O autor:

Manuel José Pina Fernandes

Prof./Dr/URCA

profmanuelfernandes@gmail.com

Orcid: https://orcid.org/0000-0003-4388-3387

        https://www.facebook.com/manuel.fernandes.906

 

 O ANO 2020 PROMETE

 

Esta perspectiva de promessa está relacionada com a minha produção literária.

Estou com tempo suficiente para colocar no papel um monte de ideias que me acorrem à cabeça durante esse tempo livre. Embora seja um tempo de tratamento de saúde, felizmente o aspecto cognitivo não foi afetado, por mais que a idade já possa dar alguns alertas sobre  a qualidade da memória. mas até este momento mantenho-me íntegro, apesar da falta danada que os meus rins me fazem. Mas a vida continua!

Foi no meio tempo (quando me afastei temporariamente do trabalho e agora dois anos depois, me aposentei em definitivo) que a ideia me surgiu de terminar de cumprir um ditado que, em Portugal nos diz que para se ser realmente um homem é preciso atingir três metas: 1 - Plantar uma árvore; 2 - Dar um filho à nação; 3 - Escrever um livro.

São três tarefas nem tão difíceis de cumprir, mas nem todos conseguem completá-las na íntegra. As duas primeiras cumpri com facilidade e até com  amor e prazer, mas a terceira... Até há pouco tempo tinha alguns textos isolados publicados em revistas e em livros coletivos, posso dizer, nada disso era meu, faltava, então criar coragem e encarar a escritura de um livo próprio.

Fiz várias tentativas, pensei tantos temas, imaginei tantas abordagens de problemas cotidianos, até que um ideia me foi sugerida por um companheiro de trabalho: escrever a minha História de Vida. Parei alguns dias para traçar mentalmente um plano de escrita. O que contar não faltava (e ainda há o que falar, apesar de já estar com o segundo em ponto de editar), não "via", no entanto, uma maneira "prática" de fazer vir a "obra" a lume. Recordei que nas minhas aulas falava muito em metodologia de pesquisa e foi quando o estalo (mais conhecido como insite) aconteceu: tentaria produzir uma Autobiografia. Levei alguns dias pensando como dar uma forma ao que pretendia. Comecei algumas maneiras, mas nunca ficava satisfeito com o resultado.

Numa de minhas leituras (que também pratico)li uma frase que dizia que "O passado é hoje". Encontrei o filão. E a forma de fazer surgiu gratuitamente quando resolvi me auto entrevistar. Aliás digo isso na capa do livro, no subtítulo, quando afirmo: "Eu, por e para mim mesmo". Consegui, tanto bem quanto mal associar o meu desenvolvimento como ser humano ao desenvolvimento profissional (fui/sou professor), portanto mostro através da entrevista como fui construindo o meu saber que me permitiu chegar à classe de Doutor numa área específica da História, a História da Educação.

Fica portanto e desde já o aviso que ninguém espere nenhuma "Obra de Arte", trata-se tão simplesmente de uma narrativa de vida como qualquer um de nós tem a sua. Terminadas as 162 páginas fui ao editor e mostrei-lhe aquilo a que chamamos de "boneca" ou projeto, se quiserem, ele se encantou e bem rápido me publicou o livro (mediante pagamento, é claro!), mas passou esse meu projeto para a frente de outros que ainda andam por lá sobre a sua bancada de trabalho, um tanto enrolados.

Enquanto ele publicava e me entregava este primeiro, eu preparei o segundo. Só que agora é preciso calma ou encontrar um bom patrocinador. 

Então, deixo aí acima os possíveis contatos para quem desejar fazer uma leitura leve, mas significativa, que apenas traz a História (resumida, devo dizer) de alguém que um dia foi desacreditado publicamente e ao final da vida pode afirmar que alcançou um status elevado na atual sociedade. O custo inicial é de apenas R$ 35,00 podendo aumentar um pouco por conta do transporte. Sobre esse aspecto é preciso considerar a atual política que este (des)governo está a praticar com os CTT's.

Antecipadamente agradeço a quem queira adquirir o seu exemplar.

Bem hajam!

 

 

 

 

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Retrospectiva 

2019/2020

O VERMELHO REPRESENTA O SANGUE E PRETO REPRESENTA O LUTO

 

 

O ano (parece ter sido um século) que agora se encerra é o primeiro na minha vida que gostaria de não ter que relembrar, mas os “ossos do ofício” me impõem essa tarefa. Não serei longo, pois como disse nem no ano que perdi meu pai eu atingi o nível de estresse que este de 2019. Já revirei todos os dicionários que encontrei pela frente e em nenhum consegui encontrar um adjetivo capaz de qualificar este acidente.

Logo no primeiro dia, a posse de um ser abjeto na presidência do país já dava a nota do teríamos que aguentar em virtude da péssima escolha feita por um povo que não zela pelo seu direito à democracia, mas disso não é o único culpado, pois a ignorância pela falta de conhecimento é pura responsabilidade dos poderes instituídos. Disse no ano passado, por esta mesma ocasião, que não há nada tão ruim que não possa piorar, estava muito longe de imaginar todas as mazelas que uma única criatura pode causar aos seus semelhantes.

O tempo foi passando sobre o povo trabalhador se tornando a cada dia um tempo mais pesado em virtude das atitudes que este governo começou a adotar contra tudo e contra alguns que se dizem de esquerda (mas nem todos merecem esse rótulo, malgrado se aproveitem dele para tirarem proveito próprio). O grande golpe não foi contra o PT, as ações mais ultrajantes e prejudiciais estavam destinadas a destruir a classe trabalhadora e aqueles com menos possibilidades de ganharem honestamente o seu sustento. Impôs-se a lei do mais forte, daquele que tem uma arma e com ela em punho comete as maiores barbaridades: MARIELLE, PRESENTE! Mas não só ela. Em nome de uma justiça que não apresenta espírito nem de facção criminosa, a polícia mata mais que “chumbinho” o veneno para ratos. Diria que os ratos estão querendo matar o veneno e para isso não há limites. ÁGATHA, PRESENTE! Sem emprego, sem ajuda do governo, sem direito a aposentadoria, e todas as demais crueldades cometidas por esse desgoverno, o pobre vai para as ruas onde se torna alvo fácil para os filhinhos de papais ricos ou de policiais inescrupulosos que disparam 80 tiros num automóvel de um pai de família que regressava a sua residência. Ou os índios por todo este país imenso. Caiem homens, mulheres e crianças. JEREMIAS MORAES DA SILVA, PRESENTE! Quantos mais teremos que contar nas chacinas? FIRMINO GUAJAJARA e seus irmãos de etnia TODOS PRESENTES!  

O ano não foi fácil e ainda não terminou, estou publicando este material faltando ainda alguns dias para o fechamento do ano, época em que, às pressas, se aprovam medidas e Mais medidas contra os trabalhadores, na calada da noite, praticamente sem uma discussão com o povo que é o mais lesionado com essas medidas. Por isso eu vou fazer uma confissão.

Lutei muito, me expus, Subi onde às vezes a minha idade já não aconselha para colocar bem alta a bandeira de um partido dito de esquerda. Hoje, depois de analisadas conscientemente certas atitudes desses ditos esquerdopatas, que revelar que me envergonho de vestir uma roupa vermelha, pois todos eles, por interesses não revelados (são segredos guardados a sete chaves “com o STF e com tudo”) todos esses partidos ditos de oposição aderiram à prática do algoz-mor do povo brasileiro. Só escapou um partido que não se alinhou (resta sempre a possibilidade de se alinhar – o sentimento de corporação é muito atrativo!), mas não será por isso que me alinharei com ele. Vou manter-me fora do raio de ação desses partidos todos e cumprirei meu papel como cidadão encaminhando minha família e todos aqueles a quem puder influenciar para votarem em quem mais julgarem ser o mais indicado. Por outras palavras: Não apoiarei candidato algum seja ele quem for – inclusive o Lula. O PT assim como toda raça esquerdopata traíram o povo brasileiro – salvou-se dessa percha o PSOL, mas não há a menor chance que eu apoie um candidato deles.

Desde sempre a minha ideologia aproxima-se daquela de Hegel, pois não persigo idealismos, sou muito mais de luta por realismos (ou materialismos, como preferem alguns). Digamos que um materialismo histórico, construído coletiva e conscientemente é a única fórmula de política que defendo e hoje não temos, no Brasil nem em outra parte do mundo um só partido que defenda isso como bandeira empunhada e levantada bem alto até que, após lhe cortarem os dois braços e não possa mais erguê-la, a cubra com seu corpo para defendê-la até à morte.

Infelizmente vivo uma sociedade que mesmo se implodindo por dentro e por fora não deixa de execrar a classe trabalhadora que é por ela explorada e muito mais, expropriada e sem condições de assumir uma postura revolucionária como temos, por exemplo, no Chile.

Por tudo isto, que não é mais que presságio do que está por vir no ano que iniciará a segunda década do século XXI, eu reafirmo minha vontade sem fim de esquecer que este ano existiu, que eu o vivi, que fez parte da minha vida. É possível que eu não veja o desfecho deste ciclo que atravessamos (afinal a minha idade já avançada pode Não permitir), mas como nunca fui egoísta (iria contra a minha ideologia) preocupo-me com as novas gerações e a maneira como elas vão ter que se comportar para fazer frente a tudo que se está preparando.

Que morra o 2019!

Que o parto e vida de 2020, não seja, nem de muito longe, parecida com seu antecessor.

Fonte da imagem:

https://www.comunidadeculturaearte.com/a-heranca-de-karl-marx-e-friedrich-engels/

2018/2019

Retrospectiva

Nem tudo que é mau termina mal, há aquilo que termina muito pior. Nós sabemos que de hoje a seis dias seremos atingidos em cheio por um tsunami de corrupção como jamais se viu, malgrado a propaganda enganosa que fizeram contra o PT. Toda aquela encenação só tinha um objetivo e esse foi alcançado: tirar Lula da corrida presidencial. Um objetivo de impacto bem maior, no entanto, está por vir. 

Costumo dizer que não há melhor conselheiro que o tempo, ele se encarregará de nos dizer contra quem foi o golpe, a favor de quem e quem o praticou. Isto porque eu não acredito que tudo já tenha sido feito, que todos os atores já tenham aparecido em cena e que o grand finale vá acontecer dia primeiro de janeiro. Pelo meu raciocínio nós só ainda vimos coadjuvantes e dublês de fantoches.

Normalmente, as pessoas aprendem com as experiências, mas neste caso acredito que "o ser humano brasileiro" é pior que os ratinhos do Pavlov e não aprendem onde devem colocar a patinha para saírem da linha de miséria para a qual estão sendo novamente atirados como se de lixo se tratasse.

Na verdade (pelo menos na minha verdade) ninguém nasce ensinado e como tal temos todos que enfrentar um processo de aprendizado que envolve além de nós, aqueles que nos poderão guiar pelo caminho do saber. É verdade (minha verdade) que o PT não foi capaz de garantir aquele papel que dizia desempenhar: ser um partido de esquerda. Basta ver que os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro como nos governos de "esquerda", pois o governo que se dizia de esquerda deu à população a condição de sair duma situação precária para permanecer numa apenas um pouco melhor, mas esqueceu de mexer lá onde devia: na formação de base.  O povo melhorou sim, ou teve pelo menos a perspectiva de dias melhores, que poderiam ser, efetivamente melhores e garantirem que não se criaria uma onda de antiPTismo. Mas ela veio, é esse o Tsunami que aguardo para os próximos dias.

O pior, daí o eu dizer que tudo pode acabar pior, é que após a passagem do tsunami será necessário retomar o caminho de volta, recompor o que for possível e reconstruir novas bases que suportem baques semelhantes a este que estamos sofrendo ou até piores. Coisa para umas dezenas de anos. Já cá não estarei para ver todo o estrago, mas não me sinto, minimamente culpado de toda esta situação que se foi criando aos poucos, sob os olhares dos crédulos que diziam que a vez da direita já tinha passado. Aí veio a extrema direita e tomou na mão grande como quem toma pirulito da mão de criança.

As lições estão aí, mas nem com a corda do cabresto roendo o lombo o brasileiro se sente incomodado a ponto de ter a mínima reação, fica, comodamente sentado atrás do seu teclado fazendo papel de urso irritado, mas mais manso que a pomba branca da paz. Às vezes (para não dizer sempre) tenho inveja daqueles "gilet's jaunes" que ainda hoje, quando escrevo esta retrospectiva, estão em luta contra um governante que lhes quis aumentar o preço dos combustíveis. Um povo culto sabe o que quer, quando quer.

Mas a educação vai bem, no Brasil, tão bem que acabaram de retirar mais 50 bi para aplicar na compra da inocência de um dos larápios que este país sustenta, alegre e gaiteiramente.

No plano pessoal, deixei de contar os anos que faço e passei a contar os anos que ainda por aqui me é permitido andar. Sou um bebezinho, tenho agora um aninho que a máquina de hemodiálise me permitiu viver. Vamos ver quantos ela tem para sustentar pelo menos com uma qualidade de vida minimamente decente. Estou alegre e feliz por poder conviver com a minha família, sempre um dia a mais depois do anterior. Não faço mais planos a curto, que dizer a longo prazo. O meu amanhã é hoje e ontem não recordo mais quando nem como foi. Só o hoje me interessa, o aqui e agora. Por isso não formulo desejos para mim para 2019. Quero que todos vocês possam satisfazer todos os vossos desejos e que a Paz seja o pior dos estados de espírito que tenham que enfrentar e que continuem a gostar de me ler.

A todo(as) o meu abraço fraterno