A Educação no Kariri

08 AGOSTO 2021

A LIÇÃO DO VELHO PROFESSOR

Um jovem encontra um senhor de idade e lhe pergunta:

- Se lembra de mim? E o velho diz NÃO.

Então o jovem diz que foi aluno dele.

E o professor pergunta:

- O que você está fazendo, o que você faz para viver?

O jovem responde:

- Bem, eu me tornei professor.

- Ah, que bom, como eu? (disse o velho)

- Sim, senhor!

Na verdade, eu me tornei professor porque você me inspirou a ser como você.

O velho, curioso, pergunta ao jovem que momento foi que o inspirou a ser professor.

E o jovem conta a seguinte história:

- Um dia, um amigo meu, também estudante, chegou com um relógio novo e bonito, e eu decidi que queria para mim e eu o roubei, tirei do bolso dele.

Logo depois, meu amigo notou o roubo e imediatamente reclamou ao nosso professor, que era você.

Então, você parou a aula e disse:

- O relógio do seu parceiro foi roubado durante a aula hoje.

Quem o roubou, devolva-o.

Eu não devolvi porque não queria fazê-lo.

Então você fechou a porta e disse para todos nós levantarmos, pois iria vasculhar nossos bolsos até encontrarmos o relógio.

Mas, nos disse para fechar os olhos, porque só procuraria se todos tivéssemos os olhos fechados.

Então fizemos, e você foi de bolso em bolso, e quando chegou ao meu, encontrou o relógio e o pegou.

Você continuou procurando os bolsos de todos e, quando terminou, nos disse:

- "Abram os olhos. Já temos o relógio."

Você não me disse nada e nunca mencionou o episódio.

Nunca disse quem foi quem roubou o relógio.

Naquele dia, você salvou minha dignidade para sempre.

Foi o dia mais vergonhoso da minha vida.

Mas também foi o dia em que minha dignidade foi salva de não me tornar ladrão, má pessoa, etc. Você nunca me disse nada e, mesmo que não tenha me repreendido ou chamado minha atenção para me dar uma lição de moral, recebi a mensagem claramente.

E, graças a você, entendi que é isso que um verdadeiro educador deve fazer.

Você se lembra desse episódio, professor?

E o professor responde:

- "Lembro-me da situação, do relógio roubado, que procurava em todos os bolsos, mas não lembro de você, porque também fechei os olhos enquanto procurava".

Esta é a essência do ensino:

Se para corrigir você precisa humilhar; você não sabe ensinar.

Todo bom professor tem qualidades insubstituíveis e saber aplicá-las.

 

29 JULHO 2021

UMA BREVE APRECIAÇÃO NÃO DEPRECIATIVA

       RESULTADO DO CONCURSO DO CRATO

 

Começaram a sair os resultados do concurso para professores do Ensino Fundamental, na nossa cidade do Crato. Vejo na lista muitos nomes de ex alunxs meus e isso me anima, considerando que mesmo eu não concordando com o tipo de formação que lhes é dada, observo que conseguem alcançar êxito. Todo mérito delxs.

Mas alguns pequenos detalhes me chamam a atenção e não consigo deixar passar sem comentar tais fatos, sem jamais desmerecer ou criticar quem quer que sejam, menos os “formadores” desse pessoal corajoso.

Não me julguem mal, pois estou analisando ainda superficialmente os dados que começaram a ser vazados na internet, mas que já permitem algumas análises.

Assim a primeira crítica vai para o baixo índice de acerto nas provas de Português e de Matemática. Se considerarmos que esses futuros professores estarão envolvidos na alfabetização e letramento das nossas criancinhas fica-me uma dúvida sobre a qualidade desse início de educação escolar, visto que nesses anos 1º ao 5º, está o alicerce de toda a educação.

Já nos meus tempos de formador de professor eu estrebuchava sobre a questão de se ensinar muita teoria em detrimento da prática, do ensino do conteúdo que terá que ser trabalhado no chão da escola. Em pesquisa realizada por mim detectei esse problema com muita clareza: os nossos futuros professores não sabem ler, escrever, e fogem da matemática feito o cão fugindo da cruz. Alertei a Coordenação e Chefia do Departamento, da situação encontrada, mas a resposta foi um olhar de través e ali se encerrou o papo. Enquanto Diretor de Centro de Educação chamei à responsabilidade todo corpo docente, mas mais uma vez fui tomado por um “ser inimigo” da pedagogia e não atuaram de forma como lhes era solicitado, visando modificar nossa grade curricular. Mais uma vez fui vencido em votação.

Apesar de se dizer aos quatro ventos que aqui (Pedagogia da URCA) é onde se formam os melhores profissionais da Educação Infantil eu continuo a mostrar resultados que mostram o contrário, (quem quiser fazer sua análise é só acessar Resultado preliminar professor Fundamental 1 crato - Planilhas Google ) e sentirá o drama que eu sinto. Quero deixar bem claro que parabenizo a todos os que estão dentro da linha de corte para as vagas oferecidas, mas não posso deixar de fazer a minha crítica e autocrítica a respeito do desempenho desse pessoal.

Estou preparado para receber as críticas que sei irão chover. Não faz mal, quem anda na chuva é para se molhar. Adorarei se as críticas vierem devidamente argumentadas para que não se fique apenas naquela de “O fulano disse que sicrano falou...”.

Continuo defendendo a transformação do curso de Pedagogia em um verdadeiro curso de Formação de Professores, mantendo-se a linha da Pedagogia para aqueles que quiserem ser estudiosos dos problemas da educação.

Vou aguardar o resultado final!

 

24 JULHO 2021

APRENDENDO COM A NATUREZA

Nós nos preocupamos tanto com a educação e, principalmente, com o saber que esquecemos de olhar à nossa volta. Desde jovens somos instruídos na certeza de que apenas o homem é um ser de sapiência e nessa ilusão vamos nutrindo sentimentos de superioridade em relação a tudo que nos cerca, inclusive em relação a outros seres humanos. Repito, esquecemos que o saber está em tudo e em todos.

A humanidade sofreria menos se houvesse respeito a tudo e a todos, mas, infelizmente, o homem é ganancioso, ambicioso e extremamente individualista. Torna-se cruel e capaz de cometer atrocidades para com os elementos da sua própria família, apenas por fins interesseiros. Conta a história que Édipo assim procedeu. Visando o domínio do império de Corinto, matou o pai e, num ato incestuoso casa com Jocasta, sua mãe. Este enredo tem sido retomado em diversas reprises: No cinema, a história serviu de roteiro para diversos filmes, com destaque para o “A Tragédia de Um Rei” de 1967. Na novela “Mandala” de 1987, a Vera Fischer eFelipe Camargo encarnaram os personagens. Quantas vezes não abrimos nossa televisão e escutamos a história de alguém de matou um ou vários familiares para, simplesmente, tomar posse de uma pequena herança? É certo que a sociedade que nos molda é tão ou mais responsável por esses atos que a pessoa que os pratica. Mas somos nós, humanos sapientes. Infelizmente não sabemos tirar lições de vida e comportamento dos demais seres que habitam esta mesma natureza e a quem chamamos de animais irracionais.

Vejamos o exemplo que nos dão os lobos:

Mas acompanhemos a narrativa com uma imagem:

"O exemplo dos lobos: Os três primeiros os mais velhos ou os doentes vão à frente e marcam o ritmo do grupo. Eles são seguidos pelos cinco mais fortes que os defenderão em um ataque surpresa. No centro seguem os demais membros da alcateia, e no final do grupo seguem os outros cinco mais fortes que protegerão o grupo. Em último, sozinho, segue o lobo ‘alpha’, o líder. Em resumo, a alcateia segue o ritmo dos anciões e sob o comando do líder que impõe o espírito de grupo não deixando ninguém para trás. O verdadeiro sentido da vida, não é chegar em primeiro, mas chegar todos juntos ao mesmo destino".

Autor desconhecido.

A moral que eu retiro da história (cada qual pode retirar a sua, não é proibido) é a seguinte: Nós só continuamos sobrevivendo através da exploração de nossos semelhante e d destruição da mãe natureza. Esta, por sua vez, faz todos os esforços para nos oferecer um lugar mais harmonioso onde possamos vivenciar uma vida em paz e tranquilidade dentro do respeito mútuo, coisa que infelizmente somos incapazes de compreender com a nossa extrema “sabedoria e racionalidade”.

Quem ensinou aos lobos esta prática de se deslocarem na máxima segurança possível? Eu gostaria, agora mesmo, na minha idade, de frequentar algumas aulas nela para ver se ainda aprendia alguma coisa que pudesse colocar em prática com a finalidade de alertar os homens para práticas mais salutares e tentarmos melhorar nossa passagem por esta terra da qual nada levamos a não ser aquilo que doamos.

Façamos essa reflexão e tentemos encontrar a “escola” dos lobos. Tenho a certeza que o planeta agradeceria.

 

27 JUNHO 2021

EU NÃO FALEI QUE IA APANHAR?!

O tema, por si só é complexo. O tema, por si só, é propenso a diversas interpretações. A minha interpretação (como provocador que sou) é mais uma a confundir as cabeças menos atentas ao meu objetivo. Digo claramente que na minha posição, na minha realidade, no meu modo de pensar a educação EU aceito a homeschooling. Isto significa a minha realidade. Em momento algum defendi o modelo educacional como o novo padrão educacional para o Brasil.

Entre outras coisas escutei que eu estava defendendo o aprofundamento da divisão das classes sociais. Numa leitura aligeirada talvez passe essa ideia, mas a ideia que eu "escondo" por trás dessas minhas palavras/posição é a de que o Brasil tem um sistema "mérdico" de educação que precisa ser sacudido.

Escutei também que a homeschooling me obrigaria a contratar professores para "educarem" meus filhos dentro da minha casa. Jamais fiz tal afirmativa e está muito longe de mim tal ideia. Nas minhas palavras:

B – Se a educação é dada por mim, quem deve escolher o modo de fazer a criança aprender e a entrar em contato com o mundo da melhor forma possível, sou eu e não o “mistério da deseducação”: a responsabilidade passa a ser minha e, a partir dessa premissa não sou obrigado a seguir ordens do malfadado “mistério da deseducação” e suas vertentes capitaldomésticadorasreligiosas. 

Creio que a primeira frase desta citação deixa clara a intensão de mostrar quem será o responsável pelo processo de aprendizagem do educando. Por outro lado, de acordo com a LDB em lugar algum desta lei maior da educação se lê que "a família deve contratar professores" para que seja tornada responsável pela educação de seus pupilos. Esta minha proposta delimita muito bem quem pode e quem não pode ser responsável direto pela educação dos seus. 

Repito-me: nunca disse que esse deveria ser o "NOVO MODELO EDUCACIONAL", senão que deveria ser aberta uma possibilidade para quem tivesse comprovadas capacitações, educar seus próprios filhos. Tenho provas do que digo, quanto ao sucesso da proposta: minha neta, que "fez comigo" o 9º ano (2020) e iniciou o 2021, subteu-se a um simulado de ENEM e obteve a nota 860 pontos. Não lhe ensinei nada mais que não fosse a aprender a ler as perguntas e refletir sobre o assunto questionado na pergunta. Durante o ano de "aprisionamento" por conta da endemia sempre a levei a pensar por ela mesma a respeito das dúvidas que me apresentava. Fiquei feliz, pois percebi que ela aprendeu, ela construiu o seu aprendizado de que é preciso questionar tudo para se ter uma visão mais clara do assunto que não chega, mesmo assim, a atingir a totalidade do seu significado e muito longe da unanimidade de pensares a respeito.

Então, volto a repetir: a homeschooling é uma alternativa para a IRRESPONSABILIDADE DO GOVERNO para com a educação pública, gratuita e que deveria ser, também, de qualidade - coisa que está a  milênios de distância. Não quero com isso, como também ouvi, acabar com a carreira dos professores, pelo contrário, com menos alunos eles, os professores, terão melhores condições de trabalho do que as prestadas por salas com quase 50 alunos (quando não multiseriadas).

Que não restem dúvidas: apenas quem tiver qualificação, capacidade  e responsabilidade legal pela criança deverá receber autorização para tal prática. Numa realidade de 220 milhões de pessoas não deve ser tão elevado o número de pessoas aptas a assumir tal ocupação, sobre a qual terão que responder ao final de cada ano e mostrar "serviço" no exame de final.

Não sei se me fiz entender, mas estou disponível para apresentar novos esclarecimentos, basta que me provoquem.

Por favor... CUIDEM-SE!!! O bicho é mais bravo que muitos "inocentes" acreditam!

 

26 JUNHO 2021

HOJE EU APANHO!

 

Pois bem, vamos nós, mesmo assim!

 

Uma área controversa se me apresenta e, na falta de maiores argumentações, ainda prefiro ficar com a minha opinião. Sabem... aquele negócio de teorizar uma prática em vez de praticar uma teoria? Pois é... vou voltar a ela tomando por norte o pensar de outras cabeças que jamais deveriam pensar por mim. Primeiro porque não lhes pedi, segundo, porque estão procurando chifre em testa de piolho.

Vamos tentar organizar a casa:

1 – Do que falo e porque falo;

2 – Quem foi que disse (que assuma) que o homeschooling está diretamente ligado ao fanatismo abobalhado das “religiões” de rebanho, também conhecidas como “mercado cristão”?

Vamos ficar com estes dois pontos, por agora para não alongar muito a leitura.

Depois de lerem os dois pontos em destaque já devem entender que (mais uma vez) vou voltar a essa prática que tem levantado tanta poeira que só serve para nos tampar os olhos às evidências. Em material recente retirado da Carta Capital: https://www.cartacapital.com.br/educacao/a-quem-interessa-o-homeschooling/?fbclid=IwAR2HuCe_f5bcgEh1-yg7G1yadYV5xfZocOSix2v0m0_-cfwxJDnzIt_er0U percebe-se uma luta feroz entre partes interessadas, umas pró, outras contra. É justo que assim seja, é democrático, mas não vejo em parte alguma a “obrigatoriedade” apontada para que a homeschooling tenha que estar ligada a uma ideologia religiosa, ou marxista, sexista ou qualquer “ideologia” outra que não seja a de educar a criança de acordo com o preconizado pelos responsáveis da educação domiciliar (seja a mãe, o pai, os dois, ou até com os irmãos mais velhos à mistura, desde que seja cumprindo o PNE que, infelizmente, não tem chegado nem perto dos 20% do planejado. Bem, o PNE é uma política estabelecida e aprovada, logo, é para ser cumprida e não atender interesses do “sr. impostor” Bolsonaro, ou qualquer outro.

No segundo ponto proponho dizer do que falo e porque falo. Muito simples: A – a homeschooling – Não sei por qual motivo não se usa o português tão lindo – educação domiciliar – (já aqui começa a ideologização que, segundo alguns defensores, querem evitar) e eu rio-lhes na cara. B – Se a educação é dada por mim, quem deve escolher o modo de fazer a criança aprender e a entrar em contato com o mundo da melhor forma possível, sou eu e não o “mistério da deseducação”: a responsabilidade passa a ser minha e, a partir dessa premissa não sou obrigado a seguir ordens do malfadado “mistério da deseducação” e suas vertentes capitaldomésticadorasreligiosas. Por sorte minha sou agnóstico, isto é, respeito todas as religiões, mas não sigo nenhuma, portanto será meu dever orientar meus filhos ou netos para a busca de cada um por uma religião que o represente. Nos acusam de marxistas, comunistas e outros “istas” mais, mas se lhe perguntarem a diferença de um para o(s) outro(s) vão ficar que nem a ministra que não soube diferenciar um protozoário de um vírus; dizendo por outras palavras, são pessoas que não sabem diferenciar uma minhoca de uma jiboia. São aqueles que montam seus alazões para irem atacar os castelos de areia construídos por alguma criança que não acredita (ainda) em milagres de cura dos pastores evangélicos.

Aliás, estes últimos, agora mais desmascarados diante da morte pela covid19 que não conseguiram curar, estão, sim, querendo impor a educação domiciliar, pois sabem da influência que a senhora que vê deus no olho da goiabeira tem no “mistério” da deseducação e que o “novo PDE” estará recheado de suas ideias (não confundam com ideologia, uma vez que ela não sabe o que é “esse bicho” nem o que ele implica), mas está de acordo se atender os interesses do patrão e, em segundo lugar, um ou outro pessoal.

Pode parecer contraditória esta minha defesa da escolarização domiciliar, mas espero que percebam que defendo uma educação livre das imposições de alguém (principalmente do governo central), partindo do princípio que a cada quatro anos, um novo mandante (ou pau mandado) que vem impor suas ideias pessoais em detrimento dos interesses de cada um dos demais concidadãos. Que a lei seja aprovada, com regras bem delimitadas e exequíveis, que eu estou doido para mostrar aos meus o valor que cada um tem e aqueles valores pelos quais precisa lutar para deixar de ser um alienado do modelo que eles estão ansiosos por ter à disposição.

Muito, muito ainda há para tentar explicar esta minha escolha. Não tenho pretensões de induzir ninguém com a minha “ideologia”, quero apenas deixar claro que, se a lei não for aprovada irei lutar até à morte pelo meu direito de educar filhos e netos no rumo da sociedade solidária, equalitária e com valores reais e não promessas de um terreno no céu! Se eu consegui chegar ao nível de Doutorado em Educação, acredito que saberei orientar os meus no que melhor possa atender a todos de uma forma similar, sem exclusões ou divisões sociais tão prementes como a que nos enfiam goela abaixo. Não podemos ser todos iguais, mas também não podemos ser considerados tão diferentes, somos todos feitos da mesma matéria e viemos a este mundo para cumprir a mesma missão: viver com dignidade e respeito mútuo.

Ainda tenho um tinteiro cheio para fazer correr mais tinta por debaixo da ponte.

Aguardem!     

 

10 JUNHO 2021

BRIGA DE GENTE GRANDE


Hoje trago para vossa apreciação ume disputa que envolve, para além de conceitos, opiniões interesseiras, compreensões atravessadas por simulacros de projetos políticos, muito para além de uma reflexão que se faz necessária sobre uma atitude a adotar.

Já falei, neste espaço, a este respeito, numa outra oportunidade, quando defendi o meu ponto de vista, considerando o contexto em que se discutia. Hoje o tema volta à ribalta, volta ficar sobre os holofotes não só da grande mídia, mas e principalmente dos grandes conglomerados educacionais e dos políticos que defendem um governo que é puramente intragável. Não sou, nunca fui e jamais serei bolsonarista, mas é possível que na discussão da matéria da UOL, que realizarei a seguir, poderá parecer que em algum momento possa dar a entender que defendo tal aberração: o bolsonarismo e todo tipo de fascismo que vem atrelado a isso aí.

Feitos os devidos esclarecimentos, quero apenas apontar que a minha opinião vai aparecer para vocês, minhas leitoras e meus leitores, em negrito para distinguir da reportagem veiculada pela Internet, no site que indico: Kicis cria disputa para aprovar homeschooling e pode afetar 40 milhões (uol.com.br).

 

 

Bia Kicis cria disputa para aprovar homeschooling e pode afetar 40 milhões

 

Imagem: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

09/06/2021 04h00

 

A deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) tem feito pressão para que seja votado ainda hoje na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) um projeto que muda o Código Penal para se adaptar ao homeschooling, educação domiciliar, em português.

 

A primeira notícia, a respeito da matéria, é a seguinte e apareceu hoje na imprensa: 10/06/2021 · CCJ da Câmara aprova projeto de educação domiciliar Parecer da relatora pela admissibilidade foi aprovado por 35 a 24 na comissão e agora segue para plenário.

 

Não quero, neste momento, emitir juízo de valor, até porque nada está decidido. Competirá ao plenário da CF decidir a disputa. Mas já temos, como sempre em educação, a voz dos especialistas que nos dão gratuitamente seu parecer e que eu passo a analisar. Faço esta análise sem jamais pensar que sou melhor que os outros pensadores da educação, e, muito menos me imaginar o dono da verdade.

 

Em março, a deputada Luisa Canziani (PTB-PR) foi escolhida como relatora do projeto de lei do homeschooling. À época, Kicis já interferiu para que essa parte fosse separada do texto em tramitação e pudesse ser votada com urgência.

 

O assunto é uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e chegou a ser incluído nas 35 prioridades de seu governo.

 

Segundo o UOL apurou, o governo não tem preferências sobre qual projeto deve ser aprovado em primeiro lugar.

 

 

A Deputada Kicis como boa servidora que é para com o seu mestre não perdeu a oportunidade de dar “uma forcinha” a esse desgoverno que aí está instaurado e que parece querer eliminar da superfície do Brasil toda e qualquer cabeça pensante. A justificativa para esta minha afirmação está nos três pequenos parágrafos, justo aí acima.

Apesar de as propostas dialogarem entre si, a avaliação de especialistas ouvidos pela reportagem é que o projeto de Kicis pode trazer mais riscos aos 40 milhões de alunos brasileiros.

 

Um primeiro questionamento: Quem foram esses especialistas e a quem eles servem para terem uma visão tão turva do maior problema educacional, que apontarei ao final? Os grandes riscos que esse projeto pode trazer vão muito além da “verdade” declarada. No meu modo de entender, com a aprovação deste projeto de homescholing os grandes perdedores serão os capitalistas da educação particular. A escola pública e gratuita já é espoliada mesmo sem a aprovação de tal projeto.

 

O maior problema não são as famílias que já aderem ao homeschooling, mas os 40 milhões de matrículas que temos e que serão afetados por essa legislação. O abandono no ensino fundamental e no ensino médio, por exemplo, tem chance de aumentar ainda mais.
“Lucas Hoogerbrugge, líder de relações governamentais do Todos pela Educação”

 

O Sr. Lucas Hoogerbrugge é um líder governamentista. Só esse cartão de apresentação já diz tudo. Vale não esquecer os “projetos” que seu chefe trás consigo para a educação e ficaremos a saber de tudo sem precisarmos de maiores esclarecimentos. Mas eu gostaria de lhe deixar uma pequenina reflexão: “Se a Escola fosse Pública, gratuita e com elevado nível de qualidade, será que as crianças se negariam a ir para o suplício de um tempo que mais se assemelha a uma prisão”?

 

Para a especialista em direito educacional Nina Ranieri, professora de Teoria do Estado da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), a possível aprovação do projeto de Kicis pode ser considerada um "gol político". "É um projeto político, nada técnico, tem tão pouco de qualidade, é para agradar aos eleitores do Bolsonaro. Um verdadeiro desfavor ao país."

 

Professora Nina, concordo com a senhora na questão do gol, mas não podemos deixar de assinalar que se trata de um gol contra. Nada de mais acertado que as suas palavras ao afirmar o “desfavor” prestado à nação.

 

A professora de pós-graduação em educação da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Inês Barbosa de Oliveira avalia que a mudança no Código Penal pode fazer com que alunos que hoje estão nas escolas façam adesão do homeschooling ou até mesmo abandonem os estudos.

 

"Crianças pobres, de rua, cujos pais precisam que ela trabalhe serão prejudicadas. Ela [Bia Kicis] não se deu conta de que, na tentativa de defender grupos ultraconservadores, está comprometendo o direito de ir à escola de uma população subalternizada", aponta a professora da Uerj.

 

Bem. Professora Inês, já me referi aos motivos que podem fazer os alunos abandonar o ensino “obrigatório” e de péssima qualidade, acredito, no entanto, que não nos basta fazer este tipo de bravata e ficarmos em nossos escritórios, salas de aula, onde quer que seja, sem tomar uma atitude de luta pelo idealismo educacional conforme previsto na nossa legislação (que não é a coroa do rei ou a cereja do bolo), mas que representa algo bastante diferente do que aí temos.

 

Para Ranieri, ambos os projetos que defendem o homeschooling "vão na contramão" da política educacional constituída de direito à educação. "A vitória maior do governo será a aprovação do projeto da Kicis, que não traz regra nenhuma", apontou.

 

Professora Nina, reforço meu pensar que vai ao encontro do seu, apenas de uma maneira mais direta: Não há por parte do governo vontade de criar cabeças pensantes que possam colocar em risco a sua “soberania”!

 

Como o projeto da deputada Luisa Canziani não agradou, a proposta da bolsonarista pode ganhar mais espaço, segundo apurado pelo UOL.

 

Feita esta breve análise há que retirar algumas injunções práticas, considerando, de um lado a minha forma de agir (teorizar as práticas em vez de praticar as teorias), do outro, o desastre, verdadeira hecatombe que se abaterá sobre a educação, caso o projeto seja aprovado.

 

Não me desagrada a ideia do homeschooling, principalmente no contexto que vivenciamos a realidade da atual escolarização e muito menos, no modelo que está anunciado para ser implantado. Se na família existe alguém com condições suficientes a orientar os estudos dos filhos, ao mesmo tempo em que cuida da educação social destes, que a família assuma a responsabilidade pelos seus atos. No entanto, há uma proposta que os pensadores da educação receiam, não sei a qual título. É um projeto que há muito poderia estar implantado e certamente não estaríamos aqui a discutir propostas alternativas que só fazem piorar a situação. Na minha posição, do meu lugar de fala e do meu posto de formador de educadores, há muitos anos venho, de forma recorrente, propor que seja elaborada, aprovada e implantada uma lei que determine a única responsabilidade da educação para o ESTADO – nunca para o governo – e que se faça cumprir o determinado na Lei 9394/96, no tocante ao financiamento da educação. Proibiria o repasse de verbas públicas para estabelecimentos privados e valorizaria os profissionais da educação que entrariam apenas através de provas que exigiriam o cumprimento da qualidade elevada de ensino sob pena de desligamento da instituição.

 

Por fim, a escola, ente físico, teria que oferecer, em todos os níveis, uma estrutura capaz de suportar todas as demandas sociais relacionadas ao estudo e ao comportamento individual direcionado à criação de uma democracia de verdade. Não posso deixar de exigir uma igualdade e equidade na aprendizagem de todos os alunos visando a oferta de igualdade de condições na busca por uma vaga de trabalho.

 

Como afirmei, não quero ser o dono da verdade, mas apostaria todas as minhas fixas numa educação que atendesse esses mínimos quesitos. Quem não investe em educação tem que investir em cadeias e cemitérios.

 

 

09 JUNHO 2021

A FORÇA DA MULHER!

 

Não há como não ficar com um duplo sentimento ao receber o resultado da eleição do SINDURCA (Sindicato do Docentes da URCA). A vitória foi fácil, aliás, por ser chapa única, mas a satisfação maior fica pela excelente representatividade das nossas caras companheiras que compõem a atual direção, já empossada.

São sete (7) mulheres que, se fosse na Paraíba, diria como se diz por lá, sete “mulheres machos, sim senhor”, como ficou imortalizado na voz do saudoso Luiz Gonzaga.

Creio ser a primeira vez na nossa história mais recente que um fato parecido acontece. Um fato histórico, mas que, só por si, traz algumas preocupações. Não quero de forma alguma menosprezar a força e a garra dessas colegas e sim me inquietar com a reação e o comportamento da sociedade machista que vivenciamos.

Sei que elas se deram as mãos, às quais se juntaram muitas mais mãos na tentativa de fazer algo diferente no relacionamento universidade/estado que essas guerreiras vão enfrentar. Não terão vida fácil, olhando pelo prisma já apontado, a separação de gênero que sempre tem existido nas relações de poder nos países em que se manifesta abertamente a relação de produção capitalista.

Desejo encorajá-las, estimar que obtenham o maior sucesso – que contribuirá para mostrar a força da mulher – e, garantir o progresso na instituição que defendi durante vinte anos e que agora, mesmo aposentado, me sinto umbilicalmente ligado e saudoso.

Por motivos pessoais de ordem ideológica com as anteriores gestões, sindicais e administrativas, das quais cheguei a fazer parte de uma por uns dias e da qual pedi exoneração por conta dos choques internos (sempre de ordem ideológica), mas tudo isso nunca foi motivo para que eu deixasse de acompanhar os acontecimentos e apoiar, externamente, os pleitos da categoria. Hoje não tenho mais vez, nem voz e muito menos voto, mas tenho, isso sim, a minha consciência da necessidade do vosso sucesso.

Sendo assim, quero aqui deixar registrados os meus melhores votos de uma boa gestão, repleta de sucessos e melhores realizações.

Parabéns mulheres, acredito que o futuro do país passa pelas vossas mãos.

 

08 JUNHO 2021

Remexendo velhas feridas

 

E um ano e meio se passou e os alunos que deveriam ter aulas pelo sistema remoto ainda estão sem internet.

Um dos principais fatores a contribuírem para isso está explícito na fala desta mãe:

"Eu até cogitei comprar um telefone para ela, mas eu recebo um salário mínimo e pago quase R$ 200 só de luz. Eu compro o celular ou comida. O celular mais simples não custa menos de R$ 500, fora a internet. Hoje, nossa prioridade é ir no mercado para repor o que precisa", afirmou à BBC.

Acompanhando a pesquisa feita pelo Unicef, o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância, estamos falando de novembro de 2020, beirava o “1,5 milhão de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não frequentavam a escola (remota ou presencialmente) no Brasil. Outros 3,7 milhões de estudantes matriculados não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram estudar em casa”.... (idem)

Nos dias que correm, quer se obrigar os professores a ir para as salas de aula através de uma estratégia que os docentes não estão aceitando: o condicionamento de receberem a vacina apenas com a volta às salas de aula. O desgoverno já cometeu um erro crasso quando optou por oferecer uma (des)educação a distância – ou remota – que nós já sabíamos que só ia favorecer um pequena classe que se pode permitir ter um celular, ou um tablet, ver um computador e o acesso a uma Internet de qualidade (coisa raríssima no Brasil) para poder assistir as aulas que, segundo uma pesquisa da FGV (de março a novembro 2020) indicava que a nota que se podia atribuir ao ensino remoto não atingia os 3,0 valores, numa escala normal de 0 a 10. A pergunta a ser colocada na mesa é: Qual vai ser a estratégia de recuperação desse tempo perdido?

Pessoalmente imagino mais uma mutreta do atual “Sinistro” da Educação que, à imagem de seu chefe maior está mais perdido que cego em tiroteio. Este tipo de ocupante dos cargos decisórios parece-me que têm areia (para ser educado) na cabeça, são incapazes de ver u dedo à frente do seu nariz. Tanto assim, que se tornam negacionistas baratos, a ponto de negar a ciência e arriscarem o achismo como fonte de apoio para as suas tomadas de decisões. Uns tristes, na verdade, para não falar em falsificadores de diplomas.

O grande prejuízo das crianças está ocorrendo e espero que pare por aí e que breve possamos retomar a rotina normal no desenvolvimento, mas para a nação, cada dia que se passa nesta situação tão escabrosa representa no mínimo um ano de atraso face às demais nações. O Brasil, que vinha em rota de ascensão, de repente caiu numa bolsa de ar e está voando, por instrumentos, a uma altitude que pouco passa a altura de uma galinha. O piloto, tal como seus tripulantes fizeram o curso de voo por correspondência durante a greve dos correios, o comandante, cabine de comando confunde o manche dom a coronha de uma arma. Vai matar todo mundo.

Para terminar, só mais uma pergunta: por que, agora, essa pressa em fazer voltar as crianças sem serem vacinadas, para as escolas que não oferecem um mínimo de condições de as proteger contra o perigo da contaminação? Sei... ano que vem vai haver eleição. Está tudo dito nas entrelinhas.

 

Fonte: https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2021/05/03/ensino-remoto-na-pandemia-os-alunos-ainda-sem-internet-apos-um-ano.htm?cmpid=copiaecola

 

 

13 MAIO 2021

REMOENDO O PASSADO

 

Prazer, Manuel Pina, professor aposentado (eis que a dúvida bate: o que eu ensinei, afinal? Quem ensina quem? Como? Onde? Creio que aprendi mais que ensinei; coisas da vida. Acredito que sempre fui aprendiz, praticamente não saí de dentro da escola depois dos sete anos de idade, exceptuando alguns poucos períodos de “férias” mais ou menos prolongados.

Nesses períodos de férias eu aproveitava, literalmente, para carregar pedra, para corta e soldar aço, para jardinar e ser motorista de caminhão, guia de compras, mergulhador, soldado e guerrilheiro. Não faltou o período de motorista de táxi e de motorista de madame, meteorologista... Bem creio que é melhor parar para que não pensem que sempre vivi em “férias”. Digamos que com esse “ócio” aprendi a me desenrascar na vida.

Depois, cansado “das férias”, resolvi iniciar uma carreira acadêmica da qual sentia falta. Estava, nessa altura com 45 anos, quando fui desafiado a entrar numa universidade para poder entrar num subemprego (para dar aulas de francês para um grupo de gente da elite, eram, advogados, médicos, engenheiros) e eu, pobre homem que não possuía mais que o ensino médio e, por essa minha condição, não podia ensinar a quem já era “doutor”!

Fiz vestibular em duas universidades ao mesmo tempo (universidade Federal do Ceará – para Jornalismo e na Universidade Estadual do Ceará – para Pedagogia). Na primeira levei pau por não ter entendido perfeitamente o processo de respostas, mas mesmo assim fiquei nos classificáveis, numa posição intermediária. Entretanto faziam-se as matrículas na UECE. Vali-me do velho ditado aprendido quando garoto de que “Mais vale um passarinho na mão que dois voando” embora não concorde com a essência dele, pois passarinho tem mesmo que ser livre, e fui fazer minha matrícula. Aos 49 anos era pedagogo.

Assumi algumas turmas de Fundamental, na iniciativa privada, até que chegou o concurso estadual para 27 mil vagas para a rede Estadual de Educação do Ceará. Fiz o concurso e passei, consegui meu primeiro contrato com a Educação básica. Apenas tinha começado a ministrar minhas aulas que eram o tormento da diretora da escola que me chamava de comunista e ateu, surge a primeira oportunidade de fazer um mestrado, não deu certo, pois não havia nenhum professor que estivesse trabalhando a minha linha de raciocínio – a desculpa para não admitirem no mestrado, um homem de 52 anos. Não desisti e no ano seguinte, com a aprendizagem do ano anterior, voltei e venci.

Durante o processo de mestrando surge um concurso para professor efetivo na Universidade Regional do Cariri. Aqui vim, vi, gostei, passei e aqui fiquei. Foram 20 anos de docência no chamado ensino superior e só me afastei porque os meus rins resolveram falecer de mãos dadas como dois bons apaixonados, não me permitindo mais continuar a trabalhar, visto que, por mim, só me aposentaria aos 75 anos, na compulsória.

Mas, fui realmente um professor daqueles que ensina pela cartilha do governo? A resposta é um redundante NÃO. Tenho meu conceito para aprendizagem (não para a ensinagem, como já nos diziam, Rubem Alves, José Pacheco, José Carlos Libâneo, António Nóvoa, dentre outros) e me coloquei sempre no papel de provocador, de incentivador a que outros buscassem o próprio aprendizado. Dos muitos aprendentes que tive, só uma minoria, conseguiu atingir a essência do meu modo de trabalhar, para a maioria fui um professor carrasco, como era conhecido. Mas não foi pelo apelido que norteei o meu percurso. Bastantes dos que me chamaram de carrasco acabaram, ao final do curso, por reconhecer a importância do meu jeito de ser e esse é o modo mais belo modo de me sentir útil para com os meus semelhantes.

Hoje bateu saudade! Trancado entre quatro paredes, imposição de um bichinho chamado corona vírus 19 senti vontade de retomar meus velhos alfarrábios e sair em direção à universidade que, ao que se comenta, vai retomar as aulas presenciais. Não sou muito de acordo, mas para mim, essa oportunidade seria um alívio para o estado emocional que, depois de mais um ano, começa a dar sinais de distúrbios. Como não tenho mais essa oportunidade, vingo-me no computador. É nele que desabafo algumas ideias e ocupo parte do meu tempo livre entre as seções de hemodiálise que são feitas em dias alternados.

Por hoje já desabafei, a pressão já amenizou um pouco. Vou lá fora regar o jardim e pensar no que escreverei amanhã ou da próxima vez.

 

24 ABRIL 2021

‘Só o professor não quer trabalhar na pandemia’.

Tema já abordado na postagem anterior, mas talvez com outro ponto de vista em virtude do passar do tempo!

- Veja mais em: https://educacao.uol.com.br/noticias/2021/04/20/ricardo-barros-governo-critica-professores.htm?cmpid=copiaecola

 

Nas palavras do deputado Ricardo Barros, pessoa que se formou de forma autodidata – a acreditar nas suas palavras:

"É absurdo a forma como estamos permitindo que os professores causem tantos danos às nossas crianças na continuidade da sua formação. O professor não que se modernizar, não quer se atualizar. Já passou no concurso, está esperando se aposentar, não quer aprender mais nada", disse Barros em entrevista à CNN Brasil.

Tomo a ousadia de desafiar V. Ex., o ilustre deputado Ricardo Barros a vir assumir, por um dia o papel de um professor (em qualquer regime que seja – agora que estamos numa pandemia) receba por esse dia o equivalente ao que recebe um professor e já que se trata de uma pessoa tão interessada no futuro das crianças que doe o seu salário mais todas as mordomias que lhe são entregues para ficar sentado olhando o celular, no plenário da câmara, a uma escola comunitária.

Definitivamente não existe um político que em sua campanha não prometa “cuidar e melhorar a educação”. Para tanto, quando do Orçamento da União é votado, lá estão eles a pedir um quantitativo cada vez maior para a “educação” que, no linguajar politiqueiro quer dizer “os próprios bolsos”. Se aprovam (por exemplo) um bilhão para o setor, ficam de olho em pelo menos 800 milhões para dividir entre os “trabalhadores da política”. Mas acham pouco e no ano seguinte pedem mais. Mas à escola não chegam que migalhas para dividir por quem, como benesse, leva trabalho para casa, para conseguirem dar conta dos afazeres que S.Ex. determinam para que “os que não querem trabalhar” eduquem seus queridos filhinhos.

Se o senhor deputado tem tanta certeza na sua afirmação, por que não educa o senhor os seus herdeiros? Eu lhe respondo: por conta da sua incapacidade até mesmo “para não fazer nada” como nós os professores. Se os políticos trabalhassem 1/3 do que trabalha um professor, creia Sr. Deputado, o nosso país não passaria pela miséria que vem enfrentando. Quem lhe diz tais verdades é um professor aposentado Que bate no peito e grita bem alto o seu orgulho de ter cumprido a sua missão com galhardia; alguém que um dia teve o desprazer de ler um jornalista da comitiva do Gen. De Gaulle, quando afirmou: “Se todo brasileiro útil, trabalhasse quatro horas por dia, quatro dias por semana, o Brasil seria em breve uma das maiores potências mundiais”. Mas que fique claro, ele falou de trabalhadores e NÃO DE POLÍTICOS! Estes, se a sensatez lhes bater à porta fogem dela como o diabo foge da cruz. Têm verdadeira ojeriza ao que que esteja relacionado ao trabalho, mas são loucos apaixonados pelo salário que lhes é oferecido para que a situação se mantenha no patamar em que se encontra ou caminhe para melhor. A maioria, é desses que estou falando, ressalvando as honrosas exceções, só buscam as próprias vantagens e cada vez maiores/melhores regalias; ganham salário paletó, mas negam centavos para comprar giz para o professor; ganham auxílio moradia, mas moram em apartamentos do Estado e negam um complemento salarial para o professor adquirir melhores equipamentos de forma a oferecer um trabalho de melhor qualidade; só andam de avião às nossas custas, mas sonegam um vale transporte para que professor tenha melhores condições de se locomover entre as diversas escolas em que tem que trabalhar, para ganhar um salário que lhe permita sustentar a sua família. V.Sas. são extremamente caridosos e bondosos para a vossa família e apaniguados, para esses são uns verdadeiros santos, havendo alguns, inclusive, que até pedem o “dízimo” aos "protegidos".

Falar mal dos professores, senhor deputado, é não reconhecer o prato em que comeu. A menos que o Sr. seja um daqueles que pouco frequentou a escola, recomendaria uma reflexão mais apurada das palavras ofensivas que nos dirige e das inverdades que profere, pois se alguém provoca “danos às nossas crianças”, são justamente aqueles que foram eleitos para terem a possibilidade de oferecer aos pais dessas crianças melhores condições de vida, trabalho, saúde e não para se locupletarem do dinheiro dos impostos que tão cruelmente são extorquidos dos trabalhadores.

Evidentemente, “só professor que não quer trabalhar", afirmou V.Sa. destacando que o trabalho dos docentes nas escolas pode ter alguma restrição devido à covid-19, mas os educadores "precisam trabalhar”. É... os professores precisam trabalhar para os deputados poderem receber seus polpudos salários e difamarem quem menos merece. O brasileiro sempre arranja um culpado para a desgraça maior que ele mesmo comete, não consegue olhar para o próprio rabo de palha que arrasta ao caminhar por onde anda.

Quanto à sua fala sobre conectividade e diretoras de escola, deixo-lhe uma última pergunta: O Sr. Já algum dia pisou no chão de uma escola pública feita de quatro paus a pico e coberta com palhas de coqueiro? Sugiro que o Sr. leve toda essa sua tecnologia para lá – onde nem luz há ou se a há não tem internet, mas cuidado que vão correr com V.Sa. à pedrada, pois não sabem sequer o que diabo é a internet! Logo, antes de falar, experimente, depois venha falar mal dos professores. Até lá limite-se ao seu trabalho e contribua de forma afirmativa para o engrandecimento do país. Jamais esqueça estas palavras de um velho professor: “Nossas palavras são como um bumerangue” e algumas podem lhe atingir em pleno, na nuca ou na testa!

Se andou na escola e é tão esperto nas TIC’s recomendo que leia o conceito de Ângela Merkel sobre os professores. Talvez aprenda alguma coisa que aparenta desconhecer!

 

 

 

10 OUTUBRO 2020

Uma realidade, um desabafo e uma crítica.

 

A situação, no Brasil, e uma forma geral está um caos. E educação é um dos primeiros e mais graves sintomas dessa doença que infelizmente, contagia mais que o próprio corona vírus. O caos começa a se instalar com maior incidência agora que é “preciso” pensar numa retomada das aulas, pois em algumas cidades já retomaram, noutras ainda estão pensando na melhor forma de fazê-lo e numas terceiras não se pensa sequer em retomar os estudos este ano – melhor dizendo, nestes dois meses e dias que faltam para chegarmos ao término de um ano que parece infindável. Não se consegue um consenso por falta de um pulso forme que administre o setor e outro que administre a nação como um todo.

Corretamente, todo mundo está se resguardando como manda a lei. Estará? O perigo não está tanto na individualidade e sim no conjunto, nas aglomerações que se realizam de forma voluntária ou não, algumas obrigatórias como, por exemplo, nos transportes coletivos, nos locais de trabalho, pois estes são primeira ordem para a manutenção da sobrevida que fica além da ameaça da morte pelo vírus. Este tempo, que muitos já reclamam que está sobrando, seria ideal para uma reflexão íntima, para uma tentativa de aperfeiçoamento, para o aprofundamento de conhecimentos, para uma reflexão sobre as práticas, pra a produção de algo sistematizado que temos em nossa cabeça e que ainda não tínhamos desenvolvido por “falta de tempo”, bem, agora não há mais desculpa desse tipo, o que não significa que tenham surgido outras no lugar dele.

Cresci preocupado com a educação, envelheci mais preocupado ainda, mas nada disso foi suficiente para retirar do meu caminho de busca de uma alternativa que possibilite a melhora do sistema educacional. Na minha condição de pensador e pesquisador da educação coloquei ao dispor de quem quisesse a possibilidade de se discutirem formas alternativas a essa que aí está posta – uma chance em talvez mil de acertarmos algo que nos possa ajudar a dar um simples passo adiante. Um simples e pequeno passo adiante já será um enorme lucro no encerramento do balanço final. Não sou, como podem ver, nem o dono da certeza, nem o homem que quer mudar o mundo da educação tal como um mágico, com um simples toque de varinha de condão. O assunto é extremamente complexo para que isso aconteça. E vou mais além: antes de mudar algo que fazemos precisamos mudar a nós mesmos, ou, então, ficaremos para sempre no mesmo lugar tentando mudar o lugar de onde falamos, quando é tão fácil dar um passo em qualquer direção para sairmos do chamado lugar comum. Ofereci-me para, voluntariamente, pensarmos juntos alguma ação que pudesse nos ajudar a movimentar uma das pernas para dar esse passo. Tentei, Mas o comodismo é mais atraente! Já diz a canção: “Daqui não saio, daqui ninguém e tira”.

E continuamos a xingar o Poder com seus Ministérios, as Secretarias de Educação, os Diretores de Escolas, as faltas de verbas e outros quesitos mais e insistimos em não querer olhar para nós. Sempre disse que o grande problema que colocam à educação não é a falta de verbas. Mantenho essa posição e explico:

1 – É certo que o Ministério da Educação, pela sua amplitude, é digno de um orçamento que lhe permita uma movimentação digna. Isso é feito e vou mais além, se atentarem bem é feito até com benevolência premeditada (a retirada de dinheiro desse orçamento para cobrir outros rombos). Vamos a exemplos práticos: No ano de 2017, a França gastou com a educação de seus pupilos R$ 666 bilhões, um aumento de 2.4% em relação a 2016. Segundo o site RFI (https://www.rfi.fr/br/franca/20181122-franca-descarta-diminuir-investimento-no-ensino-superior-e-aumenta-gasto-na-educacao):  “Um aluno do ciclo fundamental custa por ano € 6.550 (R$ 28.146) aos cofres públicos, enquanto um estudante do ensino médio custa em média € 11.430 (R$ 49.116). Cerca de 80% dos estudantes franceses frequentam a rede pública”.

No nosso Brasil, brasileiro, de tantas maravilhas e roubos, olhando o site da Nova Escola que realizou uma pesquisa recentemente postada aponta que:

“Há maiores investimentos nas séries finais: a média de valor anual para as séries finais é de R$ 3.725,44 para aluno de escolas urbanas e de R$ 4.064,11 anual para as escolas rurais. Já nas séries iniciais existe uma queda nesses valores, a média de valor anual para as séries iniciais de R$ 3.387,54 escolas urbanas e R$ 3.894,77 para escolas rurais”. Veja em (https://blog.forleven.com/2018/11/05/quanto-custa-um-aluno-de-escola-publica-no-brasil/).

Não vou sequer tecer maiores comentários, pois os números falam por si (a soma dos quatro valores brasileiros não atinge o menor valor francês). Os motivos, todos sanemos: questão de interesse na formação do cidadão pelo lado da França e a formação de explorados escravizados pelo lado do Brasil.

Mas dizia eu, então que me dispus a fazer uma sala de reunião, remota, por semana, para discutirmos problemas que talvez pudéssemos ajudar a resolver. Acreditem, até mesmo entre os meus ex-alunos não consegui encontrar o eco que esperava alcançar. Na primeira reunião fomos a 12 participantes (ouvintes, pois não ousam falar – não sei como se dizem professores -), na segunda caímos para 4 eu mais dois professores da IES onde trabalhei e ajudei a na sua formação e uma ex-aluna. Hoje farei a oitava reunião. Na sétima foi apenas um diálogo entre dois professores com ideias próprias eu se aproximam e se afastam em momentos específicos e relativos às nossas especialidades.

Persistirei até que a minha voz se apague. Doo-me à tarefa que abracei. Ninguém é obrigado a me seguir, pois se o fizerem posso cair na tentação de formar uma igreja, como está tão em moda e ser do agrado do dirigente maior desta nação que não tem um olhar digno para com a educação.

Mais tarde, às 16 Horas (06/10/2020) estarei apostos.

Sigam-me os interessados (o link será publicizado através do Face e do Whatsapp).

 

12 SETEMBRO 2020

PROMETO QUE GRITAREI!

Ou eu sou muito burro, ou definitivamente a minha tola já não funciona bem, ou estou padecendo de cegueira aguda, ou tem gente querendo me enfiar a Torre Eiffel pelos olhos adentro.

Vejamos: a educação básica obteve uma vitória (a aprovação definitiva do FUNDEB), sim é fato, mas...

Quem fizer uma leitura mais aprofundada perceberá que existem ali, no "novo normal" dito FUNDEB, algumas (bastantes) armadilhas. Quase todo mundo interessado no "novo normal" fundo já soltou seus gritinhos de histeria e já estão debatendo (entre eles, é claro!) quais os "arranjos que podem ser operacionalizados de tal modo que fique de bom tamanho para todo mundo.

É aí, na minha fraca maneira de perceber as coisas, o ponto chave que abre a porteira para o gado ir para o brejo. A pergunta chave é esta: Por quê os mais envolvidos no sistema educacional - professores, alunos, pais de alunos e a comunidade escolar como um todo - não estão participando das decisões que estão sendo tomadas de forma monocrática, ou como se dizia no meu tempo, à revelia?

Não conheço ninguém que tenha assinado procuração ao Sr. Daniel Cara, nem à Deputada Tabata do Amaral - Ou às instituições multinacionais que representam - para decidirem o que é mau ou ruim para a educação, já que o bom deve ficar com eles.

Esta já é a "enésima" vez que abordo este assunto, mas creio ainda, que além das moléstias que acredito possa estar sendo vítima, devo estar sofrendo de problemas de comunicação, pois as minhas palavras não ecoam como eu gostaria que acontecesse. Não é ser pretensioso, não é querer saber e conhecer mais que os outros, não é querer ser mais influenciador que outros... é uma espécie de angústia que se instala dentro de mim quando vejo que as pessoas (os outros) também devem estar vendo o mal sendo feito e ficarem em silêncio, inertes, em postura de aceitação "do que vier será lucro".

Quero terminar dizendo e reafirmando que por conta de uma postura semelhante a de hoje, por vossa culpa, estamos todos a padecer múltiplas vezes: na doença, na fome, nos relacionamentos, na segurança e estamos caminhando para um deserto educacional. Eu insisto em escrever a propósito, pois quero, amanhã, poder gritar bem alto nas vossas caras que

EU AVISEI!

 

10 SETEMBRO 2020

Mulher valente!

Queria eu que no Ceará fosse assim também, como ali ao lado, no RN, onde a Governadora Fátima Bezerra mostrou que tem tudo no lugar certinho e determinou que a Educação Pública, com ela, só depois da vacina e lá em 2021.

Mulher de pulso e com determinação. Senti, quando assisti ao seu pronunciamento, que ela estava mandando um recado, um recado daqueles que não tenha outra resposta que não seja: cumpra-se.

Enquanto isso, muitos babacas engravatadinhos, nos gabinetes refrigerados, que se dizem "machos pra diacho", tremem em cima dos "gambitos" e a bosta escorre-lhes por eles abaixo indo sujar os sapatos e os tapetes.

Disse mais a Mulher: escola em setembro, só as particulares. Deixou outro recado bem explícito: há fortes possibilidades que a covid19 retome com força em função do retorno precipitado às escolas, por isso, os papais que quiserem arriscar a vidas dos filhos, estão liberados, enquanto isso ela, a Governadora, protege os pobres que frequentam as piores escolas e não têm dinheiro para comprar nem uma aspirina. Eita mulher forte!

Precisávamos de mais mulheres desse calibre e que muito "pinto calçudo" se orgulhasse em ter nela um bom exemplo a seguir, para ver se a nossa educação tomava um rumo.

Orgulho de ser nordestino (mesmo se emprestado há quase 43 anos).

 

05 SETEMBRO 2020

Agora que a vaca vai pró brejo

 

Ao simples aceno que um novo FUNDEB vem aí, a correria foi grande para organizar carreata reclamando a abertura imediata das escolas, desconsiderando totalmente o perigo eminente que ainda as cerca por causa da covid19. Uma verdadeira corrida ao ouro “de tolos”.

São vários os motivos que me levam a chamar-lhe ouro de tolos, entre esses motivos está, logicamente, a tolice que esses donos de escolas e seus capachos políticos têm nas respectivas cabeças. Não conseguem enxergar que atitudes semelhantes já deram errado em países mais desenvolvidos, como França e Itália, para falar apenas destes, nos quais as escola voltaram a ser fechadas por conta do ataque de corona vírus que as crianças sofreram depois que os Srs. Presidentes dos respectivos países autorizaram a reabertura das aulas.

Mas nós temos um incentivo a mais: a promessa de mais dinheiro (não de saber) nas escolas. Só que para que esse dinheiro deixe de ser ouro de tolo é preciso que a EC 108 seja regulamentada através do PL 4372/2020. Ora isso ainda não foi feito e creio que vai ter muita água passando por debaixo da ponte antes que o PL seja aprovado em duas sessões na Câmara e no Senado.

Precisamos entender que estão aí na nossa porta os Srs. Políticos a mendigar (ou claramente a comprar) os votos para se reelegerem. A acreditar que o povo aprendeu alguma coisa com o estado de sítio que se instaurou no país é de acreditar que mudanças são possíveis a nível nacional. Talvez para pior, mas acredito na mudança.

Pensando nisso, o famoso ouro de tolo vai permanecer por muito tempo a serviço dos especuladores da educação particular (embora eu prefira chamar-lhe de privada, no duplo sentido), pois não creio que os pais brasileiros estejam dispostos a expor os filhos a uma doença que já carregou 125 mil brasileiros que acreditara que se tratava apenas de uma gripezinha. As ruas, mantendo o distanciamento social e utilizando máscaras devem ser o palco, nos próximos dias, das manifestações a favor da permanência das escolas fechadas. Acredito que a solução mais sensata é considerar este ano letivo como perdido e aguardar para ver o acontece daqui até o início regular do próximo ano. Já ouvi vozes se levantando que “se trancarem o ano será um atraso para a minha vida”! Quem está assim tão apressado para morrer? Um ditado muito, mas muito antigo diz: “Mais vale perder um minuto na vida, que a vida num minuto”.

Pessoalmente não tenho mais filhos em idade escolar, mas tenho netos e sei o que é a dor de perder um ente querido. Creio que a dor será maior se a perda for provocada por uma irresponsabilidade das “autoridades constituídas” e dos gananciosos pelo dinheiro alheio. Diante da pandemia e do caos social que ela causou, gostaria de ver esses mesmo que querem enfiar a mão no dinheiro público fazerem carreatas e promoverem eventos entre eles para ajudarem as famílias que ficarem sem condições sequer de sobreviver de outra forma que não seja através de doações ou catando o lixo que sai das grandes mansões onde nada falta e o desperdício é enorme.

Queria ver alguém à frente da nação que mostrasse coragem para resolver, pelo menos tentar resolver os problemas dos mais carentes, mas o que vejo é que a função que ele se impôs foi a de retirar de quem tem pouco para dar aos miseráveis. Duvido que ele faça como fizeram outros chefes de estado que reduziram de 30% acima os próprios salários de marajás para dividirem com os mais necessitados. Aqui o que se faz é catar as moedas dos pobres para engordar os bancos.

Um dia sonhei que o Brasil era o país do futuro... acertei no país mas o futuro dizia respeito a um futuro ditador nazifascista. Se ao menos fosse tudo isso de forma independente até poderia ser considerado um cara de caráter, mas subjugar-se a outro chauvinista faz dele um lambedor de botas besuntadas de bosta de vacas criadas no Texas, enquanto abandona os seus à sorte, entre a vida e a morte. “E daí”?

 

26 AGOSTO 2020

O Professor e o “empoderamento”.

 

Ontem, 25/08/2020, depois de um período de saúde debilitada, foi mais um dia de “encontreiros com Pacheco”. Vida que corre, tempo que passa, horas que faltam. Ideias que surgem. Dificuldades novas somando-se às velhas, realidade que não se altera, quando muito para pior, vestida de novos trajes que a outros Senhores fazem os alforjes crescer.

Chega a hora do Jornal Nacional e lá está a professora, alegre e feliz a mostrar que suas aulas agora estão “bem enquadradas e até têm um cenário”. Não precisa mais ir à escola, “faz tudo mesmo de casa”. E descumpre-se aí um dos preceitos da boa educação, aquele que diz que “homem aprende com o outro, no convívio diário”. Só que desta vez não carece mais do convívio, precisa-se mais do com(putador). Não há mais perigo de contágio pois tudo acontece à distância, logo tudo pode voltar ao normal.

“Professora aprende a manusear as novas tecnologias com aluna de dez anos” e dessa forma o professorado vai agregando valores que o desvalorizam. A educação vai caindo pelas ruas da amargura, tal o “bêbado e o equilibrista”.  O saber agora não é mais humano, o saber agora é Tec

Onde fica o campo de atuação dos “Românicos Conspiradores”, aqueles que, ao seu modo sincero e honesto de querer saber, perguntam? Olhem a imagem e percebamos a sutileza da batedeira apontada, feita arma, tão ao gosto do nosso mandatário, para a criança que ainda está alheia a estas peripécias da vida e não mostra felicidade nenhuma, ao contrário, chora, quando alguém que talvez seja o pai, a estende em direção à nossa TecTudo. A frase final, mostra bem o tipo de empoderamento que querem atribuir à professora, mas não se aponta para a valorização da mesma.

Imerso que estou e sempre estive, desde a minha mais tenra idade quando dividia as tarefas com minha mãe, foi no tempo em que os românticos conspiradores não tinham medo de esticar as asas e mergulhar sem medo no vazio em que seriam obrigados a aprender a voar, jamais vi a desvalorização dos mestres-voadores – aqueles que tinham a função de nos ensinar o valor do voo solitário, independente, altruísta e solidário. A muitas dessas cabeças pouco pensantes, hoje habituadas aos grilhões, um pensar/fazer diferente representa um perigo social.

A liberdade anda longe. Por aqui resta-nos aprender a esquivar os peçonhentos e os rapinantes que abundam nosso sistema social e pretendem fazer da escola um ponto de treinamento para a resiliência a tanto contratempo e inimigo de quem é reto como o bambu verde que se verga às ventanias mas de novo assume a sua posição predileta que me faz lembrar, não sei bem porquê, “O tempo e o vento” do Érico Veríssimo. Uma luta constante pelo poder em detrimento dos mais fracos, dos menos preparados para enfrentar as intempéries da vida, para aqueles que não ousam alçar voos mais arrojados e enfrentar os ventos contrários que sopram à sua volta.

A máquina nos supera em resistência, mas é desprovida de algo muito mais importante: o sentimento e isso faz toda a diferença.

 

13 AGOSTO 2020

O ranking das escolas.

Começa mal a educação quando as suas unidades básicas de assistência à juventude, vulgarmente conhecidas com escolas, são ranqueadas segundo os resultados obtidos por quem as frequenta e disso se servem para fazerem campanha publicitária em favor de umas e desfavor de outras.

Curiosamente, na minha live de anteontem (11/08) algum dos participantes abordou essa “cerimônia” de premiação das escolas nota 10 no Ceará (não dou o nome de quem se posicionou contra tal prática por uma questão ética e por não querer correr o risco de atribuir o fato a outra pessoa que não aquela que o proferiu, logo, as minhas desculpas ao autor da crítica que é necessário fazer-se).

Curiosamente, hoje ao abrir o computador, coisa que faço antes mesma de pomar meu café da manhã, pois já se tornou ato rotineiro, vejo na página que se abriu de uma rede social uma imagem que me mostrava (e continua mostrando) a realidade do Cariri, mais especificamente do Município do Crato. Era na verdade uma reportagem que falava sobre a premiação atribuída pelo Senhor Governador às consideradas notas dez, escolas essas que fazem com que a educação no Ceará, de uma forma geral, seja apontada como sendo as de melhor qualidade no país em função do que ocupam o primeiro lugar no país.

Por se tratar de uma foto reproduzida de uma outra foto já publicada em algum outro meios de comunicação fiz uma cópia (printei, como é mais chique dizer no meio da mídia eletrônica) para poder ampliar e ver mais claramente a relação das escolas premiadas. A surpresa (será que foi mesmo?) não conseguiu animar-me. Vou trazer para vocês a listagem que alguém que a postou sublinho a escola em que, certamente, trabalha. Parabéns, vocês conseguiram fazer melhor que outras. Nós sabemos que essa é a nossa função precípua, mas nos massageia o ego o reconhecimento, principalmente num ambiente nacional em que o professor anda tão desvalorizado sob qualquer que seja o aspecto que ele se observado/avaliado.

Antes de apresentara relação gostaria de deixar uma opinião pessoal dirigida ao nosso Governador e a todas as autoridades constituídas que estão encarregadas da pasta da educação. O que V.Exas. fizeram tem um nome próprio: segregacionismo. Tal como nos diz Costa (2014, p. 1183):

Na ideia de segregação escolar, está implícita a percepção de que há algo de injusto na agregação de estudantes em agrupamentos escolares e que a desigualdade de oportunidades se manifesta no âmbito escolar. Não há, contudo, no tratamento acadêmico dado ao conceito, inevitabilidade de que segregação seja decorrente de algum processo deliberado, intencionalmente dedicado a promover restrições a algum grupo social específico.

Não. Acredito plenamente que o que fazem tem uma conotação diferente, mas não posso evitar a crítica, que espero entendam como construtiva, ao afirmar que foi um erro fazer a separação entre as escolas 10 e as que não obtiveram tal “classificação”. Explico:

Num Estado classificado em primeiro lugar no país não é coerente que se apontem as notas 10 e se abandonem ao demérito as demais. Em notícia divulgada pelo Jornal O Povo online de 11/08/2020, é possível fazer uma leitura dessa realidade. Apenas para exemplificar, citamos:

Para chegar nos resultados analisados, segundo a Secretaria de Educação do Estado Ceará (Seduc), 275.609 alunos do 2º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental de 4.347 escolas públicas participaram da avaliação externa, que identificou e analisou o nível de desempenho dos estudantes. (grifos do próprio jornal)

Qual o incentivo que vão ter os outros alunos além daqueles que frequentam 3,45% das escolas avaliadas no Estado? Como se sentirão aqueles que não foram “premiados” por não estarem ente os melhores? Não teria sido nem mais incentivador sido Sr. Governador tivesse “acariciado” a cabecinha de todas as crianças dos 184 municípios envolvidas no processo avaliativo, tal como aponta o Jornal O Povo: “Todos os 184 municípios cearenses atingiram o nível desejável de alfabetização”. A partir daí passaria a incentivar a que as avaliações possam continuar a registrar melhores resultados a cada ano e anunciar alguma política educacional não excludente. Todos ficariam contentes.

Da forma como foi elaborada a “competição” surgiram alguns handicaps, por exemplo: quantas escolas concorreram com os três níveis de estudo (2º, 5º e 9º anos)? Tal como nos mostra a imagem abaixo, o Crato só concorreu com escolas até o 5º ano, o que também nos deixa fortes indagações: auto reconhecimento de incapacidade? Falta de interesse das administrações escolares? Haverá alguma questão envolvendo a municipalidade nessa não participação dos nossos nonos (9º) anos nessa “corrida ao ouro” promovida pela Seduc?

De qualquer modo que seja, não acredito que seja este o melhor modelo de dar destaque à educação no Estado. Desta forma não fazemos mais que alargar o fosso já existente e profundo entre as classes sociais que frequentam as nossas escolas: quando se avaliam grupos de escolas (públicas e particulares) aprofundamos o fosso, quando a disputa é só entre públicas alargamos o tal fosso, principalmente agindo da forma como está sendo divulgada e premiada a diferença (que é natural) entre os resultados obtidos. O que se faz urgente compreender é que cada um tem a sua velocidade de aprender e que isto significa que quem hoje está fora “dos melhores” amanhã poderá ser o número um geral.

Não quero imiscuir-me na questão da avaliação por si mesma, pois não é uma área de aprofundamento que me seduza, por mais eu tenha que estar por dentro dela para cumprir com o meu trabalho de educador, ou professor, como denominam algumas pessoas.

Vale ressaltar que não estou simplesmente reclamando da atual situação. O que faço, neste momento, é muito mais uma chamada à conscientização de quem tem a obrigação de zelar pelo desenvolvimento da nossa juventude, coisa que não se consegue só com a premiação de uns quantos alunos (por consequência, de umas quantas escolas do total existente no Estado) gerando a competitividade entre eles. Investir em educação traz muitos benefícios posteriormente. Repito e destaco em caixa alta INVESTIR EM EDUCAÇÃO dá ao país mais crescimento e nos aproximas dos países ditos desenvolvidos que as altas cifras escondidas nos paraísos fiscais e similares.

Veja a seguir as escolas do Crato que “concorreram” ao prêmio das “melhores". A estas o nosso aplauso pela coragem, aos que faltaram, deixo um forte incentivo para que nos mostrem o seu valor, qualquer que ele seja.

 

 Referências:

COSTA, Márcio da. PADRÕES DE SEGREGAÇÃO ESCOLAR NO BRASIL: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE CAPITAIS DO PAÍS. Revista Educação & Sociedade, V.35, nº 129 (out-dez) 2014.

POVO, Jornal O. 362 ESCOLAS PÚBLICAS SE DESTACARAM NA EDUCAÇÃO NO ANO DE 2019 S RECEBEM PRÊMIO ESCOLA NOTA DEZ. Edição de 11/08/2020.

 

 

11 AGOSTO 2020

Do mecanicismo ao humanismo

Realizamos hoje, 11/08/2020, a nossa segunda reunião remota para discutirmos os caninhos que a educação pode tonar no pós pandemia. Avanço, novamente, que estas reuniões devem atingir o quantitativo de dezoito, não faltando tempo, portanto, para se discutir qual o caminho seguir, partindo do ponto de vista de cada um dos participantes.

A conversa de hoje foi um pouco monótona porque eu assumi o risco de fazer uma retomada da reunião inicial, considerando que no início alcançamos um número significativo de novos participantes. Mas acabou dando tudo certo e o nosso objetivo para esta segunda reunião foi alcançado, motivo que me deixou bastante alegre com as perspectivas que passo a fazer no que diz respeito ao caminho a trilhar. Se é certo que o caminho se faz caminhando, logicamente a educação só poderá melhorar se ela for discutida e orientada no sentido mais propício ao desenvolvimento socioeconômico do pais.

Já anunciei na reflexão pós reunião anterior que o nosso marco orientador para realizarmos nossas conversas e trocas de opiniões é o lusitano criador da Escola da Ponte, José Pacheco, fonte em que bebemos para compreendermos como seria uma melhor forma de inserir o jovem no ambiente educacional escolar e dar prosseguimento ao processo de aprendizagem a que todos tomos direito.

Lemos a carta (na verdade foram duas, a primeira e a segunda) na qual, Pacheco, em sua metáfora compara os seres humanos a aves e tem por título “Preâmbulo ao voo das gaivotas”. Uma crítica contundente à escola que aí temos desde antes da pandemia e até atingirmos esta final que nos tem feito refletir bastante sobre muitas coisas, entre elas a escola. Nessa crítica nada nem ninguém é poupado, do mais humilde servidor ao ministro da educação, todos são analisados principalmente no desempenho de suas funções determinadas e impostas pelo capital. O foco, contudo, é a escola e a chamada educação escolar.

Durante o meu tempo de formador de professores sempre me considerei e acredito ter agido como um provocador do curso que ministrávamos, pois, apesar de defendermos uma educação progressista, o currículo não passava de uma receita há muito preparada e que vez por outra sofria uma pequena modificação, mas que não alterava significativamente o produto final. Assim, continuávamos a preparar robôs para servirem ao deus da elite.

Pessoalmente sofro com a ruptura que provocam na vida dos pequenos seres curiosos, prontos a aprender se for praticada a teoria de Confúcio: “Conte-me e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro. Envolva-me e eu compreendo”. A nossa educação escolar praticada no século XXI está referenciada no século XIX e pratica apenas os dois conceitos apontados por Confúcio e esquece completamente o terceiro. Este processo amputado serve ao capital, mas inutiliza as crianças, castra-as, cerceia-lhes a criatividade, robotiza-as.

A estrutura do processo de ensino, está elaborado de tal forma que a criança deixa de ser criança e passa ao estágio seguinte da sua vida, determinada por quem tem interesses nesse sistema; passa a ser aluno, alguém que não pode mais ser curioso, criativo, autônomo. A criança a ser trancada numa sala que muito se assemelha a uma jaula, ou uma gaiola, locais onde só pode fazer pequenos voos, por mais asas e vontade que tenha de sair por aí em busca do diferente, do novo, do desafiador.

A escola precisa ser cativante, precisa ser desafiadora, alegre, enfim, um ser vivo com todas os erros e acertos, pois que constituída por humanos. O falta à nossa escola é precisamente esquecer mais o lado mecanicista e tornar-se uma entidade mais humanista em contraposição ao individualismo que prega e incentiva. Precisamos lutar por uma escola mais em sintonia com a humanidade em geral do que com o mundo fictício do lucro fácil às custas dos menos favorecidos que não tiveram a oportunidade de aprenderem algo melhor na vida lhes oportunizasse uma situação mais favorável.

Fiquei entusiasmado com a ideia trazida para a discussão que planeja a construção de uma escola nos moldes da Escola da Ponte. Não será tarefa fácil e nem poucos os obstáculos no caminho para transpor, mas o pensamento positivo diz que se eu quero eu posso. Çogo, aguardo o começo da caminhada.

Antes de me despedir de todos quero só relembrar, como diz Pacheco, que não há uma distância tão grande entre estas duas realidades, não é mais que um saltinho de pardal.

 

04 AGOSTO 2020

Resistir é preciso

Ontem dei início a um projeto que eu chamo de conscientização intitulado "ENCONTROS COM PACHECO". Nesse projeto, conto com a colaboração de outros docentes, tanto da Educação Básica quanto da Universidade.

Neste primeiro encontro, tive a participação de oito companheiros, pois fiquei sabendo depois que muitos não conseguiram acessar a reunião via Meet por motivos diversos (fraca intensidade de sinal de Internet, não saber como fazer a conexão, coincidência de horários com um treinamento promovido pela CREDE...). O nosso tema base buscava sondar a opinião de cada um dos participantes a respeito do "estado de coma" em que se encontra a educação brasileira e as doses homeopáticas de políticas educacionais que lhe querem ministrar a título de recuperação "da saúde" da paciente. Só de posse desse material (conhecimento) é possível prosseguir o meu plano que prevê "a luta diuturna" por uma educação de verdade, humanista e formadora de seres humanos capacitados de prover o seu sustento da forma mais digna e utilizando os meios mais dignos da sua força de trabalho.

Tivemos uma primeira percepção do pensar diverso que cada um elaborou em suas ponderações e ao final deste primeiro dia chegamos às seguintes conclusões:

1 - a Educação antes da pandemia vinha mal;

2 - com a pandemia, que obrigou os professores e alunos a enfrentar uma situação desconhecida (Educação Remota), a educação não só aprofundou no mais fundo dos poços, como lá permanece em estado semi vegetativo;

3 - Consideradas as posições que o MEC vem adotando foi previsto um estado de pré morbidade do sistema que apresenta elevada quantidade de órgão nessa situação, com tendência a óbito.

Diante destas constatações começamos a refletir a única possibilidade de salvar a educação escolar: pensar e executar uma educação fora do sistema capitalista. Não é fácil, principalmente considerando a falta de capacidade de reflexão do nosso povo sobre os seus próprios interesses. Mas nada nos será dado de mão beijada, tudo terá que ser reconquistado outra vez, na base da luta feroz contra um inimigo que tem dinheiro e poder. Não nos interessa derrubar o capital (um mal necessário, na medida em que sem capital não se pode viver, é preciso que existam ricos e pobres, o que podemos tentar é diminuir a distância entre ambos, mas isso também faz parte da luta pela construção da escola FORA do CAPITAL.

Considerei bastante produtiva a discussão deste primeiro encontro. Vejamos agora como será o comportamento no segundo quando introduzirei o pensamento educacional de José Pacheco que, como muitos sabemos, tem alcançado bons resultados com a sua metodologia de trabalho, um pouco por todo mundo especialmente no Brasil onde só o governo obediente à elite dominante não parece querer enxergar que existem meios de dar ao país o desenvolvimento que ele precisa e merece ter.

A menos que surja algo de novo, estarei de volta próxima terça feira, dia 11/08/2020.

Um abraço (apenas como costume, jamais como irresponsável diante do perigo de contagio).

 

25 JULHO 2020

Mais náufragos, mais tubarões;

mais galinhas, mais raposas!

Na noite de 21/7/2020, numa votação histórica (em um pouco mais de 40 anos de Brasil é a primeira vez que vejo um resultado favorável em um debate na Câmara Federal de 499 x 7, por isso o tratamento de histórico, e, com esse resultado foi aprovada a Lei do FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica).

Vale dizer que tal aprovação representa para Educação a mesma coisa que uma boia representa para o náufrago. Pode não ser a salvação, mas representa a maior oportunidade de conseguir chegar são e salvo à costa. Alguém se questionará sobre a função da boia neste episódio. Explico:

A considerar que a educação brasileira estava a chegar ao fundo do poço é de imaginar que o náufrago que se assemelhe a ela, pois está em má situação bastante distante da costa. Não está dito (não por mim) que essa boia foi rebocada por algum barco, donde pressuponho que embora ela ajude o náufrago a manter a cabeça fora de água, ele continue a correr perigos. É uma possibilidade.

Normalmente no mar alto é costume viverem “famílias” de tubarões e das mais diversas espécies, perigosos, que vivem a vasculhar os mares em busca de um bom petisco. Imaginem o perigo que corre o nosso náufrago se por pouca sorte sua chega a ser avistado por um desses tubarões. Não preciso explicar.

O que tenho que fazer, agora, é trazer essa “aventura” para o nosso galinheiro (quero construir uma metáfora e não insultar educandos e educadores). Então vamos lá: O nosso galinheiro cobre a quase totalidade do território visto que já alcançamos a cobertura de quase 100% das aves existentes. Para tanto, a ração de milho que lhes era distribuída pelo dono do milharal ia ficando mais escassa a cada ano que passava. E resistia a distribuir mais milho para a engorda das galinhas. Mesmo assim, com o esforço do ciscar dos crescidos, os pintinhos iam tendo um pouco de alimento e todos viviam uma vida que pode ser considerada normal. Mas aí surgia por todo esse campo afora um predador de pelo luzidio, de tanto e tão bem se alimentar à custa do que conseguia comer no galinheiro: é a raposa. Bicho que adora galinhas, mesmo magras, que andavam por falta de verbas para adquirir milho para se alimentarem. Como eram quase analfabetas, as galinhas não sabiam fazer contas, por isso não podiam ser encarregadas de fazer as compras dos suprimentos. Surge, disfarçada de comerciante (algumas arrumavam até comércios em nome de parentes) as nossas raposas espertas que dessa forma metiam a pata na grana que pertencia às galinhas e lhes ofereciam, em troca os restos que sobravam dos grandes banquetes que se ofereciam.

Façamos agora uma aproximação entre o náufrago e a galinha. Se o náufrago não tem a certeza de atingir a costa, mas é possível se nenhum tubarão aparecer por perto. Enquanto isso a galinha continuará a definhar, pois não desapareceram as raposas. O náufrago tem uma percentagem mínima de sobreviver, já a galinha continuará a ser engordada um pouco mais, para gáudio da raposa.

A aprovação do novo FUNDEB trará para a educação o aporte de mais verbas que se destinará, segundo a letra da lei, para a melhoria da Educação Básica, donde se pressupõe que haja também uma melhoria no pagamento dos professores. Mas no meio do caminho entre a saída do governo e a chegada desse dinheiro ao seu destino, existem as raposas. Infelizmente o Brasil parece não ter mais jeito. Vejam que o próprio governo Federal tentou até a última hora fazer com que a lei não fosse aprovada, tentou acordos, de tudo fez um pouco para abocanhar o escasso dinheirinho que é destinado para a educação, prometendo um programa de Renda Brasil, mais um pote de ouro onde com facilidade podem meter as mãos e sair alegres e contentes com elas a derramar o nosso suor que foi utilizado para pagar imposto às raposas, para que elas continuem a comer as galinhas. Eu já estou a imaginar as tramas que estão sendo urdidas para dar um “bom” fim a essa aporte de dinheiro que vem para melhorar as escolas, que continuarão a ser quatro paredes mal caiadas, meia dúzia de cadeiras de plástico em volta de uma mesa feita de madeira compensada e os nossos professores continuarão a, vez por outra, receber a notícia que o salário vai atrasar por falta de dinheiro. Lá virão as greves, o desinteresse do professor em fazer com que seu aluno aprenda e os índices de qualidade da educação brasileira continuarão a cair enquanto as raposas engordam.

"São Tempo" nos dirá!

 

19 JULHO 2020

O pandemônio.

 

Enquanto a pandemia é mal tratada (coloquemos as coisas no seu devido local: ela precisar ser maltratada para que morra de uma vez, mas isto é jogo de palavras) o mundo à nossa volta não parece perceber o pandemônio que se está instaurando por perto de nós.

Sim, falo da educação e da situação primeira de saúde que envolve todo o sistema educacional escolar e da segunda questão, a meu entender mais grave, que é o pandemônio (e que cada um interprete o significado da palavra à sua maneira) que se está instaurando um pouco por todo mundo, mas a nós interessa especialmente o Brasil e mais especificamente o Cariri.

A pandemia iniciou sua ação mortífera num ambiente quase perfeito para a sua propagação rápida e tenebrosa, pois o povo, o nosso povo menos ou mais esclarecido acreditou que se tratava de uma “gripezinha” e mais nada. Não se cuidou até que começou a sentir na própria pele os efeitos mortais, na maioria dos casos, provocados pela tal gripezinha. 

Por outro lado, o poder central ou governo federal, fiquem à vontade para escolher como vão chamar-lhe, ciente que já estava do alastramento da pandemia, não tomou as devidas medidas que teriam evitado milhares de mortes. Vale salientar que em dezembro do ano 2019 já se falava da facilidade com que um vírus chinês (?) estava a fazer milhares de nortes. Mas mesmo assim as escolas iniciaram o ano letivo e, o pior passo, foi dado ao não suspender a realização do carnaval, sabendo-se da grande afluência “gringa” que com a maior facilidade e quiçá inocência, nos traria de presente, em agradecimento à diversão, o tal bichinho, invisível, que mata em poucos dias. Morreu o primeiro brasileiro vítima (declarada) da Covid19 no dia 18/03/2019, reveja a notícia neste site: (https://correio.rac.com.br/_conteudo/2020/03/mundo/912740-brasil-registra-1-morte-causada-por-covid-19.html), daí em diante as mortes foram aumentando num crescendo assustador e só então o governo decide tomar algumas medidas precárias para enfrentar a “fera”. Uma delas foi a suspensão (a muito custo) das aulas presenciais nas escolas.

Neste dia de hoje o Brasil já conta com quase 80 mil mortos (79.488 pelos números oficiais – veja em https://covid.saude.gov.br/) e com mais de 2 milhões de infectados, surge, então, aquilo a que eu estou chamando de pandemônio. Vale salientar que estamos terminando o mês de julho e a média de óbitos por dia atinge os quase 1100 seres humanos que se mantiveram em quarentena numa proporção fora dos padrões estabelecidos e de parâmetros de segurança que supostamente evitam a propagação do vírus: o distanciamento social, sendo uma das armas utilizadas precariamente nessa guerra desigual. O povo adulto não apresenta nível de consciência perante o perigo, de tal modo que em alguns locais do país já se registram aberturas totais de locais propícios à aglomeração de pessoas e, consequentemente ao contagio. Mas ainda não expliquei o porquê do pandemônio.

No meu modesto entender (sim, afinal não sou economista, médico, nem antropólogo para discutir as medidas que boa parte da população e principalmente dos governos estaduais e municipais querem adotar) não se justifica que numa macro região, a nossa por exemplo, se lute pela reabertura das escolas, enquanto outra parte insiste que não há segurança suficiente para garantir a saúde das crianças e adolescentes. Por isso a minha denominação de pandemônio dentro da pandemia. Quem conhece uma criança, quem tem hábito de lidar diariamente com elas, sabe que é quase impossível mantê-la quieta por muito tempo. Aí vem o contato físico, o rompimento das barreiras impostas pelo isolamento social o enorme risco de contágio de uma massa enorme de crianças. Basta que uma esteja contaminada e toda a escola o estará em poucas horas ou dias. Considero uma irresponsabilidade muito grande a tomada da decisão do retorno das aulas sem a total garantia de proteção contra a contaminação.

Felizmente (embora muito tarde – mas mais vale tarde que nunca – se escutam notícias que está acontecendo uma briga entre Rússia e EUA para ver quem apresenta a primeira vacina mais eficaz contra a virose) já foi anunciada uma primeira vacina que teria dado resultados positivos, mas ainda não se pode confiar completamente, nem na notícia, nem no efeito dela, mas estão, ao que parece, no bom caminho. A ser verdade que estamos perto da fabricação em série do remédio que ajudará no combate ao vírus, de que adianta essa pressa toda em retomar o estudo presencial, se nós temos consciência que o estudo remoto de forma alguma substituiu o presencial, podendo considerar, assim, o ano letivo praticamente perdido? O ideal será o estudo antecipado de estratégia capaz de, no próximo ano, ou assim que haja essa vacina garantidora da imunidade pessoal dos estudantes, professores e demais funcionários, se iniciar um processo que assegure a igualdade de condições aos estudantes de terem acesso ao mesmo conteúdo que deverá atender o currículo de dois anos.

Quem habita ou tem contato com habitantes da zona rural sabe bem que a maioria dos estudantes não tiveram acesso às aulas ditas remotas, por vários motivos, dentre os quais se destacam: falta de acesso à internet, falta de meios para acessar a internet caso haja conectividade no local, por vezes a existência de um único equipamento de acesso para dois ou mais estudantes no mesmo lar, de anos diferentes, e, além de outros mais que poderiam ser apontados é preciso não esquecer a interação direta com o professor.

Uma confissão: sempre fui contrário à EaD como modelo único de educação escolar. Aceito a sua colaboração no processo como um todo, mas na condição de coadjuvante. Há escolas (?) que sequer têm muros, outras estão privadas de eletricidade e de uma estrutura capaz de suportar tal modelo educacional, fato que aprofunda as desigualdades sociais que por sua vez já começam na falta de condições de o cidadão levar uma vida com o mínimo de dignidade.

Que as escolas privadas, dos filhinhos de papai adotem esse sistema, pois a “clientela” tem condições para receber tal programa, mas na escola pública, simplesmente NÃO. Este é o meu parecer e o argumento para a declaração do pandemônio que se travará daqui até o fim da pandemia.

 

11 JULHO 2020

O pastor torturador

E diz Milton Ribeiro, ele mesmo, o novo “SINISTRO” da Educação:

[...] que "um tapa de um homem ou uma cintada de uma mulher podem ser muito mais fortes que uma criança pode suportar". Logo depois, observa: "Não estou aqui dando uma aula de espancamento infantil, mas a vara da disciplina não pode ser afastada da nossa casa"[1].

A luz que se projeta no final do túnel em que enfiaram o sistema educacional brasileiro não é uma luz e sim o brilho de uma brasa incandescente que objetiva transformar em torresmo todo aquele que dele pretender tirar vantagem que se oponha ao deus capital. Vejamos dois pontos que são contraditórios entre si, mas que precisam ser examinados à luz da humanidade mais singela que é a proteção da família.

O primeiro é a minha frontal oposição ao Estatuto da criança e do adolescente, pois, a meu aviso, nada mais faz que proteger aqueles que, desde pequenos, resistem a uma educação centrada no humanismo e no respeito ao seu próximo. Estes valores devem ser trabalhados pela família e endossados pela sociedade em geral, de tal forma que todos possam comungar de um mesmo afeto para com o seu próximo.

O segundo pode ser traduzido numa veemente oposição à “pedagogia da dor e do medo”, como essa que o mais recente encarregado de tocar os destinos da educação escolar propõe na citação em destaque no começo desta reflexão. Conhecedores que somos, desde antes, da mais recente libertinagem oferecida aos professores de poderem andar armados (palavras trágicas de um presidente da república) imaginemos desde já o efeito das proposições que emanarão do MEC, ao sabermos que seu novo dirigente,

Ribeiro argumenta que tal correção é necessária para a cura e diz que bom resultado

"não vai ser obtido por meios justos e métodos suaves". "Talvez uma porcentagem de crianças muito pequena, de criança precoce, superdotada, é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, desculpe, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: devem sentir dor"[2]...

O tempo do castigo físico, ministro, talvez tivesse tido efeito no seu tempo, ou no local onde lhe ensinaram que pela opressão se obterão melhores resultados que pelo lado da aprendizagem exemplar, aquela em que a criança pratica o que vê os adultos fazendo. O rigor que o Sr. quer impor às crianças deverá ser seu guia; a severidade deve ser aplicada a quem, como os nazistas, pretende higienizar as futuras gerações de forma a possam ser o mais submissas possível ao seu deus Capital, o demo personalizado na terra. Se alguém precisa sentir dor, neste país, são todos os falsos profetas, todos os que vivem da exploração do seu semelhante, todos aqueles que ousam usar o nome de Deus em vão com o único objetivo de obter ganhos sem sacrifício, aproveitando-se da ignorância do povo que V.Exa. pretende reforçar neste país que há longo tempo conquistou sua liberdade. Questiono-me se o Sr. reconhece este verso:

"Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó, Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte"![3]

É, senhor ministro, (assim mesmo com letrinhas miúdinhas, pois o sr. não merece coisa melhor, a julgar pelas suas afirmações), esse mesmo braço forte que conquistou a liberdade, saberá, certamente, defende-la nem que seja com o custo da própria morte. O povo se levantará contra essa nova ditadura da vara, pois como diz esse poema maior da pátria, ele é

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada, Entre outras mil,
És tu, Brasil.[4]

 

Pastor toca o rebanho e é assim que a atual administração tenta guiar os destinos da nação. Mas o povo não é gado, pelo menos uma maioria não se considera assim e como tal não permitirá que a vara dirija o rebanho em que desejam incluí-la. Algo que talvez o Sr. não saiba, é que ordens e leis, podem até ser aceitas cá fora, mas da porta da sala de aula para dentro o mundo é outro, bem diferente daquele que pretendem impor, a menos que voltemos no tempo, aos anos pós 64, em que havia espiões em cada sala, mas mesmo assim não conseguiram segurar a fúria do povo que é soberano e quem paga vosso chorudo salário com o suor do rosto, as lágrimas dos olhos entristecidos e a dor das mãos calejadas. Nós temos armas, bem potentes, por sinal, capazes de derrubar os vossos mais modernos instrumentos de guerra, nós temos o VOTO e esse derruba qualquer um.

As propostas que se adivinham pela sua postura serão duras e cruéis, mas o Sr. não apodrecerá nesse posto. E o amanhã

Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar
Amanhã
Redobrada a força
Pra cima, que não cessa
Há de vingar.

...

Amanhã
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Existe e é pra vicejar.[5]

 

Notas:

[1] - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/chico-alves/2020/07/10/novo-ministro-da-educacao-defende-castigo-fisico-para-criancas.htm?fbclid=IwAR0Xh7RhocOB0OJv000UMpa-0hle8LpsiQ1aZ44h8oDIF1YL4vTHrcLScjA&cmpid=copiaecola

[2] idem

[3] Do Hino Nacional Brasileiro

[4] Idem

[5] Música de Guilherme Atantes: Amanhã

 

28 JUNHO 2020

Vamos falar a sério?

 

A educação brasileira vive um tempo de cachorro doido. Quero dizer abertamente que estamos ao sabor das ondas, principalmente das ondas que destroem toda a credibilidade que a área merece. Saiu um louco, que está mais qualificado para palhaço – vivia fazendo gracinha e falando feito o Cebolinha – e tinha como principal tarefa destruir tudo que fosse público em questão educacional. Entra um mentiroso, falsário, acredito que tão ou mais ignorante que anterior, pois já afirmou que seu antecessor fez um trabalho digno de reconhecimento e aplauso. Estamos, portanto, no mato sem cachorro.

Mas não é por aí que eu quero pegar, isto não passa de uma introdução ao filme de horror que virá a seguir. Vamos direto ao ponto: a educação básica iniciou suas aulas, neste ano de 2020, no fim de janeiro, início de fevereiro. Em março vem a suspensão das aulas por conta da pandemia de covid 19. Até então estamos de acordo com a cartilha. Até que a “gripezinha” tenha assassinado 1.000 pessoas chegamos ao início do mês de abril e surge a proposta mais aberrante que eu já presenciei na vida, quando o assunto é educação: aulas remotas, via computador ou celular. A que tipo de alunos estamos querendo atingir com tal política? Acredita o sr governante do país que todos os alunos vivem num paraíso cibernético? Que todos têm um computador em casa? R se por acaso tiver, acredita ele que esse aluno (ou os responsáveis por ele) têm condições oferecidas pelo governo de ter em casa uma conexão da rede mundial de computadores? Vou mais longe, será que se acredita, nas escolas e nas instâncias deliberativas que em cada casa só existe um aluno? Como fazer quando as aulas de anos diferentes forem concomitantes?

Bem, há “trocentas” questões que precisam ser respondidas, mas neste momento me aflige a falta de decisão sobre o futuro da educação, principalmente como vai ser recuperado este ano que já se mostra perdido, pois estamos praticamente em julho e não há nem vestígios de que a pandemia esteja em fias de se acalmar e começar a regredir, o que deixa pressupor que talvez não seja em agosto que possamos estar livre da ameaça de morte por conta deste vírus até agora indomável e que corre mais que cavalo selvagem. No entanto, e lá vem a minha aflição, já se fala em reabrir as escolas.

De minha parte sou inteira, logo totalmente contra essa proposta, pois estaremos colocando em risco uma fatia imensa da nossa juventude em risco. Enquanto não houver uma vacina que ofereça um mínimo de confiabilidade, um tratamento que se mostre eficaz para o caso de alguma criança ser contaminada, eu me recuso a autorizar que minha dependente, no caso minha neta, frequente a escola. O governo federal “está-se nas tintas”, como se diz lá no meu “puto” para o assunto, os governos estaduais, de alguma forma, seguem sem orientação e um pouco à deriva neste mar agitado e podemos perceber que até se esforçam por chegar na praia, mas o barco faz muita água e não permite o avanço desejado. Viramos um caso de caos educacional, que continuamos pagando mesmo que diretamente nas escolas particulares, e indiretamente no caso da públicas, pois nossos impostos não são diminuídos por falta de prestação do serviço devido.

Creio que se faz necessária uma ação junto ao Ministério Público para que sejam tonadas decisões que resolvam a pendenga. Lógico que não tenho contato com outros alunos (respeito as decisões da OMS e dos nossos dirigentes da saúde (temos um, temos?) e fico em casa, mas as TIC’s permitem-nos a troca de opiniões e eu estou percebendo nos nossos alunos um desânimo enorme e uma posição contrária a que o ano letivo recomece em qualquer data próxima futura, em função do esquema que aí está montado. Pessoalmente. Irei até às barras da justiça, se assim for necessário para garantir a já fraca qualidade das aulas presenciais, na sua íntegra, por mais que este ano letivo tenha que ser totalmente descartado.

O que não concordo é com a ansiedade, com alguns muitos problemas psíquicos que as crianças estão desenvolvendo por conta da indecisão de um governo que não aparenta estar preocupado com o futuro da juventude deste país que já foi protagonista de grandes movimentos em prol da democracia que está sendo enxovalhada toda vez que deixa de cumprir a Constituição Federal(CF). Nela, na CF, é garantido a todo cidadão o acesso a uma educação pública, gratuita e de qualidade. O sr. Presidente diz que respeita a CF, que quer viver uma democracia, mas coloca nos ministério da educação, por falar só dele, pessoas escolhidas a dedo para destruírem o sistema pública de educação. A comunidade escolar está super fragilizada e tal como a saúde, bem próxima de colapsar.

A população precisa fazer valer o Art. 5º da LDB, nossa lei maior, que mesmo depois de tantos remendos para tentarem reduzir sua eficácia e abrangência, ainda no diz que:

Art. 5º - O acesso à educação básica obrigatória é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo.

 

O destaque é meu, precisamente para argumentar a minha tomada de decisão de, se necessário, ir ao MP exigir Que a escola volte a funcionar, nas condições otimizadas que o poder público tem obrigação (por força de lei) de oferecer. Calar, neste momento, como sempre foi, consentir que eles, os donos do poder, façam do jeito que mais jeito lhes der. Não pode ser assim, uma tomada de decisão unilateral como se eles fossem os donos dos bois e a manada não tenha outra alternativa que seguir o boiadeiro. Numa democracia, como ele prega, quem mais manda é o povo e é, infelizmente graças à cegueira desse povo que hoje ele está querendo impor a sua verdade (que não passa de uma mentira atrás da outra). Iremos nós, os pagadores do salário dessa categoria de ineptos, permitir que nos tirem tudo que conquistamos com tanto suor, sangue e lágrimas?

O poder é nosso. Que quem colocou faça o favor (nem digo a obrigação) de tirar.  Quanto à educação, permaneçamos atentos pois essa estirpe costuma agir na calada da noite e sempre com trocas de benesses entre eles. Repito, as escolas só funcionarão se os pais dos alunos permitirem. Nós temos o poder de decidir se deixamos nossos filhos irem se expor a um perigo de morte ou não. Relembro que depois não adianta chorar o leite derramado. Será muito tarde! Cada escola deveria compor uma composição de negociação com a administração escolar e discutir seus interesses. Vamos pensar nisso? Que o que for decidido pela maioria possa sempre ser contestado, ao abrigo da lei, dentro dos parâmetros civilizatórios e a defesa da saúde e da vida.

 

17 JUNHO 2020

Depois da tempestade é preciso juntar os cacos

O mundo, em geral, está passando por uma tempestade silenciosa, mas que causa mais estragos que os velhos ciclones que se formam no golfo do México e atingem toda a América Central e a costa oriental dos Estados Unidos das América, a tal da pandemia da COVID 19 que neste dia em que escrevo já vai matando perto de meio milhão de pessoas sem que se tenha encontrado uma solução, por mais paliativa que seja para erradicar essa maleita.

Buscou-se, dede o meio de março. Tentar minimizar as contaminações, na boa intensão de poupar vidas humanas. A tática mostrou-se eficiente, mas as pessoas não entenderam a gravidade do problema antes que este chegasse bem perto de si, um familiar, um vizinho próximo, um amigo, a partir daí as pessoas passam a entender a necessidade de se isolarem dentro de suas casas.

Os governos tanto estaduais como federal, este último com péssima vontade, decretaram o assolamento social e até mesmo o lockdown – ou o encerramento total de toda espécie de atividade – paralisando por completo uma cidade ou até mesmo o país. Nesse contexto prejuízo total para todos os seres sociais que por sua vez vão penalizar a produção nacional, a educação transforma-se num dos setores mais atingidos. As indústrias e as empresas, a depender da linha de produção desenvolvida, ainda podem funcionar a partir da casa do trabalhador, mas não consolidou como meio mais eficiente, neste momento em que nem todo muno está preparado para trabalhar em casa por falta de equipamentos (computadores ou celulares, acesso a uma internet de qualidade, impressora e outros equipamentos necessários). No caso da educação que deve atingir a todos e cada um com conteúdos e metodologias distintas, conforme as necessidades individuais, a localização etc, precisamos atentar para mais alguns problemas que aqueles apresentados pelos pais: pela abrangência territorial, não oferece a nação acesso geral á internet nas cidades, nos campos, e não se pode esquecer as precaríssimas condições de algumas “habitações” que não têm nem água nem luz, mas em contrapartida têm cinco ou seis crianças em idade escolar em diversas faixas.

Estamos u pouco além da metade do quarto mês de quarentena, que se tem prolongado por motivos de aumento do número de casos da pandemia, e já se começa, de forma contraproducente, a querer liberar as pessoas para irem trabalhar e as crianças para irem para a escola. Aqui nos surgem três problemas graves que parece não estarem sendo devida tratados pelas autoridade constituídas: 1 – as pessoas que não eram muito obedientes quando do pico da pandemia e pressionadas pelo clausura forçada, vão desobedecer todas as regras impostas – distanciamento, uso de máscara etc. e nós vamos sofrer mais uma onda de vírus espalhada pelos quatro cantos do país. Vale ressaltar que segundo entidades estudiosas do caso e a própria OMS a pandemia pode ter até três ondas nu mesmo local antes que uma vacina seja produzida, ou o vírus seja erradicado da região; 2 – imaginemos, agora a situação que vai acontecer nas escolas onde as crianças, por natureza gostam de se misturar umas com as outras, de ficar em grupinhos, em turminhas e são “rebeldes” por excelência, o caos que não pode ser provocado caso uma esteja ou venha a se contaminar durante o restante do ano letivo; o 3 e último (nesta análise) é saber como resolver a equalização dos saberes entre os alunos, considerando as condições apontadas acima, isto é a diferença entre quem tem e não tem acesso à educação chamada a distância – ou de forma mais romanesca de educação remota.

A minha visão de pedagogo, me aconselha a que se dê por encerrado este ano que não será computado no currículo dos estudantes e só haja um retorno à escola com a maior segurança possível. No entanto, por mais que haja um retorno à escola, que é recomendável mesmo no caso que exponho e se aproveite o tempo para fazer uma boa revisão de todo o estágio da educação em que o estudante se encontre (Fundamental, médio e até mesmo o superior). Não haveria, assim, uma perda tão grande, para não dizer que haveria um ganho na questão de aprofundamento de algum saber que tenha ficado menos claro para o nosso estudante.

Temos também a possibilidade de trabalhar aquilo a que chamo de educação no chão da fábrica, tomando a ideia emprestada aos nossos filósofos do séc. XIX, ação que ajudaria os estudantes a começarem a pensar numa futura profissão, em caso de cancelamento do ano letivo, não faltam opções para aproveitar o tempo que seja possível aproveitar para trazer ao estudante uma nova forma de compreender o valor do estudo. Temos que ter consciência que após a passagem desta pandemia, queiramos nós ou não, o mundo será diferente, certamente as relações interpessoais serão outras, os conceitos de produção e consumos serão diferentes, portanto precisamos estar preparados para enfrentar esse diferente que nos será imposto pela mãe natureza que, neste momento está agradecida com a chance que está tendo de recuperar um pouco das agressões sofridas anteriormente. Olhe à sua volta e sinta você mesmo a diferença que paira no ar que respiramos, nas flores e animais que voltamos a ver, enfim, nas modificações que já foram produzidas no nosso entorno. Dê-se esse trabalho (que você não tinha tempo de fazer, que é admirar a rua por onde passa regularmente para ir produzir riqueza para os outros em troca de meia dúzia de patacas velhas.

Resumindo meu pensar, não sinto que seja a hora certa de liberar geral a população para evitar o retorno da “ceifeira” montada em seus cavalo mais recente, o corona vírus 19. Seja prudente, fique em casa e se precisar sair, por favor e pensando em mim e em tantos outros que poderá infectar, proteja-se.

 

11/06 2020

Estes últimos dias a minha preocupação com a "sorte" que aguarda a Educação Brasileira, em todos os níveis, só tem aumentado. Primeiro motivo: o nosso "quelido" Cebolinha, sinistro da educação, sinalizou para o fim das universidades públicas. Por esse ato heroico foi agraciado com uma medalha de  alguma coisa a ver com o mar onde o gostaria de ver mergulhar com uma bala de canhão "amalada" no pescoço. Segundo motivo: fazendo uma leitura das práticas do sinistro é fácil perceber qual a sua intenção (ainda não divulgada, mas claramente perceptível) de privatizar toda a educação, do infantil até aos pós-doutorados. Por fim, o seu objetivo, em consonância com o analfabeto mor, é embrutecer a sociedade de tal forma a que possam praticar todo tipo de crime contra a nação e sua população e se passarem por heróis do pedaço. A anarquia perderia feio.

Mas o presidente não enganou ninguém, disse clara e abertamente ao que vinha. O que causa estranheza  é perceber que a população de um país que gritava aos sete ventos que queriam pertencer ao primeiro mundo, não tenham tido a capacidade de analisar uma retórica cristalina como a água pura, de alguém que pregava a ditadura, defendia as ações neonazistas e que dirigia um grupo de milicianos.

O pagamento pela falta de tomada de atitude democrática e o posicionamento extremista e fascistóide não está saindo barato. Uma parte do total já foi pago, pois as quase 40000 mil vidas perdidas para a covid19 podem ser penduradas no pescoço desse desgoverno do 'disse, retiro, volto a dizer", principalmente de seu comandante que antes mesmo de ser eleito disse que era preciso ter matado mais de trinta mil. Que tristeza!

Só sei que o povo brasileiro vai pagar muito caro um ódio gratuito que arrumou contra o PT. Vamos ter novas eleições este ano, só quero ver o comportamento deste povão que foi colocado a comer pão e ovo (olhe lá se for todos os dias, afinal R$ 600 não dá para muito mais), mas desde já aposto que a racalha que por aí está mitigar cargos a troco de aprovação de projetos e da não indicação ao impeachment, para não perderem a mamadeira de piroca vai sair vitoriosa graças a este povo burro que nem levando esporadas aprende o caminho.

Bem, no meio de tanta coisa ruim (falei apenas de uma, mas são tantas!) aparece uma boa notícia: o meu site, graças à vossa benevolência acaba de atingir as 50.000 visualizações. Nada mau, para quem tem ideias tronchas feitas as minhas.

A todos e todas o meu maior agradecimento!

 

 02/06/2020

E Dizer que existem pessoas que pensam estar dando uma lição de língua portuguesa!!!

 

Pleonasmo: doença bem portuguesa/brasileira

Pleonasmo ou redundância : com o objetivo de reforçar uma ideia, acabam por lhe conferir um sentido quase sempre patético.

Aqui vão quatro exemplos óbvios: “Subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”.

Já se reconhece como paciente ? Ou ainda está em fase de negação? Olhe que há muita gente que leva uma vida a pleonasmar sem se aperceber que pleonasma a toda a hora.
Vai dizer que nunca “recordou o passado”? Ou que nunca está atento aos “pequenos detalhes”.

 
E que nunca partiu uma laranja em “metades iguais”? Ou que nunca deu os “sentidos pêsames” à “viúva do falecido”?
Atenção que o que estou a dizer não é apenas a minha “opinião pessoal". 

 

Baseio-me em “fatos reais” para lhe dar este “aviso prévio” de que esta “doença má” atinge “todos sem exceção”.


O contágio da pleonasmite ocorre em qualquer lado. Na rua, há lojas que o aliciam com “ofertas gratuitas”. E agências de viagens que anunciam férias em “cidades do mundo”. No local de trabalho, o seu chefe pede-lhe um “acabamento final” naquele projeto. Tudo para evitar “surpresas inesperadas” por parte do cliente. E quando tem uma discussão mais acesa com a sua cara metade, diga lá que às vezes não tem vontade de “gritar alto”“Cala a boca!”?


O que vale é que depois fazem as pazes e vão ao cinema ver aquele filme que “estreia pela primeira vez” em Portugal/Brasil.
E se pensa que por estar fechado em casa ficará a salvo da pleonasmite, temos más notícias para si. Porque a televisão é, de “certeza absoluta”, a “principal protagonista” da propagação deste vírus. Logo à noite, experimente ligar o telejornal e “verá com os seus próprios olhos” a pleonasmite em direto no pequeno ecrã. Um jornalista vai dizer que a floresta “arde em chamas”. Um treinador de futebol queixar-se-á dos “elos de ligação” entre a defesa e o ataque. Um “governante”dirá que gere bem o “erário público”. Um ministro anunciará o reforço das “relações bilaterais entre dois países”. E um qualquer “político da nação” vai pedir um “consenso geral” para sairmos juntos desta crise.
E por falar em crise! Quer apostar que a próxima manifestação vai juntar uma “multidão de pessoas”?


Ao contrário de outras doenças, a pleonasmite não causa “dores desconfortáveis” nem “hemorragias de sangue”. E por isso podemos“viver a vida” com um “sorriso nos lábios”. Porque um Angolano a pleonasmar, está nas suas sete quintas. Ou, em termos mais técnicos, no seu “habitat natural”.


Mas como lhe disse no início, o descontrolo da pleonasmite pode ser chato para os que o rodeiam e nocivo para a sua reputação. Os outros podem vê-lo como um redundante que só diz banalidades.

Por isso, tente cortar aqui e ali um e outro pleonasmo. Vai ver que não custa nada.

 
“já agora” siga o conselho: não “adie para depois” e comece ainda hoje a “encarar de frente” a pleonasmite!


Ou então esqueça este texto.


Porque afinal de contas posso estar só “maluco da cabeça”.

 

 

 

 

12/03/2020

Fazia uns dias que por aqui não aparecia, mas acreditem é por falta de motivos, em meio a tanto desarranjo da nossa educação. Eu sei que é paradoxal fazer uma tal afirmação, mas pensemos juntos:

  • A nossa educação anda sem rumo (que posso dizer além do lamento pelas pessoas que ficarão sem seu estudo de qualidade), seja ele em que nível for; 
  • Não podemos dizer que temos um ministro da educação, quando muito um "sinistro" que só envergonha quem quer e pretende estudar para ser alguém na vida, mas não pode comparar-se ao ser que está ocupando o posto mais elevado da educação, por tanta vergonha que sente; 
  • Nestes últimos dias (os primeiro do mês de março de 2020) tem sido o que no meu país chamamos de pandemônio... O tal do coronavir19 está fazendo que todo mundo se isole, evite o contato com outras pessoas e objetos para não se contaminarem: entre as organizações escolhidas para ficarem de férias, está a escola. Uma medida acertadíssima, pois quem conhece as crianças sabe bem dos riscos de contaminação. Nisso Alguém acertou em cheio.

Mas eu não gostaria que esse tempo que vai durar a quarentena ou a erradicação do tal vírus, fosse um tempo perdido. O futuro exige muito da gente para que tenhamos percas de tempo, por isso deixo aqui umas regrinhas simples para que você possa fazer uma leitura proveitosa e prazerosa. 

Deixa fazer a minha publicidade antes:

Se não tiver mais nada que lhe interesse para ler, quem sabe você possa adquirir o meu primeiro livro, que a crítica já começa a falar bem, apesar de ser uma autobiografia. Vale ressaltar que nessa "minha história" eu mostro os passos que dei para chegar ao doutorado em educação. Não foi fácil e você vai compreender por quê. Ah! o livro custa só 35 reais. Basta pedir que eu mando, ou por portador, ou pelos correios, do jeito que der eu mando. Entre em contato e passo a conta. Vale bem a pena.

Agora que já fiz a minha propaganda, vejas as regras para uma boa leitura:

 

LEITURA PROVEITOSA

Para que a leitura tenha um resultado satisfatório, algumas considerações devem ser levadas em conta:

 

  1. a) Atenção – aplicação cuidadosa da mente ou espírito em determinado objeto, para haver entendimento, assimilação e apreensão dos conteúdos básicos encontrado nos texto.

 

  1. b) Intenção – interesse ou propósito de conseguir algum proveito intelectual através da leitura.

 

  1. c) Reflexão – consideração e ponderação sobre o que se lê, observando todos os ângulos, tentando descobrir novos pontos de vista, novas perspectivas e relações. Favorece a assimilação de idéias alheias, o esclarecimento e o aperfeiçoamento das próprias, além de ajudar a aprofundar conhecimentos.

 

  1. d) Espírito crítico – avaliação de um texto.Implica julgamento, comparação, aprovação ou não, aceitação ou refutamento das colocações e pontos de vista.Permite perceber onde está o bom ou o verdadeiro, o fraco, o medíocre ou o falso.

Ler com espírito critico significa ler com reflexão, não admitindo idéias sem analisar, ponderar, nem proposições sem discutir, nem raciocínio sem examinar. É emitir juízo de valor.

 

  1. e) Análise – divisão do tema no maior número de partes possível, determinação das relações entre elas e entender sua organização.

Segundo Bloom (1917;119), as “capacidades que requer a análise estão situadas em um nível mais alto que as necessárias para compreensão e aplicação.”

 

  1. f) Síntese - reconstituição das partes decompostas pela análise e resumo dos aspectos essenciais, deixando de lado o secundário e o acessório, mas dentro de uma seqüência lógica de pensamento.

 

  1. g) Velocidade – certo grau de velocidade, mas com eficiência, faz-se necessário. Os estudantes, os responsáveis pelos trabalhos científicos devem consultar e ler quantidades razoáveis de obras e documentos. Em razão da explosão bibliográfica especializada é necessário que se leia com certa velocidade, para se tornar conhecimento das novas teorias, idéias, colocações etc. Deve-se ler rápido, mas de modo a entender o que se lê, visando ao bom aproveitamento.

 

Gagliano (1979: 71-72) indica algumas regras elementares para a leitura:

  1. Jamais realizar uma leitura de estudo sem um propósito definido.

 * Reconhecer sempre que cada assunto, cada gênero literário requer uma velocidade própria de leitura.

*Entender o que se lê.

*Avaliar o que se lê.

*Discutir o que se lê

*Aplicar o que se lê.

 

DEFEITOS A SEREM EVITADOS

 

Além de se observarem os requisitos necessários para que a leitura se torne proveitosa, deve-se também procurar evitar algumas atitudes que só prejudicam o bom aproveitamento.Entre elas estão:

 

  1. Dispersão do espírito – falta de concentração, deixando a imaginação divagar de um lado para o outro. A formação intelectual consiste, em grande parte, na disciplina da mente.

 

  1. Inconstância – o trabalho intelectual, sem uma devida perseverança, não atinge o objetivo, não chega a nada concreto.

 

  1. Passividade – a leitura passiva, sem trabalho da mente, sem raciocínio, reflexão, discussão, impede o verdadeiro progresso intelectual.

 

  1. Excessivo espírito crítico – preocupação exagerada em censurar, criticar, refular ou contradizer prejudica o raciocínio lógico.

 

  1. Preguiça - em procurar esclarecimento de coisas desconhecidas contidas no texto. Sem a compreensão da terminologia específica, nem sempre se pode entender o texto.

 

  1. Deslealdade – distorção do pensamento do autor. Quando há má fé ou se falsificam as idéias contidas no texto, compromete-se o caráter científico de qualquer obra.

 

A investigação ou a apreciação deixa de ser uma verdade científica.

 

 Tipos de Leitura

 

Harlow (1980: 113-114) apresenta cinco tipos de leitura:

  1. SCANNING - procura de um certo tópico da obra, utilizando o índice ou a leitura de algumas linhas, parágrafos, visando encontrar frases ou palavras-chaves.

 

  1. SKIMMING - captação da tendência geral, sem entrar em minúsculas, velendo-se dos títulos, subtítulos, ilustrações (se houver). Leitura dos parágrafos, tentando encontrar a metodologia e a essência do trabalho.

 

  1. DO SIGNIFICADO - visão ampla do conteúdo, principalmente do que interresa, deixando de lado aspectos secundários, lendo tudo de uma vez, sem voltar atrás.

 

  1. DE ESTUDO – absorção mais completa do contudo e de todos os significados, devendo ler, reler, utilizar o dicionário e fazer resumos.

 

  1. CRÍTICA - estudo e formação de ponto de vista sobre o texto, comparando as declarações do autor com conhecimentos anteriores.Avaliação dos dados quanto á solidez de argumentação, a fidedignidade e atualização. Se são corretos e completos.

 

Moral (1955: 63-65) indica apenas um tipo de leitura, a de erudição abrangendo três subdivisões:

 

  1. DE ERUDIÇÃO - voltada para o entendimento. Subdivide-se em:

 

  1. Leitura- trabalho - visando ao conhecimento científico do texto. Leitura lenta, com anotações e resumos.
  2. Leitura - critica – análise do conteúdo, fazendo juízo de valor. Abrange leitura, resumo e classificação ordenada do conteúdo.
  3. Leitura- descanso - ou de prazer, que pode ser um exercício proveitoso, desde que seja adotado um bom método.

 

A abordagem de Salomon (1972:47) é um pouco diferente das dos outros autores citados. Apresenta os seguintes tipos de leitura: “silenciosa, oral, técnica, de informação, de estudo, de higiene e de prazer.

 

 Outras Classificações

A classificação dos tipos de leitura apresentado por Cervo e Berviran (1978:25-60) apresenta três modalidades: formativas, de distração e informativa. Entretanto, eles se preocupam apenas com a última.

 

LEITURA INFORMATIVA  -  ou coleta de informações. Deve-se ler tendo em vista um objetivo determinado. A leitura informativa abrange quatro fases:

 

  1. De Reconhecimento ou Pré- Leitura - permite ao leitor verificar a existência ou não das informações que necessita, dando, ao mesmo tempo, uma visão global do assunto.

 

  1. Seletiva - seleção das informações de interrese, após a localização das mesmas. A seleção deve ser feita tendo em vista as preposições do trabalho, ou seja, os problemas, as hipóteses, os objetivos etc.

 

  1. Crítica ou Reflexiva - implica estudo, reflexão, entendimento dos significados. Exige esforço reflexivo realizado através das operações de análise, comparação, diferenciação, síntese e julgamento.

 

  1. Interpretativa - significa entender a intenção do autor. Abrange três aspectos:

 

  • Saber o que realmente o autor afirma;
  • Correlacionar as afirmações do autor com os problemas para os quais se procura a solução;
  • Julgar o material coletado em relação ao critério de verdade e cuidar para que todas as afirmações sejam comprovadas. Concluída a análise e o julgamento, passa-se ao processo de síntese.

A esquematização dos tipos de leitura, apresentadas por Salvador (1980:94-102), é a mais detalhada de todas, embora indique a mesma visão de Cervo e Bervian, ou seja, formativa, informativa e de distração. Ele também apenas se preocupa com uma delas, a informativa, porém, com uma subdivisão mais completa.

Para Salvador, a leitura informativa é aquela que visa apenas á coleta de informações para determinado propósito. Engloba três objetivos principais:

  1. certificar-se do conteúdo do texto;

         

  1. b) correlacionar os dados coletados com o problema a ser solucionado;

 

  1. c) verificar a validade das informações do autor.

 

FASES DA LEITURA INFORMATIVA

 

A leitura informativa engloba as seguintes fases:

 

  1. a) De Reconhecimento ou Prévia - leitura rápida cuja finalidade é procurar um asuno interresante ou verificar a existência de determinadas informações.

 

  1. b) Exploratória ou Pré- Leitura - leitura de sondagem, tendo em vista localizar as informações, uma vez que já se tem conhecimento de sua existência.

 

  1. c) Seletiva - leitura que visa a seleção das informações mais importantes relacionadas com o problema em questão.

 

  1. d) Reflexiva - mais profunda que as outras, refere-se ao relacionamento e á avaliação das informações, das intenções e dos propósitos do autor.

 

  1. e) Crítica - avalia as informações do autor. Implica saber escolher, diferenciar as idéias principais das secundárias e hierarquizá-las pela ordem de importância, procurando obter não só uma visão sincrética e global do texto como também, e principalmente, a intenção do autor.

 

  1. f) Interpretativa - leitura com o intuito de verificar os fundamentos da verdade enfocados pelo autor.

 

Pelo exposto, pode- se verificar que a leitura é de suma importância para todos os que se interresam pela ampliação ou aprofundamento dos conhecimentos, que são vários os tipos de leitura e que sua utilização vai depender dos objetivos do leitor.

 

30/11/2019

Muito Interessante acompanhar a TV Cultura e os programas dedicados à educação, num oferecimento SESI e Cia. Realmente você se deleita ao ver dois ou três estudantes do Ensino Médio aprendendo de uma forma diferenciada. Se você me perguntar que forma é essa dir-lhe-ei que se aproxima muito do modelo “Escola da Ponte”, tendo como base aquilo que venho defendendo há muito tempo: cada um pratica o que tem vontade (é normalmente um estudo em grupo de interesses) que depois vão teorizar.

Mas não só os estudantes do ensino médio, os do Ensino Fundamental, na medida do saber inicial, também seguem a mesma linha de aprendizado. Pelo que foi apresentado no programa que assisti (creio que está no Youtube) dá realmente gosto ver as crianças e os jovens se preocupando com o “trabalho” do futuro que está umbilicalmente ligado à teoria da IA (inteligência Artificial).

Numa entrevista, duas professoras que não consegui gravar o nome (só sei que uma é da Fundação Ayrton Senna (?) e a outra da Unesp. Coloco essa interrogação porque tenho minhas restrições a essa organização, nas não é o momento de partir para esse campo de análise) fizeram suas exposições a respeito da educação e cometeram, ambas, a mesma falha em suas falas: nenhuma pronunciou ou apontou para a família, no processo educacional dessa juventude. No meu entender “essa omissão” é proposital, pois  o SESI mantem seu modelo educacional sem fazer dele um protótipo para educação fundamental como um todo. É o dinheiro do capital (que nos é honestamente roubado) quem financia esse tipo de ensino que interessa a meia dúzia de empresários, portanto a uma quantidade seletiva de alunos profissionais. A Unesp é uma universidade estadual voltada muito mais para o campo técnico que para o propedêutico.

Ao final, além da vontade de ver todo o processo educacional escolar trabalhar em igualdade de condições ficaram-me algumas perguntas, sendo que para algumas já tenho resposta, mas falta o principal: a velha vontade política de fazer a diferença, Disse que tinha gostado imenso de assistir o programa, não menti, mas me questionei; “onde está a reflexão mais ou menos filosófica (pela questão do aprofundamento do estudo da disciplina)”? Não percebi (desculpem a minha pouca visão) em momento algum o menor interesse sociológico sobre o fazer, ou sobre as consequências que porão advir desse trabalho. Dito de outra forma: apesar de estarem a preparar trabalhadores para o futuro, não passam da preparação da “bucha para canhão”, de verdadeiros robôs que responde às ordens tal qual respondem os “bonequinhos ou brinquedinhos” que criam. È um formação capenga e jamais será uma educação omnilateral como aquela preconizada por Marx.

Um outro jogo que eu percebo, e esse é um jogo perigoso, é o político. Quantos de nós, melhor ou pior formados, não sabemos que a nossa educação parece ser, como disseram as professoras apontadas, do século XIX, com professores do século XX, para crianças do século XXI? Levante a mão aí quem não souber disto. Mas em atenção ao modelo gestor do país, tanto escolas como universidades estão cerceadas de fazerem o melhor que podemos, pois nos tiram os meios para isso. Nestas condições, somos obrigados a nos manter no modelo imposto ainda no governo Lula: Vejamos apenas o que nos diz Leher, apud Trópia (2007, p. 5).

os objetivos da reforma universitária seriam: consolidar o eixo privado como vetor do fornecimento da educação superior; reduzir o papel do Estado à condição de regulador do ensino superior; naturalizar a diferença entre os sistemas de ensino, reservando aos jovens das classes populares um ensino de qualidade inferior; transformar a universidade em organização de serviços demandados pelo capital metamorfoseados como inovação tecnológica; converter a educação tecnológica em um braço da ação empresarial; aumentar o controle governamental (produtividade, eficiência e ideológica, reguladas por meio da avaliação) e do mercado (financiamento e utilitarismo) sobre a universidade pública, inviabilizando a autonomia e, principalmente, a liberdade acadêmica”.

Desta proposta surgiu a discussão da separação das universidades e dos Institutos Superiores de Educação. A estes últimos eram agregadas as Universidades Estaduais que normalmente estão mais vocacionadas à formação docente. Só alguns ISEs foram criados, boa parte das estaduais permaneceram enquanto tal.

De lamentar, neste caso, que as formadoras de docentes se mantenham agarradas a currículos antiquados e não consigam olhar para o futuro, mesmo sem as condições ideais é possível fazer o diferente como condição de obrigar o governo a investir nelas. De outra forma, a tendência é serem fechadas no curto prazo.

Esta é uma opinião pessoal, não obrigo ninguém a compartilhar desta minha loucura.

Fonte: TRÓPIA, Patrícia Vieira. A Política para o Ensino Superior do Governo Lula: uma análise crítica. Cadernos da Pedagogia – Ano I – Vol. 2- agosto a dezembro de 2007

 

13/02/2019

Uma descoberta inesperada.

Tal como já anunciei, e se fosse diferente teria perdido o interesse, esta nova empreitada vai dar o que fazer, mas traz a alegria das descobertas tão características da pesquisa.

Como também já tinha anunciado estava ultrapassando a fase da coleta de fontes quando, de repente, caio sobre aquilo que chamo de "uma preciosidade". Se é certo que não é o original (mas é uma cópia fac-simile, que lhe confere o status de "original") de uma obra intitulada: "Apontamentos para a História do Cariri" do jornalista João Brígido, datada de 1888. E já não se trata da primeira edição, pois o próprio autor nos informa que essa sua escrita foi inicialmente publicada no Diário de Pernambuco em 1861.

Creio que encontrei uma pérola, pois me permitirá compreender melhor o surgimento desta região, mesmo se até onde já li (60 das 147 páginas) a única referência à educação na região não vai além de um pequeno informe do autor, quando se apresenta e diz que foi professor primário. A ansiedade pelo fim da leitura é grande, por isso vou já terminar por aqui, por agora, para me deleitar com a leitura deste bom e arcaico português que me fala, por exemplo, de uma famos "secca acontecida naqueles annos".

A coisa promete.

Volto mais tarde!

 

 

Mais uma empreitada que exigirá de mim bastante esforço e concentração. A coleta das fontes está quase completa, vou passar a partir de agora, a rabiscar alguns dados que farão objeto de reflexão para aqui trazer para os meus leitores.

Portanto, a parir de agora, fica a expectativa do poderá vir por aí. Acredito poder fazer um bom trabalho. Espero que a saúde ajude e a capacidade de raciocínio não se acabe.

Agora é traçar uma metodologia e ir rabiscando ideias para desenvolver esta temática que deve interessar principalmente aos docentes/discentes da Universidade Regional do Cariri = URCA - onde desempenhei minhas funções profissionais desenvolvendo o ensino/estudo dos Fundamentos Históricos da Educação.

Aproveito entre outras fontes, aquelas que consegui para argumentar a minha tese doutoral que até este momento não foi publicada. Além disso, tenho todo um acervo de livros, revistas, depoimentos orais... acredito no trabalho.

Hoje estamos a 3 de fevereiro de 2018;