DE DEDO EM RISTE

10 Amargor

Hoje amanheci amargo. Depois, as notícias do mundo que me rodeia e habito tendem cada dia mais à catástrofe e isso me deixa o cérebro azedo. Tenho tentado parar nestes últimos dias para pensar a morte. Não se assuste, pois é isso que você faz toda hora quando pensa na vida. Saímos de casa, ou permanecemos nela e pouco paramos para pensar em nós. Neste caso o individualismo não se aplica. Pensamos e estamos interessados nos outros. O que o vizinho vai dizer, o que o povo da rua vai pensar, o que as instituições vão fazer... mas pouco ou nada do que EU posso fazer, ou já fiz, ou ainda pretendo fazer. Vivemos na dependência do pensar alheio. Só um lembrete ante de prosseguir: há quem esteja manipulando mentes para isso, exatamente, para que nos tornemos inteiramente manobráveis, domesticados, independentes da ração que eles nos queiram dar para nos manterem prestativos, rentáveis tanto quanto possível, logo depois cortam a ração.

 

O curioso dessa situação: nada é feito sem que nós tenhamos consentido. Somos, portanto, corresponsáveis pelo caos que se está instalando na humanidade. Criamos nossos próprios monstros, nos transformando em feras. Criamos ídolos com pés de barro, e religiões com deuses exploradores que veneram o deus maior chamado dinheiro.

 

Por que será que nunca mais ouvi falar num mutirão (ou sou eu que estou isolado do mundo)? Por que será que nunca mais ouvi falar das associações de bairro, ou sou eu quem vive encasulado? Há quanto tempo não escuto dizer que país A prestou, desinteressadamente, ajuda ao país B que sofreu algum contratempo de qualquer ordem?

 

Serão meus ouvidos seletivos e só escutam o que não presta: guerra de facções, países que querem engolir os outros, homens que só pensam em prejudicar os outros para eles próprios crescerem, mentes que se julgam iluminadas querendo impor ordens aos outros como se os algozes vivessem no corpo de suas vítimas, os “donos” do mundo querendo que todos sejamos medidos pela mesma bitola (bem rasinha por sinal) através da invencionice da globalização geral e irrestrita, o mundo parece andar em marcha a ré, alguém está confundindo o freio com o acelerador apesar de se falar na tal de IA (inteligência Artificial) que, segundo dizem, irá comandar o mundo. A pergunta que me fica, mas para a qual parece que Mr. Putim já respondeu, é: quem vai comandar a IA?

 

Arrisco um pouco mais, essa tal de IA só trará desgraça para a população mundial. No meu tempo de moço dizíamos que se aproximavam tempos de “fome, peste e guerra”. O caos. E o caos me lembra de um personagem que todo mundo teme: a ceifeira, mas precisamos parar para pensar um pouco nela que, incansável, trabalha dia e noite sem parar e sem fazer escolhas. Quem se atreve a cruzar-lhe o caminho já sabe qual o destino que lhe está reservado: passar ao cadastro dos não mais existentes.

 

Hoje amanheci amargo. E as notícias que aqui e ali conseguimos pescar nada contribuem para adoçar nossa existência. Tudo é criminalizado pelos outros que não conseguem sequer calçar meus sapatos. Tenho reparado que as pessoas parece não se olharem mais nos olhos umas das outras: será por medo daquilo que poderão ver neles? Há quem diga que o mundo está perdido. Respondo: não, se algo ou alguém perdeu o norte, esse foi o homem que na sua substancialidade vem apodrecendo a cada dia que passa, o mundo não tem culpa das asneiras que o homem comete. O mundo, a natureza, tem sido bem condescendente com esses animais destruidores chamados de seres racionais. Embora aqui e acolá nos dê uma demonstração de seu poder, o mundo é uma existência pacífica, quem o habita é que não vale aquilo que recebe gratuitamente.

 

Creio que vou parar por aqui, pois sinto que o amargor se acentua na medida em que vou pensando o que é e como poderia ser diferente. Sozinho jamais mudarei o mundo, posso ajudar a mudar a civilização, mas essa não se presta a acordos bilaterais: só enxerga a ela mesma, independentemente de quem esteja a seu lado. Tentarei mudar a mim mesmo, mas aço fundido há muito tempo, dificilmente perde a têmpera. Enquanto isso procuro no bolso da calça um bombom.

 

9 A hora da verdade

Parece que, finalmente, o povo brasileiro começa a acordar do estado de letargia que o atingiu durante uns meses em que a política ganhou todas as atenções mais nefastas à sociedade como um todo. Aquele sonho de mudança não se concretizou e, ao contrário da expectativa popular só faz piorar.

 

Logicamente que a população tem seu quinhão de culpa direta no que está acontecendo, pelo simples fato de agir descomedida e irrefletidamente na hora da escolha do time que vai comandar (esperemos que não) o país por longos quatro anos. É tempo mais que suficiente para deixar o país que já foi a 6ª potência mundial em situação de esmolador.

 

Esse despertar, contudo, não significa que a população tenha virado autocrítica de uma hora para a outra, não! O que acontece é que a equipe (ou será melhor dizer o bando) que compõe o atual staff dos corruptos de Brasília começam a dar provas de sua incompetência administrativa para tocar em frente os rumos da nação.

 

Uma das mais altas bandeira levantadas pelo atual desgoverno durante a campanha política foi aquela da “Escola sem Partido” – inventarem trocentas mentiras, levantaram falsos testemunhos, acusaram e puniram professores(as) injustamente – e agora, sem “saber ler nem escrever” o sr. ministro Ricardo Vélez-Rodriguez, que nem brasileiro é, impõe a ideologia boba de um presidente idiota que resolve aliar-se ao império do mal para atacar um país vizinho que sempre manteve relações estreitas e de amizade com o Brasil. É a troca da “Escola sem partido” pela “Escola com Partido” e práticas que refletem a ideologia neonazista que se tem apoderado dos fascistas encubados que existem no país. Talvez essa ideologia tenha surgido por influência dos nazistas a quem governos anteriores deram guarida, sob nomes e identidades falsas, depois do fim da segunda guerra e do julgamento de Nuremberg. Afinal, todo homem tem a capacidade de angariar seus seguidores e até mesmo de multiplica-los, principalmente quando encontra campo propício a tais práticas, como tem sido o caso das “igrejas” ladras dos parcos bens dos pobres brasileiros que na falta de políticas sociais de bem-estar social tentam agarrar-se a uma religião na perspectiva de conseguirem uma melhora de vida. Pobres iludidos.

 

Mas dizia eu do nosso “querido” governo que, para agradecer o esforço populacional para elegê-lo, oferece tudo que há de pior em matéria de políticas destinadas à classe menos favorecida: Reforma trabalhista (acabando com as poucas possibilidades que o trabalhador tinha de imaginar um futuro um pouco menos ruim de hora em diante), Reforma da Previdência (para acabar de vez com o sonho de uma vida um pouco mais prolongada com um mínimo de dignidade conseguido e arrancado a ferros e fogo do capitalismo assolador) para não devolver ao trabalhador tudo aquilo que lhe foi retirado, via impostos e descontos, no período produtivo. Agora que que a velhice chega e o descanso é mais que merecido, o governo simplesmente elimina a aposentadoria ou a torna inalcançável. A possibilidade que outros governos lutaram para criar de colocar na escola/universidade o filho do trabalhador deixa de ser uma realidade, pois, para os atuais mandatários, só estuda quem pode, e em escolas/universidades particulares. Vendem o nosso solo sagrado e tudo que ele contém ao desbarato. Usurpam o que é de todos em benefício exclusivo deles.

 

O povo começa a sentir a necessidade de ir para as ruas, mas infelizmente ainda não é para manifestar, pois o brasileiro é um povo que só pode ser classificado em uma destas classes (cada um o coloque onde quiser) ou ordeiro e pacífico ou frouxo dentro da roupa que veste, esse povo está indo para as ruas para ali fazer morada, para ali viver das migalhas que lhe são jogadas como quem joga comida aos porcos, enquanto o seu presidente num arroubo de solidariedade (mais falsa que uma cédula de 3 reais) oferece ajuda humanitária ao país vizinho.

 

Um governo de desmiolados. Não reconhece Chico Mendes. Rouba indígena, mas garante está do lado das mulheres que, mais que no governo anterior terão que ser recatadas, do lar e vestir amarelo. Um ministro das relações exteriores que faz olhinhos doces ao império do mal de que se diz profundo admirador e nos conduz para uma política de nacionalismo exacerbado. Um ministro da justiça que antes já foi justiceiro, algoz de inocentes e nem sequer é portador da permissão da OAB para exercer a profissão. O ministério da Agricultura foi entregue aos grileiros.  O do trabalho, onde o trabalhador ainda poderia recorrer para e defender dos abusos do capital, foi extinto. A saúde está pelas horas da morte, mas há medicamentos para enviar à Venezuela.

 

Dizem que Momo era desmiolada, folião, alegre, brincalhão e amigo do povo. Espero que acabe de perder o restinho do juízo que ainda lhe resta lá pelas bandas de Brasília e que nossos políticos saibam aproveitar a matéria prima liberada por momo, para ganharem algo para colocarem em suas cabeças, já que mais não seja em montanha de lixo gerado pela má educação do povo brasileiro.

 

E viva o BraZil sem educação ideológica!

 

8 - A irrelevância das provas materiais

Quero trazer hoje, para apontar no meu dedo em riste aquilo que eu considero uma vergonha mundial, um ato de improbidade do legislativo que está sendo praticado há anos no Brasil. Sim, não é de hoje que podemos ler na própria rede internacional de comunicações (WWW) casos que fazem o estômago de qualquer cidadão comum se revoltar.

No dia de hoje (27/01/29), posso ler na Net a seguinte manchete que por si só já me fez provocar o café da manhã que tão gostoso estava:

https://veja.abril.com.br/blog/radar/caso-dos-51-milhoes-em-malas-de-irmao-de-geddel-sera-arquivado/

Por favor, alguém me ajuda a compreender as razões, os motivos que levam a liberar um réu com provas materiais incontestáveis (mas contáveis e contabilizáveis, muito mais se a partilha for equitativa) enquanto se mantém prisioneiro um ser humano (que como qualquer outro pode ter tido suas falhas, não estou aqui para ilibá-lo de todas as faltas possíveis que ele tenha cometido) apenas por suposições de um homem que provou por A+B que apenas desejava um lugar ao sol, esse sol que teimava em se esconder nas provas da OAB.

Não é um soco no estômago, é uma marretada no cérebro de qualquer ser pensante. Por esse motivo chego a acreditar que há teorias erradas: uma delas diz que quanto mais o homem apanha, mais aprende. Mas não é isso que estou vendo! Percebo um "revoltado com a imprensa mundial" e por isso não dar entrevistas no maior e mais importante fórum mundial atual (Davos), mas dizer alto e bom som, no Brasil (para a imprensa amiga) que "lamenta o rompimento da barragem de dejeitos...". Mui nobre presidente, dejeitos é aquilo que o Sr. tem na cabeça e dejeita pela boca.

São pessoas desse calibre que mantém o melhor presidente que o Brasil já teve (o que, repito, não significa que não possa vir a aparecer alguém ainda melhor, mas até este momento ninguém o suplanta) preso e quase incomunicável, mas têm a capacidade de elevar à condição de Ministro de Estado um bando de processados judicialmente, entre eles o do Meio Ambiente que não teve reação ao CRIME acontecido em Brumadinho/MG. São pessoas desse calibre que liberam das grades da prisão um LADRÃO pego com malas (filmadas, divulgadas e até mesmo assumidas) com 51 milhões de reais desviados do dinheiro público. É muita falta de vergonha na cara!

O meu dedo em riste não vai para esse complô (com judiciário e STF e tudo), não! O meu dedo em riste vai direto na cara desses sem vergonha que cuspiram no prato em que comeram e se revoltaram contra quem lhes havia tirado da miséria absoluta. O ditado está certo: "Quem passa fome, com pouco se lambuza". Muitos pobres acharam que já eram classe média e que como tal já faziam parte da elite, só porque um governo lhe deu a possibilidade de ter três refeições/dia, quando antes vendia o almoço para comprar a janta (quando tinha).

"Brasil, mostra atua cara, quero ver paga..." todas as desgraceiras que estão por chegar nessa desgraça de desgoverno. Não quero ler lamúrias e arrependimentos. Quero ver gente nas ruas gritando o já surrado slogan do "Fora alguém". Desta vez quero escutar, participar e reforçar o fora extrema direita, fora fascistas, fora ladrões absolvidos, "FORA BOZÓ" e toda a camarrilha.

 

 

7 - O texto de hoje não é meu MAS ME REPRESENTA

 

Uma carta aberta enviada pela professora Márcia Friggi à atual Ministra Damares precisa ser lida, refletida, divulgada e principalmente aplaudida de pé. Ela diz absolutamente tudo que eu gostaria de dizer a essa senhora que pensa que lida com todos os brasileiros, como lida com seus adestrados seguidores da religião (?) que ela professa. Não pretendo me alongar mais. Eis a missiva da professora Márcia:

 

CARTA ABERTA A DAMARES ALVES, EXCELENTÍSSIMA MINISTRA DA MULHER, FAMÍLIA E DIREITOS HUMANOS

Senhora Ministra, ontem eu também fiz brincadeiras em decorrência do seu polêmico vídeo. Brincadeiras e deboches também são formas de resistência. Sua postura e suas falas, entretanto, exigem uma análise séria e demandam respostas.

Há tempo observo seus vídeos que circulam na Internet e, como professora, sinto-me profundamente ofendida e humilhada. Venho percebendo seu empenho em colocar a sociedade contra a educação brasileira e seu magistério. Para ilustrar o que afirmo, além dos links de dois vídeos que seguem abaixo deste texto, vou citar algumas das suas afirmações que me têm deixado triste e profundamente revoltada. Sobre o famoso “Kit Gay”, Senhora Ministra, que jamais existiu e a senhora sabe disso, tratava-se na verdade, do “Projeto escola sem homofobia”, que seria voltado para os professores, não para os alunos. Nesse projeto, sequer havia o livro “Aparelho sexual e Cia”. Projeto esse que foi vetado pelo governo federal em 2011, devido ao fato de ter sido alvo de críticas dos setores conservadores, os quais a senhora faz parte. Aproveito para alertar que muitas das escolas brasileiras, sequer possuem biblioteca, a minha é uma delas. O que temos, no momento, é uma Kombi doada pela comunidade escolar e transformada em biblioteca através de um projeto meu.

Frequentemente a senhora usa suas falas, nos púlpitos das suas igrejas, para denegrir o trabalho dos professores e para nos colocar como responsáveis pelos problemas de uma geração, inclusive nos ataca como agentes de “perversão” e “doutrinação”.

Em um dos seus vídeos, a senhora menciona um material que supostamente faria apologia ao sexo com animais. Senhora Ministra, talvez a senhora não conheça muito bem a regulamentação do exercício do magistério. Nós, professores, somos fiscalizados pelos nossos superiores: coordenação, direção e secretarias de educação. Os materiais que utilizamos, os livros escolhidos e até mesmo as nossas provas, são analisadas e aprovadas pelas instâncias superiores antes que cheguem aos os alunos.

Nesses vídeos a senhora também se refere a um “suposto projeto” de 2004 e com tom irônico, a senhora fala: “Não posso falar o nome da prefeita, não posso falar que ela é do PT e também não posso falar que foi esposa do Suplicy, mas juntamente com o grupo GTPOS, ela gastou mais de dois milhões de reais num programa”. Programa esse, ao qual a senhora afirma ter sido atribuída a função de promover, nas creches, o incentivo a ereção e masturbação de bebês de sete meses. Com essa sua fala, a senhora coloca os pedagogos e pedagogas que trabalham com a educação infantil na condição de criminosos, mais do que isso, na condição de doentes pervertidos. Meus colegas pedagogos, senhora ministra, que tão atenciosamente cuidam das nossas crianças e neste momento abro um parêntese para lembrar a heroica professora Helley Abreu Batista que morreu, com 90% do corpo queimado, após retirar seus alunos de um salão em chamas e de lutar contra o vigilante que ateou fogo à creche, em Janaúba, norte de Minas Gerais, em 2017. Meus colegas pedagogos, senhora ministra, jamais cometeriam esse crime, nem mesmo sob tortura.

A senhora, nos seus ataques, sempre focou a educação e o magistério brasileiro, esse foco não é inocente, é estratégico. Desmoralizar, humilhar, deslegitimar e demonizar os professores, colocar a sociedade contra nós e contra a educação, só nos enfraquece ainda mais. Como se já não bastassem nossos baixos salários, a falta de condições estruturais, a ausência e a falta de incentivo a bons cursos de formação continuada. Como se já não bastasse o desrespeito e a violência com que somos tratados em nossos atos de protesto, paralização e greve, enquanto políticos protegidos e aquartelados, debocham das humilhações das quais somos vítimas. Ao nos enfraquecer, a senhora enfraquece a educação e isso lhe é extremamente útil e providencial. Um povo sem acesso à educação de qualidade é muito mais fácil de “doutrinar”, de transformar em “ovelhas”, em “inocentes úteis” e nós sabemos muito bem onde, verdadeiramente, vem ocorrendo a “doutrinação” no Brasil e sob que circunstâncias e métodos.

Vou falar brevemente, Senhora Ministra, sobre o que fazem os professores para muito além das suas atribuições. Somos nós que, na maioria das vezes, descobrimos quando um aluno possui deficiência visual, porque na sala de aula temos parâmetros de comparação. O aluno está sentado na mesma distância do quadro em que estão seus colegas, mas franze a testa, comprime os olhos. Somos nós que chamamos os pais e alertamos.

Muitas vezes, Senhora Ministra, somos nós que percebemos um problema mais grave. Nossos olhos treinados e experientes conseguem detectar o aluno ou aluna que se isola, nega-se a realizar trabalho em grupo, não participa do recreio, tende a ficar no mesmo lugar e realizar movimentos repetitivos com o corpo. Somos nós que alertamos os pais e depois da avaliação médica, enquanto a família vive o luto de um diagnóstico de autismo, por exemplo, nós professores seguimos trabalhando métodos e estratégias para incluir esse aluno da melhor forma possível.

Somos nós, Senhora Ministra, que muitas vezes percebemos a automutilação em alguns alunos e ela não se deve ao nosso trabalho de “doutrinação” como a senhora tenta afirmar, ao dizer que confundimos nossas crianças com a “ideologia de gênero”. Os adolescentes que chegaram até mim com automutilação, viviam um cotidiano familiar desestruturado. Desestruturado no seio da “família tradicional” que a senhora tanto defende. O que a senhora propaga e demoniza como sendo “ideologia de gênero”, na realidade do chão da sala de aula, Senhora Ministra, é a exigência do respeito, é o cuidado para com todos os alunos, é a luta contra o bullyng que pode destruir emocionalmente um aluno e até levá-lo ao suicídio, é a educação contra a cultura do estupro e do machismo. Nós enfrentamos salas de aulas superlotadas, lidamos com as particularidades de cada aluno e incentivamos o respeito para com todos, sem o qual, não seria possível ministrar uma aula.

Somos nós, Senhora Ministra, que percebemos pela postura corporal, pelo silêncio, pelo olhar triste de quem suplica por socorro, quando uma criança ou adolescente é vítima de violência sexual, violência essa, normalmente sofrida no seio da “família tradicional”. Somos nós, Senhora Ministra, que conversamos com essa criança, que ouvimos o relato do seu sofrimento, que tomamos as providências, que chamamos o conselho tutelar e somos nós que acompanharemos essa criança ou adolescente com atenção e cuidado redobrados.

Finalmente, Senhora Ministra, são inúmeras as nossas atribuições, às quais nos entregamos com amor e seriedade, respeito para com nosso diploma, para com nosso juramento e para com a instrução conquistada através da disciplina, do estudo e da leitura que, certamente, não foi adquirida no espaço do whatsapp.

Somos nós, professores, que olhamos, cuidamos, educamos, instruímos e ensinamos as crianças e jovens deste país. Somos nós que protegemos essas crianças e jovens quando a família falha e quando o Estado falha.

Esta minha carta aberta tem dois objetivos: pedir-lhe mais respeito para com a classe do magistério. Venho também, oferecer-lhe um conselho, desça dos seus delírios fakes, Senhora Ministra, pise no chão e encare a realidade. Porte-se com a seriedade que a importância do seu cargo exige. Deixe assuntos fúteis como cor de roupa adequada para seus colóquios no púlpito da igreja. No exercício da sua atual função como ministra, olhe para o magistério brasileiro com olhos da verdade. Olhe pelos quase seis milhões de crianças sem o nome do pai nos seus registros. Encare a quinta maior taxa de feminicídio no mundo e que vem aumentando assustadoramente, alimentada pela cultura do machismo e da violência. Olhe para os milhões de mulheres que, longe da família tradicional, criam seus filhos sozinhas e com dignidade. Olhe para as crianças e jovens que estão nas ruas, Senhora Ministra. Lembre-se que essas crianças não se perdem na rua, foram perdidas dentro de casa, no seio das famílias tradicionais ou não e negligenciadas pelo Estado, as ruas apenas as adotam. Olhe para os LGBTs e às violências que têm sido vítimas. O Brasil é o país quem mais mata LGBTs no mundo e temos visto esse número aumentar, incentivado pela cultura da intolerância.

A senhora deve estar se perguntando: “Quem é essa professorinha petulante que me escreve essa carta aberta”? Vou facilitar para a senhora, vou me apresentar. Sou Marcia Friggi, poeta e professora de Língua Portuguesa e Literatura do Estado de Santa Catarina. Exerço meu cargo após ter sido aprovada em concurso público, submetida a rigorosos exames médicos periciais, além de ter passado pelos três anos de estágio probatório. Sou aquela professora que foi violentamente agredida por um aluno em 2017, caso que teve repercussão nacional e internacional. Sou a professora que, após violência física, sofreu linchamento virtual por parte dos que comungam das suas ideias. A professora que teve sua imagem com o rosto ensanguentado, usada sem autorização, pelos mesmos que me atacaram virtualmente, para promover a campanha política eleitoral do seu candidato.

Naquele período, visitei o inferno e sobrevivi. Sobrevivi à depressão, à fobia social, a crises de ansiedade, à insônia e à vontade de morrer. A tudo isso, talvez se deva a minha ausência de medo. Eu não tenho medo porque sou uma sobrevivente, porque na minha casa não há uma agulha sequer que não tenha sido comprada com o suor do trabalho honesto. Não tenho medo porque não ocupo e nunca ocupei cargo comissionado. Não tenho medo porque nunca dependi de favores políticos. Não tenho medo porque pelas minhas mãos jamais passou dinheiro público. Finalmente, Senhora Ministra, não tenho medo porque se ao seu lado está o governo atual e suas “ovelhas”, do meu está o mundo. Do meu lado está um mundo inteiro que não aceita mais retrocesso. Um mundo que deseja respeito para com todas as pessoas. Um mundo que não aceita mais discriminação, intolerância, preconceito, machismo, homofobia, xenofobia. Um mundo que deseja que uma mulher possa terminar um relacionamento sem ser agredida ou morta. Um mundo que respeita a vida e a natureza. Um mundo que se pretende mais humano, justo e igualitário. Não tenho medo, Senhora Ministra, porque minha militância pelas causas que considero justas sempre foram exercidas nas ruas e no espaço virtual, nunca na sala de aula. Não tenho medo, Senhora Ministra, porque sou adepta da paz e minha única arma é a palavra e é dela que venho me utilizando como um instrumento de amor à vida, à liberdade, à arte e à resistência. Já participei de algumas coletâneas como escritora, minha última participação foi no “Mulherio das Letras”, o que muito me honra. Neste ano de 2019, lançarei meu primeiro livro de poesia, no qual estão muitos dos meus poemas de cunho social e resistência. Está também, entre meus projetos mais importantes, o livro sobre “denúncia dos flagelos que sofre o magistério brasileiro”, o qual percebo de suma importância, considerando os constantes ataques e humilhações a que somos submetidos.


Ainda nos veremos, Senhora Ministra, nas batalhas pacíficas da vida, das quais eu jamais fugi.

 

6 Há que cuidar para não desmerecer!

 

Eis o primeiro escrito de um ano sobre o qual não tenho a menor das expectativas, 2019, daí a sua localização nesta seção que põe o dedo em riste.

 

Primeiramente, Fora Bolsonaro, eu sou resistência. Durmo com a cabeça apoiada num livro de História – que me serve de duas peças importantes do quotidiano do povo: serve-me de travesseiro para poder repousar com mais conforto e serve-me de muleta quando preciso argumentar algum fato do qual não tenha tanta segurança (nos dois casos, passe a metáfora).

 

Em segundo lugar, percebo pelo vejo na mídia alternativa que o discurso do homem foi um festival de indicativos de retrocesso ao ano de 1964 – o que, aliás, já se esperava e do qual, pelos extratos que escutei se destaca a meritocracia. Ou seja: no seu governo, pobre não terá vez. Pobre não poderá pagar universidade, pobre não poderá deslocar-se de avião para não atrapalhar e enojar os riquinhos; pobre não terá direito a educação básica de qualidade, já que mais não fosse a permanência do modelo atual, pois o empossado não vai mais garantir verbas suficientes para tal, além de acusar os professores que certamente perseguirá e o modelo que diz ser marxista.

 Pobre só poderá trabalhar, até mesmo em regime de escravidão, para satisfazer os desejos da classe exploradora deste país que tem vivido na obscuridade, mas que agora poderá, abertamente, negociar escravos para as suas feituras!

 

À oposição, hoje representada pelas esquerdas unidas (PT, PCdoB e PSOL) resta a resistência ferrenha, investigativa e denunciadora de todos os desmandos (que já começaram antes da posse) e brigar para que esse desgoverno de um homem classificado de “imbecil” pela mídia espanhola e de “idiota” pela francesa, dois títulos que cabem muito bem, não faça mais desacatos que aqueles já cometidos, pois as promessas são muitas.

 

Mas não adianta a oposição pela oposição. É necessário que seja uma oposição consciente, conscientizadora e geradora de setores pensantes e multiplicadores de um pensamento mais crítico, socialista, mais humanitário, que ajude, nas próximas eleições a erguer bem alto o pavilhão da democracia. O que aí temos implantado a partir de hoje não passa de uma reles ditadura que busca esconder-se na pele de uma democracia capenga, autoritária, excludente e principalmente assassina.

 

Por isso o meu dedo em riste!

 

 

 

5 AFINAL, O QUE SOMOS?

De acordo com o jornal o Globo, de 07/12/18, "A futura Ministra (?) dos Direitos Humanos diz que homens e mulheres não são iguais e critica 'teoria de gênero'".

Sra futura(?) Ministra, a Sra é a tradução quase perfeita da descrição feita pelo urubuzento Michel Temer quando disse que a mulher tem que "ser bela, recatada e do lar", um ser submisso, acéfalo, obediente e pronta para a reprodução (embora perceba que neste quesito o seu período já passou).

Que a Sra se sinta inferior aos homens é um problema que, a meu aviso, pode ser tratado clinicamente, afinal os psicólogos não se formam para cuidar de pessoas sadias. Por outro lado, se a sua submissão lhe permite atingir o ponto culminante de aderir ao fascismo, aí a questão já é totalmente diferente, tem mais a ver com o caráter e principalmente com educação, pois, a assim ser, a Sra deve ter passado a quilômetros de distância dos livros de História.

A Sra se diz professora e ter trabalhado com meninos e meninas de rua, são palavras suas. Atitude louvável, trabalho digno, mas se o que aprendeu dele foi, segundo as suas próprias palavras: "Quando a teoria de gênero vai para a sala de aula e diz que todos são iguais e que não tem diferença entre menino e menina, as meninas podem levar porrada, porque são iguais aos meninos. Somos frágeis, mas somos muito especiais, fazemos coisas que eles não conseguem fazer", deixe-me dizer que a Sra entendeu bem pouquinho do que seja ser professor. Vou mais longe: a não ser da sua boca, eu, enquanto professor, nunca ouvi nenhum colega meu dizer, por mais que seja discutindo a teoria de gênero, que meninas podem levar porrada, porque são iguais aos meninos.

Sra futura(?) ministra: meninos e meninas são iguais na sua essência, no seu ser, no seu humanismo, apesar das diferenças estéticas de seus corpos e da própria configuração orgânica, mas têm, Sra futura(?) ministra, direitos iguais, deveres iguais, logo precisam ser tratados como iguais, respeitando sim as diferenças. A Sra diz que os meninos precisam levar flores para oferecer às meninas - bela atitude - mas me aponte apenas um único motivo para que a recíproca não possa acontecer!! Será que apenas as senhorinhas sabem apreciar o que é bonito e cheiroso, ou isso tem a ver com a sua orientação política, Sra futura(?) ministra? A sra chama a isso "revolução cultural" e com essa revolução dos cravos - Ah! perdoe-me, essa revolução aconteceu em Portugal, mas não foi para diferenciar meninos de meninas nem muito menos "para proteger as crianças, as grávidas e mostrar que uma nação que teve uma mulher presidente da República tem tudo para ser o melhor país do mundo para mulheres". Sabe, a Sra dá uma no cravo outra na ferradura. Para falar na MULHER que foi presidenta do Brasil, a Sra, futura (?) ministra, precisa retomar seus estudos, rever mais os conceitos científicos e compará-los com esses oriundos da religião que a Sra futura(?) ministra professa (e que eu respeito como a outra religião qualquer), principalmente no que diz respeito à igualdade entre homens e mulheres, pois ao que parece, para a Sra futura (?) ministra um homem é um homem e a mulher é um bichinho de estimação. 

 

4 GUERRA NA EDUCAÇÃO

Há horas em que o desânimo bate muito forte.

Considero-me, talvez erradamente, um lutador pela educação gratuita e de qualidade para todos e não apenas para alguns como o atual desgoverno quer fazer engolir e por esse motivo vivo em permanente tensão com os anúncios que vão surgindo, a passos cada vez mais amiudados, sobre essa minha área de interesse. Já produzi pesquisas, já escrevi artigos, tenho participado de discussões e quando penso que estamos avançando na questão vem o capitalismo e nos dá mais uma "foiçada" nas pernas pequenas para caminho tão grande.

 

É do senso comum que a nossa educação não avança rumo à qualidade por conta de uma briga de interesses entre o público e o privado. Desde a primeira LDB (4024/61) que o confronto se estabeleceu em definitivo, pois agora teria força de lei. Mas entre brigas e falsos abraços, os lutadores pela educação pública sempre buscaram ganhar terreno no campo que lhes é pertinente, mas chega o momento em que é preciso saber descansar as armas, limpar as lentes dos óculos de proteção e observar o terreno atentamente.

 

Nestes últimos dias, principalmente depois do anúncio da nova Base Nacional, tenho desenvolvido mais a perscrutação e daí ter resultado este persistente estado de desânimo. Não é, para mim, nenhuma novidade a existência de entidades que sob a capa do “samaritanismo” não têm outro objetivo que não seja a captação da maior quantidade de dinheiro do trabalhador brasileiro pelas formas diretas (oferta de cursos) como até pela forma mais indireta (através da captação de dinheiro público junto ao governo sem vergonha que lhes passa o fruto do nosso suor, pago com uma altíssima taxa de juros e demais impostos). Pouco a pouco, essa fundação foi transformando seu idealizador em um dos homens mais ricos do país.

 

Ontem, zapeando pela web, localizei o artigo (que indico abaixo) que me dá conta de mais um interessado no seu, no meu, no nosso suor: a tal da Kroton Educacional. Se até aqui a galinha dos ovos de ouro era o ensino superior e as pós-graduações, a coisa agora complica e, justamente por isso, me desanima: O novel foco dos dentes afiados do capital estão voltados para a educação básica, sim, você leu certo, o novo alvo é a educação básica. Podemos, pois, esperar para os próximos dias, o anúncio do ensino público – em geral – no Brasil. Só quem tiver condições financeiras (e não só) poderá estudar e frequentar bons cursos, os pobres, os menos bafejados pela sorte, terão que dispor de parte do pouco que lhe é oferecido em troca pela sua mão de obra, para fazer algum curso que seja do interesse do capitalista e não mais.

 

Se você fizer uma leitura do anunciado pela tal de Kroton Educacional irá levar um tremendo soco no estômago, como eu levei, e perceberá que o capital não está para brincadeiras, pois para terem maior domínio do setor da educação básica estão comprando todas as editoras de livros didáticos que, por elas mesmas já não eram a última flor do lácio. Este artigo que lhes trago merece muitas mais reflexões e mais aprofundadas, mas em atenção ao espaço de que disponho, prefiro ir comentando aos poucos para não cansar vocês e ter tempo de ir organizando as ideias.

 

Desejo que façam boa leitura, mas recomendo a medicação preventiva contra enjoos.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/578444-kroton-educacional-em-termos-de-educacao-publica-nunca-experimentamos-um-inimigo-com-uma-forca-social-tao-concentrada-como-esse

 

3 FALANDO O QUE MUITOS NÃO TÊM CORAGEM DE DIZER

Este é um texto adaptado. A autoria conhecida é de Victor Hugo Bernardino, portanto, a ele os máximos louros, da minha parte contento-me com a reflexão que meus leitores possam realizar.

 

Estou cansado !!!

 

Tenho 69 anos e estou cansado. Exceto um breve período na década de 60, quando fiz o meu serviço militar, tenho trabalhado duro desde que eu tinha 12 anos. Trabalhava 50 horas por semana, e não caí doente em quase 50 anos. Tinha um salário razoável, mas não herdei o meu trabalho ou o meu rendimento. Eu trabalhei pesado para chegar onde estou, e cheguei economizando muito, mas estou cansado, muito cansado.

 

Estou cansado de que me digam que eu tenho que "distribuir a riqueza" para as pessoas que não querem trabalhar e não têm a ética de trabalho. Estou cansado de ver que o governo fica com o dinheiro que eu ganho, pela força, se necessário, e o dá a vagabundos com preguiça para ganhá-lo. Não, não sou de direita, sou de esquerda, mas para mim a divisão da renda precisa ser feita entre aqueles que produzem. O ser humano tem o direito à vida, mas também tem a obrigação de produzir os meios de produzi-la e de mantê-la.

 

Estou cansado de tanta vergonha política, apenas porque os homens perderam a noção do razoável e perseguem os seus desejos nababescos por sobre as carcomidas carcaças de seus semelhantes.

 

Estou cansado de ler e ouvir que o Islamismo é uma "religião da paz", quando todos os dias eu leio dezenas de histórias de homens muçulmanos a matar suas irmãs, esposas e filhas pela "honra" da sua família; de tumultos de muçulmanos sobre alguma ligeira infração; de muçulmanos a assassinar cristãos e judeus porque não são "crentes"; de muçulmanos queimando escolas para meninas; de muçulmanos apedrejando adolescentes, vítimas de estupro, até a morte, por "adultério"; de muçulmanos a mutilar o genital das meninas, tudo em nome de Alá, porque o Alcorão e a lei Sharia diz para eles o fazerem.

 

Estou cansado de saber do assassinato diário de pobres, pretos e putas (agora também os LGBT’s e indígenas) apenas por serem minorias que reivindicam seu direito de estar neste planeta. Estou cansado da hipocrisia de alguns que envenenam os demais apenas para engordarem contas que deixarão atrás deles na viagem definitiva.

 

Estou cansado de que me digam que, por "tolerância para com outras culturas", devemos deixar que Arábia Saudita e outros países árabes usem o dinheiro do petróleo para financiar mesquitas e escolas madraças islâmicas, para pregar o ódio na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá e, enquanto que ninguém desses países está autorizado a fundar uma sinagoga, igreja cristã ou escola religiosa na Arábia Saudita ou qualquer outro país árabe, para ensinar amor, tolerância e paz.

 

Estou cansado de que me digam para eu baixar o meu padrão de vida para lutar contra o aquecimento global, o qual não me é permitido debater.

 

Estou cansado que me digam que os toxicodependentes têm uma doença, e que eu tenho que ajudar no seu tratamento e pagar pelos danos que fazem. Eles procuraram sua desgraça. Nenhum germe gigante os agarrou e encheu de pó branco seus narizes, ou à força injetou porcaria em suas veias.

 

Estou cansado de ouvir ricos atletas, artistas e políticos de todos os partidos, a que chamo papagaios, falarem sobre erros inocentes, erros estúpidos ou erros da juventude, quando todos sabemos que eles pensam que seus únicos erros foi serem apanhados. Estou cansado de pessoas sem senso do direito, sejam elas ricas ou pobres e de justiça que não funciona.

 

Estou realmente cansado de pessoas que não assumem a responsabilidade por suas vidas e ações. Estou cansado de ouvi-las culpar o governo e a sociedade de discriminação pelos "seus problemas."

 

Também estou cansado e farto de ver homens e mulheres serem repositório de pregos, pinos e tatuagens de mau gosto, tornando-se assim pessoas não-empregáveis e, por isso, reivindicando dinheiro do governo (dos impostos pagos por quem trabalha e produz).

 

Sim, estou muito cansado. Mas também estou feliz por ter 69 anos, porque não vou ter de ver o Mundo que essas pessoas estão CRIANDO.

 

Mas estou triste e penso: que futuro para netos e filhos ainda bastante novos. Graças a Deus estou no caminho de saída e não no caminho de entrada.

 

Não há maneira de isto ser amplamente divulgado... A menos que cada um de nós colabore, enviando e ganhando força para contrariar esse (mau) caminho que o Mundo, por força de (péssimos) governantes, nos está proporcionando.

 

Resta-nos uma chance de fazermos a diferença com o fôlego que nos resta:LUTAR

 

 2 EVITANDO CONFUSÕES

04/04/18

Não diferente de muito dos dias já vividos, hoje amanheci com a "macaca"! As notícias que apontam a degradação da educação no país e ainda mais aquelas que apontam diretamente para o professor têm o dom de me deixar reflexivo/irritadiço. Mas vamos nós ao dedo em riste.

Quero acusar meus pares (calma não estou generalizando, mas o percentual atinge quase esse nível) de terem um olhar unidirecioal, isto é, olham só para um lado, esquecendo totalmente o outro. Ou são piagetianos, ou freirianos e aqueles que me parecem os piores são os que se dizem marxistas. A uns e outros quero fazer uma simples pergunta: Por que se utiliza o termo "PRÁXIS" e não Teoráxis?

Já estou escutando as mais diversas explicações, só não compreendo que eles não entendam que se diz "práxis" justamente por se tratar da teorização de uma prática e não "teoráxis" por ser a prática de uma teorização. Por isso, Nóvoa diz que nada substitui a prática de um bom professor em sala de aula. Fosse a "teoráxis" e ele seria obrigado a dizer que nada substitui a teoria do professor em sala de aula.

Perguntem ao Paulo Freire!

Mas não fiquem na pergunta (teorização), pratiquem o que ele recomenda!

 

1 EDUCAÇÃO INCLUSIVA

28/03/18

O primeiro dedo que quero apontar, em riste, nasce na leitura de material que me dá conta do aumento que se vem registrando no número de crianças portadoras de necessidades especiais. Este é o resultado de pesquisas realizadas no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos e que nos traz a triste notícia que em breve 1 em cada 45 crianças será portadora de necessidades especiais. É um fato.

 

Mas onde é que o meu “dedo em riste” vai cutucar: justamente na educação infantil, mais precisamente nessa chaga chamada educação inclusiva. A primeira denúncia vai no sentido de fazer com que percebamos que não existe educação que não seja inclusiva, pois se ela o não for, será tudo, menos educação. Neste caso a “teoria” da educação inclusiva é mais uma falácia para impor comportamentos ao professor e para evitar gastos ao governo.

 

Defendo que a educação escolar cumpra com sua finalidade precípua, sem invenções que a façam transbordar, como assevera um patrício meu. No caso a educação para as pessoas com necessidades especiais precisa ser ofertada em estabelecimentos preparados para essa finalidade e por profissionais altamente qualificados para lidarem com as necessidades.

 

NÃO, não concordo que os alunos especiais devam ser educados no mesmo ambiente que aqueles que não têm necessidades – os ditos normais, principalmente nas nossas escolas despreparadas tanto no aspecto estrutural, como naquele tão importante ou mais que esse, o do pessoal apto a atender essa demanda. Os nossos cursos de formação de professores, estão preparando para o atendimento a essa clientela? Como um professor que já está sobrecarregado de tarefas para aplicar junto aos ditos “normais” vai poder dispender seu tempo para ficar correndo atrás de um hiperativo (para não ir mais longe)? Das duas... ambas. Ou ele desiste de realizar uma ou outra atividade, ou, o mais comum, é ele procurar outro emprego pois não dá conta de tanta responsabilidade. E a culpa não é, absolutamente, dele. Estes governos que dizem que não podem “gastar” com educação, são os responsáveis por criar essas situações com as quais trabalham dos dois lados: à população dizem que estão oferecendo condições de educar seus filhos portadores de necessidade especiais, aos professores empurram mais trabalho e dizem que vão trabalhar por amor, ou que procurem outra coisa. É a desmotivação total, que afasta os jovens do magistério, o que muito apraz ao capitalismo que assim vê crescer a necessidade de uma educação privada, cara, que só quem tem poder aquisitivo pode enfrentar para se tornarem os dirigentes do país de analfabetos que se estará gerando.

 

Voltando sobre o ponto, quero deixar claro que defendo a existência das APAES e de todo e qualquer tipo de educação especial, financiada pelo poder público e com profissionais altamente qualificados em cursos especiais para essa finalidade. Investir em educação de qualidade não é só fingir que se está fazendo o melhor, é preciso investir maciçamente para que os objetivos possam ser efetivamente alcançados. Injetar dinheiro público na educação, não é gasto, é investimento com retorno garantido e bem elevado.

 

Considerando que todos somos especiais, à nossa maneira todos o somos, pois não somos iguais ao nosso vizinho a não ser nas características físicas que distinguem os seres humanos, todos precisamos ser incluídos nessa sociedade desejada pelos poderosos. O sucesso ou o fracasso dessa nossa inclusão deve-se muito mais aos métodos que aos meios utilizados para esse fim. Para defender esta tese basta observar o “serviço” que cada tendência pedagógica prestou à formação do homem para uma determinada sociedade. No brasil, assim mesmo com letra minúscula, a sociedade que interessa – isto é, o homem que interessa – é a analfabeta funcional, mais que isso já causa transtorno aos desejos "elíticos". E é nessa e contra essa necessidade que as tendências lutam. Vejam, os pensadores idealizam numa educação crítica, formadora do homem pensante e capaz de resolver parte dos problemas com os quais se depara, mas elite política, nada interessada nisso, contrapõem o desmantelamento dos espaços de construção dessa crítica e abençoa a prática da educação a distância como a melhor modalidade para formar nosso futuro trabalhador, aquele que jamais questionará a cangalha e a chibata.

 

Então, finalizando: levanto a bandeira: Uma escola especial, com profissionais especiais para atender a demande de educação escolar de pessoas portadoras de necessidades especiais  

 

ABERTURA

É chegado o momento em que vou literalmente chutar o pau da barraca, deixando de lado o "politicamente correto" e falar aquilo que sinto, penso e, em alguns casos, pratico. Não quero parecer e muito menos ser hipócrita para estar prestando um desserviço e ficar de sorriso patético no rosto apenas para satisfazer o status quo. Cansei.

Todos nós sabemos onde mora o "monstro" que assola a educação, mas continuamos a recear o enfrentamento. Falta-nos a coragem de ir até a entrada da caverna onde ele se esconde e gritar lá para dentro: "Sei quem és, onde estás e o que fazes. Vem, vou enfrentar-te". O comodismo é praia para a maioria dos docentes e que não me venham com os velhos jargões: "faltam condições", " somos mal pagos", dentre outros que, mesmo sendo verdadeiros não podem e nem devem moldar o meu modo de ser; eu que preciso mudar essas condições, criar situações que facilitem essa transformação. Esta é uma das faces do monstro que vou desafiar e que trago apenas para introduzir as pancadas que se seguirão.

Tenho consciência que vou gerar muitas reações, umas positivas e outras negativas, mas ainda assim, prefiro a crítica e/ou o apoio a continuar a escrever textos que apenas refletem o pensar alheio carregado de tendenciosismos que se alinham com a exploração pela elite capitalista.

Como método para a apresentação das ideias/discussões ouso anunciar um desengonçado anarquismo, visto aqui como uma ideologia política que se opõe a todo tipo de hierarquia e dominação - ou seja, para o lado onde estiver voltado, atirarei, tentando, contudo, manter alguma coerência organizacional. Assim, por exemplo, começarei seguindo (mais ou menos - lá vem o anarquismo) a seguinte lista:

  1. Escola: visão geral; estrutura; quem está dentro dela - equipamentos, funcionários, professores e alunos.
  2. Alunos: portadores ou não de necessidades especiais;
  3. Família: responsabilidade; relação com a escola; relação social.
  4. Professores: formação; fazer pedagógico; tendências seguidas.
  5. Administração escola: posturas ideológicas;
  6. Legislação: pertinência ou impertinência a um programa que vise o desenvolvimento sustentável do país.

É muita pretensão, mas tentarei, na medida do possível trazer para reflexão aquilo que sempre senti e que nem sempre consegui espaço para afirmá-lo.

Agora, enquanto os meus leitores se preparam para futuras leituras, vou ali construir o meu primeiro "DEDO EM RISTE". Até Já!