FORMAÇÃO/PRÁTICA DOCENTE

5 - VOCÊ SABE O QUE É UM PALÍNDROMO?

 

Eu acredito que a língua portuguesa é da pouca que apresentas singularidades feito esta

Você saberá me responder e dar exemplo do que quer que seja um palíndromo? (bem, não vale consultar dicionários ou similares).

Sei que não é fácil, mas se você fizer um pequenino esforço você compreendera. Quer ver, ou dar um exemplo, sem contudo dizer o que é.

Ex.: “A mala nada na lama”.

Espero você por uns minutos de reflexão.

E então.... já descobriu?! 

Dou-lhe mais um exemplo, este um pouco mais fácil;

EX.: “A droga da gorda”.

Já sei! Descobriu! Ainda não?

Vejamos se assim você chega lá!

Ex.: 2882

Ficou mais fácil?

Em todo caso eu dou-lhe o conceito e você, depois de se apoderar dele poderá brincar com seus alunos, treinando seja a matemática, seja a leitura. Vamos lá!

PALÍNDROMO é uma palavra ou número que pode ser lido nos dois sentidos: as esquerda para a direita (o normal), ou ao contrário, da direita para a esquerda. Veja os exemplos acima e anote mais estes:

ASSIM A AIA IA A MISSA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A TORRE DA DERROTA

LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO

RIR, O BREVE VERBO RIR

A CARA RAJADA DA JARARACA

SAIRAM O TIO E OITO MARIAS


ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ

4994

 

Sacou agora? Então o palíndromo pode ser um bom exercício para seus alunos. Pratique! Faça algo diferente!

 

4 - Reflexões sobre um processo educativo

Normalmente ninguém gosta de escutar opiniões que não tenha pedido. É um direito pessoal ao qual eu chamo de “torto pessoal”. Já começo torto para tentar alinhar o meu pensamento. Todos nós – e muito mais o governo, ou quem está encarregado de comandar algo que atinja a população de modo geral deveria considerar/ponderar seus “tortos”. Um bom exemplo,  são as pessoas que estão à frente do setor que comanda as políticas públicas de educação. Não basta ter ideias. É necessário que elas sejam ideias “tortas”.

Assim sendo, tortas, cria-se a necessidade e o bom hábito de discutir essas ideias com a finalidade de tentar alinhá-las, de tal forma que possam servir não apenas “aos meus interesses”, mas e de uma forma geral, aos interesses de toda a população ou de sua grande maioria. Quando essa tentativa de alinhamento não se realiza, acontece aquilo que mais vulgarmente estamos habituados a ver: a briga de ideias e as tentativas de denegrir os outros para fazer sobressair “a minha ideia”. Na nossa educação, infelizmente, essa é a mais retomada das práticas. Cada governo que entra achincalha com o modelo educacional dos governos anteriores e quer impor “o seu” modelo.

Primeira causa desse desencontro, desse desalinhamento de ideias é a falta de uma política educacional de Estado. A política educacional de governo conduz a essas brigas e a uma desorganização total do sistema (?) nacional (?) de educação. A segunda causa desse desalinhamento são os interesses omitidos na criação de cada uma das novas “regras” que o sistema deve seguir. Finalmente, desse desalinhamento nasce um deficitário sistema de formação docente. Vejamos o porquê dessas minhas interrogações no meio do paragrafo. A falta de alinhamento permite a “livre iniciativa”, descartando um sistema unificado e possibilitador aquilo que temos hoje: uma multiplicidade de sistemas. A lógica me obriga a considerar que, se em vez de um sistema temos vários, não lhes podemos chamar de nacionais e sim particulares.

Eu sei, tal como você, que a sociedade é múltipla, plural e que por isso seria até recomendada a utilização de múltiplos métodos de ensino. É preciso ponderar essa possibilidade dentro da realidade social do nosso país e não serei eu a dizer que essa ideia não esteja de acordo com a necessidade de contemplar a diversidade social, mas uma coisa são métodos, outras são teorias que permitam atingir os fins/objetivos. Analisemos a seguinte situação: duas escolas, para não alargar muito a explicação, têm como objetivo preparar seus alunos para a vida profissional (lembrando sempre que quem prepara para a vida social é a família). Uma delas utiliza o método A, e a outra o método B. Uma delas consegue um sucesso relativamente satisfatório no seu objetivo, a outra não obtém mais que o estritamente necessário e, assim mesmo, com alguma dificuldade. A pergunta que fica: Supondo que ambas têm um corpo docente suficientemente preparado, qual é, então, a razão dessa diferença absurda de resultados?

Tragamos esse exemplo para mais perto da nossa realidade: as mesmas duas escolas, com o objetivo de alfabetizar as crianças que lhes são confiadas, respeitando os mesmos quesitos do exemplo anterior. Uma delas consegue alfabetizar/letrar totalmente seus alunos, a outra consegue apenas alfabetizar, deficientemente, parte do seu alunado. A mesma pergunta final: qual é, então, a razão dessa diferença absurda de resultados?

Não vou responder de imediato para permitir a vossa reflexão por alguns instantes enquanto lanço o seguinte desafio/proposta: o Brasil precisa elevar o nível educacional de sua população, não de uma parte apenas, de toda ela, do Oiapoque ao Chuí, e em todos os patamares etário-sociais. É fato incontestável. No entanto, e para tanto, não adianta “importar” modelos prontos daqui ou dali, pois nós temos no país cabeças suficientemente pensantes capazes de estabelecer um plano educacional que atenda a todas as necessidades do país, bastando para tanto que se coloquem à margem todos os interesses pessoais, as diferenças partidárias e outras quezilas similares. Coloquemos, sentados a uma mesa grande, um grupo de pensadores de diferentes opiniões e, principalmente, uma forte representação daqueles que mais diretamente estão ligados ao produto final: os professores/educadores. Formule-se uma política que possa elevar a educação em todo país e desse-lhe um caráter de política de Estado e não uma política de governo A, B ou C. Teremos aí um fazer educação que promete um produto final com alguma qualidade. As melhorias, os diferentes sabores serão regidos pelas peculiaridades de cada região, de cada necessidade, de cada particularidade. Nisso entram os métodos: não posso querer educar adultos com o mesmo “b+a=ba” que utilizo com as crianças. Não posso ensinar uma criança a construir um muro como ensino a um adulto. Não posso utilizar a mesma abstração para crianças e adultos que uso, por exemplo, com jovens adolescentes que têm já uma mentalidade mais fértil e afiada. Aí surgem os métodos, as metodologias, ousaria até chamar de programas. E não falo em um único programa, não falo em uma única metodologia, quem vive o dia-a-dia da sala de aula sabe muito bem que cada momento pode ser mais ou menos propício para utilizar partes deste ou daquele método.

Aprendi, durante o meu curso de formação, ao qual estão chamando de doutrinador, que todo e qualquer recurso que possa permitir a alfabetização do analfabeto deve ser perseguido pelo formador, independentemente de ideologias, crenças ou raças, pois cada um reage de forma diferenciada a um mesmo estímulo. O que não se pode perder de vista, jamais, é o tipo de ser que queremos formar, pois ele será o responsável, amanhã, pelo processo de sociabilidade da humanidade. É a partir desse paradigma de ser humano desejável que devemos traçar nossos planos educacionais. O homem não pode ser transformado num alienado, mas também não pode ser transformado num crítico “oco” que não consiga associar a sua crítica a uma prática eficiente e probatória de sua teoria. A crítica pela crítica é destrutiva. Não defendo o pragmatismo como único modelo educacional, mas concordo que sem uma parcela significante dele não passaremos de papagaios de pirata, repetindo aquilo que noutras oportunidades não trouxe resultados esperados. Quem é da educação conhece bem (ou deveria conhecer) os resultados obtidos por diversos educadores construtores de teorias: John Lock, J.J Rousseau, Claparede, Maria Montessori, Lepelletier, Froebel, Pestalozzi, Herbart, cada qual com sua teoria e prática condizente, uns mais teóricos, outros mais práticos, cada um com seus motivos e perspectivas em relação à educação de crianças. Claro que os sucessos foram tão variados, quanto variadas eram as teorias. A estas e por estas outras surgiram, num processo de criação de novas possibilidades de educação. A evolução social pedia isso e os pensadores se dedicaram ao estudo de novas metodologias: Jean Piaget, Vigotsky, Paulo Freire, José Pacheco (para falar apenas nestes), todos eles preocupados em educar a criança para atender a uma determinada sociedade. É esta, a sociedade quem, infelizmente, determina o tipo de educação que devemos ter, por esse motivo, mantermos uma educação de governo, para que cada um possa fazer do jeito que lhe for mais conveniente para atingir determinado objetivo e não sem a preocupação do desenvolvimento social na sua totalidade. Não podemos continuar com esse pensamento disperso que forma uns e deforma outros.

A educação infantil e os primeiros anos do ensino fundamental têm que respeitar as suas devidas etapas e conceitos: numa, se encaminha a infância para um processo de aprendizagem da leitura/escrita/compreensão, no momento seguinte construímos uma base visando seu desenvolvimento futuro para sua inserção no mundo do trabalho. A maneira mais ou menos crítica/reflexiva que se deve adotar é aquela do pleno desenvolvimento do conhecimento dos processos de produção e como tal, só no contato direto com eles, a pessoa pode escolher e se tornar um profissional competente à altura que o capitalista deseja, mas sem que possa exercer a exploração sobre o profissional. O mundo, hoje, pertence a meia dúzia de exploradores sem coração que não hesitam em matar seu opositor para obter melhores resultados na sua vida privada.

Não temos como impor à criança que ela seja aquilo que ela não quer ser, será um pouco o forçar a teoria da vara de Paulo Freire. A resistência a determinada profissão pode conduzir obrigatoriamente um jovem à posição de um mau profissional ou a uma perca de tempo numa tentativa inútil de o fazer “gostar” de algo que detesta. É nesse sentido que eu defendo que o jovem jamais deve entrar numa faculdade/universidade sem realmente ter a convicção que é aquilo que ele quer ser. Assim mesmo, no transcurso de uma formação inicial, há a possibilidade de descoberta de incompatibilidades, mas estas serão certamente, mínimas.

Tudo até aqui parece muito teórico, na verdade é de teoria, sim, que falo, pois a prática é bem diferente e provem (ou deveria provir) de um acordo social entre os sistemas educacional e sistema produtivo. Nessa minha perspectiva, o estudante, ao completar uma idade que se perceba o início de um amadurecimento da compreensão das coisas do mundo, deveria começar a ter contato direto com esse mundo que o aguarda, lá fora das paredes de casa e da escola. O contato direto com a realidade social e principalmente da produção lhe daria “ideias” sobre seu possível futuro. Não se trata de exploração trabalhista de menores, mas da permissão de observação dos processos de produção em foco. A escola, após essa tomada de decisão por parte do aluno, deveria ter a possibilidade de trabalhar conteúdos humanizados voltados para a profissão desejada. Sempre me questionei por qual motivo o futuro médico precisa ter conhecimentos aprofundados de mecânica e de eletricidade. Não que essas disciplinas devam ser eliminadas, mas apenas estudadas na justa medida da sua aplicabilidade na futura profissão. Algumas disciplinas que devem fazer parte obrigatória de qualquer “curso” são a filosofia, a sociologia, a matemática e o domínio da língua pátria. Claro que a história, a geografia e todas as demais disciplinas têm sua importância, mas reforço a ideia que, deveria haver pesos e medidas proporcionais a cada área do conhecimento que cada um queira abraçar.

Resumindo: o que eu quero significar com tudo isto é que o plano nacional de educação deveria estar centrado numa base mínima comum, para atender a todos de forma igualitária que serviria para uma avaliação, e uma parte diversificada que deveria poder atender as especificidades de cursos, regiões, áreas do saber. Pra essa segunda parte a sugestão é os estabelecimentos de ensino que compõem um estado/município possam oferecer variadas alternativas para que o estudante possa escolher entre frequentar uma ou outra. Exemplificando: se um estudante tem mais tendência para as questões comerciais, que haja uma escola que possa melhor lhe preparar para essa área que para outra qualquer ou para uma generalização que desestimula o aprendizado. Se outro aluno tem inclinação para a área tecnológica, que possa ter uma escola que lhe ofereça um estudo mais direcionado para essa área, sempre respeitando o início pelas disciplinas do eixo comum a todas elas, composto pelas disciplinas apontadas acima. Ao final do curso, consideradas as suas avaliações gerais e tomada a média final, o aluno poderá tentar frequentar uma universidade que ofereça a área que ele pretende desenvolver e para a qual concorrerão todos aqueles que tiverem feito o “preparatório” e apresentem média de notas acima da linha de corte que a própria universidade imporá. Partindo dessa prática, asseguro que teremos um ser social crítico e preparado para enfrentar o mercado de trabalho com qualificação e pronto para participar do desenvolvimento da nação.

“I’m a dreamer”! Mas se cabe no meu sonho, pode caber nas políticas Educacionais de Estado.

 

3 - 4 em cada 10 professores [ou seja, 40%] do 6º ao 9º ano não têm formação no que ensinam.

DADOS DO ANUÁRIO DA EDUCAÇÃO BÁSICA

https://www.uol.com.br/

Recebemos, hoje, esta preciosidade que me permite tecer mais algumas considerações sobre um tema que eu mesmo venho desgastando como forma de conscientizar quem de direito.

Já é longo o tempo em que venho pleiteando uma “formação” adequada para quem se destina ao magistério, mas sempre tenho encontrado ferro frio, aquele que é difícil de malhar para moldar. Hoje, contudo, parece que a forja funcionou e o ferro está ao rubro e talvez haja a possibilidade de malhá-lo para lhe dar alguma forma. Comecei (ainda não terminei) um artigo um pouco mais longo sobre “a falta de coragem de dizer”, no qual tento centralizar as baterias terrestres e antiaéreas para provocar algum tipo de abalo sísmico nos indecentes tutores maiores da educação brasileira. Ainda não terminei justamente por falta deste dado tão importante que, embora seja reconhecido por todos, não era divulgado de forma oficial. Atentemos que estes números significam quase a metade dos professores colocados em sala de aula sem a devida qualificação.

Este dado oportuniza uma primeira questão bastante grave, apesar da sua simplicidade: “Como exigir uma educação de qualidade sem ter os mestres adequados ao desempenho da arte de orientar na busca do conhecimento”? Por mais esdrúxula que possa parecer a provocação a seguir intenta chocar mais pessoas para a realidade que estamos vivenciando. Assim, lanço o repto a todo e qualquer brasileiro de entrar num avião cujo piloto seja apenas um excelente técnico em manutenção de aviões.  Corre-se o risco de tal profissional colocar a máquina no ar, pois ele conhece minimamente alguns dos sistemas complexos que a compõem, mas não dominam a prática necessária para atingir o efeito desejado e o resultado final pode ser um acidente, uma catástrofe de dimensões incalculáveis. Eis aí, o problema da educação escolar brasileira: a permissividade geral que coloca à frente de um sistema complexo, profissionais não qualificados para o máximo desempenho. Há, no entanto, uma pedra enorme no meio do caminho que ninguém ousa remover, pois é sustentáculo para outras maracutaias de pessoas menos escrupulosas, esses profissionais desclassificados são ali colocados por quem tem interesses outros que o bom desempenho da instituição escolar. A podridão vem de longe e precedida de títulos honoríficos na escala daqueles que se julgam os mandantes da nação. Ora a nação é do povo e seria deste que deveria emanar o poder de colocar na escola A ou B o profissional que julgasse mais adequado à função. Em tais condições não vejo como dar uma outra fisionomia à educação escolar que essa, anêmica, raquítica e desnutrida que nos apresenta. Precisamos, contudo analisar e compreender que a falta também é nossa quando elegemos para os postos de comando do destina da nação pessoas menos habilidosas, quando não sequiosas de sugarem todo o suor do trabalhador, seja ele da educação ou de qual o ramo de atividade que seja, sem se importar com os descaminhos que a população de uma forma geral pode tomar. Neste momento, o desqualificado que está vomitando rancor, ódio e vingança pela ponta da caneta com que assina as mais desmesuradas leis e decretos, tem como objetivo eliminar a educação pública, como meio de retribuir aos já todos poderosos a benesse de estar ocupando um lugar para o qual não tem o menor preparo, além das conhecidas causas que o levaram a ser expulso do exército brasileiro.

O povo, já que é dele que emana o poder, tem que ter a coragem de assumir o posto que lhe é de direito e colocar no devido lugar que lhe compete (o manicômio) essa figura tão danosa à nação.

Para voltarmos aos números assustadores que apresento no título do crônica, reconheço que não será sem um enorme sacrifício geral que se mudará a face dessa educação. Vai ser preciso coragem de parar as contratações por um tempo limitado e fazer as adequações/mudanças necessárias, para então se preencherem as lacunas que vão existir (não serão poucas, juro). O que não pode acontecer é nós estarmos vendo o barco rumar para o abismo e nenhum de nós, por comodismo ou conveniência ter a coragem de ir até à proa e rodar o leme em direção diferente. Talvez nessa manobra “radical” o movimento brusco jogue alguns ao mar, mas como já disse Dom Pedro de Alcântara “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação...”, façamos todos um pequeno sacrifício e a situação tenderá a melhorar, por mais que alguns sejam sacrificados.

Essa mudança de direção não implica, somente, num desviar de rota, é preciso recompor a forma de “navegar”: melhores condições de trabalho, mais salário, mais humanismo para com quem tem a incumbência de orientar as novas gerações e não tem o reconhecimento que lhe é devido e, sobretudo, uma vontade férrea de independência e de ver a nação singrar por mares mais calmos rumo ao futuro promissor que merece.

Não esqueçamos jamais: aplicar recursos em educação é investimento, jamais despesa. 

 

2 - Primeiros passos rumo ao desconhecido

Nunca fui banco, cadeira, mesa ou qualquer outro objeto a que possamos dar a forma que desejamos. Sempre me senti, pois assim me posicionei, orientado a desenvolver uma atividade que adoro e isso fez de mim quem eu sou hoje. Esta é a formação que deve ser dada aos futuros docentes: ORIENTAÇÃO profissional para que eles possam desempenhar as suas funções dentro da perspectiva de crescimento geral da sociedade.

Da maneira como a formação está sendo discutida eu sempre chamei, chamo e chamarei de ADESTRAMENTO de mentes e corpos para servir ao senhor capital com a máxima exclusividade. Lotar salas de aula de alunos que não sabem ao certo porque estão ali, não me parece nada agradável para ninguém: para quem diz ensinar, nem para quem diz aprender. É um "preço" muito elevado por um produto que, no mínimo é duvidoso. São cinco anos, 60 meses, na maioria do tempo escutando a verdade de alguém que diz ter estudado (normalmente aqueles a quem chamam de clássicos, que viveram no iluminismo da história, que trataram de mentes menos evoluídas, que tinham objetivos bem distintos dos que se podem querer alcançar hoje e que determinam a maneira como nós, em pleno século XXI devemos "FORMAR" as crianças que vão ter de lidar com a Inteligência Artificial) para estarem ali regurgitando pensares e práticas que são assistidos por uma plateia muda, inerte, alheada, pois o assunto não lhe apresenta interesse algum.

Por outro lado temos a turma que prefere fazer a educação de coisa de brincar, exclusivamente. As crianças que existem em cada um de nós aproveitam para extravasar realidades através de uma brincadeira de roda, do jogo da amarelinha, da arte de jogar algumas cores sobre uma base (pode ser papel ou outro suporte qualquer)e com isso estamos fazendo a criança aprender. Papai/mamãe ficam felizes, pois os rebentos já conseguem pintar na cara do vizinho. Esquecemos que a educação é uma ciência que tem por finalidade ajudar o homem (no sentido genérico de humanidade) a aprender a dominar o mundo circundante. Sem essa primeira aprendizagem nenhuma outra se torna significativa. Tomo como exemplo a educação japonesa, ma qual nos primeiros anos (nós chamamos de educação infantil) as crianças aprende apenas as boas relações e os modos mais condizentes com um ser humano educado: no meu tempo começávamos por aprender "as palavrinhas mágicas" que abrem todas as portas, o respeito à natureza, os cuidados com o nosso corpo, a atenção que devemos ao nosso interlocutor (um ditado antigo me ensinava que "enquanto um burro fala, o outro baixa as orelhas") só falando depois que outro terminasse de falar. Rubem Alves, saudoso, dizia que um dos nossos grandes problemas, na educação, era a falta de "escutatória" - saber ouvir o que outro tem a dizer. Ainda no Japão, as crianças fazem refeições na própria sala de convívio, ao terminar elas aprendem a limpeza dos utensílios e do local onde se encontram. Essas práticas são levadas para os seus lares. Essa prática de convivência vai se aprofundando com o passar do tempo, da vida, motivo pelo qual as crianças quando são chamadas a conhecer algo novo (aprendizagem) vão com o maior interesse pois sabem que aquilo lhe servirá para o seu futuro. Entre nós, a pergunta mais frequente é esta: "Para que me serve aprender isso ou aquilo se na "vida prática" não tenho onde aplicar? Um detalhe: a pessoa não pergunta (não está habituada a perguntar, pois lhe mandam calar a boca) para que serve ou poderá vir a servir, vai logo afirmando que aquilo não lhe serve para nada: resultado, não há aprendizagem, quando muito uma deglutição forçada para a já falada regurgitação na hora da prova, depois esquece-se tudo.

Orientar o professor é passar-lhe as ferramenta, (saberes) que o impulsionem para um futuro, a olhar adiante, a perspectivar novas formas de ser e estar nesta sociedade em permanente e acelerado ritmo de transformação, é vida, é agitação, é movimento, é contato direto com a natureza e seus componentes, com os outros seres humanos, pois com eles trocamos informações que conhecemos e recebemos informações que desconhecemos, resumindo, aprendemos. Nunca aceitei a "formação docente" feita exclusivamente no bancos de uma sala de aula. O pedreiro aprende a arte, na arte de ir fazendo e adquirindo experiência. O médico aprende a arte na residência e não na academia, é no hospital que ele aprende. O piloto aprende a voar, voando com seu instrutor e não numa sala de aula. Não sei quem foi o primeiro a dizer (pois vários já disseram) que a escola está mais para prisão que para local de aprendizagem, e eu vou acrescentar que o "professor formador" de outro professor (nos moldes atuais) não passa do carrasco que executa as as punições daqueles que não se submetem ao regime escolar imposto.

Não venham me dizer que somos vitimas de um sistema que nos obriga a "A" ou a "B". Não, nós somos vítimas da nossa própria incompetência de não sabermos, efetivamente, o que estamos fazendo e para o que estamos fazendo. Logicamente, não defendo o que está acontecendo com os professores que estão sendo filmados e denunciados, condeno isso como crime, porém  não posso condenar sem fazer um parêntesis, estamos colhendo os frutos das plantas que foram cultivadas ao longo de anos de "educação de faz de conta" e por isso a ignorância impera.

Nesse sentido, o meu segundo pilar para a Orientação a novos professores é o respeito e a rigidez necessária à formação de caráter e de bases sociais sólidas que eles depois orientem a seus estudantes. Só assim conseguiremos a longo prazo modificar a sociedade humilhante que aí temos.

1 - Para início de conversa

A minha última profissão estava ligada, até poucos dias, à formação docente, portanto, vou falar do que conheço e (que fique bem claro!) seguindo as minhas convicções. Ao longo da minha carreira como professor da Educação Básica e do Ensino Superior tive oportunidade de formar conceituação a respeito da educação no Brasil. Esse cabedal conceitual foi sendo curtido, também, pelas trocas de experiências em eventos acadêmicos realizados no país e no exterior.

Embora para quem me conhece apenas por estas tortas linhas traçadas sem maiores cuidados academicistas, poderá até me julgar mais um ventríloquo do tipo Olavo de Carvalho. Estão errados, mas a culpa não é vossa e sim desta ferramenta que não permite uma troca de ideias mais diretas, uma crítica ou um aplauso, nada. Por esse motivo eu gostaria que quem tiver algo a dizer, de bem ou de mal, não tenha problemas em me enviar um e-mail para expressar seu pensar. 

Na minha rotina discursiva sobre a formação/prática docente, eu dialogo com pensadores a quem eu credito como dos mais recentes exemplos de sucesso na área e trago exemplos de pesquisas que eu mesmo realizei e continuo realizando tendo como objetivos ajudar a melhorar o nível da Educação Brasileira. Não é fácil, principalmente agora que estou sozinho, pois afastado de minhas funções didático/pedagógicas, sem bolsistas, que são um dos pilares da pesquisa, concluir uma pesquisa que necessite da presença quase diuturna na escola, pois meu estado de saúde não mais me permite essas "andanças". Mas vou fazendo o que eu posso, com o que tenho, e com o que vou conseguindo.

Apenas reprisar que as ideias que aqui trago são discutíveis, jamais a única forma de verdade e muito menos a certeza de sucesso garantido. São reflexões feitas à sombra de um pé de pequi.

A primeira ação que quero registrar é a de reflexão sobre o valor/prestigio/reconhecimento que é dado ao nosso professor. Péssimo. Na sociedade brasileira o professor vem sendo a cada dia mais aviltado, desmerecido, irreconhecível, desmoralizado. Na minha opinião, em comunhão com Minna Mäkihonko, que atua como conselheira para formação docente e para educação inclusiva numa Universidade da Finlândia, para quem "a carreira de professor na Finlândia equivale, em prestígio, às de médico e advogado", esse deveria ser o tratamento social do professor. No Brasil, onde as dificuldades são maiores por "n" motivos: superfície do país, diversidade racial e até linguística, cultural etc., essa equivalência é muito mais que justificada, mas, infelizmente não é praticada, pelo contrário, basta perguntar ao ocupante do mais alto cargo eletivo do país, pessoa de quem nem ouso pronunciar o nome.

Temos uma exceção: Flávio Dino, no Estado do Maranhão que reconhece o efetivo valor do professor e ao fazer tal reconhecimento tem recebido em troca os rendimento do seu investimento: a educação no seu Estado tem vindo num crescendo já passando dos níveis médios nacionais. Mas é o único, embora outros queiram seguir-lhe os passos, com alguma dificuldade, própria da situação financeira em que os Estados se encontram.

Então, este é um dos pilares (para não dizer que deveria ser a base) sobre os quais devemos assentar a nossa política de formação/prática docente. Falarei de vários, mas isso irá requerer um pouco de tempo, pois se estudarmos um a um teremos, certamente mais chance de compreender a ideia básica da minha proposta.  Neste primeiro momento tempo criar um clima de otimismo nos docentes, preconizando uma postura diferenciada da sociedade face à sua profissão. Sem esse reconhecimento, por mais que as demais ideias possam ser boas, encontraremos sempre a velha resistência do "para quê fazer tanto, por tão pouco"? Pessoalmente não tenho que me queixar (quem foi meu aluno/a sabe dessa minha posição em defesa de um salário igual para todos os professores, independentemente do nível de ensino em que trabalhem, a única diferença que coloco é a questão da titulação, mas no quesito salário base, todos deveríamos ser considerados iguais.

Partindo dessa condição acima indicada, acredito que teríamos vários fatores afirmativos a nosso favor: a profissão seria mais aceita pela juventude atual que hoje foge do magistério; veríamos professores/as mais interessados/as e motivados/as para trabalhar apenas um expediente, como qualquer outro trabalhador, podendo dedicar parte de seu tempo à qualificação, atualização e ao lazer com a família, logo, menos estressado; aumento da oferta de emprego; aumento da produção interna em função de uma maior demanda por bens e serviços; um povo mais evoluído e uma nação em plena ascensão na escala mundial; um povo mais feliz, pois a partir disso todos teriam a ganhar.

Bem, este é o primeiro de uma série de pilares que buscarei erguer em prol da Formação/prática Docente. Só quero, superficialmente abordar a nomenclatura que arrumei para este espaço Formação/prática Docente. obre docência não necessito acrescentar nada, o conceito em si fala mais que eu, já na questão Formação/prática - essa dupla dinâmica (que nada tem a ver com Batman e Robin) precisa ser analisada à luz do pensar o futuro, da cientificidade, prática do saber conhecido em profundidade, do companheirismo e, por que não, de um pouco (mas suficiente) pragmatismo pedagógico. Mas como já disse, isso terá que ser trabalhado calmamente, pois comendo devagar a mão, o pé, se acaba comendo o jacaré! Se for querer comer rápido demais pode acabar sendo engolido por ele.

Mas não podemos esperar muito, pois o futuro é hoje!