A Educação no Kariri

30/11/2019

Muito Interessante acompanhar a TV Cultura e os programas dedicados à educação, num oferecimento SESI e Cia. Realmente você se deleita ao ver dois ou três estudantes do Ensino Médio aprendendo de uma forma diferenciada. Se você me perguntar que forma é essa dir-lhe-ei que se aproxima muito do modelo “Escola da Ponte”, tendo como base aquilo que venho defendendo há muito tempo: cada um pratica o que tem vontade (é normalmente um estudo em grupo de interesses) que depois vão teorizar.

Mas não só os estudantes do ensino médio, os do Ensino Fundamental, na medida do saber inicial, também seguem a mesma linha de aprendizado. Pelo que foi apresentado no programa que assisti (creio que está no Youtube) dá realmente gosto ver as crianças e os jovens se preocupando com o “trabalho” do futuro que está umbilicalmente ligado à teoria da IA (inteligência Artificial).

Numa entrevista, duas professoras que não consegui gravar o nome (só sei que uma é da Fundação Ayrton Senna (?) e a outra da Unesp. Coloco essa interrogação porque tenho minhas restrições a essa organização, nas não é o momento de partir para esse campo de análise) fizeram suas exposições a respeito da educação e cometeram, ambas, a mesma falha em suas falas: nenhuma pronunciou ou apontou para a família, no processo educacional dessa juventude. No meu entender “essa omissão” é proposital, pois  o SESI mantem seu modelo educacional sem fazer dele um protótipo para educação fundamental como um todo. É o dinheiro do capital (que nos é honestamente roubado) quem financia esse tipo de ensino que interessa a meia dúzia de empresários, portanto a uma quantidade seletiva de alunos profissionais. A Unesp é uma universidade estadual voltada muito mais para o campo técnico que para o propedêutico.

Ao final, além da vontade de ver todo o processo educacional escolar trabalhar em igualdade de condições ficaram-me algumas perguntas, sendo que para algumas já tenho resposta, mas falta o principal: a velha vontade política de fazer a diferença, Disse que tinha gostado imenso de assistir o programa, não menti, mas me questionei; “onde está a reflexão mais ou menos filosófica (pela questão do aprofundamento do estudo da disciplina)”? Não percebi (desculpem a minha pouca visão) em momento algum o menor interesse sociológico sobre o fazer, ou sobre as consequências que porão advir desse trabalho. Dito de outra forma: apesar de estarem a preparar trabalhadores para o futuro, não passam da preparação da “bucha para canhão”, de verdadeiros robôs que responde às ordens tal qual respondem os “bonequinhos ou brinquedinhos” que criam. È um formação capenga e jamais será uma educação omnilateral como aquela preconizada por Marx.

Um outro jogo que eu percebo, e esse é um jogo perigoso, é o político. Quantos de nós, melhor ou pior formados, não sabemos que a nossa educação parece ser, como disseram as professoras apontadas, do século XIX, com professores do século XX, para crianças do século XXI? Levante a mão aí quem não souber disto. Mas em atenção ao modelo gestor do país, tanto escolas como universidades estão cerceadas de fazerem o melhor que podemos, pois nos tiram os meios para isso. Nestas condições, somos obrigados a nos manter no modelo imposto ainda no governo Lula: Vejamos apenas o que nos diz Leher, apud Trópia (2007, p. 5).

os objetivos da reforma universitária seriam: consolidar o eixo privado como vetor do fornecimento da educação superior; reduzir o papel do Estado à condição de regulador do ensino superior; naturalizar a diferença entre os sistemas de ensino, reservando aos jovens das classes populares um ensino de qualidade inferior; transformar a universidade em organização de serviços demandados pelo capital metamorfoseados como inovação tecnológica; converter a educação tecnológica em um braço da ação empresarial; aumentar o controle governamental (produtividade, eficiência e ideológica, reguladas por meio da avaliação) e do mercado (financiamento e utilitarismo) sobre a universidade pública, inviabilizando a autonomia e, principalmente, a liberdade acadêmica”.

Desta proposta surgiu a discussão da separação das universidades e dos Institutos Superiores de Educação. A estes últimos eram agregadas as Universidades Estaduais que normalmente estão mais vocacionadas à formação docente. Só alguns ISEs foram criados, boa parte das estaduais permaneceram enquanto tal.

De lamentar, neste caso, que as formadoras de docentes se mantenham agarradas a currículos antiquados e não consigam olhar para o futuro, mesmo sem as condições ideais é possível fazer o diferente como condição de obrigar o governo a investir nelas. De outra forma, a tendência é serem fechadas no curto prazo.

Esta é uma opinião pessoal, não obrigo ninguém a compartilhar desta minha loucura.

Fonte: TRÓPIA, Patrícia Vieira. A Política para o Ensino Superior do Governo Lula: uma análise crítica. Cadernos da Pedagogia – Ano I – Vol. 2- agosto a dezembro de 2007

 

13/02/2019

Uma descoberta inesperada.

Tal como já anunciei, e se fosse diferente teria perdido o interesse, esta nova empreitada vai dar o que fazer, mas traz a alegria das descobertas tão características da pesquisa.

Como também já tinha anunciado estava ultrapassando a fase da coleta de fontes quando, de repente, caio sobre aquilo que chamo de "uma preciosidade". Se é certo que não é o original (mas é uma cópia fac-simile, que lhe confere o status de "original") de uma obra intitulada: "Apontamentos para a História do Cariri" do jornalista João Brígido, datada de 1888. E já não se trata da primeira edição, pois o próprio autor nos informa que essa sua escrita foi inicialmente publicada no Diário de Pernambuco em 1861.

Creio que encontrei uma pérola, pois me permitirá compreender melhor o surgimento desta região, mesmo se até onde já li (60 das 147 páginas) a única referência à educação na região não vai além de um pequeno informe do autor, quando se apresenta e diz que foi professor primário. A ansiedade pelo fim da leitura é grande, por isso vou já terminar por aqui, por agora, para me deleitar com a leitura deste bom e arcaico português que me fala, por exemplo, de uma famos "secca acontecida naqueles annos".

A coisa promete.

Volto mais tarde!

 

 

Mais uma empreitada que exigirá de mim bastante esforço e concentração. A coleta das fontes está quase completa, vou passar a partir de agora, a rabiscar alguns dados que farão objeto de reflexão para aqui trazer para os meus leitores.

Portanto, a parir de agora, fica a expectativa do poderá vir por aí. Acredito poder fazer um bom trabalho. Espero que a saúde ajude e a capacidade de raciocínio não se acabe.

Agora é traçar uma metodologia e ir rabiscando ideias para desenvolver esta temática que deve interessar principalmente aos docentes/discentes da Universidade Regional do Cariri = URCA - onde desempenhei minhas funções profissionais desenvolvendo o ensino/estudo dos Fundamentos Históricos da Educação.

Aproveito entre outras fontes, aquelas que consegui para argumentar a minha tese doutoral que até este momento não foi publicada. Além disso, tenho todo um acervo de livros, revistas, depoimentos orais... acredito no trabalho.

Hoje estamos a 3 de fevereiro de 2018;