A Educação no Kariri

12/03/2020

Fazia uns dias que por aqui não aparecia, mas acreditem é por falta de motivos, em meio a tanto desarranjo da nossa educação. Eu sei que é paradoxal fazer uma tal afirmação, mas pensemos juntos:

  • A nossa educação anda sem rumo (que posso dizer além do lamento pelas pessoas que ficarão sem seu estudo de qualidade), seja ele em que nível for; 
  • Não podemos dizer que temos um ministro da educação, quando muito um "sinistro" que só envergonha quem quer e pretende estudar para ser alguém na vida, mas não pode comparar-se ao ser que está ocupando o posto mais elevado da educação, por tanta vergonha que sente; 
  • Nestes últimos dias (os primeiro do mês de março de 2020) tem sido o que no meu país chamamos de pandemônio... O tal do coronavir19 está fazendo que todo mundo se isole, evite o contato com outras pessoas e objetos para não se contaminarem: entre as organizações escolhidas para ficarem de férias, está a escola. Uma medida acertadíssima, pois quem conhece as crianças sabe bem dos riscos de contaminação. Nisso Alguém acertou em cheio.

Mas eu não gostaria que esse tempo que vai durar a quarentena ou a erradicação do tal vírus, fosse um tempo perdido. O futuro exige muito da gente para que tenhamos percas de tempo, por isso deixo aqui umas regrinhas simples para que você possa fazer uma leitura proveitosa e prazerosa. 

Deixa fazer a minha publicidade antes:

Se não tiver mais nada que lhe interesse para ler, quem sabe você possa adquirir o meu primeiro livro, que a crítica já começa a falar bem, apesar de ser uma autobiografia. Vale ressaltar que nessa "minha história" eu mostro os passos que dei para chegar ao doutorado em educação. Não foi fácil e você vai compreender por quê. Ah! o livro custa só 35 reais. Basta pedir que eu mando, ou por portador, ou pelos correios, do jeito que der eu mando. Entre em contato e passo a conta. Vale bem a pena.

Agora que já fiz a minha propaganda, vejas as regras para uma boa leitura:

 

LEITURA PROVEITOSA

Para que a leitura tenha um resultado satisfatório, algumas considerações devem ser levadas em conta:

 

  1. a) Atenção – aplicação cuidadosa da mente ou espírito em determinado objeto, para haver entendimento, assimilação e apreensão dos conteúdos básicos encontrado nos texto.

 

  1. b) Intenção – interesse ou propósito de conseguir algum proveito intelectual através da leitura.

 

  1. c) Reflexão – consideração e ponderação sobre o que se lê, observando todos os ângulos, tentando descobrir novos pontos de vista, novas perspectivas e relações. Favorece a assimilação de idéias alheias, o esclarecimento e o aperfeiçoamento das próprias, além de ajudar a aprofundar conhecimentos.

 

  1. d) Espírito crítico – avaliação de um texto.Implica julgamento, comparação, aprovação ou não, aceitação ou refutamento das colocações e pontos de vista.Permite perceber onde está o bom ou o verdadeiro, o fraco, o medíocre ou o falso.

Ler com espírito critico significa ler com reflexão, não admitindo idéias sem analisar, ponderar, nem proposições sem discutir, nem raciocínio sem examinar. É emitir juízo de valor.

 

  1. e) Análise – divisão do tema no maior número de partes possível, determinação das relações entre elas e entender sua organização.

Segundo Bloom (1917;119), as “capacidades que requer a análise estão situadas em um nível mais alto que as necessárias para compreensão e aplicação.”

 

  1. f) Síntese - reconstituição das partes decompostas pela análise e resumo dos aspectos essenciais, deixando de lado o secundário e o acessório, mas dentro de uma seqüência lógica de pensamento.

 

  1. g) Velocidade – certo grau de velocidade, mas com eficiência, faz-se necessário. Os estudantes, os responsáveis pelos trabalhos científicos devem consultar e ler quantidades razoáveis de obras e documentos. Em razão da explosão bibliográfica especializada é necessário que se leia com certa velocidade, para se tornar conhecimento das novas teorias, idéias, colocações etc. Deve-se ler rápido, mas de modo a entender o que se lê, visando ao bom aproveitamento.

 

Gagliano (1979: 71-72) indica algumas regras elementares para a leitura:

  1. Jamais realizar uma leitura de estudo sem um propósito definido.

 * Reconhecer sempre que cada assunto, cada gênero literário requer uma velocidade própria de leitura.

*Entender o que se lê.

*Avaliar o que se lê.

*Discutir o que se lê

*Aplicar o que se lê.

 

DEFEITOS A SEREM EVITADOS

 

Além de se observarem os requisitos necessários para que a leitura se torne proveitosa, deve-se também procurar evitar algumas atitudes que só prejudicam o bom aproveitamento.Entre elas estão:

 

  1. Dispersão do espírito – falta de concentração, deixando a imaginação divagar de um lado para o outro. A formação intelectual consiste, em grande parte, na disciplina da mente.

 

  1. Inconstância – o trabalho intelectual, sem uma devida perseverança, não atinge o objetivo, não chega a nada concreto.

 

  1. Passividade – a leitura passiva, sem trabalho da mente, sem raciocínio, reflexão, discussão, impede o verdadeiro progresso intelectual.

 

  1. Excessivo espírito crítico – preocupação exagerada em censurar, criticar, refular ou contradizer prejudica o raciocínio lógico.

 

  1. Preguiça - em procurar esclarecimento de coisas desconhecidas contidas no texto. Sem a compreensão da terminologia específica, nem sempre se pode entender o texto.

 

  1. Deslealdade – distorção do pensamento do autor. Quando há má fé ou se falsificam as idéias contidas no texto, compromete-se o caráter científico de qualquer obra.

 

A investigação ou a apreciação deixa de ser uma verdade científica.

 

 Tipos de Leitura

 

Harlow (1980: 113-114) apresenta cinco tipos de leitura:

  1. SCANNING - procura de um certo tópico da obra, utilizando o índice ou a leitura de algumas linhas, parágrafos, visando encontrar frases ou palavras-chaves.

 

  1. SKIMMING - captação da tendência geral, sem entrar em minúsculas, velendo-se dos títulos, subtítulos, ilustrações (se houver). Leitura dos parágrafos, tentando encontrar a metodologia e a essência do trabalho.

 

  1. DO SIGNIFICADO - visão ampla do conteúdo, principalmente do que interresa, deixando de lado aspectos secundários, lendo tudo de uma vez, sem voltar atrás.

 

  1. DE ESTUDO – absorção mais completa do contudo e de todos os significados, devendo ler, reler, utilizar o dicionário e fazer resumos.

 

  1. CRÍTICA - estudo e formação de ponto de vista sobre o texto, comparando as declarações do autor com conhecimentos anteriores.Avaliação dos dados quanto á solidez de argumentação, a fidedignidade e atualização. Se são corretos e completos.

 

Moral (1955: 63-65) indica apenas um tipo de leitura, a de erudição abrangendo três subdivisões:

 

  1. DE ERUDIÇÃO - voltada para o entendimento. Subdivide-se em:

 

  1. Leitura- trabalho - visando ao conhecimento científico do texto. Leitura lenta, com anotações e resumos.
  2. Leitura - critica – análise do conteúdo, fazendo juízo de valor. Abrange leitura, resumo e classificação ordenada do conteúdo.
  3. Leitura- descanso - ou de prazer, que pode ser um exercício proveitoso, desde que seja adotado um bom método.

 

A abordagem de Salomon (1972:47) é um pouco diferente das dos outros autores citados. Apresenta os seguintes tipos de leitura: “silenciosa, oral, técnica, de informação, de estudo, de higiene e de prazer.

 

 Outras Classificações

A classificação dos tipos de leitura apresentado por Cervo e Berviran (1978:25-60) apresenta três modalidades: formativas, de distração e informativa. Entretanto, eles se preocupam apenas com a última.

 

LEITURA INFORMATIVA  -  ou coleta de informações. Deve-se ler tendo em vista um objetivo determinado. A leitura informativa abrange quatro fases:

 

  1. De Reconhecimento ou Pré- Leitura - permite ao leitor verificar a existência ou não das informações que necessita, dando, ao mesmo tempo, uma visão global do assunto.

 

  1. Seletiva - seleção das informações de interrese, após a localização das mesmas. A seleção deve ser feita tendo em vista as preposições do trabalho, ou seja, os problemas, as hipóteses, os objetivos etc.

 

  1. Crítica ou Reflexiva - implica estudo, reflexão, entendimento dos significados. Exige esforço reflexivo realizado através das operações de análise, comparação, diferenciação, síntese e julgamento.

 

  1. Interpretativa - significa entender a intenção do autor. Abrange três aspectos:

 

  • Saber o que realmente o autor afirma;
  • Correlacionar as afirmações do autor com os problemas para os quais se procura a solução;
  • Julgar o material coletado em relação ao critério de verdade e cuidar para que todas as afirmações sejam comprovadas. Concluída a análise e o julgamento, passa-se ao processo de síntese.

A esquematização dos tipos de leitura, apresentadas por Salvador (1980:94-102), é a mais detalhada de todas, embora indique a mesma visão de Cervo e Bervian, ou seja, formativa, informativa e de distração. Ele também apenas se preocupa com uma delas, a informativa, porém, com uma subdivisão mais completa.

Para Salvador, a leitura informativa é aquela que visa apenas á coleta de informações para determinado propósito. Engloba três objetivos principais:

  1. certificar-se do conteúdo do texto;

         

  1. b) correlacionar os dados coletados com o problema a ser solucionado;

 

  1. c) verificar a validade das informações do autor.

 

FASES DA LEITURA INFORMATIVA

 

A leitura informativa engloba as seguintes fases:

 

  1. a) De Reconhecimento ou Prévia - leitura rápida cuja finalidade é procurar um asuno interresante ou verificar a existência de determinadas informações.

 

  1. b) Exploratória ou Pré- Leitura - leitura de sondagem, tendo em vista localizar as informações, uma vez que já se tem conhecimento de sua existência.

 

  1. c) Seletiva - leitura que visa a seleção das informações mais importantes relacionadas com o problema em questão.

 

  1. d) Reflexiva - mais profunda que as outras, refere-se ao relacionamento e á avaliação das informações, das intenções e dos propósitos do autor.

 

  1. e) Crítica - avalia as informações do autor. Implica saber escolher, diferenciar as idéias principais das secundárias e hierarquizá-las pela ordem de importância, procurando obter não só uma visão sincrética e global do texto como também, e principalmente, a intenção do autor.

 

  1. f) Interpretativa - leitura com o intuito de verificar os fundamentos da verdade enfocados pelo autor.

 

Pelo exposto, pode- se verificar que a leitura é de suma importância para todos os que se interresam pela ampliação ou aprofundamento dos conhecimentos, que são vários os tipos de leitura e que sua utilização vai depender dos objetivos do leitor.

 

30/11/2019

Muito Interessante acompanhar a TV Cultura e os programas dedicados à educação, num oferecimento SESI e Cia. Realmente você se deleita ao ver dois ou três estudantes do Ensino Médio aprendendo de uma forma diferenciada. Se você me perguntar que forma é essa dir-lhe-ei que se aproxima muito do modelo “Escola da Ponte”, tendo como base aquilo que venho defendendo há muito tempo: cada um pratica o que tem vontade (é normalmente um estudo em grupo de interesses) que depois vão teorizar.

Mas não só os estudantes do ensino médio, os do Ensino Fundamental, na medida do saber inicial, também seguem a mesma linha de aprendizado. Pelo que foi apresentado no programa que assisti (creio que está no Youtube) dá realmente gosto ver as crianças e os jovens se preocupando com o “trabalho” do futuro que está umbilicalmente ligado à teoria da IA (inteligência Artificial).

Numa entrevista, duas professoras que não consegui gravar o nome (só sei que uma é da Fundação Ayrton Senna (?) e a outra da Unesp. Coloco essa interrogação porque tenho minhas restrições a essa organização, nas não é o momento de partir para esse campo de análise) fizeram suas exposições a respeito da educação e cometeram, ambas, a mesma falha em suas falas: nenhuma pronunciou ou apontou para a família, no processo educacional dessa juventude. No meu entender “essa omissão” é proposital, pois  o SESI mantem seu modelo educacional sem fazer dele um protótipo para educação fundamental como um todo. É o dinheiro do capital (que nos é honestamente roubado) quem financia esse tipo de ensino que interessa a meia dúzia de empresários, portanto a uma quantidade seletiva de alunos profissionais. A Unesp é uma universidade estadual voltada muito mais para o campo técnico que para o propedêutico.

Ao final, além da vontade de ver todo o processo educacional escolar trabalhar em igualdade de condições ficaram-me algumas perguntas, sendo que para algumas já tenho resposta, mas falta o principal: a velha vontade política de fazer a diferença, Disse que tinha gostado imenso de assistir o programa, não menti, mas me questionei; “onde está a reflexão mais ou menos filosófica (pela questão do aprofundamento do estudo da disciplina)”? Não percebi (desculpem a minha pouca visão) em momento algum o menor interesse sociológico sobre o fazer, ou sobre as consequências que porão advir desse trabalho. Dito de outra forma: apesar de estarem a preparar trabalhadores para o futuro, não passam da preparação da “bucha para canhão”, de verdadeiros robôs que responde às ordens tal qual respondem os “bonequinhos ou brinquedinhos” que criam. È um formação capenga e jamais será uma educação omnilateral como aquela preconizada por Marx.

Um outro jogo que eu percebo, e esse é um jogo perigoso, é o político. Quantos de nós, melhor ou pior formados, não sabemos que a nossa educação parece ser, como disseram as professoras apontadas, do século XIX, com professores do século XX, para crianças do século XXI? Levante a mão aí quem não souber disto. Mas em atenção ao modelo gestor do país, tanto escolas como universidades estão cerceadas de fazerem o melhor que podemos, pois nos tiram os meios para isso. Nestas condições, somos obrigados a nos manter no modelo imposto ainda no governo Lula: Vejamos apenas o que nos diz Leher, apud Trópia (2007, p. 5).

os objetivos da reforma universitária seriam: consolidar o eixo privado como vetor do fornecimento da educação superior; reduzir o papel do Estado à condição de regulador do ensino superior; naturalizar a diferença entre os sistemas de ensino, reservando aos jovens das classes populares um ensino de qualidade inferior; transformar a universidade em organização de serviços demandados pelo capital metamorfoseados como inovação tecnológica; converter a educação tecnológica em um braço da ação empresarial; aumentar o controle governamental (produtividade, eficiência e ideológica, reguladas por meio da avaliação) e do mercado (financiamento e utilitarismo) sobre a universidade pública, inviabilizando a autonomia e, principalmente, a liberdade acadêmica”.

Desta proposta surgiu a discussão da separação das universidades e dos Institutos Superiores de Educação. A estes últimos eram agregadas as Universidades Estaduais que normalmente estão mais vocacionadas à formação docente. Só alguns ISEs foram criados, boa parte das estaduais permaneceram enquanto tal.

De lamentar, neste caso, que as formadoras de docentes se mantenham agarradas a currículos antiquados e não consigam olhar para o futuro, mesmo sem as condições ideais é possível fazer o diferente como condição de obrigar o governo a investir nelas. De outra forma, a tendência é serem fechadas no curto prazo.

Esta é uma opinião pessoal, não obrigo ninguém a compartilhar desta minha loucura.

Fonte: TRÓPIA, Patrícia Vieira. A Política para o Ensino Superior do Governo Lula: uma análise crítica. Cadernos da Pedagogia – Ano I – Vol. 2- agosto a dezembro de 2007

 

13/02/2019

Uma descoberta inesperada.

Tal como já anunciei, e se fosse diferente teria perdido o interesse, esta nova empreitada vai dar o que fazer, mas traz a alegria das descobertas tão características da pesquisa.

Como também já tinha anunciado estava ultrapassando a fase da coleta de fontes quando, de repente, caio sobre aquilo que chamo de "uma preciosidade". Se é certo que não é o original (mas é uma cópia fac-simile, que lhe confere o status de "original") de uma obra intitulada: "Apontamentos para a História do Cariri" do jornalista João Brígido, datada de 1888. E já não se trata da primeira edição, pois o próprio autor nos informa que essa sua escrita foi inicialmente publicada no Diário de Pernambuco em 1861.

Creio que encontrei uma pérola, pois me permitirá compreender melhor o surgimento desta região, mesmo se até onde já li (60 das 147 páginas) a única referência à educação na região não vai além de um pequeno informe do autor, quando se apresenta e diz que foi professor primário. A ansiedade pelo fim da leitura é grande, por isso vou já terminar por aqui, por agora, para me deleitar com a leitura deste bom e arcaico português que me fala, por exemplo, de uma famos "secca acontecida naqueles annos".

A coisa promete.

Volto mais tarde!

 

 

Mais uma empreitada que exigirá de mim bastante esforço e concentração. A coleta das fontes está quase completa, vou passar a partir de agora, a rabiscar alguns dados que farão objeto de reflexão para aqui trazer para os meus leitores.

Portanto, a parir de agora, fica a expectativa do poderá vir por aí. Acredito poder fazer um bom trabalho. Espero que a saúde ajude e a capacidade de raciocínio não se acabe.

Agora é traçar uma metodologia e ir rabiscando ideias para desenvolver esta temática que deve interessar principalmente aos docentes/discentes da Universidade Regional do Cariri = URCA - onde desempenhei minhas funções profissionais desenvolvendo o ensino/estudo dos Fundamentos Históricos da Educação.

Aproveito entre outras fontes, aquelas que consegui para argumentar a minha tese doutoral que até este momento não foi publicada. Além disso, tenho todo um acervo de livros, revistas, depoimentos orais... acredito no trabalho.

Hoje estamos a 3 de fevereiro de 2018;