O autor:

Manuel José Pina Fernandes

Prof./Dr/URCA

profmanuelfernandes@gmail.com

Orcid: https://orcid.org/0000-0003-4388-3387

        https://www.facebook.com/manuel.fernandes.906

 

2018/2019

Retrospectiva

Nem tudo que é mau termina mal, há aquilo que termina muito pior. Nós sabemos que de hoje a seis dias seremos atingidos em cheio por um tsunami de corrupção como jamais se viu, malgrado a propaganda enganosa que fizeram contra o PT. Toda aquela encenação só tinha um objetivo e esse foi alcançado: tirar Lula da corrida presidencial. Um objetivo de impacto bem maior, no entanto, está por vir. 

Costumo dizer que não há melhor conselheiro que o tempo, ele se encarregará de nos dizer contra quem foi o golpe, a favor de quem e quem o praticou. Isto porque eu não acredito que tudo já tenha sido feito, que todos os atores já tenham aparecido em cena e que o grand finale vá acontecer dia primeiro de janeiro. Pelo meu raciocínio nós só ainda vimos coadjuvantes e dublês de fantoches.

Normalmente, as pessoas aprendem com as experiências, mas neste caso acredito que "o ser humano brasileiro" é pior que os ratinhos do Pavlov e não aprendem onde devem colocar a patinha para saírem da linha de miséria para a qual estão sendo novamente atirados como se de lixo se tratasse.

Na verdade (pelo menos na minha verdade) ninguém nasce ensinado e como tal temos todos que enfrentar um processo de aprendizado que envolve além de nós, aqueles que nos poderão guiar pelo caminho do saber. É verdade (minha verdade) que o PT não foi capaz de garantir aquele papel que dizia desempenhar: ser um partido de esquerda. Basta ver que os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro como nos governos de "esquerda", pois o governo que se dizia de esquerda deu à população a condição de sair duma situação precária para permanecer numa apenas um pouco melhor, mas esqueceu de mexer lá onde devia: na formação de base.  O povo melhorou sim, ou teve pelo menos a perspectiva de dias melhores, que poderiam ser, efetivamente melhores e garantirem que não se criaria uma onda de antiPTismo. Mas ela veio, é esse o Tsunami que aguardo para os próximos dias.

O pior, daí o eu dizer que tudo pode acabar pior, é que após a passagem do tsunami será necessário retomar o caminho de volta, recompor o que for possível e reconstruir novas bases que suportem baques semelhantes a este que estamos sofrendo ou até piores. Coisa para umas dezenas de anos. Já cá não estarei para ver todo o estrago, mas não me sinto, minimamente culpado de toda esta situação que se foi criando aos poucos, sob os olhares dos crédulos que diziam que a vez da direita já tinha passado. Aí veio a extrema direita e tomou na mão grande como quem toma pirulito da mão de criança.

As lições estão aí, mas nem com a corda do cabresto roendo o lombo o brasileiro se sente incomodado a ponto de ter a mínima reação, fica, comodamente sentado atrás do seu teclado fazendo papel de urso irritado, mas mais manso que a pomba branca da paz. Às vezes (para não dizer sempre) tenho inveja daqueles "gilet's jaunes" que ainda hoje, quando escrevo esta retrospectiva, estão em luta contra um governante que lhes quis aumentar o preço dos combustíveis. Um povo culto sabe o que quer, quando quer.

Mas a educação vai bem, no Brasil, tão bem que acabaram de retirar mais 50 bi para aplicar na compra da inocência de um dos larápios que este país sustenta, alegre e gaiteiramente.

No plano pessoal, deixei de contar os anos que faço e passei a contar os anos que ainda por aqui me é permitido andar. Sou um bebezinho, tenho agora um aninho que a máquina de hemodiálise me permitiu viver. Vamos ver quantos ela tem para sustentar pelo menos com uma qualidade de vida minimamente decente. Estou alegre e feliz por poder conviver com a minha família, sempre um dia a mais depois do anterior. Não faço mais planos a curto, que dizer a longo prazo. O meu amanhã é hoje e ontem não recordo mais quando nem como foi. Só o hoje me interessa, o aqui e agora. Por isso não formulo desejos para mim para 2019. Quero que todos vocês possam satisfazer todos os vossos desejos e que a Paz seja o pior dos estados de espírito que tenham que enfrentar e que continuem a gostar de me ler.

A todo(as) o meu abraço fraterno