidas as telas sobre as quais se registra a história diária. Eles têm, portanto, sua palavra a dizer que, no entanto, não deve ser tomada como sentença. A dinamicidade do ser e do fazer não permitem que muitas teorias sejam engessadas durante muito tempo, a norma atual é aquela da flexibilidade, à qual me permito de alterar por prefixação e escrever reflexibilidade.

 

Partindo destes pressupostos e refletindo na quantidade de doutores que estão sendo formados nestes últimos 12 anos acredito que a primeira sentença esteja traduzindo, neste momento histórico, a mais cristalina realidade da nossa educação. Precisamos ler outros livros, precisamos estudar outras formas de pensar e agir em educação, precisamos acompanhar a evolução do nosso tempo, a menos que concordemos que a qualidade dessas formações seja defeituosa/deficiente.

 

Precisamos abrir nossas mentes ao novo e dele não mostrar receio. Talvez não seja ele tão novo e sim nós que estamos ficando mais velhos e intransigentes.

 

[i] veja mais em http://www.faced.ufc.br/images/stories/imagens/valnir%20chagas.pdf;

[ii] LIMA, Lauro de O. A Escola no futuro. São Paulo: José Olympio, 1974.

 

23/04/2016

Certamente que ninguém irá dar a mínima para este meu ponto de vista, mas que fazer? Ele é meu e por isso conservo-o até que alguém olhe a problemática por outro prisma e venha de mim discordar. Todos têm esse direito, pois jamais imaginei ou pretendi ser o dono da verdade ou do saber. Portanto, amigas e amigos, aos vossos apontamentos e às vossas críticas que espero sejam construtivas.

 

O meu olhar (esse que me dá este ponto de vista) pousou sobre uma notícia que é - no meu modesto entender - uma afronta ao povo brasileiro, a esse povo que paga caríssimo para que legisladores façam leis que eles mesmos não cumprem. Só por isso merecem, todos cadeia, mas quem acaba sendo culpado, nesse jogo de responsabilidades deturpadas, é o povo que não exige o cumprimento do texto legal escrito e, pior, que vota nesses energúmenos para serem seus representantes.

A Lei nº 9.394/96 (já uma senhorita de aproximadamente 20 aninhos) preconiza que - calma, adequemos os tempos verbais, por favor - preconizava em 1996, lá no seu Art.º62 que:

"A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal".

Atendamos a que a nomenclatura já foi alterada, a seriação terminada e que surgiram, no seu lugar os anos em número de cinco no lugar de quatro. No entanto, lá nas Disposições Transitórias, no Art.º 87, § 4º está estabelecido que:

"Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço".

Se  é letra da lei, cumpra-se. Bem isto seria verdade se não estivéssemos no Brasil, país onde mais leis se fazem e onde menos leis se cumprem. A Década da Educação deveria ter sido iniciada no ano de 1990, tal como foi na maioria dos países do chamado terceiro mundo, mas nós somos Brasil e fomos protelando, protelando, para que a tão sonhada Década só iniciasse em 1997 e terminasse em 2006. Mas estamos no Brasil... e a década foi aumentada especialmente neste país para vinte anos. Atingimos 2016 e eu, como qualquer outro brasileiro minimamente atento aos fatos acontecendo, percebo  que estão sendo veiculadas notícias que nos dão conta que:

Quase 40% dos docentes não têm formação adequada, aponta censo.

Mas vejamos a notícia no seu completo:

Do total de professores ativos nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio da rede pública, quase 40% não têm qualificação ideal, apontou censo divulgado nesta segunda-feira, 28, pelo Ministério da Educação (MEC). Considerando o fato de que um professor pode lecionar mais de uma disciplina, o índice de docentes em sala de aula com formação inadequada sobe para 53%, assinala o levantamento.

Com o objetivo de diminuir essas taxas, a pasta vai lançar a Rede Universidade do Professor, para estimular os docentes a complementar a formação. Serão disponibilizadas 105 mil vagas já para este segundo semestre, informou o MEC. As inscrições vão de 5 de abril a 5 de maio, por meio da Plataforma Freire.

Baseada em dados de 2015, a pesquisa conclui que a situação mais crítica é a da disciplina de Física, em que 64,7% dos professores se enquadram em um dos seguintes quadros: têm bacharelado, mas não licenciatura; têm licenciatura, mas em área diferente da que ensina; têm curso superior (engenheiro lecionando matemática, por exemplo); ou só têm diploma de ensino médio.

"Se todos os físicos que formamos por ano fossem dar aula - o que não acontece -, levaríamos 11 anos para suprir essa demanda. Esse é o tamanho do problema", disse o ministro, Aloizio Mercadante.

Em Ciências e História, 60% dos professores têm qualificações inadequadas. Em Geografia, o índice é de 62%. "São docentes que podem ter experiência de sala de aula, mas acabam lecionando de forma improvisada, só para completar a grade horária", lamentou o ministro, citando pesquisa da Fundação Carlos Chagas que detectou que apenas 2% dos jovens que concluem o ensino médio desejam ser professores.

A Rede Universidade do Professor vai utilizar vagas que estavam ociosas em universidades e institutos federais para disponibilizá-las a esse grupo de docentes. Serão 24 mil presenciais e 81 mil a distância, por meio da Universidade Aberta do Brasil. "Eles (os docentes efetivos) são a prioridade da prioridade", destacou Mercadante. Se houver necessidade de mais vagas, o MEC vai pactuar com instituições privadas.

Para 2017, a previsão é fortalecer o programa Parfor, de formação de professores, de forma que eles possam cursar as disciplinas exigidas durante as férias da rede pública da educação básica, em uma espécie de curso intensivo. O edital será publicado até o fim deste ano.

Fonte:

Estadão – Brasília 29/03/2016

http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2016/03/29/quase-40-dos-docentes-nao-tem-formacao-adequada-aponta-censo.htm

A pergunta que não quer calar é esta: mesmo sabendo que estão sendo produzidos esforço para qualificar os professores veja-se a quantidade de cursos e possibilidades que lhes foram ofertadas (Cursos de Pedagogia em Regime Especial, Cursos a Distância, Proformação, Parfor e outros que não recordo, mas que cada um de nós sabe existirem - além da indústria da educação com seus cursos de fim de semana - onde foram jogados tantos milhões de reais que foram (?) destinados ao setor educacional?

Quem foram os beneficiados, já que os docentes continuam - ao arrepio da lei - a ganhar pouco e a NÃO TER FORMAÇÃO ADEQUADA?

Quem souber ou tiver uma melhor explicação que esta que deduzo do meu ponto de vista, que me convença. Para mim, grande, enorme parte dessa grana está nos paraísos fiscais e nas contas secretas da Suíça. Entretanto, enquanto não se descobre o real paradeiro da bufunfa, vamos fazendo um discurso vazio  e demagógico afirmando nosso interesse (no dinheiro) na educação e colocando nas salas de aulas os nossos eleitores (analfabetos que são quem nos elege).

Pessoalmente passo pela velha vergonha alheia!

Boa noite!

 

04/05/2016

A vulgarização dos títulos acadêmicos

 

Tudo começa quando qualquer um passa a ser tratado de “Doutor” sem ter passado pela angústia da defesa de uma tese doutoral. Pior que isso, existem instituições que, contrariando o pressuposto indicado acima – que também é legal – emitem “legislação” permitindo que seus associados usem o título de DR, “considerando que o uso do título de Doutor, tem por fundamento procedimento isonômico, sendo em realidade, a confirmação da autoridade científica profissional perante o paciente/cliente”, como é caso do COFEN que, através da Resolução nº 256/2001, “RESOLVE: Art. 1º - Autorizar aos Enfermeiros, contemplados pelo art. 6º, incisos I, II, III, IV, da Lei 7.498/86, o uso do título de Doutor.

Vamos chegar um pouco mais próximo da nossa realidade. Recebi recentemente uma comunicação dando conta do Projeto de Lei que  “amplia acesso a mestrado e doutorado para professores”. Numa proposta digna de reconhecimento, do Deputado Chico Lopes, esse projeto de lei avança nas políticas educacionais. Nela, na mensagem, está dito que: “Um novo projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados amplia o acesso a mestrado e doutorado para os professores, criando a Política de Formação e Aperfeiçoamento de Professores da Educação Básica da rede pública”. Vou aplaudir, mas apenas timidamente. Explico:

Louvo a iniciativa do Deputado Chico Lopes (a quem admiro bastante), mas tenho minhas restrições ao processo. Primeiro, por compreender que o problema maior da educação não está na falta de titulação e sim na falta de preparação inicial condigna. Vale lembrar que o mestrado e o doutorado fazem parte daquilo a que podemos chamar de formação continuada. O meu óbice deve ser encarado como a visão de uma destinação de verbas a ser gasta para tentar reformular algo que foi mal formado. Segundo, Sabendo que parte considerável dos dirigentes municipais e estaduais não são “sensíveis” à qualificação do pessoal docente – veja-se a resistência que muito fazem a pagar o salário diferenciado (e merecido) dos mais qualificados – fica-me a pergunta que não quer calar: A quem beneficia mais essa qualificação? Terceiro, quantos de nossos docentes vão frequentar o mestrado e/ou o doutorado com a finalidade apenas, e tão somente, para “ter um dinheirinho a mais na aposentadoria”, como se vem registrando no PARFOR? Quarto, imaginando que os professores se qualifiquem, como vai ficar o discurso “da falta de verba para pagar, pelo menos, a recomposição das perdas salariais daqueles já em serviço”?

Poderia aqui ficar enumerando um pouco mais de perguntas inquietantes que me perturbam, mas prefiro, para encerrar, deixar esta reflexão: Que educação podemos almejar com a vulgarização dos títulos sem a devida valorização e muito especialmente sem se atacar a raiz do problema que são os cursos de formação inicial, onde tudo deve ter seu nascedouro?

Se não acredita muito na minha tese (de que os cursos não preparam os professores para a sala de aula) veja este link e tire suas dúvidas enquanto será levado(a) a perceber que não sou o único louco a pensar nisso:

http://professortopp.com.br/2016/05/03/universidades-nao-preparam-professores-para-a-sala-de-aula/?fb_ref=e808ba883c5a47cc8b68126624a779b9-Facebook

Site do COFEN : http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2562001_4294.html

Você pode, também, ler o PONTO DE VISTA ANTERIOR.

Dê-me a sua opinião... antecipadamente agradeço!

 

15/05/2016

 

O momento que vivenciamos é, principalmente, de reflexão para a ação.

 

O golpe perpetrado contra a democracia ainda jovem que se vivia neste Brasil de muitos subservientes obriga-nos a parar para fazer essa reflexão. Não há setores mais nem setores menos atingidos pela derrocada que os golpistas vêm promovendo: estamos todos afundando – eles primeiro!

 

A “formação” do novo (velho) governo não deixa margem para dúvidas: vamos viver tempos difíceis, de dor e, quiçá, de sangue – o povo está cansado de ser explorado pela mesma máfia e poderá reagir de forma mais violenta à retirada de direitos conseguidos na LUTA! Essa “formação” misógina, homofóbica, racista e machista deixa antever os rumos que traçados por um péssimo “navegador” que sequer sabe onde fica o norte.

 

Numa tentativa de minimizar os estragos feitos pela vaidade e por um ego super massageado por pares da pior qualidade política e dignidade, eis que “o poderoso” (negado e escrachado por todo mundo) tenta uma cartada de mestre – mestre dos aprendizes feiticeiros, diria eu – levar ao convívio de bandidos, uma das figuras bastante singulares e respeitáveis da nossa mídia: a apresentadora Marília Gabriela. Foi a gota de água que faltava para fazer derramar o cálice já cheio de tanto sentimento negativo.

 

A simbologia do NÃO claro e redondo da Gaby deita por terra toda e qualquer possibilidade de salvar uma falsa moral desse governo golpista. Uma mulher, lutadora, derruba um bando de indiciados na justiça e hoje protegidos pelo salafrário maior.

 

Na educação, apesar do já sabido, ainda precisamos ir cautelosamente de tal modo a que o precipício não se abra abruptamente sob os nossos pés. Há que haver cautela, vigilância e muita, mas muita LUTA para tentarmos garantir um mínimo de dignidade em face das ameaças que já pairam sobre nossas cabeças pensantes. Somos vítimas de analfabetos que temem o saber. Eles são, no momento, nossos maiores inimigos. Inimigos que têm o poder que sequestrado de quem foi legitimamente eleito para nos governar.

 

Aguardemos o desenrolar dos acontecimento em vigília e em posição de luta sem tréguas.

 

25/05/2016

Não sei se acontece com os meus leitores, mas comigo cada vez que aparece uma situação transitória ou temporária, as ideias não parecem fluir com a mesma serenidade que a quando "o mar está calmo". Parece... sei lá, é...?! Não consigo definir as coisas/situações, pois, como diz Baumam, tudo fica líquido, tudo se esfuma no ar, dada a sua volatilidade nada segura, parece um aborto social e então, falar disso é temerário, pelo menos eu assim considero.

Vez por outra arrisco comentar um ou outro fato, mas fica-me sempre a incerteza do acordar no amanhã e já não ser nada disso. Como normalmente escrevo à noite, corro o risco de ter que me desmentir no dia seguinte, poucas horas depois - parecendo um pouco o governo fajuto e ilegal do Temer, que uma hora diz, na seguinte já desmente.

Educação. Meu propósito é falar, lutar, brigar, trabalhar por uma educação com um pouco mais de qualidade que esta que aí temos, na bandeja, para nos servirmos em doses modestas para não corrermos o risco de perturbar os senhores poderosos. Nesta área as coisas, os acontecimentos, se precipitam com mais facilidade ainda que em outras, por isso, coloco em prática um conselho que passo com frequência aos meus alunos: fico na posição de defesa, pois o golpe (em qualquer dos sentidos que o queiram entender) vem rápido e feroz, precisamos saber estar alertas e com a defesa armada, mas mesmo assim algumas sequelas são irreversíveis.

Olhar as mídias e perceber que a aberração encarregada neste momento de dar rumo ao processo de desenvolvimento da educação no país se fez aconselhar por um dos piores atores pornôs que esta Terra de Vera Cruz já produziu, me revolta o estômago, me dá nós no cérebro e derruba a minha já pouca confiança na possibilidade de um dia ainda ver a educação no seu devido lugar. É o caso de dizer que quanto mais quero pensar elevado, mais baixo sou levado a cair, ao ponto de rasar a sacanagem, a putaria e o deboche. Já o aqui registrei por outras vezes, mas vou insistir e dizer que razão tinha De Gaule: "O Brasil não é um país sério". E quando falo do Brasil, claro que não falo do país, falo principalmente de uma espécie de animais que por aqui dão cria mais rápido que os coelhos e tem nome pomposo "O Homopulitikus". Uma vergonha!

São desses animais as ações mais vis, nojentas e predadoras que por estas plagas se praticam. Não são seres de pensar ou de sentir, são seres de roubar, de mentir e noutros tempos até de matar. Raça desgraçada.

Mas enquanto isso... a educação vai, tanto bem quanto mal, vai. Precisa ir. Nós temos a obrigação de fazer a nossa parte nem que para isso tenhamos que praticar a desobediência civil. Vai. Vamos.

Sejamos fortes.

 

02/06/2016

 

TEORIZAR A PRÁTICA OU PRATICAR A TEORIA?

Fui desafiado a defender uma tese que tento consolidar no meio acadêmico de onde falo, logo, do lugar que ocupo enquanto formador de futuros educadores. Duas considerações iniciais à guisa de introdução: a primeira – adoro ser desafiado, instigado, provocado, parece até que os neurônios estão condicionados a esse estimulo para funcionarem na sua plenitude; a segunda, um pouco mais complicada, está relacionada à resistência que tenho encontrado, neste local, para, justamente, conseguir a escutatória por parte de meus pares para a temática que defendo. Corro riscos, mais uma vez de não ser sequer ouvido, ou, também, de não conseguir, pelo menos, captar a atenção daqueles a quem o assunto poderá interessar.

Mas, que tese é essa?

Partindo de prática docente vivida, de leituras e discussões com pessoas que têm sobre a educação escolar uma visão mais holística, mais centrada na aprendizagem, em detrimento da centralidade no docente ou no educando, defendo que o ato de formar e por consequente o ato de aprender (ou formar-se) deve ser o resultado de uma teorização da prática e não o inverso – a prática de uma teoria. Aí está a problemática que tentarei desenvolver neste espaço. É quase a teoria do ovo e da galinha, conhecem, não é verdade? Mas vamos à argumentação.

É de consenso que o homem nasce sem saber, malgrado esteja fisiológica e intelectualmente preparado para aprender e isso nos permite, desde aqui, pensar em ver a galinha surgindo através de uma evolução natural de algum outro ser, deixando, portanto, a experiência da reprodução para um estágio superior. Se o homem não sabe ao nascer precisa experimentar de tudo um pouco, principalmente daquilo a que se propõe aprender. É ao que eu chamo, ainda que de forma conceitual neste momento, a necessidade de praticar, a necessidade de aprender pela técnica que contrapõe o erro e acerto. Qualquer que seja o resultado da experiência o aprendizado está garantido: Pelo erro se aprende que não é daquela forma que se chega ao melhor resultado, necessitando da repetição através de outra metodologia; pelo acerto se confirma uma das hipóteses possíveis de se levantar, portanto, à aprendizagem.

Uma vez a aprendizagem realizada será o momento de refletir sobre o aprendido e aí são os velhos questionamentos que a nossa filosofia nos permite formular quem vai permitir o aprofundamento do aprendido, ver mesmo outras formas de chegar até ele. Se eu ficar por aqui já devo ter deixado um caminho para quem assim o desejar poder prosseguir seu percurso, mas como pertenço às humanas, preciso, tenho necessidade de recorrer às confirmações através de outros pensares que se assemelhem, ou convergentes, até como forma de consolidar este meu pensar.

Uma primeira aproximação nos é apresentada pela reflexão de Silva (2016, p 46) quando declina que “O pedagogo ainda deve estar preparado para exercer funções inerentes ao seu campo de atuação, tendo a ciência pedagogia como fundamento para a compreensão da sua prática”. Aí está: a prática deve ser compreendida pela teoria. Numa tentativa de compreensão, questiono: pode alguém, valendo-se inicialmente da teoria fazer-lhe uma avaliação através da prática? Bem duas respostas são possíveis: uma afirmativa outra negativa. Vejamos os embates que serão causados.

Cena um: o pedagogo (professor ou educador, conforme se queira chamar-lhe) entra em sala de aula e começa a teorizar sobre não importa qual assunto. Em seguida solicita aos alunos que pratiquem o teorizado. Resultados? Quem garante que os alunos em destaque tiveram capacidade de abstração para entender perfeitamente a teoria a ponto de praticá-la? Vale salientar que o pedagogo trabalha essencialmente com crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, níveis de educação que envolvem crianças com no máximo 10 anos, isto é, ainda com dificuldades intelectivas para trabalhar com a abstração de forma mais plena.

Cena dois: No contraponto, mostre para uma criança a maneira de fazer algo e depois peça para que a criança pratique o exercício de realização da atividade. Tente em seguida explicar teoricamente o processo. Acredito que os resultados serão bastante mais satisfatórios para ambos: para quem mostra e para quem aprende. Talvez não dê certo da primeira vez (lá está a possibilidade de aprender com o erro), mas a partir da  explicação (abstração) a criança vai refazer a tarefa com mais segurança e com mais vontade de acertar, tendo, logicamente, maiores chances de acerto. A reflexão cabe agora: “percebeu, Zezinho, como agindo de modo diferente se conseguem resultados diferentes”?

Nóvoa (2002, p. 57) quando, ao versar sobre formação docente, nos faz compreender que “a formação não se constitui por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de identidade pessoal”. Temos nas suas palavras a prática antecedendo a reflexão, por mais que esta ação se aplique especificamente à construção da identidade. Se a proposição de Nóvoa é afirmativa para a identidade o será, igualmente, para o restante das atividades.

Pacheco (2008, p.14) afirma que:

A formação de professores é um processo contínuo e participado, decorrente das práticas e a elas referenciado, um processo contínuo de acção e reflexão crítica sobre a acção. Através da reflexão crítica são questionadas formas de legitimação (de autoridade, ou regulação moral, por exemplo).

Mas Pacheco (2008, p.16) vai mais além e concorda com Nóvoa quando tece reflexões sobre a articulação necessária entre a teoria e a prática. Diz ele: “que uma reflexão na prática e sobre a prática valoriza os saberes de que os professores são portadores”. Creio estar focando justamente a teorização (síntese do processo de ação-reflexão-ação) de uma prática. Muito embora aconteça a impossibilidade de separar os dois elementos, isso não fornece, à priori, a informação de qual deva ser a ordem de apresentação. Podemos até concordar que, diante se indivisibilidade, os dois elementos se imbriquem de tal modo que seja impossível perceber qual toma a dianteira na ação, principalmente quando analisado por mentes já suficientemente desenvolvidas para entenderem a abstração que representa esse conceito.

Lima (2008, p.200) questiona: “É possível ensinar o ofício de professor? Qual o espaço da prática na formação para o magistério? E da teorização da prática”? Da mesma autora (p.201), gostaria de chamar a atenção para a segunda parte deste período, que não separo para que não se quebre a contextualização:

O que dá sentido às atividades práticas dos cursos de formação é esse movimento que acontece a partir das leituras, práticas, saberes e conhecimentos, que se confrontam e se intercruzam. As atividades de reflexão e registro poderão auxiliar no entendimento das questões relativas às contradições acontecidas no trabalho educativo.

Sob outro olhar, ou ponto de vista, vale parar para fazer uma análise da reflexão que nos traz Silva (2010), mesmo se a citação é longa:

Aquilo que um profissional pensa e faz é um ‘saber- fazer’, que é resultado de um processo de aquisição e, ao mesmo tempo de um ‘saber prático’ no sentido de um discurso com a práxis, ou seja, práxis no sentido da possibilidade de praticar a teoria e teorizar a prática como momentos de um mesmo e único processo.

Segundo Dewey e Radtke (1993)‘saber-fazer’ é um saber implícito, de preferências pessoais, que não se pode ordenar coerentemente. Nesta concepção, o saber é considerado como um saber contextualizado, que está dentro das variadas ações. Trata-se de um saber com regras e princípios práticos, que é cumulativamente um conhecimento objetivo e subjetivo, ligado às experiências pessoais ao chamado saber do dia-a-dia Clark & Lampert (1986); Berliner & Carter, (1989).

Por esta citação podemos perceber que a dualidade se mantém, mas que nos é deixada a escolha da ordem dos fatores: prática da teoria ou teorização da prática. Contudo, e considerando que o fazer (prático aprendido) é um ‘saber-fazer’ e segundo indicado na reflexão de Dewey, podemos afirmar que esse é “um saber de preferências pessoais que não se pode ordenar coerentemente”, acredito que não há erro possível em pretender que a prática anteceda a teoria na compreensão da aprendizagem. Repito, não se trata de separar uma da outra, pretendo apenas esclarecer que compreendo que é mais fácil entender a teoria a partir da concretude de uma prática reflexiva, que compreender a prática a partir de uma teoria abstrata. É possível que este seja um problema pessoal e eu esteja pretendendo impor meu ponto de vista aos outros, mas tenho consciência da afirmação que faço.

Pimenta (2002) na sua reflexão sobre o ato de formar o professor nos propõe repensar a formação docente partindo da análise consciente da atividade prática diária do docente. Quando atentamos para programas como o PARFOR – Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica - no qual os formandos já são formadores e praticantes do ato de ensinar - a nossa teoria sobressai ao primeiro olhar, pois se depreende que é preciso refletir a prática cotidiana dos “formandos”, para que a partir daí se consiga transformar, na medida do possível e necessário, o ‘saber-fazer’ que os formandos expressam, caso contrário a formação não passará de “discurso vazio” ante a prática que eles já vêm desenvolvendo e se encontra arraigada no seu fazer cotidiano.

Para encerrar por agora esta explanação levanto o seguinte questionamento: Nesta temática deve ser considerada a importância que o conceito de prática individual desempenha na construção de valores; partindo dessa premissa, qual deve ser o lugar da imersão do formando no contexto real cotidiano da escola, quando o objetivo é desenvolver atividades que o levem à maior compreensão do ato de aprender?

 

Referências:

LIMA. M. S. L. Reflexões sobre o estágio/prática de ensino na formação de professores. Curitiba: Revista Diálogo Educacional, v. 8, n. 23, p. 195-205, jan./abr. 2008

NÓVOA, A. Formação de professores e trabalho pedagógico. Lisboa: Educa, 2002

PACHECO, J. Escola da Ponte: formação e transformação. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.

PIMENTA, Selma G.(Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

SILVA, Arlete Vieira da. A articulação entre teoria e prática na construção do conhecimento pedagógico do conteúdo. Revista Espaço Acadêmico, nº 112, Ano X, 2010.

SILVA, José A. A da. O percurso formativo dos professores para os anos iniciais de escolarização e a produção de saberes necessários à atuação docente. In: SANTIAGO, Stella M de M.; FREITAS W. de J. Formação de professores e identidades docentes em questão. Fortaleza: Imprece, 2016.

 

18/06/2016

 

Ora, lá vamos nós a mais uma confirmação do já dito, reprisado, bisado, pisado, mastigado, regurgitado, mas que não consegue (juro que não sei o porquê) fazer adeptos em nosso meio, principalmente no acadêmico. Quem já foi em algum momento meu/minha aluno/aluna já me ouviu, certamente, defender uma tese que não é minha da qual me apodero como se construção minha fosse, tal o crédito que lhe dou: “a educação, no Brasil, só sairá da cepa torta quando se tornar uma política de Estado e deixar de ser marionete nas mãos dos governos", cada um mais incompetente que outro – nesse aspecto – como têm demonstrado. É aquela máxima: “todos sabem onde está o mal, mas nenhum quer curá-lo, pois fazê-lo seria matar a galinha dos ovos de ouro.

 

O problema fica mais visível com as ações (catastróficas) que esse desgoverno temporário, tampão, provisório, interino vem promovendo. Sabe-se, afirma-se e defende-se a política de expansão da escolaridade e da oferta quantitativa da possibilidade de acesso ao saber promovida pelos governos progressistas (talvez nem tanto quanto desejaríamos) do PT. Vemos, agora, a reversão da marcha imposta pelo modelo arcaico e morredouro do neoliberalismo que encontra ainda algum resquício de sobrevivência no ninho de poucas aves repugnantes que compõem a direita brasileira. Triste papel! No entanto, enquanto o gogo e a coccidiose não fizerem seu trabalho de exterminadoras das “plumentas” (aqui entendidas como toda e qualquer ave, por mais rara que seja!) os prejuízos à educação são, do mesmo modo que nas demais áreas sociais, incalculáveis.

 

A passividade com que o povo está aceitando esse desmonte da nação que lhes dá guarida e sustento causa-me gasturas mil. Povo sem reação! Por isso refaço minha proposta inicial de provar uma máxima, alterando para duas. A primeira sobre a direção do processo educacional escolar; a segunda sobre a ideia que Deus é brasileiro, na qual muita gente não acredita; pois pode passar a acreditar, considerando a vossa capacidade de acreditar no milagre dos milagres. É muita crendice para um povo só: veja-se o comércio florescente da fé!

 

Então brasileiras e brasileiros, continuem impávidos e serenos aguardando a obra caritativa do Senhor e não levantem vossas bundas dos sofás diante da estação de tv que me nego a dizer o nome e vão definhando, lenta e progressivamente em todos os aspectos visíveis: físico e intelectualmente. Esperem pacientemente que os ratos se revezem de quatro em quatro anos para irem comendo suas entranhas, com requintes de crueldade – olhem o riso irônico do Cunha – até que você não sirva para outra coisa que não seja a exploração final do enterro, no qual a sua família vai padecer para que possa dar-te um final menos vil. Mesmo morto o capital te come.

 

E o último a ser comido será sempre o Aécio, porquanto tem os s protegidos pelo STF em peso, mas você vive se esforçando para encontrar forças para gritar que ele será o primeiro. Não acredite no capital: se finge de morto, para comer o coveiro!

 

02/07/2016

Há coisas que eu não consigo entender pela lógica nem pela racionalidade.

Talvez seja eu o irracional e o sem a menor das lógicas.

Percebo nas práticas desenvolvidas dentro do nosso curso – e talvez nem só – um quê de desaforismo que me incomoda sobremaneira considerando a irregular sequência de desenvolvimento semestral do nosso currículo desde 2007 (não é portanto algo novo), mas parece que nada se aprende com isso.

Por isso gostaria de compreender, logo solicito a quem tenha o poder de me explicar, que o faça, por qual motivo e com qual embasamento teórico-legal-racional se realiza uma seleção de estudantes candidatos a bolsas de Monitoria em pleno gozo das férias, bem merecidas, que eles e os professores usufruem no período.

Sei que estamos cá no fim dos cafundós do Ceará, mas... Não acreditam que isso seja provincianismo demais?

 

Bem... É o meu ponto de vista!

 

O5/07/2016

Não sei se é uma grande pretensão minha tentar externar mais um ponto de vista que nasce a partir de uma polêmica: “dar ou não dar o título de Dr. Honoris Causa a Lula”. Portanto que fique mais uma vez bem explicitado que, o que aqui externarei é a minha mais firme convicção, logo o meu ponto de vista.

 

Pela internet fico a saber de uma notícia (essa da atribuição do título a Lula) e logo a seguir de uma outra, movida por quem se acha no direito, contrapondo-se ao ato. As duas posições são extremamente aceitáveis – viva a liberdade de opinião – mas alguns detalhes escapam ao processo ético de expressão dessa liberdade, transformando-o quase em libertinagem.

 

A Universidade regional do Cariri – URCA – anunciou essa homenagem que, se não é devida é, pelo menos merecida por aquele que está mundialmente reconhecido como tendo sido o melhor presidente do Brasil até este momento. Um ato de agradecimento pelos feitos do homenageado em prol do Nordeste do país. Posições contrárias têm que ser admitidas, pois a população brasileira não pensa de forma idêntica na sua totalidade (em caso contrário já estaríamos, novamente, num regime político fascista consolidado).

 

Eis, portanto, que algumas vozes se levantam contra a atribuição de tal comenda a esse personagem de grande relevo na História recente do Brasil. Repito, há legitimidade no fato, precisamos apenas analisar as argumentações para a oposição e, muito principalmente, a forma verbal, linguística e sem comprovações das acusações feitas para justificarem a negação da honraria.

 

Dentre essas vozes destoantes, uma chama especialmente a atenção a da Sra. médica, Jácia Maria Neves Coelho que ao referir-se ao ato em apreço assim se expressa:

 

O valor de uma comenda, seja ela qual for, sobretudo aquela proveniente de uma instituição pública deve ser isenta de vieses doutrinários, ideológicos, politico-partidários, carregada de notória representatividade e seriedade nas atribuições sobre si requeridas. Nada disto infelizmente condiz com a anunciação da entrega pela Universidade Regional do Cariri (URCA) de tal título ao ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva. Um politico envolvido com múltiplos escândalos de corrupção, com uma conduta pessoal suspeita, onde o entorpecimento de princípios ocupa toda a sua trajetória pública. Alguém cuja representatividade toscamente pode ser atribuída somente a grupelhos aparelhados pelo marxismo cultural ainda ora vigente no Brasil (https://www.facebook.com/jaciamaria.nevescoelho?fref=ts).

 

A senhora, cheia de revolta “global”, não enxerga que o seu posicionamento é tão político quanto aquele que ela condena e não atenta sequer para o fato de – na ausência de apresentação de provas cabais de tudo de que acusa o ex-presidente – e do ponto de vista de um apoiador do recriminado, podermos entrar com ação judicial por difamação. A senhora, que reverbera as palavras do criador de obra tão nefasta, o Sr. Glauco Ribeiro Brito, que aparece como autor do abaixo-assinado no site da organização Change (https://www.change.org/p/urca-universidade-regional-do-cariri-contra-o-titulo-de-doutor-honoris-causa-de-lula-na-urca?recruiter=378052488&utm_source=share_petition&utm_medium=whatsapp) incorre na mesma penalização que a ele pode ser imputada.

 

Que a Sra. ou qualquer outra pessoa tenha seus motivos para não apoiar este ou aquele candidato é um direito inalienável que precisa ser respeitado, no entanto, o respeito que a senhora exige para si lhe torna tributária de pagamento na mesma moeda, isto é, com respeito, caso contrário esteja preparada para receber o seu justo valor. Não faço parte de “grupelhos aparelhados pelo marxismo” – antes fizesse e com mais convicção –, pois se todos participássemos – e aí se justifica a sua raiva – não estaríamos a pagar feijão caro para justificar um golpe capitalista e apoiar ideologias neo-fascistóides como aquelas que a senhora parece abraçar; Não estariam por aí a gritar FORA PTFORA DILMA, mas agora a reclamar o retorno do FIES para que a vossa cria “linda, joiada e cheirosa” possa cursar medicina e outros cursos que vocês desejam que vos sejam exclusivos e pagos com dinheiro dos impostos da maioria dos brasileiros, para que possam explorá-los no futuro. Lamentável que a hipocrisia de poucos não lhes deixe ver que, se o capitalismo fosse bom, todos teriam as mesmas chances. No entanto, apenas 1% da população detém 90% das riquezas da terra com o apoio de alienados da classe média que sonham em ser alguém. Por favor, acredite que a Revolução Francesa não se repetirá jamais! A vossa classe média vos aprisionou para todo o sempre e vos condena ao "sacrifício do bucho para viverem o luxo"!

 

20/08/2016

Estou de retorno, portanto, para além do famoso Ponto de Vista, trago novas ideias (florescidas na calmaria das férias), algumas propostas audaciosas (ou nem tanto!), mas e sobretudo, as energias renovadas para mais um ano de batalhas que podem ser consideradas partes de uma guerra que necessitamos travar contra um inimigo comum que hoje se hospeda no Palácio do Planalto e de toda a súcia que lhe serve de apoio.

Este estar de retorno representa o regresso - atrasado - às atividades após um período de ausência (antecipadamente anunciado) no qual tive oportunidade de juntar o útil ao agradável, não é sempre que este binômio se encaixa à perfeição. Foram as férias dos reencontros - como lhes chamei após planejamento e articulações várias; reencontro de velhos companheiros de armas numa luta bem mais perigosa que esta que travamos contra um usurpador político - a guerra colonial portuguesa. Foi o resgatar de memórias já distantes de mais de quarenta anos que estiveram guardadas em nossas mentes até hoje e que ali permanecerão até ao fim dos nossos tempos. Muitos já não as conseguem contar e os motivos são muitos, principalmente pelo falecimento (seja ele geral, ou parcial causado pelas doenças que nos acometem quando passamos de um determinado estágio de nossas existências de vida), muitos (quantos?) já não estão entre nós, mas deles também recordamos.

Foi o reencontro de elos perdidos (passe o lugar comum) de uma história de vida - a minha vida - que busquei nas terras em que nasci, cresci e agora me vejo retornado; nas pessoas membros da família que a distância conseguiu afastar física e espiritualmente; em espaços muitas vezes insólitos (como no cemitério onde visitei o túmulo de meu falecido pai); na história que ouvi contada por gentes que a vivenciaram.

Fui construindo um esboço da minha origem (que acredito mais firmemente ser judia) e até me aproximei (assim espero) da origem do meu nome - Pina - que tanto intriga brasileiros e a mim mesmo. Enfim, posso afirmar que me vejo outro depois destes reencontros. Lamento não ter pensado nisso há mais tempo. Mas, como dizem os franceses "avant l'heur c'est pas l'heur, après l'heure c'est plus l'heure" ("antes da hora não é hora e depois da hora não é mais hora", numa tradução livre e pessoal). Logo, acredito que este era o "tempo" dos reencontros. Muitos foram, outros serão - assim espero.

O Ponto de Vista mais crítico fica por conta da politicagem (não podia ser de outra forma). Por cá o desmantelo provocado por uma alucinado e demente que não apresenta condições de gerir a sua própria vida, quanto mais gerir uma nação do porte do Brasil. A culpa deste status quo também é minha que o ajudei a eleger, mesmo se pela via atravessada que representa o posto de um vice. Um colega meu, de trabalho e de lutas diz que "Vice só serve para viçar". Este nosso vice, acredito, nem para isso serve, pois à guisa de querer salvar o país da crise, mergulha-nos na pior embrulhada de perdas e danos que a classe trabalhadora já sofreu depois do governo de GV. Nem no período militar os prejuízos sociais foram tão graves. Por lá, leia-se Europa de um modo geral, a situação não está mais famosa e nem tampouco formosa, greves por todos os lados, lutas de classes rolando à solta em todos os países, uma vitória ali, outra acolá vão equilibrando o perde/ganha, no jogo de cabo de guerra entre patrões, governos e trabalhadores. Aqui é o marasmo! Um povo alienado, embrutecido, entorpecido, hipnotizado... diria: zumbis!

No campo de trabalho posso (podemos) cantar vitória sobre o malefício maior que neste momento inadequado poderia nos atingir: uma nova greve. Não quer dizer que não houvesse motivos mais que justos - a olhar apenas por um dos lados - para que a greve fosse deflagrada, não, caso o tivesse sido não teria sido em vão como aconteceu com última vivenciada. Essa última, aliás, foi o tiro mais errado que alguém possa ter dado - todos os motivos e mais um: paralisaram as atividades para conseguir aquilo que já estava certo; mantiveram a categoria à margem dos acontecimentos e, acredito, não fossem as grandes pressões exercidas pela sociedade de um modo geral, não se teria saído tão cedo desse estado férias antecipadas e prolongadas para muitos dos "grevistas". É a mente humana, mal formada, que não consegue enxergar fora da caixinha de surpresas (cabecinha oca) que a comporta e não percebe a realidade mais próxima, no seu entorno. Hoje, a olhar pelo interesse mais capitalista dessas mesmas mentes, a greve precisaria ser deflagrada, mas não há mais munição e - arrisco dizer - nem condição moral de numa entidade de classe abalada pela derrota acachapante sofrida para dirigir os desígnios da categoria que diz representar. Por outro lado, a necessidade de dar uma resposta adequada à classe estudantil - aquela que, na realidade é a mais prejudicada - que exerceu seu livre direito de reclamar foi importantíssima na hora do NÃO.

O trabalho foi retomado, as energias são positivas, por isso, que o período seja de muita e boa produção.

 

03/10/2016 

 

Costumo dizer que “entendo rápido quando me explicam muitas vezes”.

Claro que é uma zombaria que faço comigo mesmo, mas não deixa de haver uma certa dose de verdade nessa zombaria.  Só lamento que uma imensa massa de brasileiros nem assim consiga entender. A análise de hoje recai sobre “o recado das urnas” nestas eleições municipais.

 

Alguns dado chegam a beirar o limite do alarmante, mas parece que nada aconteceu. Isto, tanto faz que olhe para o povo adormecido, para os candidatos eleitos ou rejeitados e até mesmo para aqueles que por força de mandato ainda se sentem confortáveis no poleiro.

 

Nove em 27 capitais, portanto um terço delas, apresentaram resultados que deveriam ligar todas as sirenes, todos os alarmes, todos os sinais vermelhos da classe política: postulantes e executores – a soma dos votos brancos, nulos e abstenções ultrapassam o número de votos daquele candidato considerado eleito. O que se pode depreender dessa mensagem?

 

Primeiro ponto, porém talvez não o mais importante numa sequência: dinheiro não compra mais voto. Pode até comprar “promessas”, mas o povo parece que já deixou de ser besta e aproveita tudo que lhe oferecem em troca do seu sufrágio, contudo já começa a discernir o que é mais vantajoso para si mesmo;

 

Segundo ponto: a reeleição não é mais uma garantia para nenhum político, por mais que tenha a “máquina” a seu favor, o povo já aprendeu a avaliar a atuação de cada um e se não “der no couro” está fora;

 

Terceiro: há no ar um cheiro de fumaça negra resultante da queima de falsas ideologias pregadas por alguns (todos?) partidos, pois o povo está começando a fixar o olhar com mais profundidade na pessoa do/a candidato/a que no partido que ele/a diz representar;

 

Quarto: o povo anda cansado de tanta trafulhice na política, a ponto de não se dar ao trabalho de sair do conforto do seu lar para ir votar em quem não enxerga mais que seu próprio umbigo. Prefere pagar uma multa irrisória;

 

Quinto: As urnas parecem gritar: “Cuidado, estamos de olho em vocês e vamos cobrar promessas e atitudes”;

 

Sexto: não confiamos mais nesse modelo de eleição em que o voto é obrigatório para eleger aquele que irá (a nosso entender) roubar menos, pois parece ser senso comum que todos roubam, embora alguns façam mais que os outros;

 

Sétimo: não estamos satisfeitos com as vossas regalias que são custeadas com os nossos sacrifícios e ainda nos acusam de sermos os responsáveis pela “crise” que o país atravessa, como forma de imporem mais regras de exploração, cada vez mais penosas para nós trabalhadores;

 

Oitavo (e este no seu devido lugar na ordem numérica): CHEGA!

 

O Brasil está sem rumo e soprado por ventos fortes provenientes da tempestade provocada pela ganância e pelo poder. A desobediência civil não é mais suficiente para colocar um fim a tal episódio, só a revolução popular poderá estancar a prática de tantos desmandos. Política é uma ciência que não deve ser misturada com práticas burlescas (Tiriricas e Cia), ou agremiativas tendenciosas (cristãs, protestantes, policialescas, ruralistas etc.) deve ser praticada por quem tem vontade de ver seu povo ser feliz e receber de volta aquilo que paga com seus impostos. Isto não é um apelo à guerra, mas à revolta das consciências podres e adormecidas que ainda teimam e ser servis ao senhor feudal. Precisamos pular da cama, uma vez que já acordamos!

 

Nas próximas eleições a mensagem deverá ainda ser mais clara e efetiva, a menos que alguma atitude seja tomada (duvido que o cachorro queira largar o osso!) para que possa ser ainda melhor assimilada por aqueles que hoje ainda riem da miséria alheia. Chega de alimentar proxenetas nesta relação amorosa entre o povo trabalhador e a pátria que o sustenta. Todo trabalhador deve ter um salário justo que o possa transformar num também justo patrão desses boas-vidas que usufruem de todas as regalias que se atribuem à revelia do desejo da maioria. Político precisa ganhar tanto quanto o trabalhador médio para sentir o gosto que tem a comida paga com o próprio suor e não com o esforço dos outros para seu gáudio.

 

Por fim, mas mais importante que tudo

           #CADEIAPARATEMEROTRAIDORDAPÁTRIA

 

06/10/16

Entre o quepe e a cruz.

 

Moro (resido, cuidado com as confusões) num país onde juiz e promotor querem prender sem provas;

Resido num local onde o STF não protege a Constituição, defenestra-a, viola-a;

Tento passar desapercebido entre os credos e as práticas;

Não entendo que eu dê o que preciso para depois precisar pedir emprestado;

Abomino quem “teme a Deus” mas espezinha os pobres;

Repudio as forças da Ordem que semeiam a desordem entre os ordeiros...

 

A lista poderia continuar por um espaço bem maior e mais significativo. Prefiro deixar maiores aprofundamentos a cada qual. Sintam-se em vosso direito (vilipendiado) de analisar a situação que este cidadão, idêntico a você, se encontra. Tenho vontade de URRAR!

 

É indignação! Estarrecimento! Descrença! Insatisfação! Mas, pior que tudo isso, é um sentimento de frustração, de nãoseiquêmesmo!

 

Incrédulo seria o adjetivo que melhor me qualificaria neste instante. Vi o Brasil sair das cinzas, ir sacudindo a poeira e começar a dar a volta por cima, mas, no meio do caminho estava instalada a ignorância, a alienação, a subjugação, o sentimento de vira-lata que ao longo dos tempos foi inculcado na população deste paraíso, deste novo “El Dourado”. Acreditei, mais, apostei todas minhas fichas no progresso que, aos poucos, estava surgindo para o gáudio de todo um povo que há mais de quinhentos anos vinha sendo subjugado, humilhado, espezinhado. Mas, retirar a cangalha do jumento de uma só vez, fá-lo pensar em ares de superioridade e já se imaginar cavalo ganhador de corridas.

 

O resultado foi que em pouco tempo o jumento perdeu as estribeiras e os antolhos, vislumbrando em sua alienação a possibilidade de mudar de classe social, passando a ser, simplesmente, burro. Para atingir seu sonho de consumo (ser superior) esqueceu seu sofrimento passado, a fome de criar pelo, a desagregação familiar/social em nome da necessidade de imigrar para “Sum Paulo”, convertido em religioso (para não citar nenhuma religião/seita), a quem teria que entregar o que ganhava para alcançar o reino dos céus, antes que a ordem o prenda por ser “baiano” (que me perdoem todos os baianos, mas acredito que sabem ser esse o apelido do nordestino lá no sudeste maravilha) e sem residência fixa.

 

Mas a sorte mudará (FORA DILMA!). Vestiu-se da nação, nas corres mais corrompidas da CBF. (INTERVENÇÃO MILITAR, JÁ!). Julgou estar do lado certo ao apoiar o misógino, fascistoide e neonazista. Se Malafaia, Macedo e outros dizem... ele respeita em nome da cruz. No confronto com menos crédulos, sente o peso da borracha, quando não é pau mesmo! Mas o Capitão mandou votar e deve estar certo, pois ele tem o apoio do coronel que é sócio do usurpador do poder. “Vou me dar de bem”.

 

Enquanto uma enorme maioria do povo brasileiro pensa dessa forma o BRAZIL vai muito bem obrigado.  Para tanto, basta que “os abestados” (TIRIRICA, 2010) continuem a imaginar que o ÉDEN está entre o quepe e a cruz e que manifestar contra as privatizações e o entreguismo é coisa de PTralha. E que venham os 'ricanos, pois eles são mais espertos e civilizados.