CRÔNICA MENSAL

 

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CRÔNICA MENSAL - DEZEMBRO 2019

Quando a gente pensa que a coisa vai mal, eis que surge a prova que vai muito pior.

 

Falo do lugar do educador preocupado com a qualidade do ensino no país, lugar que não é, de per se um lugar que deveria manter a otimização das condições de trabalho para que possamos desenvolver nossas atividades profissionais com o maior zelo e aprimoramento.

A situação sócio-política que o país atravessa, no entanto, está alinhada com o fim da nossa profissão, com o desmantelo da coisa pública e da manutenção da ignorância do povo, tal qual lhes convém, para obterem dele aquilo que mais desejam: seu suado dinheirinho nem que seja com práticas que se assemelham muito àquelas da Igreja Universal: prometendo um cantinho no céu a troco de cada vez mais dinheiro.

Segundo a publicidade, veiculada abaixo por mim, coletada da internet, o MEC promete “milagres” em seis meses, como se pode verna reprodução abaixo:

 

Faseb EaD

6 de setembro ·

A OFERTA VOLTOU!!!

Formação Pedagógica e Segunda Licenciatura em 6 meses com mais de 45% de desconto para pagamento à vista.

Oferta válida até dia 20 de setembro para pagamento à vista: De R$ 4.780,00 por apenas R$ 2.600,00.

Programa do Conselho Nacional de Educação – Resolução MEC 02, de 1º de Julho de 2015. A nossa primeira oferta foi um sucesso.

Confesso que andei a vasculhar no site da oferta e, no meu modesto entender, não se trata que de mais um golpe, pois não dão maiores informações online, é preciso que a pessoa ligue para um determinado número Whatsapp para que eles forneçam maiores detalhes. Nãso é procedimento de quem faz a coisa séria. Não dizem, por exemplo, quem vai validar e expedir o diploma (aí tem gato!). Uma licenciatura seja a primeira ou a segunda, em seis meses, quando nós sabemos que quatro ou até cinco anos não são suficientes para “formar quem quer que seja, a menos que seja como ladrão. Este ladrão que aqui aponto não é aquele que anda armado te assaltando nas ruas ou pula o muro da tua casa, não, o ladrão que eu falo é aquele que usa roupa social, se apresenta como portador de um diploma de nível superior e rouba uma possível vaga de quem efetivamente está preparado para ocupar aquela vaga. Isso é, sempre no meu modesto entender, um duplo crime, pois para além desse diploma ter sido meramente comprado por R$ 2.600,00 (aproveite a oferta) a sua presença no campo de trabalho faz baixar o salário de quem dedicou toda uma vida ao magistério (por exemplo e no exemplo) e noutros cursos ofertados.

Vi, por exemplo, curso de Psicologia, de Artes, de História... Pelo amor dos estudiosos! A pessoa não consegue construir minimamente a sua história, mas quer se formar em História. Outra não consegue colocar sua cabeça em ordem, mas quer fazer Psicologia e é desses inocentes úteis, desses babacas, desses alienados que a “educação superior” amiga do nosso inimigo (MEC, Sinistro da Educação, capitalistas sem vergonha) vai viver no país. Enquanto isso – e creio que título de consolo – o Sinistro da Educação acena com a miséria de 125 milhões para que as federais façam a pesquisa que ele quer sobre energia solar. Confesso meu crime: eu, no lugar de um reitor de federal que fosse contemplado com alguma miséria desse dinheiro aí não produziria que fake projetos e entregaria resultados mais fakes ainda.

Nem o MEC, nem o Sinistro, nem seu chefe merecem o mínimo respeito da Educação para valer. Que se contentem com os formados nesses cursos EaD que seus apaniguados estão oferecendo.

 

CRÔNICA MENSAL - NOVEMBRO 2019

ATENÇÃO PROFESSORES INOVADORES!!! https://www.facebook.com/tieduca.com.br/posts/2856680817890313

Li, entre admirado e preocupado o texto de Peter Fisk versando sobre a educação 4.0. E, sejamos honestos, motivos para tanta preocupação não nos faltam, Antes mesmo de adentrar a análise do texto que acabo de reler (atónito), é preciso cair na realidade educacional brasileira que ainda não conseguiu ultrapassar a cartilha do Zé e da Ana e das lousas do tempo da pedra polida para poder escrever nela com algum utensílio capaz de deixar marca na lousa (quantas que não mais saiam!).

De repente cai-me na rede em que tentei durante muitos anos pescar um peixe médio, um presidente analfabeto, inimigo do saber e dos professores, A situação vai de mal a pior. Muito mais veloz Hamilton na F1, o sinistro da educação (lamento, mas não consigo trata-lo pelo título que merece quem ocupa a pasta do ministério da educação) tenta emplacar um campeonato com a técnica da “Escola sem Partido”, tendo nos boxes uma cambada de alienados que mal sabem descobrir onde colocar a roda do carro. A tristeza se abate sobre quem peleja para elevar o Brasil ao pódio, lugar mais que merecido por si mesmo, mas não, infelizmente, pelas cabeças que comporta, que por natureza alienante mais parecem com gado, literalmente.

Voltando ao texto que me aponta para uma Educação 4.0 – o primeiro sentimento é de revolta, pois sei que por estas latitudes ainda não chegamos, sequer, no 0 (zero). Como posso imaginar-me num estágio evoluído em que ela a Nossa Senhora da Educação possa atingir o estágio que Peter Fisk já apelida de 4.0?

Mas não falta muito para chegarmos lá:

1 – Derrubamos um estado que não se importava minimamente com a educação do povo;

2 – Derrubamos a democracia encurtamos todos e quaisquer direitos dos trabalhadores;

3 – Roubamos o financiamento destinado à manutenção das escolas e universidades;

4 – Solapamos todo o investimento em pesquisa que se desenvolvia no país;

5 – Aumentamos exponencialmente o desemprego, em nome da autonomia de trabalho independente e por conta própria;

6 – Rebaixamos um salário mínimo que já era de miséria, a tal ponto que é quase impossível continuar vivendo;

7 – Demos (tive dúvidas entre demos e vendemos, escolhi o primeiro) todas as maiores riquezas do patrimônio nacional.

8 – colocamos militares caducos, com problemas de visão futurista e sentido desorientado de progresso nas escolas para fazer os estudantes marcharem aos sons dos tambores que anunciavam a guerra e o terror.

9 – Estamos loucos por ter de volta a ditadura com seus paus de ararara, mortes sem limite ou justificativa;

10 – entregamos nossa alma ao bicho do mal, pois o “deus” que nos enviaram é bem pior que ele, o Cão perto dele é aluno de creche;

11 – cometemos crimes a céu aberto e plena luz do dia e dizemos que é em defesa da pátria sem que ninguém nos incomode.

!2 – Trocamos a famosa “carteirada”, pelo tiro no meio dos olhos “para que aprendam a não mexer com gente de bem;

A lista continua... Eu que não tenho mais paciência para fazer a relação!

Olhe-me bem nos olhos, Mr. Peter Fisk, e me responda a seguinte pergunta:

Quando nós atingirmos a Educação 1.0, em que nível vocês já estarão?

E sabe, Mr. Fisk, o porquê desta pergunta apenas pela sensação que me causam estas suas palavras:

De fato, muitas das mudanças em andamento evocam palavras do poeta irlandês William Butler Yeats de que “a educação não é apenas encher um balde, mas acender um fogo”.

A tecnologia tornou-se integrada em praticamente todos os aspectos do trabalho. E porque passamos tanto tempo trabalhando, o trabalho realmente é o lugar onde sentimos mais diretamente o impacto do desenvolvimento de tecnologias.

Da colaboração à produtividade; desde novas formas de abordar o design do espaço de trabalho até a capacidade crescente de trabalhar virtualmente em qualquer lugar; e da contratação e recrutamento a novos conjuntos de habilidades - é um momento de experimentação para empresas e organizações à medida que as tendências na tecnologia convergem para mudar o que significa trabalhar.

Veja que nós não acendemos um fogo, Queimamos a nossa maior fonte de pesquisa.

Repare, Mr. Fisk, que a nossa tecnologia não atingiu ainda nem 10% da população.

Saiba o senhor que a maioria de nossa população trabalha na informalidade e quem tem curso de fritador de hambúrguer quer ser embaixador nos EUA.

Os nossos professores, malgrado contra mim mesmo me pronuncie, mal sabe ler e interpretar um texto... Como ler algoritmos ou compreender o funcionamento de algo que embora pareça uma “máquina” aos seus olhos, faz coisas incríveis como impressão em três dimensões? Ou pegar uma arma escolher o alvo certo e atirar no centro do alvo?

No meu país no velho continente tem um ditado que diz: “Quem nasceu para burro, jamais chega a jumento”!

Fiz a minha parte. Poucos conseguiram pegar o fio da meada e estão a caminho, o resto virou rês.

 

CRÔNICA MENSAL - OUTUBRO 2019

Bom dia.

Desculpem a ausência, mas ela se justifica por dois bons motivos, um dos quais foi tratar da saúde, primordial. Nesse caso tive que me deslocar a uma grande cidade para fazer alguns exames ditos de rotina para nos ajudarem a manter a forma dentro dos limites que a idade impõe. O segundo caso foi bem mais agradável, pelo menos para mim, que o foi o “recolhimento” para fins de análise e correção do meu primeiro livro que em breve estará à disposição de quem quiser conhecer-me um pouco mais. Deu muito trabalho, são 160 páginas de, para mim, pura emoção e revelação de coisas que acredito que nem eu sabia. Não se trata de uma pura autobiografia, mas fica muito perto.

O maior foco que em certa forma aparece dissimulado, como não poderia deixar de ser, é a educação, não esta que aí temos, desmoralizada, anarquizada, entregue a quem só entende (?) de balas e outros artifícios mortais, , que querem militarizar como se desejassem preparar a juventude para outra guerra que não a ideológica pessoal, o livre pensamento e agir como seres racionais capazes de escrever nossa própria História. Querem a todo custo amordaçar o povo, cercear-lhe a liberdade conquistada com sangue suor e lágrimas que hoje são desprezadas e vista não como fruto de uma dor, de um sentimento pela perda de um ser amado.

Transcorreu ontem um dia que era, normalmente, bastante celebrado: o dia do professor, mas o que eu vi foi o silêncio preocupante daqueles que deveriam ser os primeiros a empunhar a bandeira da liberdade, da igualdade e da fraternidade (não aquela proposta pelos franceses, pois também não passou de um engodo), mas aquela que efetivamente irmane os homens e as mulheres de todas as raças, credos, cores, sexos – finalmente, seres humanos.

Se é uma enorme verdade que nada, absolutamente nada temos a comemorar, temos por esse motivo razões para abrir uma frente de luta em prol da classe e da sociedade em especial. O nosso silêncio não passa de um consentimento a essa política da tabula rasa que querem fazer da educação escolar neste país que, com apenas um pouquinho de investimento da riqueza que estão doando criminosamente a outras nações, poderíamos nos tornar um dos principais líderes mundiais. Já sentimos esse gostinho por um escasso período de 15 anos, no entanto as forças retrógradas associadas à direita, à ultra direita e aos escroques pentecostais a quem um povo abestalhado, acéfalo, ignorante e principalmente ignorante político (não, não vou trazer aqui o poema de Brescht) não percebe o mal que se auto inflige. Será sado masoquismo, será a mais pura declaração de embrutecimento o fato de não perceber que está apoiando tudo que há de pior para a sua própria vida?

Não acredito muito projeto “precisamos tirar o PT”. Essa é, no meu fraco entendimento, a mais covarde atitude para satisfazer antigos e recalcados desejos animalescos que parte significativa da população guardava dentro de si desde os tempos imemoriais. Por mim, o Brasil está vivendo uma farsa pela supremacia de Homens de visão curta, egoístas e principalmente animalescos, mesmo se as contas em bancos for do país estouram pelas costuras. São eles que, ainda insatisfeitos estão vendendo tudo que querem e podem com a finalidade de se locupletarem ainda mais.

Infelizmente, estamos ficando, todos, embrutecidos ao ponto de u já ter escutado de alguém de quem nunca esperei tal reação a seguinte expressão: “O coiso é que tem razão”, nesta hora queria ter uma arma na mão”! – Parei, olhei o agora ex-companheiro, arrumei uma desculpa e saí sem fazer a menor alusão ao que acabara de ouvir. É inútil continuar uma conversa com alguém que começa a internalizar o mal, a prática criminosa da lei pelas próprias mãos, a aceitar a política do crime que compensa que este novo governo está colocando em prática. Não sou, nem desejo ser a melhor pessoa do mundo, pois mais que muitos cometo erro e desacertos, mas neste quesito sinto-me verdadeiramente superior a totalidade de eleitores que sequer refletiram no perigo para o qual estavam caminhando a passos largos.

Hoje, depois de ter refletido bastante, eliminei de vez a minha conta no facebock (outra miséria a serviço única e exclusivamente do capitalismo e que elimina alguma postura sua mais radical, sem lhe dar explicações e sob a batuta dos mestres banco/carniceiros) retorno às minhas fracas publicações, pois ela ainda são uma forma de tentar me manter sadio no meio desta floresta de dementes que me rodeiam. Não escrevo para agradar “A” ou “B”, escrevo para me manter ocupado e longe do nefasto contágio, afastado o quanto mais puder desse vírus que está dominando, não só o Brasil, mas o mundo de um modo quase geral. Confesso o meu pecado: eu já era um tanto antissocial, mas acredito que estou caminhando para o ermitão. Em terra de sapos, de cócoras com eles.

 

CRÔNICA MENSAL - SETEMBRO 2019

Ilmo. Sr. Camilo Santana

Fui, até agora há poucos minutos, um de seus fervorosos defensores e apoiadores, inclusive para futuro presidente deste torrão tão vilmente tratado pela classe política que aí está instalada e parece querer ganhar raízes mais profundas. Mas, disse fui. Neste momento sinto no peito a punhalada que V. Ex. acaba de desferir não só em mim, mas em tantos quantos como eu acreditaram que o Ceará iria tornar-se, quiçá, um Estado modelo, considerando seu crescimento acima, bem acima da média nacional, dos exemplos de aplicação de grande parte dos nossos alunos que participam das mais variadas Olimpíadas e deste povo que mesmo ameaçado pelo terror importado de outros estados da federação e das inclemências do tempo não abaixa a cabeça e parte para a luta.

Olhando o futuro que sentia promissor nestes rincões abandonados dos homens das mão largas para arrepanhar o suor do pobre, mas miseráveis na distribuição do produto resultante do vergar de corpos cansados e desmerecidos, tornei-me PROFESSOR. Sim, escrevo professor com letras maiúsculas (e não o suficientemente grandes para traduzirem a nobreza do nosso fazer) para lhe ajudarmos a tornar a nossa terra cada dia mais digna de ser vivida. Já lá vão anos, mas me orgulho de dizer que da maioria dos meus ex-alunos muitos já são doutores, outros são dignos cidadãos que preferiram submeter-se às regras do capital, sempre na linha da boa conduta pelejando pelo seu próprio progresso e, por simpatia, pelo progresso do Ceará e do Brasil. Alguns se encaminharam para o mau destino, coisas da vida que nem sempre podemos evitar, principalmente num país onde o ser humano não é a peça mais rara e merecedora de todo apoio.

Aos trancos e barrancos, fomos conquistando sempre os primeiros lugares no ranking nacional, o Ita, um bom exemplo (para falar só dele), conseguimos um governador que de forma clara nos foi mostrando que poderíamos ir crescendo mesmo remando contra a maré. Estão aí os dados do crescimento econômico do Estado que não me deixam mentir. Foi em parte trabalho nosso, professores, que soubemos até nas piores situações dar a volta por cima para tirarmos o Estado do ostracismo acadêmico que vivia. Sei, alguém vai dizer que poderíamos ter feito muito mais: é lógico, mas gostaria que quem assim pensa venha até a escola pública e veja as condições em que a enorme maioria de nós trabalhamos. Para alcançarmos mais resultados (que já não são tão ruins) precisaríamos de ter nossas escolas aparelhadas, nosso professores bem remunerados (eu sei, tem quem esteja em pior situação que nós, mas isso não é satisfação nem incentiva ninguém a abandonar pelo menos um dos três turnos em que trabalha, pois já seria suficientemente remunerado para ter uma vida minimamente digna), se as nossa universidades fossem estimuladas a formar professores mais competentes ainda, mas não só, a dar-lhes a assistência na pós formação inicial. Sei... são tantas coisas que eu sei e o Sr. Sabe também... Mas em vez de cuidar desses pormenores prefere construir mais presídios (a que custo Sr. Governador?) e a adotar um sistema militarizado, hitleriano, nazifascista de ensino. Espera com isso que os militares vão conseguir dominar as facções crescente e que crescerão ainda mais quando tiverem seu território tomado por militares professores? Espero estar errado, mas creio que muitos deles vão tombar sob a revolta de quem quer pão para comer e não tem um local onde o possa ganhar honestamente, pela revolta daqueles que vão ver ainda com mais clareza que a vida boa é só para marajá e que ao pobre está destinada a escravidão imposta por esse sistema capitalista contra o qual V. Ex. dizia combater. Lembro com profunda tristeza que marcará para sempre os meus últimos dias de vida que o Ceará que abracei em 1978, foi o único Estado a adotar tal sistema de educação. O senhor perdeu meu apoio e de tantos quantos sabem o que essa sua tomada de posição representa na sociedade conturbada que vivemos atualmente. Por favor, não frequente mais o clube dos nordestinos, pois todos o olharam de soslaio e terão pouca confiança em V. Ex. E com razão!

Abomino quem dá uma no cravo, outra na ferradura!

 

CRÔNICA MENSAL - AGOSTO (3) 2019

 

Ainda sobre “a crise na educação”, com Hanna Arendt

Prosseguindo a análise do texto indicado, vamos hoje tentar descobrir como Arendt propõe a transição entre o "mundo antigo" e o "mundo novo". Reparem que só esporadicamente aparece o tema que nos interessa mais: a educação!

Quem quiser seriamente criar uma nova ordem política através da educação, quer dizer, sem usar nem a força e o constrangimento nem a persuasão, tem que aderir à terrível conclusão platônica: banir todos os velhos do novo estado a fundar (p. 4).

 

Leio estas palavras e sou assaltado pela imagem do “novo” governo implantado em janeiro p.p. no Brasil. A regra se aplica como uma luva. Tenho a nítida impressão que atual ocupante da cadeira de presidente do país está colocando em prática, acriticamente, os escritos de Arendt.

 

As primeiras iniciativas foram de ataque ao trabalhador, eliminando a segurança e a garantia de direitos trabalhistas e depois lhe cortando aquilo que poderá garantir-lhe uma sobrevida após a vida útil ao capital – a aposentadoria. Com esta medida a população brasileira em breve decairá dos atuais 203 milhões para menos de 180 e, depois, continuará a decair por conta das restrições ao trabalho, à segurança, a tudo que possa permitir ao brasileiro constituir uma família em segurança e com garantias mínimas de poder sustenta-la. Mas essa será a Nova Ordem política de que nos fala Arendt – só existirá vida digna para quem for dono do capital e se enquadrar na Nova Ordem Mundial (NOM).

 

Não estou inventando nada, não! Pensem em países como Portugal, por exemplo, que passaram quarenta e dois anos tentando construir essa NOM e hoje está pagando para que os portugueses e – o que é pior – os estrangeiros imigrados tenham filhos para que possam repovoar novamente o país. Já por aqui abordei esse assunto das vilas inteiras à venda por não terem um único habitante. É este o novo modelo societal que querem construir? Mas fica no ar a pergunta: E a educação, qual terá que ser o seu papel?

 

Faz parte da natureza da condição humana, segundo a autora, que cada nova geração cresça no interior de um mundo velho, de tal forma que, preparar uma nova geração para um mundo novo, só pode significar que se deseja recusar àqueles que chegam de novo a sua própria possibilidade de inovar.

 

Nesses casos preparamos as pessoas para viverem num mundo sempre velho e para as quais jamais ele será novo. Pressuponho que Arendt quer dizer que o mundo só é novo para quem acaba de nascer, passando, de imediato à condição de velho. Não sei se concordo muito com esta afirmação, muito embora aceite, sim, que o passado é agora, o presente é uma infinitesimal parte de tempo e o futuro estará diante de nós após cada segundo. Não sei se é por aí que vou me convencer das palavras da autora. Nesse sentido a escola, que supostamente prepara a pessoa para o futuro, perde o seu sentido, pois quem nela entra já é velho e embrenhado no passado, por mais recente que ele seja. É, na minha opinião, uma visão completamente distópica. Voltando a Arendt podemos ler:

 

(...) o fato ainda que, aqui, se de ajudam efetivamente as pessoas a abandonar um mundo velho e a entrar num novo, tudo isto dá força à ilusão de que o novo mundo está a ser efetivamente construído através da educação das crianças (sic) (p,4).

 

Podemos iniciar a análise do paragrafo por “(tudo isto dá força e ilusão)” sendo que “isso” não passa de outra coisa que a educação das crianças que parece prometer um mundo novo. Mas volto a reprisar, não há um espaço capaz de permitir maiores transformações (seguindo a analise que Arendt faz), pois a criança logo após o nascer já se torna velha. Bem, aqui, se a minha leitura não me engana, ou Arendt se contradiz ou ela atribui à mudança de mundo o surgimento de um "novo" que, na realidade, pode ser muito mais velho que aquele que a pessoa “acaba de deixar”. Sempre na minha análise, Arendt não conseguiu explicar convincentemente a transição entre o velho e o novo e muito menos, pelo menos até aqui, explicar a tal “crise da educação”. Tudo que temos visto até este momento nos remete quase exclusivamente às ações da sociedade política que orienta os povos para os seus interesses pessoais deixando de lado as relações que estas populações podem e devem estabelecer entre elas e a natureza em forma de harmonia reprodutora daquilo que o ser social precisa para a sua sobrevivência, sem agredir de morte a quem conhece por “mãe natureza”.

 

É Arendt quem nos diz que

 

Mas a ilusão é aqui mais forte do que a realidade porque emerge diretamente de uma experiência americana básica: a de que é possível fundar uma nova ordem e, mais ainda, a de que é possível fundá-la com a consciência profunda de um continuum histórico. Na verdade, a expressão «Novo Mundo» só ganha sentido face a um Mundo Antigo, mundo que, se bem que admirável por outras razões, foi rejeitado por não ter podido encontrar solução para os problemas da pobreza e da opressão (p. 5).

 

Ou seja, qualquer que seja a atitude humana será sempre uma ilusão, que se despedaça em fumaça em pleno ar, por mais que ela seja fundada com “consciência profunda”. Não fica claro, pelo menos ao meu olhar, qual dos dois mundos apresenta problemas não resolvidos e por quais “razões”, e por isso eu me permito dizer que os dois estão em igualdade de situação enquanto não houver mudança política capaz de fazer a diferença, pois a partir dessa premissa apresentada por Arendt, qualquer um elabora o "seu plano existencial" deixando de lado a saudável experiência da convivência entre seres de igual natureza, mas de condições financeiras expressamente criadas para aumentar o fosso entre os “dois mundos” e não será isso um problema que a educação poderá resolver. Esse é, como aqui referi, um problema societal e não educacional que, aliás a nossa autora parece evitar abordar de uma forma aberta, apesar do título da obra.

 

Há ainda muita lenha para queimar nesta fogueira em posso ser o principal elemento combustível, mas necessito expressar a minha visão sobre um assunto tão gritante quanto esse que Arendt nos traz, por isso aguardem novas análises.

 

CRÔNICA MENSAL - AGOSTO (2) 2019

Prosseguindo com a minha análise da pressuposta crise educacional, retiro de Arendt (1957, 3) que a situação educacional atingiu patamares elevados de dificuldade/crise a partir de um determinado momento que já lá vai longe no tempo. Vejamos nas suas palavras:

 

Foi a partir desta fonte que se constituiu um ideal de educação, mesclado de rousseauismo — e, de facto, influenciado diretamente por Rousseau — de acordo com o qual a educação se transformou num instrumento da política e a - própria atividade política foi concebida como uma forma de educação.

 

Nos meus estudos históricos, o que se teve a partir de Rousseau foi uma requalificação do conceito de criança, logicamente que teve de haver adequações do sistema educacional, mas jamais isso constituiu uma crise, mas reformulação de modelos educacionais. Se o velho ditado que diz que a educação é o processo de adequação do homem à sociedade em que está inserido, tem valor, nada mais normal que numa nova sociedade que se estava construindo houvesse um novo modelo educacional que atendesse suas necessidades. Esse era o jogo que ainda hoje se joga (embora com jogadas bem mais violentas sob a capa da democracia). Nesse sentido, vale frisar, que mais uma vez a “crise não é da educação que, ordeira, segue os caminhos que lhe traçam, mas da sociedade que, revolta, não sabe que rumo dar ao seu destino”. Usando de um linguajar popular e pouco academicista direi que é muito cacique para pouco índio: tem mais quem mande “mal” do que quem “obedeça” bem, considerando que as sociedades hodiernas já são compostas de pessoas que pensam no amanhã, tendo os pés bem firmes no hoje, depois do que passaram no ontem.

 

Mas Arendt parece jamais se convencer do que quer afirmar, pois logo em seguida nos diz que

 

No que diz respeito à política há aqui, obviamente, uma grave incompreensão: em vez de um indivíduo se juntar aos seus semelhantes assumindo o esforço de os persuadir e correndo o risco de falhar, opta por uma intervenção ditatorial, baseada na superioridade do adulto, procurando produzir o novo como um fait accompli, quer dizer, como se o novo já existisse.

 

Encontro neste parágrafo alguns pontos de discórdia sejam eles filosófico, sociológicos ou políticos coletivos ou individuais. Partamos do principio de JJRousseau que tenta com sua proposta diferenciar a criança do adulto, o que pressupões de per se uma separação de pensares, seres e fazeres. Pensemos que estamos em pleno desenvolvimento industrial, que exige a cada dia que passa uma nova forma de ver as relações de existir e produzir do próprio ser humano. Mas continua a nossa autora no mesmo paragrafo:

 

É por esta razão que, na Europa, a crença de que é necessário começar pelas crianças se se pretendem produzir novas condições tem sido monopólio principalmente dos movimentos revolucionários com tendências tirânicas, movimentos esses que, quando chegam ao poder, retiram os filhos aos pais e, muito simplesmente, tratam de os endoutrinar.

 

Mais uma vez eu quero pedir desculpa a Arendt pela discordância, partindo inclusive de quando ela diz que é através das crianças que se deve produzir o novo. se assim é, como Arendt diz, que as crianças serão sempre o único novo, não resta ás populações que que colocar as crianças para produzir afim de se conhecer o novo. Logo, não sei por que Arendt chama de “movimentos tirânicos, revolucionários” àqueles que querem conhecer o novo que ela chama, contraditoriamente de “endoutrinamento”. Esta postura reforça ainda mais que a crise não é da educação e sim, então, desses movimentos endoutrinadores que não têm noção do que querem ou esperar do “novo” que a criança possa trazer, e desejam incutir-lhes o “velho” como “verdade”.

 

No prosseguimento do seu discurso, Arendt (1957, p 4) afirma em tom quase jocoso “Ora, a educação não pode desempenhar nenhum papel na política porque na política se lida sempre com pessoas já educadas”. Sinceramente, eu gostaria de saber de onde Arendt vai pegar esse conceito afirmativo de que quem entra na política é uma pessoa educada. Há algo que me incomoda muito nesta afirmação de Arendt, pois se não é a primeira opção que aponto aquela que vinga em seu pensamento, só posso pensar o inverso, que quem entra na política é analfabeto, burro e incapaz de compreender as coisas da educação. O meu dilema talvez ela mesma o desfaça mais adiante. Veremos.

 

A seguir, logos nas próximas linhas, podemos destacar o seguinte:

 

Aqueles que se propõem educar adultos, o que realmente pretendem é agir como seus guardiões e afastá-los da atividade política. Como não é possível educar adultos, a palavra «educação» tem uma ressonância perversa em política — há uma pretensão de educação quando, afinal, o propósito real é a coerção sem uso da força.

 

Um primeiro senão, que ressalta aos olhos do leitor é a falácia de que não é possível educar adultos. Creio que se trata de um momento de infelicidade acadêmica da autora, diante dos resultados que têm sido obtidos na EJA. Num segundo senão, a nossa querida autora se contrapõe frontalmente ao nosso estimado Paulo Freire. Mas retomemos as suas palavras seguindo o seu raciocínio de que só os jovens são educáveis. Há nesta colocação, novamente algo que me deixa contrariado, partindo do principio que a própria autora diz que momentos após o nascimento já se não é mais jovem, já não se representa efetivamente o novo. Passo a pensar que a educação é impossível, pela compreensão que tenho do pensar de Arendt. Há uma possível educação ao nascer, mas logo após se passa ao adestramento em que  “O propósito real é a coerção sem uso de força”. A própria Arendt chama a esse processo de perverso; quem sou eu para desdizê-la! A única certeza que vou construindo até agora é aquela que me diz que nunca houve crise na educação, que tudo que se passou e continua a passar não vai além de uma crise enorme social e política e que a educação, como bem aconselhada, educada e “filha” que é dessa sociedade segue os passos que lhe pedem que ela vá trilhando. Recordo agora que no governo anterior se atingiu o patamar de elevar a educação à condição de formação de homens livres, reflexivos e capazes de escrever a sua própria história; hoje, temos a escola sem partido, na qual até falar de gênero pode dar prisão ao professor, imaginem se ele ousa falar, fazer apologia e “doutrinação” (como lhe estão chamando) em favor de um homem livre.

 

Faz parte da natureza da condição humana que cada nova geração cresça no interior de um mundo velho, de tal forma que, preparar uma nova geração para um mundo novo, só pode significar que se deseja recusar àqueles que chegam de novo a sua própria possibilidade de inovar (p.3).

 

Há na citação acima uma concepção de mundo que é, aparentemente imutável, a condição de negar aos novos a condição de mudarem o mundo velho, mas essa condição se impõe apenas até ao momento em que, se os “velhos” quiserem eles também vivenciar o novo (ou pelo menos o menos velho”) basta-lhes permitirem e colaborar para que esses mais novos construam suas “verdades”. Se meu neto me chama de ultrapassado, de cota, de uma série de novos adjetivos que eles já criaram e que que não são da minha época, só porque não quero ir ao Show de Sandy e Jr., é apenas porque eu não permito que o meu “saber” se confunda com as novas sabedorias e nisso Arendt tem razão, só os mais novos podem ser educados (para viverem a sua existência que se distingue daquela dos mais anciãos e é muito velha em comparação com os que estão chegando.

 

Cabe aqui, mais uma vez a pergunta: "A crise" é da educação, ou é social e política?

 

PS:

A seguir (ainda há muito que analisar no texto de Arendt.

CRÔNICA MENSAL - AGOSTO 2019

 

Há discursos que me são realmente ofensivos a meus ouvidos já cansados e fatigados das “lutas“ que têm travado contra os ruídos da vida. Por outro lado os olhos já não são aqueles tão perspicazes que foram outrora, cansados velhos de guerra, mas em meio a tanta dificuldade uma das minhas faculdades ainda parece reagir de modo satisfatório: a memória que se casou em regime comunhão de bens com o raciocínio.

Em meio a este “caos” todinho, por Mais que me faça de surdo, continuo a ouvir falar de “crise na educação” e isso deixa todos os fracos sentidos alerta, pois de há muito que venho pelejando contra essa situação. Também Não será agora que vou transformar a vossa maneira de pensar e muito menos alterar meu ponto de vista a menos que me provem que estou completamente errado. E o que eu penso é o seguinte: “NÃO EXISTE, NEM NUNCA EXISTIU CRISE NA EDUCAÇÃO”.

Vou iniciar minha argumentação afirmando que enquanto estamos inseridos em “seu seio” não temos a possibilidade de olhar para o lado para pensar o diferente daquilo que nos desejam impor. Ex.: Hoje preferem dizer que a educação está em crise para desviar o foco para outro lugar que a alguém interessa mais. Dizem isso tantas vezes e em tantos lugares que nós, papagaios, acabamos repetindo a mentira como se verdade ela fosse.

Quero prosseguir a argumentação questionando aos meus leitores quem ouviu falar de falar de crise educacional até aos alvores do século XX, muito embora se saiba que já nos finais do XIX as bocas interesseiras já apontavam para essa crise? Poderia ainda questionar para aqueles mais letrados no conhecimento dito marxista, quando foi que Marx falou da crise na educação, ou, se preferirem, quando foi que Gramsci apontou para ela? Mas tem outro grupo que eu também quero questionar: os freireanos. A estes eu pergunto, qual foi a crise que Paulo Freire viu na Educação Popular quando criou o seu famoso método?

Já têm uma resposta? Não, certamente que não. Por isso, o nosso olhar tem que ser dirigido noutro sentido. Tenho tido um pouco de tempo e por isso me deleito outras vezes me irrito com a releitura de certos autores (grande parte de consagrados) e tenho chegado a conclusões que me assustam. Esta é uma dela. Não existe crise na educação, como nunca existiu. O que existe, isso sim, é uma enorme crise social e política. Entre as minhas releituras incluí um tema que tem tudo a ver com o que aqui passo a defender: “A crise da Educação” de Hanna Arendt. E ou eu já estou decrépito, ou o que eu li nela me assustou, pois é primeira vez que vejo que alguém assumiu essa realidade da falsidade da crise educacional. E o fez de modo tão explícito que me arrasou completamente, tendo precisado de uma boa noite de sono para tentar digerir tudo aquilo.

Logicamente que não vou começar minha dissertação com a briga entre Arendt e Marx sobre a categoria trabalho, precisaria de muito mais tempo, mais estudo, mais paciência e discernimento. Mas é conveniente lembrar essa luta entre eles. Na “Condição Humana”, Arendt afirma que Marx vê o homem como um ser econômico, um ser que apenas se distingue dos outros pelo trabalho. Mas eu quero pegar em mãos outra obra de Arendt para discutir a crise da educação – educação esta que acredito para todo mundo – esteja direcionada ao homem, ao ser humano pensante.

«The crisis in Education» foi pela primeira vez publicado na Partisan Review, 25, 4 (1957), pp. 493-513. E esta versão (traduzida)[1]. 

Começo a análise, ligeira e leve, com a leitura do primeiro parágrafo que, no meu entender é a melhor das defesas que posso ter para a minha tese: Diz Arendt na p. 2 de seu artigo: 

Na América, um dos aspectos mais característicos e reveladores é a crise periódica da educação a qual, pelo menos na última década, se converteu num problema político de primeira grandeza de que os jornais falam quase diariamente. Na verdade, não é necessária grande imaginação para se avaliarem os perigos decorrentes de uma baixa constante dos padrões elementares ao longo de todo o sistema escolar. (O destaque é meu).

 

Permita-me dona Arendt, mas o mundo não é a América, a senhora mesmo vai dizer isso com todas as letras e da forma (no meu ponto de vista) mais preconceituoso que pode existir. Mas voltemos às suas palavras lendo-as da forma mais correta: Um problema político de primeira grandeza de que falam os jornais falam diariamente é a crise que se está gerando na educação. Não é uma crise da educação, ela está sendo ali gerada por um problema político. E que problema político é esse? Ela mesma, Arendt nos responde, sempre na segunda página do seu tratado; nas suas palavras:

 

(...) a onda revolucionária posterior à Primeira Guerra Mundial, os campos de concentração e extermínio, ou mesmo o profundo mal-estar que, sob a aparência de prosperidade, se espalhou por toda a Europa depois do fim da Segunda Guerra Mundial, toma-se difícil dedicar-se se na educação toda a atenção que ela merece. (O destaque é meu).

 

Então, por princípio e se até então não havia registros graves de “crises na educação”, podemos concluir que foi a sociedade, com o desenvolvimento e a lógica macabra da I grande guerra, quem começou a trazer problemas para a educação. Vou arriscar um pouco mais, de imediato, pois sei o que vem a seguir: quem gera as crises na educação é a ganância do homem. Percebamos, a partir de um conceito pessoal do que seja a educação que acredito não trará discórdia entre os leitores: “Educação é um processo através da qual a sociedade prepara o homem para servi-la, a ela, sociedade”. Este tem sido o conceito aceito por todos os países liberais do mundo, pois eles só enxergam a sociedade do capital e não a sociedade do ser humano dos seres com direitos e deveres iguais. Mas vamos continuar com Arendt ao encerrar essa sua segunda página (ou coluna, como queiram chamar):

 

Com efeito, é tentador considerá-la como um mero fenômeno local, desligada dos problemas mais importantes do século, fenômeno cuja responsabilidade seria necessário atribuir a determinados aspectos particulares da vida dos Estados Unidos, sem equivalência noutros pontos do mundo.

 

Eu gostaria que Arendt tivesse explicitado melhor, de forma mais clara, qual era a superioridade do EUA sobre o restante do mundo para merecer essa deferência. Que os amantes de (no sentido acadêmico) de Arendt, me perdoem, mas para uma alemã que teve que terminar seus dias entre EUA e Canadá, isso me parece uma forma pouco republicana de analisar os problemas educacionais.  Espero que me perdoem por ter interrompido a dona Arendt, pois nesse mesmo parágrafo ela continua:

 

Mas, se isso fosse verdade, a crise no nosso sistema escolar não se teria transformado numa questão política e as autoridades responsáveis pela educação não teriam sido, como foram, incapazes de tratar o problema a tempo. Sem dúvida que, para além da espinhosa questão de saber porque razão o Joãozinho não sabe ler, a crise na educação envolve muitos outros aspectos. Somos sempre tentados a admitir que estamos perante problemas específicos, perfeitamente delimitados pela história e pelas fronteiras nacionais, que só dizem respeito a quem por eles é diretamente atingido.

 

Retomo meu raciocínio e começo a tecer uma pequena (por enquanto) teia na qual vai cair o inseto mau: a crise. Segundo o pensamento da autora, depois da catástrofe da Europa, parece que caberia aos EUA a redenção de todos os povos. Mas como ela diz, não é um problema local. Quero destacar que das suas palavras “se isso fosse verdade, a crise no nosso sistema escolar não se teria transformado numa questão política”. Continuando a minha análise parcial posso começar a dizer que a crise que chamam de crise “da educação” não passa de uma crise política, principalmente considerando que a educação é um processo dependente das políticas públicas. Dentre essas políticas públicas nossa autora, Arendt, afirma categoricamente que:

Ora, a crise força-nos a regressar às próprias questões e exige de nós respostas, novas ou antigas, mas, em qualquer caso, respostas sob a forma de juízos diretos. Uma crise só se torna desastrosa  quando lhe pretendemos responder com ideias feitas, quer dizer, com preconceitos.

 

Quando Arendt diz que educação exige de nós respostas, significa dizer claramente que a crise, qualquer que ela seja, não é da educação, a crise é nossa e Arendt deixa isso bastante claro.  Não concordo em absoluto, pois a educação é princípio meio e fim de todo o desenvolvimento em qualquer parte do mundo. Não concebo esse americanismo educacional da Sra. Arendt, apenas porque vivia naquele país. Peço licença para voltar ao começo e dizer que a educação jamais esteve em crise, quem sempre esteve em crises, maiores ou menores e nela se refletiram, foram as sociedades. Sempre na página 2 (ou quarta coluna) podemos ler esta sentença que me parece descabida e cruel para com o mundo ao redor dos estados unidos: “Na verdade, a educação desempenha na América um papel diferente, de natureza política, incomparavelmente mais importante do que nos outros países”. Se eu quisesse ser sarcástico, já o sendo, perguntaria: “onde isso está escrito na bíblia”? Quanto mais são os EUA ‘inteligentes’ que a China ou a Índia? Não é isso uma ação de arrotar prepotência, diante da realidade que tende a mostrar justamente o inverso, isto é, que os EUA têm um dois piores sistemas educacionais do mundo? Podemos até abrir uma exceção considerando o período em que o texto é escrito, mas somos reprimidos, de imediato se continuarmos a análise comportamental desse país.

 

Nestas circunstâncias, é óbvio que só a escolarização, a educação e a americanização dos filhos dos imigrantes pode realizar essa tarefa imensamente difícil de fundir os mais variados grupos étnicos — fusão nunca completamente bem sucedida mas que, para lá de todas as expectativas, está continuamente a ser realizada. Na medida em que, para a maioria dessas crianças, o inglês não é a sua língua mãe, mas a língua que têm que aprender na escola, as escolas são necessariamente levadas a assumir funções que, em qualquer estado-nação, seriam naturalmente desempenhadas em casa.

 

Eis um dos males do mundo: AS FRONTEIRAS! Sem elas todos teriam (em princípio direitos iguais de ir e vir e explorar os mesmos territórios e benesses que o planeta terra oferece ao nosso mundo). A "construção de divisões muradas, isoladas umas das outras traz graves consequências à vida do homem no mundo. Se o meu entendimento não é falho, segundo Arendt, a crise na educação é provocada pelo desconhecimento do Inglês”. Ora faça-me um favor!

 

 

OBS:

Este texto terá continuação, pois o texto que lhe dá origem tem 14 paginas (28 colunas) e apenas adentrei a segunda página ou a terceira coluna.

 

[1] https://www.esquerdadiario.com.br/A-critica-de-Hannah-Arendt-a-Marx-a-questao-do-trabalho

 

CRÔNICA MENSAL - JULHO 2019

     

A imagem, apesar do ar cômico que carrega, traz em si um monte de mensagens que cada um poderá interpretar livremente o seu belo prazer. De minha parte quero trazer alguns questionamentos que me parecem pertinentes, apesar de eu viver dizendo que não gosto de discutir religião e de continuara dizendo que, apesar dos questionamentos e das críticas, respeito todas elas.

É verdade, não há quem possa dizer que eu respeito esta ou aquela, pelo simples fato de ter a minha (que me satisfaz) e que não existe, por isso me digo agnóstico. Mas vamos ao fato retratado. Eu imagino essa situação se passando com a minha pessoa (já aconteceram outras, parecidas, mas nunca fui interpelado nesses termos).

Primeiro, as duas pessoas (ditas testemunhas) abordam uma pessoa desconhecida com um questionamento que permite (à boa maneira do seu Lunga) uma resposta como essa que levaram da terceira personagem da história (a trabalhadora). Sinceramente achei pouco, poderia ter sido mais incisiva. Segundo, será que a pessoa entra numa religião, assim, por um simples convite? Qual o poder cativante que essas duas pessoas pensam exercer sobre a terceira para tentar convencê-la a aderir a algo que não conhece, com uma simples pergunta/resposta?

Do outro lado há outras tantas ou mais perguntas a serem respondidas. Quantas pessoas “aderem” de imediato ao convite? O que as motiva a tomarem essa atitude de adesão sem maiores esclarecimentos, sem mais detalhes? O que elas veem de diferente nessa religião que não conseguem ver nas outras? Quais os atrativos que ali encontram?

Sabemos muito bem que há quem ofereça lotes no céu a troco de tudo que a pessoa tenha na terra – escroques. Conhecemos quem venda cura até contra cartões de crédito desde que fornecida a senha. São frequentes os abusos sexuais em nome do “senhor” (só não dizem qual senhor). A polícia já está cheia de reclamações de pessoas que de um momento para o outro passaram de uma situação financeira e social dita mediana para uma estado de pobreza absoluto em troca de promessas mirabolantes que canetas ungidas podem fazer ao assinarem as doações; de água milagrosa vinda dos céus “torneirais” do casarão do bispo e de quantas artimanhas que essas mentes doentias por poder e dinheiro conseguem inventar.

A afirmação que esse povo extorquido não quer entender é que só há (?) um único deus que habita dentro de si mesmo e ao qual deve obediência. É a esse seu deus (e insisto em escrever com letra minúscula) que cada um deve consultar antes de cometer qualquer ação que depois, mais tarde possa arrepender-se. A esse deus interior que cada um tem dentro de si (por isso quando me perguntam eu digo que tenho o meu deus!) eu chamo de consciência. Possa haver quem lhe chame de tirocínio, de intuição de tudo que queiram, mas que tem uma característica única: é só seu!

Há quem pregue a idolatria (seja a imagens, seja a ideias, seja a conceitos concebidos com terceiras intenções, seja com interesses pessoais) e eu não vou condená-los. Seguem seu destino que preparam cuidadosamente (outros nem tanto face à facilidade com que o dinheiro chega) e pensam que sempre haverá trouxas para escutar palavreado cuidadosamente estudado para ludibriar as mentes menos reflexivas e mais susceptíveis de serem induzidas. Um crime em nome de um deus.

Desejaria mostrar a essas pessoas que o seu deus vive dentro delas e é suficientemente bom ou relativamente mau a partir das ações que cada um pratica, mas palavras loucas não conseguem penetrar na consciência de quem já está dominado pela ação de verdadeiros demônios que apenas querem seus agires alienados em nome da salvação que nada mais é que a queda á pobreza enquanto eles navegam em verdadeiros mares de dinheiro e luxúria.

A educação, a compreensão das coisas da natureza e dos homens é um bom antídoto para essa moléstias que se espalha à velocidade do relâmpago, mas infelizmente até ela está sendo dominada por quem tem desejos ardentes de levar uma nação ao mais profundo do poço fundamentalista dita cristão.

Oremos ao nosso deus interior para que consigamos resistir por muito tempo á tentação que o deus capital nos estende a cada segundo que passa. De todos os deus, esse – o capital – é o mais chifrudo – na representação pictóricas que se faz dos agentes religiosos de todas as religiões.

 

CRÔNICA MENSAL - JUNHO 2019

A crônica deste mês é uma não-crônica, pois tudo está sendo mais que dito e quase nada resta a dizer, pois se falar não vou dizer novidades, mas se me calar me anulo e contribuo para que outros possam seguir pelo mesmo caminho.

O mundo continua sua saga de fábrica de lixo. Qualquer dia, teremos que ser reciclados e passados a tal categoria. Vale dizer que já há muito desse material espalhado na superfície do lixão onde alguns humanoides teimam em sobreviver.

Na politicagem, há muito não se sabe o que é fazer política de verdade e os simulacros não passam de teatro bufo ou de tragicomédia.

Na sociedade em que somos obrigados a viver, bem ou mal inseridos, infelizmente e a contragosto, o destaque é a alucinação que parece ter-se apoderado dos celerados neofascistas que imaginam poder voltar a dominar o lixão.

Do resto (ainda sobra alguma coisa?), talvez possa deixar uma palavra sobre o circo em que nos fazem de palhaços e dos loucos que habitam o hospício maior. Dizia o velho Rousseau que “todo o poder emana do povo”, pena que o povo não tenha lido esse autor, mas pior, se o leu, esqueceu a lição, pois a nossa educação se desenvolve na base da decoreba que logo a seguir se esquece. Uma pena!

Razão tinha-a, também, Rui Barbosa que afirmou lá nos idos dos dezenovecentos e bolinhas, “Que de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. E como ele tinha razão!

Terrível, contudo, é percebermos que estamos entrando no âmago da quarta revolução industrial, que chegou para impactar o mundo em todas as suas formas de ser e estar e ainda encontramos seres pré-históricos que nos desejam remeter ao passado longínquo, vivido nos dezoitocentos, ou até um pouco antes.

A nossa história terá uma nova página que será escrita este dia 14 de junho de 2019. Precisamos deixar nossa impressão digital nessa página ou perderemos nossa identidade por um longo e tenebroso período.

Depende de nós!  

Crônica Mensal - Maio 2019

O MUNDO ESTÁ DOENTE, QUASE MORIBUNDO

Há algo no ar, na água, na comida das pessoas que as está deixando esquizofrênicas. Outra explicação não encontro para tamanho desastre social que se vem abatendo sobre este velho planta que um dia já foi chamado de azul. Hoje, diante das atuais circunstâncias, chamá-lo de cinzento é ser bondoso. Ele está negro de tanto mal que tem sofrido.

Antigamente, estudar era uma defesa contra os governos que sob a ingenuidade do povo ia "comendo a papinha" e ninguém abria o bico. A evolução dos tempos, felizmente, nos trouxe o progresso, principalmente através da educação superior e das pesquisas. Doenças até então incuráveis passaram ao role de pequenas maleitas graças ao desenvolvimento do estudo de remédios produzidos nas universidades que se espalharam, com muita rapidez pelo velho planeta. A tal ponto de a indústria farmacêutica brigar entre si para ver quem vende mais e cura menos.

Não fosse suficiente ver qual farmácia "cria mais dependência de drogas", tem que aparecer um governo (até este momento ainda não provou que o seja) para além de viciar no mau caminho, pretende acabar com parte da população na base da bala. Um sujeitinho mesquinho, abobalhado a quem um ministro compara com Deus e outro (que pensa que já foi o herói nacional via lava jato, acaba de chamar de pastor. Só por isto já dá para sentir o clima pesado que o mundo vive.

Não podemos esquecer a cruzada contra o ensino público superior pelo nosso ministro da economia, mas precisamos perceber que onde há fumaça, há fogo: a quem interessa o desmantelo da educação pública e gratuita? A uma senhora chamada Elizabeth Guedes, que por sinal não mais ninguém que a irmão do ministro Paulo Guedes e é a diretora da Associação dos estabelecimentos de ensino superior privados. Estamos acertados.

Mas temos muito mais: Na França os jilets jaunes não dão trégua a outro malandro de direita chamado Macrom. Portugal está desfazendo um governo que nos últimos anos foi o único que deu menos prejuízo à população portuguesa, apenas porque querem que ele (governo) pague sozinho os pecados de todos os governos passados, principalmente contra os professores, mas não só. Não havendo o que fazer, está anunciada a renúncia de António Costa!

O nosso povo, pela vontade dos ladrões que assumiram o governo não vai mais se aposentar. Vai valer a máxima "Bandido bom é aquele que pega 40 milhões para votar a previdência". Estamos feitos na vida conhecendo o mau caratismo do brasileiro.

No campo da religião duas noticias que incomodam este pobre agnóstico: A perseguição ao Papa Francisco, chamando de herege e colocando a cabeça dele a prêmio, não literalmente. Por outro lado a fim de um monumento de alguns séculos: Notre Dame, em Paris: aí dois casos chamam a atenção: primeiro, quem jamais teve um centavo para matar a fome de um seu irmão doa milhões para reconstruir o que uma fatalidade destruiu. Horrendo! do outro lado, apesar de já ter sido chamado a atenção, não resisto à tentação de de pessoas sem  senso de ridículo, a pessoas como a velhinha freira que sabendo que não falta mais dinheiro para reconstruir Notre Dame, coloca na internet a sua castidade à venda.

No Brasil, "quebrado", sem dinheiro para a educação e para a saúde há 224 MILHÕES para enviar para a oposição venezuelana.

É... a saúde deste mundo está precisando, URGENTE de internamento num manicômio que use o tratamento de choque como forma de "recuperar" as aptidões necessárias ao desenvolvimento... ou explodir de uma vez.

 

Crônica Mensal – Abril 2019

 

Uma pessoa sensata adotaria, neste momento, uma postura defensiva. Não sei se será o caso do nosso (queiramos ou não) presidente da república. Depois de se confessar inapto ao cargo, creio que seria de bom alvitre que ele se fizesse circundar de pessoas esclarecidas e esquecesse as mesquinhezas que o têm orientado nos primeiros 100 dias de seu desastroso mandato.

 

Feito um balanço geral, além das malvadezas já perpetradas só conseguiu um ponto positivo (mas não podemos falar muito ou ele volta a trás e nega que o tenha feito) que foi acabar com o horário de verão. Não tenho autoridade e nem conhecimentos técnicos suficientes para tal, mas acredito que tenha sido um bom ato, pois essa mudança de horário não trazia todos os benefícios que um dia se imaginou poderia trazer. Trouxe foi muita desordem e confusão por conta de existirem no país dois horários diferenciados. Quem não lembra, por exemplo, dos alunos quer perderam exames, provas, seleções, por conta do tal horário de verão? Quem não lembra da correria aos bancos que fechavam em horário pouco conveniente? Então, por isso tudo, um pontinho, minúsculo, mas positivo para o homem.

 

Em contrapartida, o seu Ministério da Educação, tem sido uma fábrica trituradora de ossos, desmanteladora de processos que estavam começando a dar certo, de ruina para a academia brasileira. A pesquisa acabada (e sem pesquisa o país não se desenvolve), o ensino seletivo, logo excludente, forçando a população a permanecer na ignorância – que é o que lhes interessa para poderem manobrar à vontade as massas ignaras – e as mentiras que não têm por finalidade nada mais que destruir a história escrita com sangue, suor e lágrimas.

 

Dar vazão a um sentimento cruel, de vingança e repressão, contido por anos de progresso e avanço social tem sido a bandeira de uma quantidade alarmante de mentes doentias que negam a tortura de seus antepassados, a violência, a morte e o escárnio de cidadãos que apenas aspiravam a um mundo melhor. Foram chamados de comunistas, de PeTralhas e de tantas outras coisas que dá raiva só de pensar. Mas esses ignóbeis não param, um instante sequer para refletir nos fatos reais. Enquanto eles propões a morte por inanição à população menos favorecida, através da destruição da previdência edificada com o nosso dinheiro, o melhor salário pago a um professor – aquele que luta incessantemente para que os outros sejam alguém na vida – é justamente um governador que bate no peito e levanta bem alto a bandeira do comunismo (falo do Governador Flávio Dino, no Maranhão) que tem elevado aquele Estado a um patamar que a direitona mais tradicionalista nunca admitiu aceitar, pois as riquezas da região eram insuficientes para “alimentar” a ganância de um clã que ali se havia apossado do Estado como se fosse deles.

 

O Brasil tem inteligência capazes de elevar o país ao lugar mundial que lhe é devido, mas precisa, antes de mais nada, mandar exilar na Sibéria mais gelado, falos pensadores como o tal Olavo de Carvalho e seu séquito, sem a menor exceção. Se o presidente tiver a honradez de se rodear de pessoas que embora pensem diferente dele, mas o podem ajudar a dar um rumo ao país, talvez haja uma possibilidade de salvação para o que está quase definitivamente perdido – entre outras coisas, a credibilidade do país em relação a outros -, caso contrário, se ele insistir em permanecer no lugar em que se encontra, não falo só da presidência, mas do local social que ocupa, pobres de nós. Restam-lhe, portanto, duas alternativas: a primeira, essa apontada acima, a segunda, renunciar e promover novas eleições para que o povo dono deste cantão bonito e produtivo possa decidir os rumos que deseja seguir. Acredito que estes cem dias de experiência foram suficientes para mostrar ao brasileiro que não é fazendo arminha que se comanda um país que é um continente e que tem, como tal, imensas responsabilidades até para com os seus vizinhos.

 

O Brasil, mais propriamente, o brasileiro tornar-se-á eternamente responsável pelos desmandos de um louco – pelo menos foi assim que ele foi expulso do exército – e de seu clã, pois a experiência tem mostrado que rodos eles são pessoas cujos relacionamentos não os creditam de muita boa fé.

Para resumir: dizer que tivemos a possibilidade de ter um professor, diplomata, à frente do país! Mas o que está acontecendo e vai piorar até à tomada de uma decisão, se encarregará de mostrar aos mais fanáticos com quantos paus se faz uma cangalha.

 

CRÔNICA MENSAL - MARÇO 2019

Estou um pouco adiantado, mas como pretendo retirar-me para o meu aconchego neste dias loucos que se avizinham, deixo desde já a minha crônica do mês de março que é, entre muitas outras coisas, o meu mês.

 

Está chegando o reinado de Momo! A série histórica dos últimos anos tem mostrado um quadro de violência no trânsito assaz assustador quando se fala de segurança, de violência e principalmente do número de vítimas. Confesso-me preocupado com o que pode acontecer este ano.

 

A rivalidade política ainda está à flor da pele. Os sentimentos mais sórdidos têm tomado o lugar da complacência, da tolerância e da sensatez, da educação. O povo estará armado este ano. Armado em valente atrás da boca negra de revólver calibre 38 ou de uma pistola .40. Alguns foliões, já o mostraram, vão pra a forra, neste momento de euforia e de desleixo, gritando aquele velho refrão que cantaram em pleno Maracanã para Presidenta Dilma. Uma marchinha já faz sucesso nos blocos que já estão saindo às ruas do país: “Doutor eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano”. Esse poderá ser, em alguns casos o estopim para as mais diversas atrocidades: brigas de fanáticos de ambas as partes e, o que será certamente mais lamentável dada a truculência com que agem normalmente, a reação das “força da ordem” que vão estar sedentas de baixar as cassetetes nos costados dos foliões. Temo o pior.

 

Temos um presidente que se tem mostrado incapaz de resolver seus problemas, mas quer resolver, com a guerra, os problemas de um país vizinho com quem o Brasil sempre teve boas relações. Um homem que afirmou que se preciso for mata uns trinta mil e que vai metralhar a “PeTezada”. Os ânimos estão acirrados e só aguardando a primeira oportunidade para explodir. Qualquer faísca vai acender o estopim e o sangue vai jorrar fácil.

 

Podia ser mais um carnaval, mas repito-me, tenho medo que este seja “O carnaval”, marcado da pior maneira possível para muitas famílias. Eu, que sou agnóstico, vou pedir a todos os santos de todas as religiões que cuidem da nossa juventude, pois é ela a mais ameaçada neste próximos dias. Não que os “mais adiantados” na idade não estejam também sujeitos ao nefasto efeito da violência, mas algo me diz que a juventude corre mais riscos. São mais aventureiros, mais atrevidos, mais ousados e, muitas vezes, por esses motivos, menos reflexivos sobre os riscos que os espreitam a cada dobrar de esquina ou até mesmo no meio do salão.

 

Roubar beijo virou crime. Não se deixar roubar pode significar a agressão à bala. O álcool. Que corre rápido e solto nestes dias, é mau conselheiro. O uso/abuso de produtos entorpecentes mostra dados bem mais arrepiantes. A libertinagem vai estar à solta. Todo cuidado é pouco. Sugiro a prudência, a precaução e a sensatez. Divirta-se, é um direito todo seu, mas saiba escolher onde, quando e com quem. Se puder andar acompanhado/a não ande sozinho/a.

 

Dois velhinhos que gostam de andar de mão juntas me pedem para deixar o recado deles: “Se for beber, não dirija” e “se for transar não rasgue a fantasia”.

 

Espero estar sendo pessimista e ter que me retratar na quarta-feira de cinzas.

 

A todos/as os meus desejos de uma brincadeira sadia! E Viva Momo!

 

CRÔNICA MENSAL - FEVEREIRO 2019

Eita, Sô!, vamos ter muitos meses assim difíceis de acabar como foi este janeiro? Pelas barbas do profeta, como diria o filósofo, foi mês para mais de um!

Abriu com uma grande gala (não, não estou falando de pompa, ostentação, estou falando de outro produto), a tomada do poder por ineptos e acéfalos. Só isto já daria muito o que falar, mas para quê gastar saliva e neurônios para falar de algo tão banal, malgrado o processo litigioso com que culminou. Não recomendo nem a rememorização de coisas tão banais e caricatas como ver um pretenso presidente da república acenar para a grama, imaginando uma hipotética multidão que o deveria aclamar.

Vivemos dias de expectativa com a composição do “novo governo”, pois assim nos havia sido prometido. Um governo enxuto – que acabou se mostrando mais inchado que o anterior, e mais velho que o Ford Corcel I, ver mesmo do Ford Bigode. As mesmas raposas, matreiras e experientes para tomar conta de um galinheiro que difere apenas um pouquinho na orientação religiosa do anterior: enquanto no anterior tínhamos um capetinha que ordenava a gastança abastada em nome da proteção contra os trabalhadores que sustentam os pilares, com indignação, temos agora um país católico em que a Daoceâniaíndica, pois não é maior que isso, protesta contra os holandeses, esses malvados satânicos que masturbam criancinhas após os seis meses de idade.

Das estrelas desse desgoverno, uma das mais brilhantes (afora o principal e sua sombra de quem tem um medo terrível), é o Sr. Sinistro que se ocupa da pasta da Educação. A ver pelas notas que emite o MEC, dá para entender a regressão a que vamos estar expostos, pois, a meu aviso, os elementos que as redigem não passariam sequer no ENEM, que dizer numa universidade.

As catástrofes também não nos deram trégua neste primeiro mês de algo que espero seja curto: vou citar apenas as quatro maiores. A primeira aconteceu em Davos. Todos sabemos que o mundo tremeu (de indignação) ante a posição assumida pelo brazil (assim mesmo), pois faltou o clown máximo, e o seu baba-ovo não conseguiu articular duas ideias em seis minutos. A segunda, o rebentamento de mais uma bolsa de bosta, entendam que estou falando de Brumadinho/MG e do descaso da Vale para com o povo brasileiro. Enquanto isso, um senhor de certa idade vive seus momentos de lazer num magnífico apartamento na Avenue Champs Elysées. A terceira, a vergonha de constatar que um legítimo eleito pelo povo se vê obrigado a deixar o país para não ser morto. Quem iria mata-lo, não se sabe, mas quem ia mandar parece não haver grandes dúvidas. Por fim a quarta, que é nada mais que uma afronta ao direito civil de qualquer cidadão, penitenciário ou não, de enterrar seus entes queridos. Lula, o maior e melhor presidente que o Brasil já teve até este dia, prisioneiro político por ordem e conta de seus adversários políticos que, de incompetentes, jamais ganhariam dele a eleição, foi proibido de velar seu irmão Vavá acometido de morte por conta de um câncer. A imprensa do mundo apercebeu-se do fato. Não creio necessitar de mostrar maiores detalhes, e apenas dizer que dá vergonha dizer que se é brasileiro.

Mas acabou! Terminou esse malfadado mês, mostrando provas da “honestidade de membros da 'famiglia' Bolsonaro”. O mês que ora começa já dá sinais de mais bagunça. Basta que se tenha em consideração o show de horrores que foi ontem, dia primeiro, a tentativa de eleger o presidente do Senado. Desculpem a comparação, mas pareciam as velhas madames iniciando as novatas nas casas da luz vermelha. Na Câmara, os velhos ratos fazem a festa.

O que vier, veremos. Estou de olho!

 

CRÔNICA MENSAL - JANEIRO 2019

 

Vou começar plagiando voluntariamente Umberto Ecco no Filme “O Nome da Rosa”, quando ao cair do pano sobre a cena ele diz, como narrador que é do acontecimento: “Agora, que já estou velhinho [...]”, posso dizer que já vi outras, muito parecidas e que acabaram em tragédia. Vamos primeiro ver a notícia veiculada pelo Uol neste dia 3 de janeiro 2019:

 

“Bolsonaro editou decreto que organiza a estrutura do novo MEC (Ministério da Educação). O texto diz que um dos objetivos da pasta é promover e propor a adesão das escolas municipais e estaduais ao modelo "cívico-militar" de ensino [....]”[1]

 

E quando eu digo que já estou velhinho (quem me conhece sabe que a minha idade já é respeitável, 70 anos) e que já vi outras, lembro dos meus bons tempos de estudante da educação básica, lá no meu “puto”[2], quando as escolas imitavam a “juventude hitleriana” e nos faziam acompanhar aulas de conduta militar (marcha uniformizada, cânticos patrióticos, participação de alguma modalidade esportiva, principalmente na área das corridas pedestres, a divisão dos alunos (por meritocracia) em postos similares aos do exército, para os quais era exigido o respeito hierárquico.

 

Tudo isto com o fim último de proceder a uma militarização alienante ao sistema ditatorial que o país passava sob o tacão de António de Oliveira Salazar. Corriam os anos 50/60. A juventude – naquela época chamada de Mocidade Portuguesa – foi “educada” (pessoalmente prefiro o termo adestrada) nos moldes que em pleno século XXI esse novo ditador brasileiro quer implantar na educação do país. Ele não é tão abestado quanto se possa imaginar, aliás, nesse sentido e malgrado a péssima escolha que faz, ele foi mais inteligente que o partido que foi expulso do Planalto – o PT – que não soube preparar a nação ao desenvolvimento menos dependente do capitalismo selvagem que sempre campeou nas terras tupiniquins e que agora ganha força com a chegada desse ditador ao poder. Ele está preparando aquilo que nós nos cansamos de dizer, mas nunca fizemos, que é preparar as novas gerações para o tipo de sociedade/estado que eles querem e estão conseguindo implantar.

 

A juventude hitleriana gritava “Heil Hitler”, a Mocidade Portuguesa gritava “Salve Salazar” a criançada brasileira vai ser induzida a gritar “Salve Mito”. Se se confirmar a imposição do modelo militarista de educação, caros companheiros professores, preparem-se para adquirir, às vossas custas, o fardamento militar e preparar o espírito para praticarem a “ordem unida”, a “marcha forçada”, o “acampamento de campanha” e a dizer as palavrinhas de ordem “Sim, Senhor” enquanto batem continência a qualquer um que apareça na sua frente. Basta começarem a seguir o exemplo do novo “chefão” que “bate pala”[3] até a quem não é devido.

 

Falo porque vivenciei a Mocidade Portuguesa, cheguei a ter posto de destaque, não dos mais elevados, mas se fizermos um comparativo com as patentes do exército teria sido, talvez, um major. Vivi essa experiência, não por vontade, mas por imposição: primeiro do sistema (que me obrigava a participar das atividades); segundo, da família que queria que o seu filhinho desfilasse como herói nos momentos cívicos; terceiro, pela sociedade que dizia que quem não participava ou era incompetente, ou tinha algum defeito físico. Resolvi: já que tenho que ser, que seja alguém aqui dentro. E fui. Não me arrependo, mas sempre digo e repetirei onde for: havia outras maneiras de preparar a juventude para o futuro. A tragédia a que aludo, acima, foi a guerra que se decretou em 1961 contras as ex-colônias africanas. E a prova disso repercute nos dias atuais: Portugal é considerado “o oco do mundo” se é que me entendem. Um país europeu que merecia bem estar na América do Sul, na África, qualquer lugar, menos no chamado velho mundo – aliás creio que o “velho” remete justamente a Portugal, pois o resto é o mundo.

 

Neste sentido, o Brasil acabou errando o caminho e engatou uma marcha à ré. Estava no caminho do desenvolvimento, mas agora, com a ré engatada, precisa saber onde irá parar, o quão longe no passado iremos conseguir frear esse bonde desgovernado.

 

Que todos os filósofos, sociólogos e historiadores se juntem para tentar parar este trem fantasma que depois de ter abrigado um vampiro tem agora no comando um tresloucado militarista.  

 

[1] Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2019/01/03/em-2-dias-governo-aumenta-minimo-muda-ministerios-faz-anuncios-e-ameacas.htm?cmpid=copiaecola.

[2] Forma carinhosa de tratar Portugal.

[3] Colocar-se em posição de sentido e executar o gesto de continência a pessoas de patente superior, no exército – forma popularizada entre os militares (bater pala)

 

 

CRÔNICA MENSAL - DEZENBR0 2018

 

Antes de tudo deveria mudar o título da página: deixaria de se chamar Crônica Mensal e passaria a se chamar Crônica anual, mas não vem ao caso. pois meus amigo(as) leitores(as) sabem dos problemas que enfrentei este ano de 2018. Em tudo e por tudo deveria ser, também, um ano a esquecer para todo sempre, mas também não posso, pois foi durante ele que tive a chance de viver mais um dia a cada dia, graças à tecnologia. Não vou me aprofundar nisso, pois já o fiz suficientemente noutro lugar neste site.

Hoje queria falar sobre algo que finda e outro algo que (re)começa - sei, estão pensando que me refiro ao espaço tempo a denominamos de ano velho e ano novo. Não, refiro-me a valores bem mais complexos e, por que não, mais difíceis de entender: a vida. Você jovem, mocinho ou mocinha que me lê, até mesmo você, meu respeitável senhor e minha digníssima senhora, já pararam, por um momento que tenha sido, para pensar na vulnerabilidade desse tempo que nos é concedido e que chamamos de vida? Há quem chame de ciclo vital, eu chamo de possibilidade única de ser. De ser: humano; fraterno; digno; merecedor de habitar um lugar (qualquer que ele seja, do mais humilde ao mais opulento) com dignidade; um ser em permanente evolução, graças ao seu esforço em progredir rumo a uma perfeição que jamais alcançaremos e a uma verdade que jamais será revelada.

A vida, essa nossa desconhecida, na qual somos passageiros, transitórios, não nos ensina tudo de uma vez só, não é que aos poucos que ela nos vai ensinando (a quem quer aprender, pois não está a fim de prender, nem a vida nem nada/ninguém conseguirá ensinar). Quantas vezes, ao aprendermos mais uma lição já temos esquecido a anterior, apenas porque naquele momento não nos é útil? Mas tal como na educação escolar, chega o dia da avaliação (pode ser anual, pode ser decenal, de meio em meio século, ou diária e você tem que resolver suas situações/problemas práticos. Muita gente acredita que basta ficar na teoria, mas é aí que a tal vida vem e nos passa uma rasteira. Enquanto a primeira prova não vem, sentimo-nos os maiorais, nada nos impede, nada nos é difícil, tudo termina em sorrisos e balada, mas a vida está ali, ao seu lado e ao menor escorregão, você cai. E ela não lhe ajuda a se levantar: afinal, você não é autossuficiente? E você reerguer-se e não consegue na primeira tentativa, por vezes nem na segunda e há os casos em que jamais a pessoa se reerguerá, ficando à mercê de terceiros (humanos ou tecnológico).  É aí que você para pensar no que fez, no que deixou de fazer, no que gostaria de fazer e não lhe é mais possível.

Hoje ainda é tempo de pensar que só o hoje é importante. Hoje você tem essa oportunidade que talvez não tenha mais amanhã e que é impossível voltar ao ontem para fazê-lo. A humildade diária pode ser a garantia da humildade de amanhã, a soberba de hoje pode ser o fim do seu sonho a curto ou longo prazo. Nós não precisamos de mais que o suficiente para vivermos uma vida regalada e sem problemas. Quando na rua você cruzar com alguém que parece sorrir sozinho (para si mesmo), acredite, ali vai certamente uma destas duas pessoas: aquela que é feliz com a vida que está vivendo, que não tem problemas de maior, ou aquela outra que acabou de praticar alguma ação que a ela parece cômica, vantajosa, mas com a qual acabou de retirar o sorriso do rosto de outro alguém. A estes últimos chamo de canalhas, aos primeiros tem quem chame de louco. Ainda prefiro a loucura calma e tranquila de poder passar por qualquer lugar causando admiração nos outros (só porque ando sorrindo para as paredes) que não poder ir onde desejo sem que a preocupação me assalte a todo instante, pois alguém querer "cobrar" algum mal praticado.

Também eu vivi, por uma temporada, uma espécie de "vida louca" na qual eu postergava tudo para a infinitude: "amanhã eu faço", "para o ano eu prometo que será prioridade" e assim deixei muito por realizar, apesar de não poder me queixar de não ter vivido o que muitos nem sonham ser possível viver, mas podia ser muito mais. Não, não é egoísmo, é sinceridade. Um amigo meu , Paulo Pedro, disse um dia destes que nós não sabemos ser felizes. Concordo! Temos tudo e não aproveitamos nada. Meu velho e saudoso pai, que repouse em lugar aprazível, me ensinou um ditado que ele já aprendera com seu avô: "Mais vale um passarinho na mão, de muitos voando". Pensava para comigo: que maldade prender o passarinho! Só bem mais tarde, quando já quase não me resta mais tempo para muitas coisas, reconheço esse "passarinho" como sendo a oportunidade que tive nas mãos em contrapartida àquelas que apenas passaram ao largo.

É por isso que ao terminar este mês de dezembro e continuar o ciclo numa nova folhinha que eu desejo aos meus amigos que não façam promessas apenas porque, segundo a lenda, estamos iniciando um novo ano: faça tudo, mas tudo que puder e quiser na hora que for conveniente e lhe dê prazer. Não esqueça jamais que o amanhã. é hoje! Lembre-se que as guerras de hoje não terminarão amanhã; a chuva que veio hoje, talvez não venha amanhã quem hoje está do seu lado, talvez não esteja amanhã!

Viva o hoje e se puder continue melhor amanhã, mas não postergue nada.

Feliz segunda feira.

 

CRÔNICA MENSAL - SETEMBRO 2017

A cada dia que passa fico mais convencido que a educação não é tratada com o devido respeito e o zelo que ela merece. Para começar esta crônica vou tentar inventar um ditado: “Da panela em que muitos mexem, o arroz sai queimado”!

 

Não sou o único a pensar dessa forma – nem sequer posso ter essa pretensão, embora já tenha falado neste assunto por diversas vezes – mas, repetindo-me, afirmo que enquanto a educação não passar a ser assunto de Estado, ficaremos nessa desandar rotineiro e nefasto. A educação, como assunto de governo fica à mercê de todo e qualquer interesseiro que veja nela a mínima possibilidade de levar vantagem pessoal, seja pela via direta ou indireta. Torna-se objeto, entre outras coisas, de corrupção. Esta é a panela em que tantos mexem.

 

Se lembrarmos do passado mais próximo vamos lembrar, dentre outros detalhes do PNE que deveria estar em aplicação desde 2011, mas só chegou em 2014... em seguida temos que atentar para a Resolução 002/2015 que obriga os cursos de formação docente (as licenciaturas de um modo geral) a adequar os seus currículos ao “sonho erótico” de alguns iluminados. O tempo vai passando e lá vem a discussão que aporta, em alguns casos, mais elementos e(x)óticos ao sonho de cada um – e o coletivo que se dane! – Estes são o muitos a mexerem na panela.

 

Representantes legítimos de um governo ilegítimo aportam suas ideias “jeniais” e querem enfiar goela abaixo uma tal de “escola sem partido” e outros raios que os partam, mas, como dizem “Deus é brasileiro”, então vamos tripudiar sobre as demais religiões e impor Um Pai que é só Nosso, deixando de fora, o dos outros. Aí temos alguns dos grãos de arroz que vão sair queimados dessa panela. E a escola que já é: depósito de crianças, babá, enfermeira, conselheira, parque de diversão, hospital, prisão, mercado de ilícitos, pode agora transformar-se em CAGADA (Centro Assistencialista Grandes Almas Dogmaticamente Afetadas).

 

A “nova política de formação de professores” promete (pela força das circunstâncias) “preparar os professores que já trabalham nas redes pública e privada a implementar a Base Nacional Comum Curricular [...]” já estou vendo um bocado de cédulas  voando com rumo certo. Num segundo objetivo, “enfatizar na formação inicial, aspectos como a residência pedagógica, o estágio supervisionado e a relação teoria e prática”. Onde é que eu vejo o maior esturro? Justamente aqui, nas palavras que cito, do MEC, pois como sempre se pensa NO que fazer, mas jamais se pensa no COMO fazer.e em QUEM vai fazer. Resultado: o arroz colado no fundo da panela serão sempre os professores.

 

CRÔNICA MENSAL - AGOSTO 2017

Este primeiro dia de setembro me trouxe várias reflexões e certezas algumas que desejo partilhar com meus amigos leitores.

 

À guisa de boas vindas fica uma questão que me parece pertinente, digo bem, parece, não se trata, portanto, de caso fechado:  se o mês é (sete)mbro, por que recebe o número nove...? deveria ser o sétimo mês do ano, deixando o nono para (nove)mbro. Isto não passa de devaneio de minha parte, mas que (nove)mbro seja o décimo primeiro mês do ano, me faz coçar a caraminhola.

 

Da parte das certezas é preciso registrar que estamos caminhando, a passos largos, para o final de mais um ciclo que nos reforça a ideia de idade, de mudança, de projetos, de aspirações... Cada um(a) vai começando a traçar novos planos de ação para alcançar a sonhada felicidade plena. Conseguiremos, no próximo ano?

 

Da minha parte já estou servido. Este primeiro dia do mês de setembro do ano de 2017 marca o começo da minha terceira fase existencial: é o meu primeiro dia como um dos agraciados com o direito de ainda me aposentar e poder usufruir um pouco mais de tempo dos muitos sacrifícios que a vida me foi impondo ao longo da minha existência. Não fui, certamente, dos mais sofredores (afinal o sofrimento pessoal é sempre um fato muito subjetivo que cada um registra apenas para si mesmo). Trocando em miúdos, estou agora consciente de uma realidade que até alguns dias atrás me era um tanto difícil admitir: Já sou ativo na conta da terceira idade. Sempre me julguei (não por vaidade, juro) bastante mais novo que a realidade que o meu registro insistia serenamente em me mostrar. Hoje, a partir de não importa qual ponto de visto (aí incluso o emocional) percebo que já cumpri a maior parte da minha missão. Usando as palavras de um humorista local, falta agora “fechar a conta e passar a régua”!

 

Este processo de transição vinha sendo preparado havia já algum tempo, no entanto, aconteceu de forma meio inesperada em virtude de uma “maleita” que me atingiu. Embora não se trate de nada de gravidade extrema, pois que perfeitamente controlável e, a depender de determinadas condições de possibilidade de transplante, até perfeitamente contornada, impede-me de continuar no ritmo em que vinha habituado, sendo inclusive um dos motivos que pode levar qualquer cidadão a passar ao estado de aposentado. Trata-se de uma DRC conjugada com as respectivas crises agudas de gota, também reconhecido como ácido úrico. Dói! Acreditem que essas crises são doloridas e impeditivas até de andar.

 

Vai ser um pouco difícil sair da rotina acadêmica: o convívio com o jovens, com os companheiros de luta, com os problemas que sempre surgem, com as soluções que nem sempre são as mais fáceis ou melhores, as contradições, os aprendizados... tudo isso vai sortir um efeito negativo nestes primeiros dias/meses da nova situação. Do lado da moeda, sempre elas têm dois lados, a maior liberdade para fazer algumas coisas que me eram fazer de modo tão assíduo e, principalmente, sem a pressão de ter, no dia seguinte que estar apostos para o magistério e suas exigências. Vou passar por um período de adaptação, tal como aquela ave que de repente se vê livre para voar e partir em busca da sua liberdade. Só receio que, tal como o encarcerado por muitos anos, não consiga me adequar a uma nova vida de liberdade. Quem fumou cachimbo durante muitos anos, já tem a boca torta.

 

Mas não quero pensar muito nisso agora, afinal este é apenas o primeiro dia. Embora já tenha batido saudade, logo pela manhãzinha – acordei no horário normal de quem vai dar sua aula, mesmo sendo hoje um dia feriado loca – levantei e só depois lembrei que não preciso mais cumprir essa rotina. Acabei voltando para o mar de lençóis e adormeci novamente, para o merecido repouso dos guerreiros.

 

Fica-me, agora, apenas uma obrigação, não cair no tédio, pois ele mata! Um abraço de um ex-trabalhador que agora terá mais tempo para se dedicar a um de seus hobbies preferidos: escrever!

 

Amplexos gerais e irrestritos

 

CRÔNICA MENSAL - JULHO 2017

Tout va très bien Madame La Marquise

Sim, fui um tanto longe para escolher meu título para esta nova crônica, fui, exatamente a 1935 e na voz do inesquecível Sacha Distel (https://www.youtube.com/watch?v=T5WdpSPeQUE). Haverá, no entanto, algum motivo para essa recordação?

Bem, no cenário político do Brasil, neste momento, está mais que propício a uma reinterpretação do sentido que a música nos apresenta: a hecatombe sendo anunciada de modo suavisado. O Palácio governamental caindo de podridão, mas as notícias são bastante animadoras:

     Tout va très bien, Madame la Marquise,
     Tout va très bien, tout va très bien.
     Pourtant, il faut, il faut que l'on vous dise,
     On déplore un tout petit rien:
     Un incident, une bêtise,
     La mort de votre jument grise,
     Mais, à part ça, Madame la Marquise
     Tout va très bien, tout va très bien.

Da parte pessoal nada mais que possa assustar quando você recebe, com tranquilidade, a notícia que "Tout va très bien, Madame la Marquise". É assim que tem que acabar recebendo a notícia que uma parte importante de seu corpo corre o risco de parar de funcionar e, com ela, a sua integralidade. Mas escute a canção. Sorria e continue seu trabalho.

"Tout va très bien, Madame la Marquise" no campo educacional; na saúde, na segurança e, principalmente, na política. Só um pequeno "nada" que é preciso lamentar: os ladrões levaram todo o dinheiro que atendia essas e outras pastas ministeriais, menos aquela que concede aumento aos políticos e permite a compra dos votos necessários à permanência do status quo criado. Como nos é dito na música, fora isso, está tudo às mil maravilhas.

Só um último comentário final: esta música era o "prenúncio artístico" da segunda grande guerra mundial. Quem dera fosse aqui o anúncio da revolução popular que destronaria esses bandidos que hoje se locupletam com o suor dos trabalhadores, porque além disso: "Tout vá trés bien..."

 

CRÕNICA MENSAL - JUNHO 2017

Nas voltas que o tempo dá

Não há como correr atrás do tempo, a história não para. O homem não para, por mais que ele esqueça de avançar ou regredir, apenas estagna no aguardo de oportunidades de seguir sua viagem. O destino? Quantas vezes o acaso. Sem rumo!

Estive nesse estágio letárgico entre março e este mês, o junino. Falta do que dizer? Não! Antes excesso do que dizer/fazer! Tudo ao mesmo tempo! Embora eu consiga manobrar vários assuntos a um tempo só, momentos vivencio em que o silêncio me é mais proveitoso... é algo pessoal, subjetivo, quase uma marca registrada: silenciar para, depois, poder gritar mais alto.

Retomo meus escritos, cada dia mais cheio de vazios, de incertezas, de dúvidas e de questionamentos. Isso me ajuda a viver e, principalmente, a tentar entender os outros, já que a mim, decididamente, não entendo.

Do ponto de vista profissional posso garantir que estou cada dia mais convicto de que tenho uma missão a cumprir (e cumprirei) mesmo se o caminho está armadilhado, minado e se torna perigoso. Afinal, a vida sem aventuras seria monótona por demais.

Do ponto de vista social confesso estranhar meios e fins praticados por seres que deveriam ser, por princípio moral e ético, semelhantes e irmanados num mesmo ideal: o bem viver dentro das possibilidades conquistadas. O TER, contudo, impõe barreiras cada dia mais intransponíveis ao bom relacionamento entre seres teimam em separar o que deveria ser indissociável.

Na política prefiro esforçar-me (apenas não garanto lograr êxito) para entender as contradições e aberrações que se espalham pela cena de forma assustadora. O país está nitidamente à deriva: o timoneiro foi acometido de loucura súbita e irreversível; a tripulação passou a sofrer de crises agudas de cleptomania que se caracterizam por um transtorno incapacitante pertencente ao grupo de patologias que atingem tanto os homens quanto as mulheres. O tratamento para político cleptomaníaco, no meu ponto de vista, deve ter por base umas férias merecidas em algum presídio de segurança máxima e mordomia mínima em que estejam "hospedadas" celebridades do crime, evitando-se, assim, mais prejuízos financeiros e sociais ao povo brasileiro.

No pessoal, só a lamentar o deterioramento do estado de saúde de minha genitora, que muito me inquieta! São quase 93 anos e algumas sequelas de um (ou vários) AVC. Vivo um suspense!

 

CRÔNICA MENSAL - 03 MARÇO 2017

O mês já se apresenta lépido e fagueiro. Começou ontem e já estamos a 12 - quase metade dele já se foi. Irá mais rápido com os acontecimentos previstos: aos 15 dias uma greve de proporções que se esperam assustadoras a tal ponto que façam ruir devaneios de governo do ilegítimo; encontros acadêmicos de alguma monta no plano intelectual; festinha de "parabéns a você" - para mim - e a comemoração fora do tempo/dia dos 10.000 acessos a este humilde local que se pretende de partilha de algum saber/experiência.

 

De algum modo toda essa "notoriedade" me assusta. Fazendo pequenos cálculos percebo que este meu pequeno site consegue, não sei como, estabelecer uma média de 750 a 800 acessos por mês. Nem por isso lhe dou mais assistência (pai ingrato - desculpem a metáfora!). Não coloquei outros "gadgets" de mensuração que aquele de acessos, por esse motivo não consigo estabelecer uma "fronteira" para o alcance que esses números, modestos, podem representar. No entanto posso afirmar que eles são suficientes para que me façam criar mais ânimo para "prestarmaistenção" (que eu não presto) a algo que se agiganta diante de mim, me trazendo responsabilidades.

 

Antes de tudo mais só preciso agradecer a todos(as) que me visitam e de uma forma ou de outra interagem comigo. Não consegui (sou inábil com estas coisas das tequinologias) colocar um ponto geral de troca de ideias - chamam de bate-papo e outros nomes parecidos - não tenho feedback que oriente minha "linha editorial", por isso esta colcha de retalhos. Posso, contudo, dizer que o que aqui "posto" é, em sua maioria, uma lavagem de alma sob qualquer dos aspectos que se observe o publicado. Simples, mas "Honestino da Silva". Talvez pouco profundo, mas não uma "vulgata qualquer". Sou eu falando àqueles que compõem meu ambiente natural, sem fantasias, máscaras ou hipocrisias; sou o eu, verdade.

 

Assustado, sim, diante dos acontecimentos que estão se precipitando a uma velocidade estonteante, mas jamais desnorteado. Olho em volta, um pouco mais longe que costumeiramente, e o que vejo me arrepia bastante. O mundo está em franco processo de desintegração. É um processo que nasce (infelizmente) no social, perpassa a política e assenta na moralidade. Não é só na minha "casa", é assim de igual forma na casa do vizinho, na rua lá no final da cidade, no país lá do outro lado do mundo.

 

Tenho, por isso tudo, um sentimento ruim que não me deixa focar mais além da minha visão cansada: como será a reação de quem um dia, após a miséria, se apercebeu na possibilidade de ter uma vida melhor e que, agora, lhe querem retirar forçando-o a retornar ao nível que um dia desejou abandonar? Nosso povo é ordeiro, pacato e acomodado, mas me causa pavor saber que do acúmulo de sofrimento pode nascer a revolta. Desejo-a, mas temo-a; temo-a, mas incentivo-a! Ninguém merece nada a menos que uma condição digna de vida, principalmente se isso acontecer em detrimento do bem estar próprio e no benefício escandaloso/vergonhoso de outros que deveriam nos representar e evitar, justamente, que sejamos humilhados e vilipendiados por terceiros. Lamentável é constatar que esses terceiros são exatamente aqueles que deveriam estar do nosso lado.

 

A nova ordem - que de nova só tem velharia - ainda não deu o seu cheque-mate, mas o rei está perigosamente ameaçado. nesse combate, só resta uma esperança, única e não garantida, de sucesso: a revolta dos peões. As torres estão sendo facilmente derrubadas; os bispos são coniventes com a marcha dos eventos; os cavalos, coitados, de famintos estão caindo pelas tabelas do tabuleiro e a rainha, vítima de violência contra a mulher, está prostrada, em pré coma, e com a ventilação artificial comprometida pela pelegagem que teima em não respeitar o tubo de oxigênio sobre o qual pisa com a consciência dos danos produzidos. Resumo da ópera: ou lutamos aguerridamente, com unhas, dentes, inteligência e desapego ao pessoal em benefício do coletivo, ou logo mais não passaremos de cachorrinhos encoleirados, treinados e domesticados a servir de brinquedo aos capitalistas. O perigo aumenta quando você começa a não mais oferecer alguma coisa diferente, uma diversão nova para seu dono, pois ele lhe deixará morrer à míngua ou, num golpe de misericórdia, utilizará qualquer dos meios ao seu dispor para se desfazer de sua incomoda presença.

 

Sem aposentadoria. 

 

CRÔNICA MENSAL - 02 FEVEREIRO 2017

A minha reflexão mensal – mais uma vez um pouco atrasada – tem por base as notícias veiculadas neste site do MEC, no qual (não) são respondidas as dúvidas sobre o novo ensino médio: http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40361#nem_01

 

O site começa conceituando o novo modelo de ensino que está sendo preparado para o futuro próximo (visto que só em meados deste ano se terá uma definição da Base Nacional Comum Curricular – a BNCC) e que a sua implantação se dará apenas a partir de 2018 – tal é uma das duas respostas sistematicamente repetidas pelo MEC ao final do artigo.

 

Quem me conhece, principalmente meus alunos, sabe que eu tenho defendido o fim daquilo que alguém, um dia, classificou como o saber desnecessário. Que saber seria esse? Vejamos a situação do futuro médico que, enquanto aluno do ensino médio, tem que aprender muita matemática, muita física e muita eletricidade. Pergunto: a que serve, neste caso específico, o aprofundamento do saber nestas áreas para esse futuro profissional? Isto não significa, contudo, que esse saber não deva ser ofertado na medida do interesse pessoal do aluno. Esta situação assim apresentada é apenas um exemplo e o meu leitor encontrará com muita facilidade outras que tais. Para todas eles não consigo encontrar a lógica.

 

No entanto, também não encontro nenhuma justificativa para a retirada das disciplinas que nos ensinam a pensar, a refletir, a questionar não só o que está posto, mas e principalmente, aquilo que nos querem obrigar a fazer. Afirmo com toda a convicção que é uma estupidez sem fim levar adiante essa proposta que aí está sendo discutida. É de tal modo estúpida que o próprio MEC não tem resposta mais convincente que aquela que apresenta a quase todas as dúvidas que se “compromete” responder nesse site que indico acima.  A resposta a qualquer questão é, quase que invariavelmente, a mesma:

 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelecerá as competências, os objetivos de aprendizagem e os conhecimentos necessários pra a formação geral do aluno. A previsão é que, até meados de 2017, a BNCC para o ensino médio seja encaminhada ao Conselho Nacional de Educação, que terá de aprová-la para depois ser homologada pelo MEC.

 

A grande questão que sobressai desta resposta é a seguinte: qual será o milagre que o MEC aguarda que aconteça para efetivar essa “formação geral do aluno” se as disciplinas que o ensinam a pensar estão, senão excluídas, pelo menos se encontram colocadas como opcionais?

 

Como educador e formador de novos educadores, também estou sendo convidado a colaborar na discussão/elaboração dessa BNCC, no entanto, por discordar totalmente dos processos adotados para realizar essa discussão, sinto necessidade de permanentemente demonstrar minha total desaprovação ao modelo inicial (que certamente não será alterado uma vez que, pessoalmente, considero essa manobra de chamar as pessoas para alterar algo que foi previamente elaborado por quem tem interesses maiores em que assim permaneça como uma pantomimice), pois tudo está preparado de acordo com o figurino do golpe que está sendo perpetrado.

 

O MEC (não a instituição em si, mas as almas enegrecidas que circulam envoltas em finos trajes dentro de refrigerados ambientes) está perdido na permissividade do culto à corrupção e torna-se defensor de um sub programa educacional para a população de um país que tem tudo para ser uma das potências do mundo, apenas pela necessidade de conluiar-se com a gangue que tomou de assalto o poder estabelecido legalmente, mas colocou em risco suas lindas cabeças; perdido por não ter respostas; perdido por não ter, sequer, perguntas às quais possamos dar nossas respostas; perdido, pois não há situação que para sempre dure e nem pedra dura que resista a muita água mole. A água jamais discute com seus obstáculos, ela simplesmente os contorna. Perdido, pois esquece que o povo ainda é quem mais ordena, pode até demorar a reagir, mas, e por essa razão mesmo, é imprevisível. De repente acontece. Estamos chegando ao ponto de esgotamento da enorme paciência de que somos dotados e catástrofes podem acontecer.

 

As minhas palavras, loucas, não têm o dom de chegar aos céus, mas assim mesmo quero deixar um recado, pois possa ser que ganhe movimentação própria: Estamos ficando saturados de tanta mentira e de tanta hipocrisia, lembrem-se senhores políticos que a mentira tem pernas curtas e, por outro lado, que vocês estão dependendo de um único dedo da classe trabalhadora – aquele dedo que aperta a tecla que registra o nosso voto. Vocês não passam, ressalvadas as honrosas exceções, de pequenas gotas de concentrado de fedor que um dia foram alçados a perfumes franceses contrabandeados e pobremente falsificados. Isto é, o vosso cheiro não dura muito tempo... nós continuaremos aqui!

 

Muito mais haveria para dizer, refletir, mas espero que estejam em condições de fazerem esse pequeno esforço de, junto comigo, somarmos para levar adiante nossa indignação pela situação que se está criando.

 

 

CRÔNICA MENSAL - 01 JANEIRO 2017

Não vi nada novo começar, vi apenas continuísmo de um processo degradador das conquistas historicamente consignadas numa conta dos trabalhadores que nunca encerra, que nunca bate certo. É o caos da desordem – assim mesmo parecendo redundante.

 

Olho em volta e percebo que, infelizmente, não somos os únicos a sofrer com a calamidade política e com a nova cara que querem dar ao capitalismo (em processo de falência) no contexto mundial. Há alguns anos se falava de uma tal de Nova Ordem como se ela fosse apenas mais uma teoria da conspiração. Iluminatis, maçonaria, invasões alienígenas e “tutti quanti” não cansaram de anunciar mudanças (algumas verdadeiras previsões catastróficas absurdas, convenhamos) que o mundo estaria por sofrer. De algum modo a história está aí provando que o mundo entrou em processo de declínio. Não se trata (ou pelo menos ainda não se pode afirmar) do fim do mundo – não que eu acredite nessas teorias da conspiração – mas para quem viveu a segunda metade do século XX e está, neste momento, vivenciando o retrocesso a patamares anteriores à década de 50 (pós guerra) compreenderá que têm sido outros os valores que não só os financeiros que estão despencando: são os valores morais, afetivos, sociais, éticos, estéticos, comportamentais, familiares e cívicos.

 

Perdeu-se o respeito por tudo, exacerbou-se a prática do individualismo desrespeitoso: ninguém mais respeita nada, nem ninguém. A atual sociedade está, sim, precisando passar por um processo de renovação, pois o atual modelo está saturado e não tem mais retorno. À medida que vou escrevendo estas linhas cheias de insipidez tenho na mente, a rodar em slow motion, Mad Max e a Tina Turner cantando “we don't need another hero”.

 

O ser humano parece ter entrado em rota de imbecilização. A prática do pseudo domínio da ciência desumaniza os seres. A apropriação – por parte de alguns – de tudo aquilo que a maioria precisa produz a nefasta exclusão e o aprofundamento das crises sociais. A uns tudo é permitido – mesmo o proibido – a outros tudo é cobrado mesmo o que lhe não é fornecido.

 

Não vejo mais a ação dos “anarquistas graças a Deus” e só percebo aquelas dos cristãos “feitos o diabo”. Não vejo muito mais sentido na educação, nessa educação que serve para aprofundar o fosso entre pobres e ricos. Não vejo mais valor na justiça que se diz cega, mas que enxerga mais de olhos vendados que nós com eles abertos – principalmente aquilo que a ela interessa. Não acredito mais no futuro quando olho para o passado e não consigo me ver no presente.

 

O mundo precisa ser reinventado.

Onde ficou a caverna do Platão? Quem guardou o fogo aceso?

Tenho medo dos mamutes.

 

E o carnaval ainda não passou...

 

 

 

 

CRÔNICA MENSAL - 12 DEZEMBRO 2016

Hoje é o começo do fim mais esperado de algo que sequer devia ter começado: o ano de 2016. Começou rabugento – ou “maussade” (como dizem os franceses) –, mas também  pudera, se fizermos um balanço (coisa que eu não vou fazer, por motivos que não chegam a ser tão óbvios quanto deviam) veremos que pouco fica do lado afirmativo da história que, voluntária ou involuntariamente ajudamos a escrever.

Bom marinheiro, antes de entrar no mar, prepara-se em terra. Depois de tudo e tanto que passamos, ainda existem pessimistas que afirmam (chegam mesmo a jurar de pés juntos) que o 17 será pior. É aí que entra a teoria do marinheiro apontada aí atrás. Vamos preparar mais uma travessia que se aproxima e que traz, envolta em manto espesso, a dúvida que sempre nos é colocada pelo futuro. O que será?

Mas, meu nobre Fernando Pessoa, para além do “Navegar é preciso, viver não é preciso”, permita-me que eu diga que, apesar do mistério que se avizinha, “Viver é preciso, basta saber passar pela tormenta”. Essa travessia está ficando, a cada dia, mais difícil considerando o mar aborrascado, proceloso que nos encara e convida a avançar destemidamente. Todo cuidado é pouco, pois o tridente de Neptuno anda afiado e de haste mais longa para poder, assim, submergir qualquer tentativa de alcançar a costa oposta. E como ele tumultuou nossa travessia neste período que se encerra!

Vimos de tudo um pouco e nada disso foi (pré)visto nem pelos mais renomados praticantes da quiromancia e outros quetais chutadores de previsões catastróficas: fome, peste e guerra! Saímos do conforto do Progresso para sentirmos, na carne, a força da Ordem; vimos nossas crianças nascerem e serem abandonadas devido à má formação, por conta de um mosquitinho de nada; vivemos (passado e presente) a chamada guerra das torcidas – paneleiros contra esquerdopatas – patos contra mortadelas, para, no fim, quem se ferrou foi o peru.

Ao longo desta travessia que gostaria de “olvidar” relembrei múltiplas vezes a mensagem de um fado bem antigo entoado por um fadista lusitano que acredito já não esteja mais entre nós O fadista se chamava António Mourão e o fado que ele perpetuou foi “Ó tempo volta pra trás” escute em: (https://www.youtube.com/watch?v=jTfPYsX7WTA).

Quanto ao futuro que dizem vai começar em dois dias, bem esse só pode ser encarado como um turbilhão de incertezas. Não fosse o contexto sócio-político-econômico do mundo um argumento válido por si só, precisávamos que a igreja viesse dizer que o sangue de Santo Tirso que deixa prever que alguma catástrofe pode acontecer neste ano que se avizinha, face a um fenômeno raro (veja em http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2016-12-23/milagre-sao-januario.html).

Como se fala em São Januário, que a catástrofe não seja mais cruel que uma nova caída para a segundona do Vasco. Pior que isso só uma eleição indireta. Já vais tarde, muito tarde, 2016.

Mas e apesar de tudo... que venha 2017.

 

CRÔNICA MENSAL - 11 NOVEMBRO 2016

O compasso é de espera. Espera ansiosa pelo fim de tanta coisa que mais parece um começo. O começo do fim, que neste caso não deve ser o fim do mundo. Mas anda perto.

Nesta minha já cansada vida não têm sido poucas as ocasiões em que senti que algo se findava, que um ciclo terminava para outro começar - nem sempre de modo mais satisfatório, mas portador de alguma esperança - deste de agora esperamos apenas o fim, não temos sequer - eu pelo menos não tenho - esperança de que dias melhores possam surgir.

Não, não se trata de pessimismo. É uma cruel realidade que se nos apresenta escura, profunda, inimaginável e caótica. Para lutar contra tal estado de pensamento faltam-me armas mais poderosas, não basta que eu seja crítico e tenha uma compreensão mais progressista da questão social, preciso de companheirismo, de protagonismo das massas que sinto anestesiadas, adormecidas, como se nada fosse com elas. Devemos estar lutando, involuntariamente, contra alguma nova droga ou poder que ainda desconhecemos, mas que tem esse poder de entorpecer as mentes humanas.

Estamos sendo vilipendiados, abusados, assaltados em nossos direitos, mumificados em serviço, depauperados, mas inertes, apáticos, robotizados e consentâneos. Esta situação me aflige, me assusta e me revolta.

Continuo na busca por um antídoto contra este novo inimigo social. Conseguirei, pelo menos me manter lúcido, ou duplicarão a dose para me derrubarem de minha postura crítica e não alienada?

 

CRÔNICA MENSAL - 10 OUTUBRO 2016

Com algum atraso motivado dos desdobrar incessante das novidades no campo educacional trago para vocês o meu desabafo do mês que tenta entrar e consonância com a discussão que está sendo feita a respeito da reforma do ensino (que não é só médio) no Brasil. Boa leitura e, se assim o desejarem, estamos à disposição para maior debate sobre o assunto:

 

Mudar é preciso! Mudar o modelo educacional oferecido, seus objetivos e metodologias. Esta é uma verdade incontestável e o governo TEMEROSO teria acertado em cheio se tivesse consultado as bases em vez de nos enfiar goela abaixo a “sua reforma”.

 

Mudar é preciso e consultar as bases mais necessário ainda, mas aí pode morar outro perigo: aquele de patinarmos no solo escorregadio que constitui a mentalidade da maioria da base. Esta análise não é resultado de uma mente menos atenta feito a minha, dirão, mas resultante de análises que vêm sendo feitas e que eu corroboro. Assim, num estudo feito pelo economista e professor da USP Hélio Zylberstajn, em que é feito um cruzamento de dados coletados no Censo do Ensino Superior e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho fica fácil perceber que parte bastante significativa dos nossos diplomas de ensino superior são quase inúteis[1].

 

Temos um excesso de formados em áreas ditas concentradas, nas quais a relação formados números de vagas ofertadas é desproporcional. Estão nesse caso, segundo a mesma fonte, os formados em: Direito, Administração, Professores (e aqui é preciso dar um destaque mais adiante), Saúde e Computação. As causas principais dessa busca incessante pelo curso superior localiza-se, principalmente, na falta de uma conscientização da população que a faça refletir que em vez de um diploma em alguma área saturada é melhor um curso técnico numa área emergente na qual falta mão de obra especializada. Nisso o Brasil está muito bem definido, como diz um antigo ditado popular: “Ou é calça de veludo, ou é bunda de fora”; ou a população é analfabeta funcional (desempregada) e a grande maioria, ou vira “doutor” e cai no subemprego causado pela excepcional oferta de mão de obra, tão ao agrado do capital. No Brasil o desemprego é muito mais pela falta de qualificação do trabalhador que pela falta de oferta de vagas que é a segunda razão do desemprego.

 

Pode parecer contraditória a relação que se estabelece entre os formados em professores – e acima elencados como área de concentração na formação – e a informação de que no Brasil estão faltando, pelas últimas estatísticas, cerca de 170.000 (cento e setenta mil) professores só na educação básica[2]. Claro que não vamos aqui entrar em detalhes sobre todos os motivos que conduzem a essa escassez, mas um desses motivos precisamos esclarecer para que não pairem dúvidas. O conjunto fechado – falta de reconhecimento socioeconômico, a falta de políticas de valorização, a falta de melhores condições de trabalho (para falarmos apenas netas) – é a razão do descrédito que tem atingido a área e que, queiramos ou não, só atrai os menos qualificados. Esta inferior qualificação permite ao empregador (particular e/ou estado) oferecer cada vez mais péssimos salários que não são atrativos. Cria-se uma espécie de círculo fechado (mau pagamento – mau professor – mau trabalhador – mau estudante – mau professor – mau pagamento).   

 

Para Hélio Zylberstajn: “Estamos carentes de técnicos. No ensino médio, deveríamos formar mão de obra em cooperação com as empresas”[3]. Ótimo, talvez esteja aí um caminho, porém, não podemos entregar a galinha para ser engordada pela raposa. A formação de mão de obra qualificada pode e deve percorrer esses caminho desde que ele seja “aplainado” por uma prática educacional, crítica, humanística que consiga perceber muito mais que a simples satisfação do Deus mercado de trabalho. Países da Europa que utilizam, com algum sucesso, esse tipo de formação – estão listados entre aqueles ditos do primeiro mundo e, mesmo enfrentando crises como esta que nos assola no presente garantem à sua população um nível de satisfação de vida considerado aceitável mesmo para aqueles que recebem o famigerado salário mínimo que deveria ser apenas um ponto de referência, mas que acabou se transformando numa prática salarial, principalmente ao sul do equador.

 

A mim me aflige perceber a baixa idade dos nossos estudantes que estão adentrando a universidade, não se trata de capacidade de aprendizagem ou algo parecido o motivo da minha preocupação, não. O que mais me inquieta é saber que esse tipo de estudante – não posso generalizar, mas é sempre possível afirmar que se trata de uma maioria – não tem ainda lustração para fazer escolha de uma profissão que poderá desenvolver pelo resto de sua vida – ou não. Muitos se frustram durante o curso ou, o que é pior, ao final do mesmo e ter que enfrentar o mercado de trabalho. Tudo isto falta de uma abordagem – por mais que superficial ou de nível técnico – que o nosso sistema de ensino não proporciona. Vive-se a ilusão – amplamente difundida pelo capital – que quanto mais estudo, mais facilidade de encontrar o trabalho dos sonhos, a realidade, porém, é bem diferente considerando que uma porcentagem elevada de formados não consegue exercer as funções dentro daquilo para que se formou. Pensando nisso e ainda segundo a mesma fonte, diz Tania Casado, do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP: "É preciso olhar para o lado e ver que há muitas posições não preenchidas, porque as pessoas não têm estudo específico. Os jovens precisam saber disso ao se lançarem em um curso".

 

Então, vamos fazer uma discussão aberta, ampla, com a sociedade; vamos mostrar onde estão os pontos de estrangulamento na busca por um emprego; vamos desmistificar a compreensão de que o povo precisa ser todo “Doutor”; vamos mudar conceitos e práticas; vamos mudar esse governo fajuto que aí está e que demonstra ter um olhar enviesado para o capital em detrimento da melhoria das condições de vida de toda a população.

 

Mudar é preciso, mas não da forma como está sendo feito.

 

[1] http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37867638

[2] ttp://www.em.com.br/app/noticia/especiais/educacao/2015/08/20/internas_educacao,680122/desinteresse-cresce-e-faltam-170-mil-professores-na-educacao-basica.shtml

[3] http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37867638

 

CRÔNICA INICIAL - 01

Surge-me a ideia de lançar, aqui, uma página que resuma, um pouco do trabalho prático/teórico/reflexivo que desenvolvo ao longo do tempo. Considerando que não sou pessoa de remoer muito tempo as ideias - para não perdê-las ou para acabar desistindo delas por considerar que serão causa discutível - nasce, então a Crônica Mensal.

Talvez erroneamente, não determino data exata para a esta vir a lume, pois tal como qualquer outra atividade esta também estará sempre sujeita aos percalços que surgem na vida do seu idealizador. A promessa (Quem promete não quer cumprir - diz um ditado bem velhinho!) é que ao final de cada mês eu produza um "apanhado" das atividades as mais diversas que por aqui tenha veiculado.

Janeiro já se foi para dar lugar ao apressadinho! Sim, apressadinho por ser menor que os outros, parecendo estar com urgência de ver o Março chegar. Mas é uma camaradinha meio perigoso, disfarçado de bonzinho; vejam só, além de apressado é, normalmente, o encarregado de trazer encomendas "nem sempre muito desejadas". Momo ajuda nessa tarefa! Aos descuidados, essas duas peças - Fevereiro e Momo - costumam trazer surpresas um tanto fora dos planos pessoais de cada um, mas para isso há solução - preservar é preciso. Tudo isto para dizer que já estamos no segundo mês do ano e que, portanto, já estou devendo uma publicação.

As notícias, principalmente aqueles que nos envolvem de mais perto, não são muito auspiciosas e em quantidade suficiente para fazer uma publicação específica. Enfrentamos mais um movimento paredista - a que também chamam de greve. Este estado, de coisas sempre emperra um pouco (ou muito) o bom andamento de nossos projetos institucionais e, pela via mais reta os projetos pessoais. Professores que se afastam, alunos que não estão em contato direto com a instituição de forma regular, uma carência de atualização das decisões e das possibilidades de desenvolvimento coletivo e/ou individual.

Temos o caso das bolsas que estão sendo ofertadas: não vou dizer que se corra o risco de não serem colocadas em prática, aponto, tão simplesmente, para a precariedade de seleção de alunos que podem, de alguma forma, ser cerceados no seu legítimo direito de concorrer a elas pelo fato de não estarem em contato com a instituição de modo usual. Quantos deles têm problemas de transporte - do qual dependem para chegar à universidade e que, em ocasiões como este de movimento paredista são suspensos? É desses, principalmente que falo, é deles, principalmente que lembro quando vejo as condições exigidas para que o aluno possa participar. Mas a vida deve continuar.

Do ponto de vista do trabalho interno, continuamos, aqueles que não são apologistas do atual movimento - entenda-se essa particularidade da atualidade - estão a postos para atender, principalmente, a alunos que se submeteram a concursos e passaram. Esses não podem, nem devem ser prejudicados, isto é, não mais que os outros, pois prejudicados todo mundo é, mas esta é uma condição que precisa ser compreendida como parte do processo de formação, de aprendizagem, de construção coletiva de ideias.

As discussões de documentação necessária ao melhoramento das condições de trabalho continuam a acontecer, mesmo se com um público reduzido, mas não menos comprometido com o debate das ideias lançadas por quem tem a incumbência de fazer as regras. Eles fazem as regras e nós somos quem tem que segui-las, por isso, somos responsáveis pela sua análise e possíveis correções das distorções que possam aparecer, de modo a que se tornem viáveis e executáveis. Pena que nem todos estão presentes para fazer essa discussão, fato que poderá, amanhã gerar desentendimentos entre quem discutiu e quem vai dizer que não participou da discussão. Bem, as discussões são abertas e estão acontecendo... cada um terá que entender que prazos são para serem cumpridos e que "quem quer peixe, deve ir pescar". Desculpem a metáfora, mas me pareceu oportuno utilizá-la.

Por hoje pouco mais me resta dizer, no plano da concretude, especulações há muitas, mas não serei eu a alimentá-las. O concreto me dá bastante que fazer.

Continuo sempre aberto ao diálogo e à troca de ideias. Sabem como me encontrar!

Um feliz Fevereiro e já conhecem o surrado bordão: "Se forem brincar, vistam a camisinha"!

 

CRÔNICA 2 - FEVEREIRO

E o mês de fevereiro passou bissexto.

Essa característica específica desse mês do ano faz dele um mês especial, pois permite, de quatro em quatro anos, que fiquemos menos velhos durante um dia. Apesar de não ser o meu mês, sou de março, sempre tive bons motivos para considerar fevereiro um excelente mês. Tempo de realizações, de concretizações, de avanços na vida. Este não foi diferente e com vantagens.

Foi num mês de fevereiro (2013) que concluí o meu doutorado: alegria sem par e a concretização de um sonho que muita gente acreditava que eu não conseguiria realizar. De feliz dancei “O Quebra Nozes” e fiz inveja aos bailarinos do “Bolshoi”.

Fevereiro foi, também, um ponto final num estado de greve que se prolongava por mais de dois anos, na instituição em que trabalho. Não quero entrar, aqui, no mérito ou demérito da ação, pois creio que não deve ser este o foro mais legítimo para fazer essa discussão: quero apenas deixar meu ponto de vista, rápido e rasteiro – fui contra ESSA greve, não sou contra a greve, mas fui contra essa que julguei (e tenho o direito de ter opinião própria) descabida. Só!

Foi também um mês de desilusões do ponto de vista profissional. Não por algo mais abrangente, mas por atitudes que considero menos dignas da parte de quem decide. Tive um projeto de extensão recusado pela incompetências de algun(s) dos meus pares. Negaram-me o direito de continuar trabalhando (de forma institucional) num projeto que vimos desenvolvendo há aproximadamente um ano, do qual temos apenas elogios e resultados relevantes para a educação de uma população mais carenciada. “C’est la vie”, dirão os franceses.

Mas tivemos, também, boníssimas e reconfortantes notícias: Meu parceiro, meu ex-aluno e ex-companheiro nesse projeto que cito acima, o PP (Pedro Paulo), teve sucesso na sua tentativa de ingressar no mestrado em educação na UECE. Parabéns e o maior sucesso, sempre; A também minha ex-aluna e colega de profissão, Cicera Cosmo, foi outra guerreira que também logrou aprovação no mestrado em educação da UFPB. A estes dois, em especial, deixo minha maior força, pois sem falsas modéstias posso afirmar que tenho uma ínfima parcela de contribuição para o sucesso deles, mas o grande mérito é, sem dúvida, dos dois. Quero estender as minhas congratulações com outras ex-alunas que também passaram nas suas tentativas de ingressar no mesmo programa de mestrado. A todos, os meus mais sinceros parabéns.

Mas a cereja do bolo eu deixei para última notícia: Já não é segredo nem novidade para ninguém: foi em fevereiro (decorridos 20 dias dos 29) que recebi a confirmação da minha primeira publicação em revista classificada pelas CAPES como A1 – a top das classificações. Muita felicidade para um recém-doutor (afinal são apenas três anos na categoria) que luta contra um mar imenso e sem fundo determinado de detrações. Mais uma vez faço inveja ao “Bolshoi” e além d’“O Quebra Nozes” dancei também o “Cisne Negro”!

Março, sejas bem vindo! És o meu mês, quero muitas alegrias!

Próximo mês eu conto!

 

CRÔNICA MENSAL 3 – MARÇO

A retomada das atividades docentes, depois de um período assaz longo de greve traz sempre algum desconforto. Não é do ponto de vista da retomada do trabalho, mas muito mais da retomada de um período letivo interrompido abruptamente e a distância entre pontos (de suspensão e de retomada) que obriga a um recomeçar do zero e complicar a carga didática destinada à disciplina. Mas a capacidade de adaptação que somos obrigados a desenvolver nos permite, sem traumas maiores, resolver satisfatoriamente a peleja.

 

O meu mês começava, portanto no sacrifício geral, mas mal sabia eu que as recompensas estavam por chegar. A quantidade de trabalho avolumada que nos aguardava após a greve fez com que quase abandonasse por completo este meu cantinho tão estimado. Cansaço deveria ser o adjetivo que melhor traduzisse o meu estado ao longo do mês, mesmo se com o desenrolar dos dias a tempestade tendesse a amenizar-se. Mas neste Março eu completei a belíssima idade de 65 anos (um jovem, diria!) e essa carga de tempo não costuma perdoar com facilidade os abusos.

 

Felizmente nem tudo são dificuldades! O cenário geral pode até parecer de guerra (veja-se a situação caótica que se estabeleceu na política nacional), a realidade nos chamando à reflexão e nos deixando entre atônitos e paralisados, diante das decisões que se faz urgente assumir. Toda cautela é pouca para não avançar algum sinal de forma imprudente, considerando a intermitência amarela que o sinaleiro nos envia. Foi assim, vagarosa e prudentemente que as instituições avançaram (será que houve algum avanço) num rumo não muito definido, cheio de incertezas, A vida, em sua generalidade se recente desse processo.

 

Cheguei, assim entre indecisões e temores, ao único dia que me dava uma certeza inquestionável em meio a tanta insegurança – o dia do meu natalício. Era fato consumado, completava-se mais um ciclo de minha vida e outro de imediato se iniciava.

 

Atentava durante todo mês para possíveis apontamentos que me dissessem que, pelo menos a educação estava ainda VIVA, mas nada me dava sinais de reação. Parecia que os seus órgãos vitais também haviam sido atingidos com a mesma violência que sofre o pobre fígado do boxeador durante os primeiros momentos do combate, período em que cada um dos contendores tenta minar a resistência do adversário. Inquietava-me! Lembrava constantemente que há um velho ditado que diz que “Quando não há notícias, não há más notícias”. Mas em educação, a falta de notícias tem, para mim, um gosto amargo de quietude, de paralização, de inoperância, de comodismo que me gela a espinhal medula e me causa aquilo que os franceses chamam de “gêne”[1] e o velho ditado é regularmente desmentido.

 

Escolas sem lotação docente efetuada, atraso no início do ano letivo, docentes sem receberem os parcos salários que lhe oferecem em troca de tanta dedicação, a incerteza incomodativa da possibilidade de se dar continuidade a um trabalho iniciado, as crianças servindo permanentemente de joguete entre as práticas diferenciadas de programas aos quais se estavam habituando e com os quais estavam obtendo resultados superiores aos esperados... angústia! A educação não é mesmo uma prioridade, não importa o que digam ou o que propalem aos sete ventos como “desejos” para a área através de discursos vazios de sentido prático e abortados de gestações voluntárias e desejadas. A sua existência está muito próxima daquela da criança abandonada na roda do mosteiro, ou herdeira do acaso, dependente de boas ações praticadas por “estranhos” que dela não querem mais que se aproveitar-se para seus fins mais ou menos escusos!

 

Tenho medo, pois, que também a educação esteja caindo na cilada dos mercadores de negociatas estapafúrdias com o fim último de se locupletarem de uma jovem senhora que tem pouco mais de 55 anos de idade numa existência que se deseja que atinja a longevidade.

 

Não busco recompensas, quando muito algum reconhecimento que nos faz um bem danado ao ego. Este mês foi, nesse aspecto, profícuo e me deixou assaz feliz pela espontaneidade dos acontecimentos. De um lado sou agraciado com uma homenagem pela escolinha na qual venho, tanto bem quanto mal, oferecendo alguns motivos de reflexão na prática docente tendo em vista a formação de seres críticos e socialmente enquadrados. Por outro lado, recebi no decurso deste mês recém-findo, a honraria de cidadão cratense concedida pela Prefeitura desta comarca do Crato/CE. Não sei o que tanto fiz para merecer todas estas honras, mas confesso que as recebo com o coração transbordante de paz, felicidade e, principalmente agradecimento.

 

Que o Abril seja de mais trabalho e resultados afirmativos.

 

[1] Desconforto (T. do A.)

 

CRÔNICA MENSAL 4 - ABRIL

 

Queria muito não ter que fazer esta Crônica mensal. Mas preciso fazê-la até como forma para procurar ultrapassar um momento que a todos entristece, a todos deixa profundas saudades e nos traz à mente momentos inesquecíveis – a passagem para outra dimensão de um ser mais que querido – o pai. Hoje se completam dois anos que o meu foi ao encontro do descanso eterno após uma vida de muita luta, muito esforço e algumas recompensas neste nosso plano. Que ele esteja na paz merecida e que enquanto puder faça cais sobre a nossa família as bênçãos que todos merecemos.

 

Sempre mantive com a morte uma relação respeitosa, mas jamais de medo ou de deboche. Entendo-a como uma fase obrigatória a ser atingida ao fim do cumprimento de uma tarefa que para muitos é, infelizmente, breve e para outros se prolonga por tempos quase imemoráveis, não devendo, portanto, representar uma ruptura na história de um ser. O homem – aqui visto como ser genérico – pode passar de um plano ao outro, mas a sua história sempre permanecerá na mente daqueles com quem teve a oportunidade de privar em vida. Por isso eu não lamento a perda de meu pai, lamento sim, a falta da possibilidade do contato físico, mas me fortaleço no nosso contato espiritual.

 

E nesse fortalecimento que busco a força necessária para encarar as múltiplas facetas que a vida nos prepara. Nesta nossa luta cotidiana somos, muitas vezes, esquecidos, em algumas delas lembrados e noutras até reconhecidos. Somos na natureza, raiz que fixa no chão da nossa luta o tronco, quantas vezes vergado por diversos pesos e ventos agrestes; somos, ocasionalmente, os ramos fortes ou fracos que à sua maneira e capacidade se estendem em resposta à solicitação de apoio; somos, talvez, as folhas que na sua fragilidade respondem pela produção de materiais necessários à sobrevivência que evita, o quanto pode, a ação de dona morte.

 

O meu mês (aquele do meu niver) foi o passado, o mês de março, bem no seu desfecho, por isso e com bastante alegria recebi uma homenagem vinda da escola em que trabalho voluntariamente – a Júlio Joel –, já em pleno mês de abril. Foi emocionante. É sempre uma enorme massagem no ego o fato de sermos reconhecidos e agraciados por aqueles que em nós encontram algo que possa ser útil à sociedade. Só posso agradecer. Valendo-se de pequenos textos que publico aqui e nos meus blogues montaram uma aula, nos moldes que defendo, na qual todos participaram: os alunos, os funcionários, os docentes e o corpo administrativo. Só posso dizer algo simples, pois para o resto sou suspeito: Foi lindo! Tive a presença de minha esposa, de uma das minhas filhas (a outra estava sendo submetida a uma pequena cirurgia) e a presença marcante de minha neta que também poderia ser uma das alunas daquela escolinha, não fosse a distância que nos separa.

 

Mas o mês, para minha surpresa, ainda me reservava mais emoção. No dia 12/04/16 tive a honra de ser agraciado com o “Título de Cidadão Cratense”. Através da iniciativa de um dos vereadores da cidade, nosso amigo e correligionário nas fracas lides políticas em que me envolvo, a Câmara Municipal de Crato concedeu-me esse título. Na cerimônia de entrega estavam presentes, além de toda a vereação local, familiares e amigos, dentre os quais destaco a presença agradável de uma representação da escola supra citada.

 

No meu país costumamos dizer que “não há duas sem três”, talvez não se encontre muita lógica no dizer, mas para nós é bastante emblemático: Algo mais teria que acontecer. Claro está que esse algo (a partir do nosso ditado) é sempre algo mais desagradável, o que talvez justifique a inversão da regra (creio que seria mais lógico dizer que não há três sem duas, mas cada uma sabe o que diz e o porquê diz). Na política sofremos uma quase derrota com os encaminhamentos do processo de impedimento da Presidenta Dilma. Quem acredita na possibilidade de transformação e numa sociedade mais igualitária não pode ter ficado indiferente ante o crime que está sendo perpetrado bem nas nossas barbas e nos percebemos quase que manietados, senão por maiores motivos, pelo baixo quilate do golpe em curso. Nada está perdido, ainda, mas temos que ter consciência que a situação está perigosa. Corremos seríssimos riscos do retorno de uma ditadura que nos trará, principalmente, o retrocesso em todos os patamares em que já tínhamos conseguido grandes vitórias. A classe trabalhadora – a mais carenciada da nossa sociedade – será alvo de perdas que jamais se imaginou que pudessem acontecer.

 

A opinião internacional tenta forçar a declaração do fim do golpe e da permanência da Presidenta Dilma no comando da nação, mas também ela parece insuficiente para atingir o resultado que se espera, talvez por milagre, venha acontecer. Não será fácil e se por acaso vier a acontecer só resta à Presidenta tomar uma atitude diante da impossibilidade que terá de continuar a governar: defender a democracia e convocar eleições diretas, gerais e irrestritas antecipadas. Esse, no fraco entender, o preço que a Presidenta terá que pagar pela incompetência em formar uma equipe vencedora capaz de apoiar as suas decisões. Este não é, em todo o caso, motivo para se pedir o seu impedimento. Motivos maiores para levar as barras dos tribunais e às grades da prisão há em relação aos seus opositores – criminosos reconhecidos e identificados – e no entanto são eles, mais sujos que pau de galinheiro, quem quer e vai julgar alguém que o máximo que se pode dizer é que foi honesta e proba. No Brasil, o crime compensa, principalmente se você for amigo do rei.

 

Hoje somos os “bobos da corte”, os “palhaços” do resto do mundo.  Bem que o general De Gaule dizia: “O Brasil não é um país sério”! Tinha lá as suas razões!

 

CRÔNICA MENSAL 5 - MAIO

 

Maio de Maria, das flores...

 

Mas, como nos diz Djavan, "E o meu jardim da vida / ressecou, morreu / do pé que brotou Maria / nem margarida nasceu".

 

Maria, Marias, foram escorraçadas, espezinhadas, violentadas, estupradas, afastadas e quase depostas. As flores passaram longe do nosso jardim que bem rápido vai ressecando, depois de um período de florescimento que deixava antever o surgimento de um modelo gestacional da economia e da política que se aproximava do recomendável para a coexistência pacífica de todas as classes sociais.

 

Nos campos a sementeira não quer brotar, por falta de insumos; nas cidades o floresce é a violência urbana nos seus mais diversos modelos e práticas; nos corações floresce um sentimento ruim, de raiva, de revolta e ao mesmo tempo de impotência diante dos assaltos vis e sem escrúpulos a que o cidadão vem estando submetido. Na política a deduração que tem, tal qual a moeda, duas faces. Neste caso, as duas faces podem muito bem representar o bem e o mal. Se por um lado ela coloca sob holofotes a porcaria, a sujeira e o roubo deslavado que corrói as entranhas do Brasil, pelo outro lado traz à tona o mau caratismo e o individualismo abjeto de que as pessoas se deixam apossar.

 

O meu jardim da vida está em franca degradação. O tempo foi se encarregando de absorver os nutrientes mais essências à sua robustez deixando-me, agora, com a possibilidade de ir escolhendo entre os restos, aqueles necessários apenas à manutenção de um status minimamente aceitável para dar continuidade a velejar ao sabor da brisa que tomou o lugar dos ventos fortes que sempre enfunaram minhas velas. Lá ao longe, mas embora mais nítida, já dá para perceber a linha do horizonte, o ponto de chegada onde a corrida se encerra. Vou, pois, perdendo o pique para as grandes aventuras. Sigo minha sina de ser sempre sincero e passo a recomendar a quem me aborda que se estiver com medo das minhas respostas, que não faça a pergunta, pois meu lema continua sendo “antes grosso do que falso”!

 

Na vida particular, que ninguém me exige explicações, apenas o registro de um tremendo susto com a saúde de minha genitora, coisas próprias dos seus noventa aninhos, mas que conseguem nos perturbar, mesmo tendo consciência que tudo se pode esperar neste momento. Mas foi só isso, apenas um susto, para felicidade enorme da família. Mas sabemos que as linhas do horizonte começam a convergir.

 

O mundo vive uma agitação ímpar. O homem perdeu o controle sobre si mesmo e não consegue mais estancar o curso tumultuado da história. Já alguém disse que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, esse alguém sabia muito bem o que dizia, pois, queiramos ou não, estejamos distantes ou próximos, pensemos liberal ou pós modernamente, Karl Marx foi, é e ainda será “o cara”. A tragédia já foi vivenciada, a farsa está aí a querer impor sua face metade alegre metade triste – indefinível – e nós ineptos e impávidos assistimos, tal qual zumbis, ao desmoronamento das instituições que fomos construindo com gosto de suor e sangue, como se lá na frente algo melhor nos estivesse sendo prometido. Não vislumbro futuro mais promissor que aquele que teve a Fênix. Acredito que teremos, no longo prazo e depois de um caos generalizado, que renascer das cinzas. Arrepiar caminho e refazer a jornada novamente.

O futuro está bem aí...

 

CRÔNICA MENSAL 6 - JUNHO

Corpos e mentes humanas são passíveis de cansaço. Quando o primeiro já se encontra e adiantado estado de uso, a segunda, por mais que deseje manter-se jovial começa a dar sinais de pequenas interferências provenientes da parcial falta de sintonia entre eles. Nesse momento o ser humano reclama as tão merecidas férias.

 

O nosso semestre teve a exata duração daquilo que anuncia (pela primeira vez na minha vida acadêmica esta é a primeira vez que tal acontece). Eis aí, talvez, um motivo a mais para justificar esta fadiga que todos (funcionários, estudantes e professores) apresentamos ao final de mais esta jornada de trabalho.

 

O mês, em si, mais uma vez foi palco de contendas no campo da política que não conseguiram extinguir-se como as chamas das fogueiras das festas juninas. As únicas fogueiras que foram sendo apagadas foram aqueles dos políticos corruptos que “dona justa” foi pegando no seu caminhar um bom bocado tendencioso, mas foi!

 

A educação, nosso interesse maior ficou mais uma vez à deriva com as (des)medidas que "seu Mendoncinha" vem aplicando – a mando desse presidente interino e temporário (que espero o seja por bem pouco tempo mais) que só tem feito besteira e eu por isso mesmo vai ganhar o olho da rua. Como é que a pessoa tem a possibilidade e ser diferente (como dizia querer ser) e o que faz se transforma na maior das possibilidades detratoras do que seja uma administração honesta?

 

Acabou-se mais um programa que estava dando certo – o “Educação Sem Fronteiras”. Um tremendo tiro no pé, mesmo se somos obrigados a aceitar como verdadeiro que havia os protegidos, principalmente no quesito seleção nas áreas abrangidas que não se pode considerar equânime. O FIES, mais um programa que ajudou muitos pobres a alcançarem o sonhado curso superior foi outro dos jogados por terra por esse simulacro de administração, O povo, sempre ele, o mais prejudicado. Não fosse pelo povo, eu iria rir a bandeiras despregadas com essa medida drástica do “temeroso” e sua quadrilha, pois quem viu a maioria dos estudantes com bolsa do programa gritarem “FORA DILMA” e os vê hoje reclamarem o retorno do FIES... não tem dinheiro que pague. É, para mim e para tantos outros que pensam de modo similar, um orgasmo vingativo perceber essas imagens.

 

Tentando, finalmente, construir uma imagem do Brasil neste virar da metade do ano, diria que ele se assemelha a cachorro em dia de São João, no momento em que as bombinhas (algumas verdadeiras bombas de TNT, pesadas) são “espocadas”. Nessa hora, todos os cachorros dobram o rabo para dentro das pernas e se escondem, ganindo sua raiva, mas inofensivos do ponto de vista ferocidade. Assim são nossos políticos ficam ganindo sua raiva, apenas como uma tentativa de defesa dos maus atos praticados. Muitos chegam a beirar as raias da loucura (Bolsocachorro, Felicachorro, Malacachorro) e outros quadrupedes (caninos ou não) mais.

 

CRÔNICA MENSAL 7 - JULHO

Desculpem imodéstia: o editor estará de férias!

 

CRÔNICA MENSAL 8 - AGOSTO

Agosto desgosto, ou nem tanto?

 

Diz o ditado popular que o mês de agosto é aquele do desgosto, terá o povo razão? Bem sei que são crendices, mas até que se prove o contrário, para uns e para outros pode até ser que o adágio se aplique. Não sou superior a ninguém e faço aqui, de público a minha análise da questão. No entanto, antes de chegar agosto, permitam que fale ligeiramente sobre o Julho, das férias para as quais havia traçado planos de retornar sobre mim mesmo, sobre a minha história, os tempos idos e vividos com alguma (há quem diga que é bastante) intensidade.

Explico um pouco melhor esse "retorno sobre mim mesmo". Antes de viajar para a Europa (meu torrão natal), imaginei poder fazer uma espécie de "regressão" tão cara aos psicólogos. Voltar nos tempos passados (se isso é possível) através de reencontros com pessoas, lugares, sabores... história. Missão cumprida com sucesso e tenho imagens que demonstram isso (inauguro hoje a crônica com imagens, um possível avanço!), senão vejamos.

O primeiro e mais importante dos encontros foi com a minha genitora, linda criança no alto de seus quase 91 aninhos. Uma doçura imersa em seu quase total esquecimento. Não me reconheceu, mas isso só fez aumentar ainda mais o amor que sinto por ela. Já que iniciei com um ditado, permitam que passe mais um que traduz bem melhor que qualquer palavra o que acontece: "De velho se volta a menino". Pronto, essa é a minha genitora que em tempos conheci guerreira como poucas.

Esta é a imagem que vou guardar para sempre na minha memória: a serenidade de quem não tem mais problemas na vida a não ser viver seus dias que ainda lhe resta com a melhor condição possível.

Na sequência dos encontros previstos devo relacionar o volta ao convívio pessoal com antigos companheiros de guerra e de resistência a um regime que não soube, jamais, nos respeitar. Podemos registrar em nossos memoriais que somos ex-combatentes, muitos dos quais entregues à própria sorte que, em muitos casos é a sorte dos abandonados, desprotegidos, ignorados que morrem à mingua em qualquer esquina das cidades em que arrastam suas miseráveis vidas. Nem todos pudemos ou soubemos dar um bom encaminhamento ao nosso destino. Dos que pude encontrar deixo registro, dos que por algum acaso nos impediu o reencontro deixo saudades e a promessa de em breve tentar nova aproximação. Nas imagens abaixo o registro de alguns bons momentos:

   

 

 

CRÔNICA MENSAL 09 - SETEMBRO

Eu pertenci a uma força armada chamada Força Aérea: talvez, daí, o motivo que muitos me chamam de voador. Reconheço que muitas das vezes puxo o manche em direção ao ventre – para elevar o nível do meu voo deixando para baixo aquilo que pretendo não me atinja. Não chega a ser, em aeronáutica, uma manobra arriscada, principalmente se se ainda temos teto a atingir. Colocamo-nos bem acima daquilo que, medianamente, pretende nos atingir, independentemente do que seja, de onde venha e qual a intenção.

 

Nessa mesma analogia é possível dizer que o céu não está para brigadeiro. Nuvens pesadas têm surgido, ultimamente, no horizonte distante de nossa imaginação democrática. Voar por instrumentos nunca foi meu forte. Prefiro a liberdade de escolher rotas, planos de voo, altitude, velocidade de cruzeiro e, principalmente, a tripulação. Sobre passageiros deixo registrado que somos todos, salvo o piloto e o pessoal de bordo. Traçar um plano de voo requer conhecimento e razão. Escolher os melhores e mais apropriados locais para pousar e, se necessário, fazer o reabastecimento de todo tipo de insumos pode requerer tempo, saber e poder.

 

A troca de equipe nem sempre ocorre da forma mais sincrônica possível. Em determinadas ocasiões chega a ser traumática. Apenas relembrando o fato de que substituir (06) seis por meia dúzia não é exatamente trocar Paulo Freire (por muito que eu tenha algumas barreiras contra) por Alexandre Frota (de quem só escrevo o nome com maiúscula por imposição da norma linguística). Relembro, permitam-me um devaneio, uma analogia, com a indústria da discografia nacional em que uma das maiores “produtoras” tinha por selo “A voz do dono”. Inocentes, todos nós, como acreditávamos que ali estava o que melhor existia em se tratando se “som”. Pare. Analise a expressão: “A voz do dono”.

 

A voz é de quem manda e quem manda tem status de quem é “dono”. Dono de quê?

Dono da sua vontade.

Dono do seu futuro.

Dono do seu bem-estar.

Dono de nada que seja dele, mas do qual ele pretende se beneficiar.

Dono de promessas que jamais cumprirá em defesa do seu – leitor – direito de não dizer nada porque ele comprou o seu direito dizer de dizer.

 

Pior:

VOCÊ vendeu seu direito de reclamar;

VOCÊ entregou nas mãos de outro um direito inalienável;

VOCÊ se vendeu por um benefício imediato contra uma penúria constante;

VOCÊ é cego, pois não consegue ver que o voto errado de hoje representa sua miséria amanhã.

 

Na educação – aparelho ideológico de Estado – a crise atinge um patamar de retrocesso que só pode ser comparado com aquele vivenciado no início dos anos 60 – com o sistema militarista – que evidenciava a adesão da elite brasileira aos contornos da ditadura fascista. Outras áreas vitais para a sociedade brasileira estão sendo, igualmente, vilipendiadas por esse governo e esses partidos políticos corruptos e sem a menor vergonha. Precisamos tomar posições firmes. Assumir a revolta popular se isso for necessário.

 

“Submeter-se é preciso, resistir e progredir não é preciso” – é uma boa sátira ao pensar do poeta lusitano Fernando Pessoa que dizia, em seu saber: “Navegar é preciso, viver não é preciso. Importante é manter o capital crescente, mesmo se às custas do mal-estar da população em geral. Mas os tempos são outros. Em poucos anos sem mordaça o povo aprendeu a dizer sua vontade. É nesse povo que eu ainda confio para sair deste emaranhado de fazeres/dizeres que mais confunde (vontade expressa) que ajuda a sair para a luz do progresso (tão caro, ao que parece, na nossa bandeira) e à vontade de um povo por séculos explorado sem a menor chance de mostrar seu real valor. Quando, esporadicamente (ou por acidente) o povo consegue dizer sua palavra, essa palavra é LIBERDADE.

 

#FORATEMER      #CADEIATEMER      #CADEIACUNHA