Ultimas Atualizações
Ponto de vista  (12-05-2018)
DE DEDO EM RISTE  (05-05-2018)
Boas Vindas  (31-03-2018)
MOMENTOS  (24-03-2018)
CRÔNICA MENSAL   (24-03-2018)
Um pouco de História  (24-03-2018)
Livros grátis  (01-10-2017)
Filmes e documentários  (02-02-2017)
Aporte Teórico  (10-01-2017)
Sua opinião
Como você classifica o site?
Ótimo
Muito Bom
Bom
Razoável
Sofrível
Ruim
Ver Resultados
  • Currently 2.52/5

Rating: 2.5/5 (23 votos)

ONLINE
1

Um pouco de História

Um pouco de História

primeira abordagem na escola parceira

Janeiro 2018

SONHOS

Os sonham são para ser sonhados e, dentro das possibilidades concretizados. Eu também sou (isto quer dizer que já fui e continuo sendo!) um sonhador e como tal sei muito bem como qualquer um de nós que muitos desses sonhos que sonhamos acabam por esvair-se nos ares.

Sonhei um dia alto demais para a minha fraca estatura - por mais que eu seja amigo de uma "briga" e não "abra nem para o trem" quando entro numa, mas existem os momentos em que precisamos abandonar nossa postura guerreira, de valentão, e admitir o fracasso. Cabem, entretanto as justificativas.

A projeto que sonhei junto a uma escola pública do município em que resido, acabou sendo transformado numa dessas quimeras, não passou de um sonho, por mais que tentativas tenham sido desenvolvidas na busca da concretização. A ideia, em si, era boa e até chegou a dar alguns frutos, mas a maioria das flores murchou e não chegou a frutificar, face às muitas "pragas" que infestam o nosso mundo educacional e influenciaram na floração, na polinização e na frutificação, para manter a metáfora da mãe natureza. Os pouco frutos que conseguiram vingar tiveram vida curta em virtude do enfraquecimento da árvore mãe.

Em educação, lutar contra o "estabelecido" é tarefa para poucos e loucos. Por muito que estudemos e defendamos uma educação crítica, as nossas Instituições Superiores sabem muito bem impor seus desejos que não vão além da satisfação das vontades maiores do sistema produtivo. Impõem-nos objetivos e métodos, tudo engessado e disfarçado sob a capa de uma educação transformadora que será avaliada através de instrumentais criados por elas, à revelia das realidades diversas em que ela é aplicada. Lutar contra esse status quo é quase um suicídio. Mas assim mesmo ainda há que continue a sonhar... pode-se perder uma batalha, mas guerra, em definitivo, ainda não está perdida. Usando de mais uma metáfora adianto que "A duna nasce dum pequeno grão de areia"!

Os sonhos não podem morrer!

"Não te rendas, por favor, não cedas,

Ainda que o frio queime,

Ainda que o medo morda,

Ainda que o sol se esconda,

E o vento se cale,

Ainda existe fogo na tua alma.

Ainda existe vida nos teus sonhos.!

- Mario Benedetti

 

O INICIO DE TUDO

Pelo ato do nascimento e pela nossa condição humana somos todos aprendentes e ensinantes a uma só vez. Sou, portanto, um pouco disso tudo há bastante tempo. Ao longo desse tempo tive oportunidade de desenvolver ora uma, ora outra dessas faculdades pessoais. Sempre fui considerado um bom aprendente, mas não posso julgar-me enquanto ensinante.

Enquanto aprendente, logrei a licenciatura em Pedagogia por uma questão de vontade pessoal para desenvolver a compreensão do "sistema" educacional brasileiro. Não contente com o alcançado, meti velas no rumo de um Mestrado em Educação Brasileira logo após dois anos da graduação e de ter sido efetivado como professor da educação básica. Na UFC defendi minha Dissertação no ano de 2001. Na hora em que estava prestes a iniciar a defesa recebi a notícia da nomeação como professor efetivo na URCA. Era, de algum modo, a coroação do êxito obtido pelo esforço.

A compreensão que buscava e encontrei não se coadunava com as minhas expectativas. No campo da ensinagem dei início a uma "luta" em prol da transformação que imagino necessária para que se modifique a forma como se leva a educação escolar às nossas crianças. É essa educação escolar que venho questionando e rotulando como insuficiente e mal direcionada. Afinal, a nossa educação tem objetivos claros e definidos em benefício da sociedade capitalista, pregando o individualismo, a obediência cega e alienada aos detentores dos meios de produção. A essa educação falta muito - para não dizer tudo - de humanismo.

Querendo aumentar meu cabedal intelectual de modo a poder aprofundar minhas reflexões, que desde o começo da ensinagem vinha desenvolvendo, tendo por base as práticas e os pensares de José Pacheco e António Nóvoa fui realizar estudos de Doutorado em Educação na UFPB. Foi mais uma luta que, finalmente, teve seu desfecho: 2013 recebi o título de Doutor e com ele aumentam as possibilidades de fortalecimento da luta pela causa já anteriormente indicada.

Ainda como mestre criei um Núcleo de Pesquisa e Estudo dos Movimentos Sociais e Educação (NUPEMSE). Através dele fui desenvolvendo minhas pesquisas e aproveitei para desenvolver um trabalho que passarei a chamar de "Extensão Universitária", mesmo se a situação não está ainda oficializada junto a IES em que desenvolvo as atividades.

No âmbito desse Núcleo vai surgir um Grupo de Estudo (GE) que se dedicará, com exclusividade, ao aprofundamento da teoria e principalmente da prática educacional desenvolvida na Escola da Ponte (José Pacheco) e, concomitantemente, com a teorização da prática de formador de António Nóvoa da UNL.

Após um contato mais efetivo com o pensar desses dois educadores começamos a vislumbrar a possibilidade de praticarmos um ato educativo menos calcado na prática impositiva e descontextualizada da realidade dos aprendentes e de suas necessidade, como essa que é oferecida pelo atual sistema. Tivemos a oportunidade de contactar com uma escola que já dava sinais de prática educacional diferenciada (veja foto acima). Era o começo desejado para uma prática sonhada durante um período de tempo assaz longo. Tínhamos algumas dificuldades em virtude das resistências existentes por parte dos "acomodados", mas a nossa persistência tem demolido as maiores barreiras que surgem ao longo do caminhar. Nem tudo são flores. Muito há para ser feito. Estamos a postos para lhes contar essa trajetória. É o que pretendemos fazer nas próximas páginas.