Ponto de vista

Ponto de vista

07/07/2017

O ponto de vista de hoje vai ser curto, porém objetivo.

Estive (ainda estou) sob ameaça de ter que fazer uma cirurgia de catarata, nada muito preocupante, principalmente para quem tem um sistema da visão completo, eu já sou mono ocular. Aí o nó arrocha! Mas não é sobre que quero versar nesta noite de sexta-feira.

O "temeroso", o desarticulado marionete nas mãos do Eduardo Cunha, se prontificou, com alguma resistência, a fazer mais um papel de bobo, desta feita junto ao G20.

Do meu ponto de vista, anotem o dia e hora que digo isto, ao retornar ao Brasil será imediatamente conduzido para trás das gades: terá sido deposto! Não merece melhor destino: quem trai, merece ser traído!

O #JAMAISMAIA já antecipou, neste dia, a parte mais controversa de seu "projeto de governo" e durante um relativo pequeno espaço de tempo terá sonhado profundamente com a possibilidade de vir a ser o presidente do Brasil. Conta com o apoo dos golpistas menores (em importância) para lhe darem apoio. Cumprirá sua sina de JUDAS, Trairá. E nem vai precisar das tintas moedas! Enquanto o seu sonho não vira pesadelo, aguentemos o "ÍNDIO DA ODEBRECHT" tentar anular a sua dívida de milhões junto à união. Só depois pensamo no "Botafogo" que aliás, até como time de futebol anda um tanto mal das pernas!

Triste nação que tem como possibilidades (por força de lei) de ser dirigida por um grupo de ladrões inescrupulosos.

Aí está! Cumpro a sina, antecipando o #FORAMAIA

 

18/06/2017

Meu pangaré pocotó

 

Já, em idos tempos, foi chamado de “meu corcel lutador” ou “cavalinho de batalha”, mas hoje, coitado, cansado de guerra, já não passa desse pangaré anunciado. Claro que digo a que ou a quem me refiro: à luta que travo (em consonância com tantos outros reais e leais companheiros de guerra, mas entre os quais não conseguimos união) em prol da elevação da qualidade da formação docente. Já virou quase um mantra proferido quase à exaustão como meio de tentativa de convencimento.

 

Em outros (muitos) textos já produzidos, alguns deles aqui socializados, venho apresentando a minha análise crítica àquilo a que chamo de reprodução de ideais educacionais formativos que remontam a tempos pretéritos, principalmente quando se mantém institucionalizado o falido sistema 3+1 proposto por Valnir Chagas lá nos de 1960.

 

Atualmente estamos nos aproximando de um limite espaço temporal que nos foi colocado pelas mais recentes Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN’s) para que se adequem as licenciaturas a um modelito que, na minha opinião, disfarça bastante mal a sua tentativa de ser peneira com a qual se deseja tampar o sol. Imposições, restrições, receituários e prescrição de “doses cavalares” de remédio amargo para tentar, tanto bem que mal, esconder as mazelas e as chagas abertas no corpo da educação nacional que vai, em ritmo acelerado, de mal a pior, mesmo depois que minimizaram os valores inferiores desejáveis para que ela se situasse entre aquelas dignas de países que compõem o jet set da high society mondial. Vi e participei de reuniões em que pessoas (a quem chamo de conformistas e/ou incapazes de pensar fora da caixinha enfeitada que lhes estendem) se “digladiaram” para manterem “suas disciplinas”, seus campos de conforto, insensíveis às projeções mais desastrosas que era possível formular naquele momento sobre o sombrio futuro que planejavam nos aconchegantes gabinetes refrigerados dos donos do poder, para essa mesma educação.

 

Ora, se a educação não anda bem vamos aumentar as horas de formação dos “professores” – mesmo não tendo percebido que muitos dos cursos já se encontravam além dos limites que agora pretendem impor. Trago como exemplo o curso em que sou encarregado de parte ínfima da formação desses novos professores: O nosso curso, antes das modificações sugeridas¸ já totaliza 3.210 horas, i.e., nove semestres (insuficientes para aplicar a carga didática estipulada) em disciplinas de créditos variáveis, sendo que cada crédito equivale (aqui) a 18 horas/aulas. Esta questão dos créditos/horas é um outro imbróglio que precisa ser exposto (já que é difícil esclarecer). Vejamos: as disciplinas são calculadas em 4 créditos de 15 horas cada, perfazendo um total de 60 horas. Calma! Isso é no papel, para inglês ver! Na realidade, nós formadores, estamos sendo obrigados a cumprir 18 encontros (segundo quem manda de 50 minutos), mas – e lá vem confusão – são registradas nos nossos diários 72 horas. Entendeu? Não?  Deixemos para lá, por agora... só por agora!

 

Dizia eu, então, que vi alguns defensores das novas diretrizes regozijar pelo acréscimo de 400 horas – obrigatórias – na formação docente, assim, apenas alterando em parte a nomenclatura das disciplinas e o registro (para espanto meu) de distribuir entre os conteúdos uma parte de prática. Vejamos: Filosofia da Educação: quatro créditos = três teóricos e um prático. Ops! Onde foi que eu já vi esse filme do 3+1? Reflitamos: como fica, na prática, essa prática filosófica? Será só enganação?!

 

Considerando a hipótese do aumento simples e cru das 400 horas passaremos, nós, a um curso com mais de 3.600, o significará, simples modo de calcular (400:18 = 22 créditos) ou se complicarmos um pouco a matemática (400:15 = 27 créditos), estes cálculos só depende da opinião de quem for fazer os cálculos considerar o crédito de 18 ou de 15 h/a. Fica complicado! E complica tanto mais ainda quando começamos a perceber determinadas incongruências nesse processo. Vejamos algumas, apenas para ilustração: 1) O nosso curso ficará muito próximo dos 12 semestres que é exatamente a duração de um curso de medicina ou de direito (não vou nem apelar para o retorno, sob qualquer aspecto que se queira, dos cursos em oposição).  2) A cegueira é tamanha que não permite vislumbrar uma diferenciação entre o que sejam as disciplinas práticas daquelas outras teóricas, a tal ponto que o aumento se dá, exatamente, nestas últimas, como se não houvesse capacidade intelectiva que registre que com esta atitude estamos apenas prolongando o sofrimento do apenado. 3) Não parece haver senso crítico que perceba os artifícios que estão por trás de todas as “facilidades” introduzidas a pretexto de “formar” o professor, como já ocorreu em outros momentos, com programas similares. Questiono, a isso sou obrigado, todos os cursos “extras” que vêm sendo implementados pela política ultra moderna (o tempo da pós modernidade já se desmanchou em líquido) de educação e de formação docente: (PARFOR, Segunda licenciatura, FECOP, Pedagogia em Regime Especial. Complementação pedagógica...), pois embora as novas diretrizes ainda não tenham sido aprovadas em função do desmantelamento que se instalou em Brasília, já é possível encontrar com grande frequência, na Internet, os cursos (particulares) “reconhecidos” de Pedagogia em apenas 1 ano e na modalidade a distância, como já pulularam os cursos de esquina de rua noutros tempos bem presentes e atuais, ou como os chamados cursos supletivos! Vale ressaltar que enquanto oferecem cursos desrespeitam a legislação vigente que diz que nenhum professore sem formação ingressará a serviço da educação, segundo a LDB, pois essa prática continuará a fornecer clientela para tais cursos.

 

A quem desejam enganar? Por que não se faz uma discussão séria e se atacam, na base, os gravíssimos problemas que a educação vem enfrentando e que todos conhecem, mas para os quais receitam apenas medidas paliativas? Que educação desejam? A resposta, principalmente a esta última questão, está na boca do povo: aquela que transforme o ser social em máquina acéfala produtora de mais valia por um período interminável de tempo. Estão no bom caminho para alcançarem seus objetivos.

 

Só nós podemos impedir. Vamos para a luta, meu pangaré?

 

19/04/2017

Dia de índio! Dia de índio?

A bem da verdade de muita gente - jamais generalizar - não deveríamos festejar o "Dia de índio" e sim discutir a precarização das condições de vida desses nossos irmãos. Na condição de educador (ou melhor, na condição de formador de educadores) sempre tenho pregado uma tese que se opõe à prática de enfeitar as criancinhas de índios sem que elas saibam, pelo menos, que no país que elas vivem ainda existem índios (poucos, mas existem) e que esses merecem todo nosso apoio e respeito. No entanto, logo ao raiar do sol percebo nas redes sociais a figura de formadxs que se arvoravam ares de inteligência sob o disfarce de falsos índios. Um pequeno detalhe que faz uma enorme diferença: a maioria desses fazem parte do seleto grupo dos "lutadores pelos direitos das minorias". Será?

 

Por falar em minorias precisamos esclarecer quem são e o que fazem. Vou falar de duas que estiveram em destaque na última segunda feira, dia 17/04/2017, aqui no meu local de trabalho: de um lado as crianças que sofrem do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) - uma abordagem inicial, mas que se mostrou tão promissora que entre organizadores e plateia foi firmado um compromisso de continuidade do estudo das deficiências (não apenas do autismo, mas de tantas quanto possível)- aplaudido de pé; do outro lado, estava a tristeza de ver a minimização daquilo que já é considerado uma minoria no nosso meio (os professores/formadores de novos professores), ao ponto que chegou a doer de perceber a falta de interesse de discutir - ou pelo menos escutar - o que há sobre um dos transtornos que se estão tornando tão frequentes no chão da escola comum, até como forma de de propiciar a chamada inclusão.

 

Precisamos, urgentemente, que alguém com algum tipo de poder, que ainda desconheço, nos inclua de fato, já que no discurso somos/estamos todos incluídos e só os diferentes estão fora do círculo dos ditos normais. Acredito que precisamos rever nossos conceitos com a maior brevidade possível; precisamos praticar a autoavaliação que tanto reclamamos de nossos formandos; carecemos de modéstia para reconhecermos a nossa falibilidade quando o assunto somos nós mesmos e não os outros a quem rotulamos; precisamos aprender a aceitar, muito mais que a classificar.

 

Não está longe o tempo em que a própria família "escondia" o deficiente para não passar vergonha, mas felizmente e graças ao trabalho de alguns abenegadxs, essa realidade tem sido transformada. De nossos dias, a sociedade já começa a compreender que nenhuma deficiência é castigo, que nenhuma situação de anormalidade na existência de deficientes precisa ser escondida por ser característica da incapacidade dos pais em gerar filhos sadios... já lá vai o tempo "da roda do convento" ou os tempos distantes da Grécia antiga em que o pai tinha o direito de matar ou abandonar filhos deficientes e filhas mulheres a seu belo prazer ou livre arbítrio. Conquistas têm sido feitas, mas precisamos intensificar a luta e uma das formas de assim proceder é contribuir para a criação de ESPAÇOS LIVRES DE DIÁLOGO sobre a problemática gerada pela deficiência de uma criança. Precisamos desse espaço de troca de experiências, de ajuda mútua, de reconforto para as famílias (quantas delas se não desestruturadas, em mau estado emocional, psicológico e/ou financeiro) que sofrem tanto ou mais que as próprias crianças. Que dizer do estado emocional que não devem apresentar os parentes mais próximos, os cuidadores, os profissionais que, de alguma forma, lutam diariamente com esses seres que vivem seu próprio mundo? Como não pensar naqueles que precisam saber avaliar todas as mínimas possibilidades que sejam de socialização desses seres especiais? 

 

É preciso muita maturidade e uma sabedoria quase sem limites para entender todas estas necessidades provocadas por um capricho da natureza que concede a alguns pais a graça de aprenderem como lidar com seres especiais, como são essas crianças que lhes foram confiadas. Muitos não superam a provação de serem pais de um pequeno ser que os obriga a modificarem totalmente seus planos de vida. A esses, principalmente, devemos um apoio, uma força extra necessária para abdicarem de seus direitos e sonhos em benefício de um pequeno ser que talvez nem se aperceba dessa situação criada ao seu redor.

 

Quero, enquanto puder, fazer parte de uma legião de apoiadores dos pais/parentes de crianças com qualquer tipo de deficiência. Precisamos ser muitos, podemos ser mais e nem nos custará tão caro assim: quantas vezes um gesto, uma palavra amiga, um ouvido atento são mais importantes que bens financeiros ou materiais.

 

Pense nisso você também: lembre-se - juntos somos mais!

 

 

 

 

 

12/01/2017

Vamos por partes.

Tenho demonstrado que não sou pessoa alienada e que, se vez por outra finjo engolir um sapo, isso não deve ser entendido como regra a aplicar a cada vez que se deseja passar a perna na minha pessoa. Creio que isto é ponto esclarecido, vamos ao próximo.

 

Dizem que é muito bom saber reconhecer quando se perde “uma parada”. Pois bem, estou aqui para confessar que perdi mais uma. Não é a primeira e, certamente não será a última. Não se trata, a bem da verdade, de uma disputa contra mim, exclusivamente, pois as perdas mais acentuadas vão estar noutro local, um local mais frágil e susceptível a manobras e a adestramentos.

 

Sou, costumeiramente, uma criatura preocupada com o coletivo, repudiando todo tipo de sectarismo do mais simples ao mais radical e/ou extremista. Não sou antissocial, mas procuro evitar certos contatos que sei que me causarão mal só pela aproximação. Digamos que sou bastante seletivo. Sou costumeiramente vigilante e lutador pelo bem comum, contrapondo-me àquilo que considero menos acertado a partir do ponto de vista da ética, seja ela do cotidiano individual ou do seu fazer profissional. Tenho pago o preço por esta minha postura, mas devo confessar que durmo muito bem sobre as minhas orelhas. Outros não poderão dizer tanto, assim, com a mesma tranquilidade.

 

Fui, um dia, apelidado de “Mãe Dináh”. No caso, acredito que me queriam colocar no lugar dela por dois motivos: um que se justifica parcialmente pelo simples fato de não carecer ser mais inteligente que ninguém para perceber onde é que o barco vai fazer água e isso eu vejo de bem mais longe que boa parte dos mortais; o segundo motivo tem a ver com “o incômodo” em que me transformo quando sinto que tenho as minhas razões para tal e, nesse caso, talvez me queiram ver distante como se encontra agora a vidente que faleceu em 03 de maio de 2014.

 

Hoje, um passarinho me disse que algo meio estranho está sendo preparado, Tenho minhas provas, mas vou guardar para quando eu tiver dados concretos em mãos. Quero apenas adiantar que sempre fiquei e continuo ficando muito triste com a dicotomia teoria/prática ou, se quisermos, o discurso/ação. Redobrarei minha atenção e na hora certa a compreensão final acontecerá.

 

Não tenho muito mais o que festejar. Soltei os foguetes, vou ter que apanhar as canas. Ossos de um ofício desenvolvido em ambiente onde a ética não passa de uma palavra bonita e de efeito deslumbrante sobre aqueles que desconhecem a podridão que se esconde por trás de um falso sorriso.

 

Para encerrar este Ponto de Vista, que desta feita é mais que a vista de um ponto, gostaria de pedir emprestadas as palavras atribuídas a Meryl Streep, mas que na verdade são de um “patrício” meu que atende pelo nome de José MICARD Teixeira[1]:

 

Já não tenho paciência para algumas coisas, não porque me tenha tornado arrogante, mas simplesmente porque cheguei a um ponto da minha vida em que não me apetece perder mais tempo com aquilo que me desagrada ou fere. Já não tenho pachorra para cinismo, críticas em excesso e exigências de qualquer natureza. Perdi a vontade de agradar a quem não agrado, de amar quem não me ama, de sorrir para quem quer retirar-me o sorriso. Já não dedico um minuto que seja a quem mente ou quer manipular. Decidi não conviver mais com pretensiosismo, hipocrisia, desonestidade e elogios baratos. Já não consigo tolerar eruditismo seletivo e altivez acadêmica. (...) E acima de tudo já não tenho paciência nenhuma para quem não merece a minha paciência.

 

Tempo... que bom conselheiro és!

 

[1] Para quem quiser tirar as dúvidas sobre a autoria das palavras: http://seniorplanet.org/how-the-internet-put-a-powerful-quote-in-meryl-streeps-mouth/

 

05/01/2017

Virada a página, substituído o calendário, trago a primeira reflexão deste novo ano. Confesso que não estou muito animado, mas vamos à luta, pois sem ela nada conseguiremos.

 

O ano ainda nem começou para todos (no Brasil o ano só começa depois do carnaval – que crime!), mas para alguns o tempo já urge. Entre todos, os já no posto e aqueles que esperam a passagem de Momo, alguns pensam e vislumbram um ano difícil, este de 2017. Pessoalmente devo dizer que também no meu horizonte observo as nuvens são mais de tempestade que de calmaria. O bom disto tudo é estarmos preparados e não acalentarmos grandes expectativas para não termos grandes desilusões.

 

Então, percebamos que mal demos início a esse novo ciclo e as questões sociais – principalmente elas – já começaram a precipitar-se de forma aterradora: nos dois primeiros dias tivemos duas chacinas que, espero e faço força, para que não sejam o tom do resto do ano e neste futuro quase imediato que vivenciamos a cada dia nosso.

 

Diante do acontecido (o assassinato de uma família e a briga entre “famiglias” do tráfico dentro dos presídios – e esse episódio ainda não terminou) cabe a pergunta que não quer calar: qual a nossa quota parte na culpa pelo sucedido? Sim! Não precisamos encontrar sempre a culpa nos outros deixando de lado ou sacudindo a água do nosso capote, pois parte de todo sangue derramado nesses dois episódios trágicos escorreu entre nossos dedos. Somos cúmplices dos assassinos quando não atentamos para o nosso dever cívico de eleger bem nossos representantes e deixamos que um grupo de bandidos se apodere do poder de decisão que lhe outorgamos, quantas vezes a troco de um valor tão irrisório que chega a causar vergonha; somos cúmplices quando criticamos apenas pelo “que ouvimos dizer”; somos cúmplices quando não reconhecemos que, para viver o amanhã precisamos vivenciar intensamente o hoje e que isso implica, necessariamente, olhar o ontem para que possamos fazer comparações e, a partir daí, tomar as decisões que nosso espírito crítico nos aconselhar; Somos cúmplices quando permitimos que outros escrevam a nosso história de forma que não desejamos que ela seja escrita – e não escrevemos, nós mesmos, porque não reconhecemos que somos analfabetos políticos, a pior espécie de analfabeto, tal como nos revelava Bertold Brecht; Somos cúmplices quando permitimos que bandidos nos assaltem e nos vilipendiem em nossos direitos e permaneçamos apáticos, serenos, consentâneos.

 

De tudo isto, por tudo isto e com tudo isto me permitam ser pessimista: nunca Momo riu tanto do povo quanto rirá neste seu reinado que se avizinha. Mas não esqueçamos que, enquanto ele sorrir, muitos de nós poderemos amargar a tristeza e a dor da incerteza do amanhã.

 

A menos que assumamos nossa responsabilidade e tomemos nas nossas mãos o destino que estão querendo traçar para nós, chego a pensar que não há mais sentido em festejar o quer que seja.

 

Que o Ano Novo não se manifeste repleto de Velhas Práticas. Afinal, o Brasil – e por decorrência o brasileiro – merecem melhor sorte.

 

Que, apesar de tudo, façamos um ano bom acontecer.

 

                Θ Θ Θ Θ Θ Θ

 

20/12/2016

 

Salvo aconteça coisa brava, este será o último PONTO DE VISTA deste, que é um ano para ser esquecido sob muitos aspectos. Para mim não foi dos piores anos da minha vida, mas andou bem perto. Foi um ano que não deixou muito para comemorar. Até para lembrar de alguma coisa menos ruim fica difícil, é preciso fazer um grande esforço pra encontrar esse algo.

 

De um modo individual, cada um de nós terá mais ou menos coisas a lembrar de ambos os lados da fasquia – melhor ou pior -, mas não teremos, certamente, que apenas lamentar. No plano coletivo a desgraça está armada: de ruim a pior e ainda não estamos perto de ver o fim da safadeza que estão fazendo com a gente. Por enquanto – até que alguma possível gordurinha acumulada nos últimos tempos se dissolva – ainda não dá para sentir os efeitos nefastos das medidas que esse ignóbil que administra o país está adotando. Na hora que for preciso recorrer a outros meios para tentar sustentar um padrão de vida minimamente decente, “a giripoca vai piar”.

 

Será, talvez, chegado o momento em que a pancada vai ser tão pesada que o povo vai ficar aturdido e possa então se dar conta de tudo que agora parece ignorar. Mas esta passividade me inquieta. Este estado de torpor não pode permanecer por muito tempo, pois corremos o risco de não sair mais dele e de irmos aprofundado esse estado letárgico a ponto que se transforme em coma profundo.  É uma situação de extremo mal estar. Apatia total: nada se move, nem a produção, nem a reflexão, tampouco a ação.

 

Arriscar palpites, prognósticos é um exercício extremamente desaconselhável, pois na contramão pode vir alguma política castradora de sonhos, ideais, utopias, numa velocidade tão grande e numa avidez tão profunda que é capaz de limitar até o ato de tentar programar o amanhã, que dizer um futuro apenas mais distante. Estamos de tal forma manietados que, parece, até o ato de pensar dói. Aliás, só esse fato pode justificar a inércia que o país vivencia nestes últimos seis meses. Quando alguém pensa em retomar o curso normal da vida surgem ruídos provindos da má lubrificação a que a máquina está exposta. A falta de confiança no amanhã é entrave enorme, quase intransponível que contribui para enferrujar todo o sistema.

 

O mundo anda. O bem ou o mal feito aqui mesmo renderá seus dividendos, mas enquanto a prestação de conta não acontece vamos padecendo... como sovaco de aleijado. Esperemos apenas que o aleijado não fique tetraplégico.

 

 

01/12/2016

 

Li uma frase de minha querida amiga Verônica Fragoso – a quem trato variavelmente de "Vê" ou simplesmente de "Loura" – que me colocou para refletir. Disse (melhor, escreveu) ela: “Estamos criando uma sociedade de plagiadores”!

Pus-me a matutar:

A Academia quer, porque quer, que os “nossos” trabalhos sejam referenciados, isto é, Fulano (ano, pág.) disse que “(...) ... (...)”; ou, Cicrano, ano pág. (apud Beltano, ano, pág.) elaborou a seguinte ideia: “(...) ... ... (..)”. Por fim, o que me parece mais inquietante, a Academia tende a nos anular, a nós, sim, pobres mortais que ainda não alcançamos o “Hall Of Fame” e como recompensa permite que escrevamos nos trabalhos “Nós” – quando na verdade que queimou as pestanas e trucidou neurônios fui EU; ou sendo um pouquinho mais severa nos impõe um impessoalíssimo que dói na alma: “Fez-se”, limitando assim a nossa voz, a nossa escrita.

Ora, entre o gênio e o plagiador existe simplesmente um tênue sinal gráfico – as aspas – que representam toda a distância entre eles; num momento pode levar-nos à glória, mas por uma pequena distração ou por um ato involuntário pode levar-nos à prisão, à desonra e ao rótulo nada nobre de plagiador.

A nossa sociedade permite, pelo menos até agora e que eu escreva ligeiro, pois pode a regra mudar com esse louco de temporário que assumiu o poder, o livre pensar. Esse ato tão difícil para tanta pessoas pode acabar coincidindo com o de outras pessoas e por isso, principalmente quem vive na Academia onde os discursos são muitas vezes reproduzidos como se estivéssemos e fôssemos papagaios dentro de uma gaiola, é possível que um pensamento chegue muito próximo – senão exatamente – àquele de outrem. Tudo pode acontecer.

Quero aqui, neste momento, refletir sobre algo do momento: o acidente que vitimou todo o time da Chapecoense e dizer de peito aberto: “Foi assassinato, pois quiseram economizar no combustível para lucrar mais e isso causou a queda do avião”! Sou EU, neste momento de raiva (ou não) quem está dizendo (escrevendo) isto, mas quantas pessoas não disseram já a mesma coisa, não tiveram exatamente o mesmo pensar? Quem, neste caso está plagiando quem?

Vamos a outro exemplo, este no meu campo de atuação. Afirmar que “o ensino brasileiro vai de mal a pior e num agravamento acelerado” é algo que qualquer cidadão pode pensar tamanho o desacerto que corre nessa área. A pergunta que fica é: por que não EU?

Apenas para acalmar quem possa pensar que a demência está me atacando, deixo o conceito de plágio.

Para Aurélio (2012) e PRIBERAM (2012): “Plagiar significa cometer furto literário. Apresentando como sua ideia ou obra literária ou científica de outrem”. Repare que não são só as palavras, em si, que representam o plágio, o simples tomar da ideia já é causa de plágio. Se entendo bem – e devo declarar que sou grande defensor das ideias alheias – ninguém mais pode pensar.

Se a partir de um dado momento eu necessito de dizer algo, tenho que ter conhecimento daquilo que os outros já disseram em alguma parte do mundo? Será se o meu pensamento lógico mostrar o caminho percorrido para que EU tenha chegado a um determinado conhecimento não é garante da minha capacidade de pôr em prática aquilo que tanto recomenda a escola: “Prepare seu aluno para que ele seja construtor de seu conhecimento”. Como assim, seu conhecimento, se tudo já está nos livros e foram os outros que o construíram? Algumas coisas não batem certinho dentro da minha cabeça quando começo a pensar neste desafios de lógica que a Academia nos coloca.

Enquanto não se resolve essa pendenga... vamos continuando com o velho ranço, nós todos, por mais que esse nós seja apenas EU com minhas ideias estapafúrdias.

 

09/11/2016

O momento histórico que o mundo atravessa é, no mínimo, assustador. Parece que os velhos valores da humanidade estão se perdendo por completo e no seu lugar estão sendo implantados novos pressupostos de base individualista e sem perspectiva de uma compreensão alternativa. Por todos os rincões do mundo estão eclodindo, quais ovos de serpente, novas ditaduras de predomínio capitalista e viés belicoso. Entre as mais pacatas, mas nem portanto menos terríveis, podemos enquadrar aquela que vem atropelando o povo brasileiro depois de um sonho de felicidade, de uma possibilidade de realizar sua utopia de mobilidade social, permitindo erradicar a fome e vislumbrar, ainda que num horizonte ainda distante, a promessa de dias melhores.

 

O medievo já se reinstalou, quero agora saber quando chegará o dia 14 de julho de 1789. O reizinho ia nu e 1793 foi decapitado. A nova ordem mundial foi e continua sendo bastante bem urdida. Nem a possibilidade de ir viver em Marte me parece mais tão segura contra os desmando que por esta terra se praticam. Logo mais estaremos voltando à caverna de Platão. Resta saber quem será o primeiro a sair, ver a luz e trazer a boa nova ao interior da gruta.

 

Caminhamos pela terra de ninguém, sem lei, sem grei ou, como diz a canção já que no Brasil tudo termina em música, sem lenço e sem documento. Voltamos a um estado no qual, lá no medievo o homem era compreendido apenas como uma entidade composta de corpo e espírito. Veja essa aplicação na atualidade: o povo (trabalhador) precisa de corpo para produzir para o capital e de espírito para ser sujeitado em nome de uma divindade qualquer utilizada para esse fim. Nossos algozes, contudo, não pararam para refletir que que podemos ter, nós, uma visão bem mais ampla – embora não generalizada – uma visão a que podemos chamar de terceira competência que é a mente e sua forma de nos permitir refletir sobre nossos interesses de uma forma mais geral. A política tudo justifica desde que seja em demérito do povo. Fazem-se escolhas, mas quando se fala em escolhas devemos sempre pensar que, em se tratando de política, se de um lado é ruim, do outro pode ser bem pior. A sociedade, como um todo, está apodrecida... fica difícil de produzir bons frutos. Este mundo velho, com sua liquidez, está escorrendo para o ralo.

 

08/10/2016

 

Estou, sinceramente, perplexo com a passividade que se abate sobre o “heroico povo brasileiro”. Não consigo mais pensar dentro da caixa. Está tudo muito confuso. Tudo perdido em meio a um labirinto do qual ainda não descobri como sair. Não tenho, até agora, condições de juntar algumas pedras e começar a resolver este quebra-cabeças.

A cada dia que se passa surgem  novas ações que visam desestruturar o pouco que já se havia conseguido a tão duras penas e depois de um período tão conturbado quanto foi a ditadura militar. Confesso que, interiormente, até eu me sinto desarrumado, meu pensamento não consegue mais seguir uma linha minimamente reta, independentemente da direção que ela possa tomar: esquerda, direita mais ao centro ou ao extremo – um caos completo.

 

Em educação, a minha área de atuação, o mundo desabou em poucos dias. A legislação em vigor não tem mais aplicabilidade diante das investidas desregradas e criminosas que sofreu por parte deste desgoverno que aí está após usurpação dos direitos de quem governava legitimamente. A nossa LDB – tão sofrida e já tão remendada – não tem mais ponta firme por onde se pegue. Tudo que ela preconizava, factível ou não, não tem mais razão de ser ou, se não quisermos ser tão fatalistas, não há como elaborar algum plano de ação em educação diante da situação caótica que nos apresentam.

 

No mesmo rumo seguem outros segmentos básicos da sociedade: a saúde, a segurança, o emprego nosso de cada dia e a estima de ser brasileiro. Estão acabando com tudo sob o nosso olhar mais passivo e condescendente possível e, o que é mais inquietante, com o aplauso de uma galera que deve ter fumado algum produto estragado.

 

O mundo se prepara para uma nova ordem, para um novo modelo de gerenciamento. O velho barbudo (Marx) já nos avisava em pleno século XIX que o capital era cíclico e que vivia tendo altos e baixos. Foi sintomático e precursor desse fenômeno o fato que ora se abate sobre nós, no momento bonito e histórico de retomada gradativa dos comandos de boa parte dos países por forças progressistas ditas de esquerda: na América Latina tivemos bons exemplos com Argentina, Chile, Brasil, Colômbia, Venezuela; na Europa podemos citar os casos da França, da Espanha e da própria Inglaterra. Mas era apenas a pausa estratégica, o recuo para avançar, para preparar o golpe que se fazia urgente aplicar para inibir o avanço e mesmo derrubar os modelos que opõem ao liberalismo e ao capital.

 

As tentativas de cercar a “fera” em seu próprio reduto não sortiram grandes efeitos, afinal a fera estava bem nutrida e com reservas físicas para aguentar o impacto: e rugiu. Começaram a cair, um a um os poderes instituídos que poderiam apresentar algum perigo, e uma curiosidade deve ser registrada: sem a menor reação dos perplexos derrubados. A chave de ouro para fechar a conta já foi alcançada sem um simples estrebuchar de quem quer que seja: a Petrobrás e os seus trilhões foram entregues de bandeja por um Judas e sua camarilha. Agora falta dar o golpe final para que se instaure o novo modelo e esse, de igual forma, não causará maior empecilho ao império do mal para conseguir, pois o povo ordeiro e pacífico, amante do samba e da cachaça, não oferecerá resistência, antes se fará uma festa para comemorar a dependência de quem sempre foi seu sonho de consumo.

 

O arremate vira sobre a forma de “negociação final” da Floresta Amazônica (que já é mais deles que nossa) e, como bônus por boa clientela, os ‘ricanos receberão de graça todo o conteúdo do Aquífero Guarany.

 

Finalmente a tão sonhada e decantada Independência está a caminho. Podem começar a preparar nova documentação e a aprender o mais rápido possível a nova língua que serão obrigados a falar.

 

E não pense em revolta, pois a “redebosta” já mostrou que não há vantagem em brigar por coisas tão pequeninas. Durma bem e pense nas suas próximas férias em Hollyood (já que mais não seja como escravo de algum gringo).

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Embora tenha todo o espaço para manifestar minhas opiniões (opiniões e não imposições ou certezas) crio este espaço para mostrar da forma o mais evidente possível que não sou tão "sonhador" (no sentido pejorativo do vocábulo) quanto possam imaginar. Assim, tentarei trazer para aqui as defesas que julgo pertinentes sobre os meu PONTO DE VISTA, quando o assunto é a educação brasileira.

Tenho defendido abertamente a fusão de todos os cursos de licenciatura em um só CENTRO, no qual estarão organizadas diversas COORDENAÇÕES de cursos distintos, logicamente. Essa possibilidade já me valeu alguns adjetivos menos "nobres", mas nem isso me tem feito desanimar, não cedo de meus ideais por coisa pouca!

Hoje, quase que acidentalmente, deparo-me com uma notícia que me traz mais força, mais ânimo, mais garra para continuar lutando por esse objetivo. Pena que ainda não conte com a adesão à ideia de muitos de meus pares, para não dizer de sua totalidade. Se tiver que os condenar não será por outra coisa além de "conformismo"!

O exemplo que tanta força me dá vem destas palavras:

"A UFABC começa a se diferenciar pela organização. Ao invés de departamentos acadêmicos separados uns dos outros, a universidade possui três grandes centros, um para as áreas das ciências naturais e humanas, outro com as engenharias e ciências sociais e o terceiro com as disciplinas de matemática, computação e cognição".

A leitura da notícia, na sua totalidade, produz em mim um efeito de bálsamo e de estimulante de modo simultâneo. Faça uma leitura, busque informar-se apenas um pouquinho mais e venha discutir com a gente. Eu estou exercendo a minha função de pedagogo, ajude-me a fazer uma educação de melhor qualidade que essa que lhe estão oferecendo. Não esqueça que, se você está em formação para ser um licenciado, precisa refletir bastante sobre a sua função social na estrutura que aí temos.

Continuo na defesa do meu PONTO DE VISTA!

Não obrigo ninguém a aceitar minhas ideias, peço, simplesmente, que reflitam minimamente na parte que julguem passível de aceitação. Se não encontrarem nada... nada lhes cobrarei... Mas não me cobrem, a mim, de fazer mais do que faço! Não nessa área!

 

20/02/2016

Para alguns amigos a notícia que aqui trago não chega a ser mais uma surpresa, boa surpresa por sinal, pois eles já conhecem este fato, mas, na realidade, cético como eu sou, apenas agora passo a divulgar de forma aberta esta minha conquista.

Perguntar-me-ão por quais motivos o faço só agora e aqui neste local. Responderei, sempre com a minha forma peculiar de ser direto, objetivo e nem sempre muito politicamente correto: Só agora porque foi o dia em que recebi a confirmação da publicação; e, segundo aqui, por que, mais uma vez quero deixar bastante claro que o que está no artigo é a tradução "DO MEU PONTO DE VISTA" considerando os aspectos legais e as práticas que analiso no mesmo.

O artigo que acabo de publicar na Revista Lusófona de Educação - com Qualis CAPES A1 - retrata a minha preocupação com a Educação Indígena, no Brasil, e mais especificamente com a Educação Superior destinada àqueles povos. Bem entendido que para atingir a educação superior é obrigatório galgar os demais degraus educacionais até chegar lá, mas essa é toda uma outra discussão que tratarei num próximo escrito.

Portanto e por hoje, deixo-lhes o link da revista para que possam confirmar a publicação e possam navegar com a devida tranquilidade tanto no meu artigo como no dos demais participantes da edição.

http://revistas.ulusofona.pt/index.php/rleducacao/issue/view/679

 

16/04/2016

 

"Se apenas leres os livros que toda a gente lê, apenas podes pensar o mesmo que os outros estão a pensar”.


Haruki Murakami"

 

Seguindo esta linha de pensamento é possível afirmar que “fazendo a mesma coisa que os outros fazem estaremos perpetuando os mesmos erros/acertos que eles cometem”. Gera-se, assim, o comodismo que, por sua vez, está na origem do atraso, do subdesenvolvimento a que muitas sociedades estão sujeitas.

 

Analisando as práticas formativas que venho presenciando ao longo de já numerosos 15 anos, tempo em que o tempo não parou; tempo em que o saber evoluiu; tempo em que o homem sofreu transformações no seu modo de pensar, ser e estar no mundo sou forçado pelas evidências a considerar que tenho/temos repicado mais a segunda opção que a primeira. Temos feito a mesma coisa, linearmente, por vezes sem mudar uma só vírgula, como se à nossa volta tudo estivesse, exatamente, nos mesmos lugares e pintado com as mesmas cores, inalterado.

 

Que motivos há para que esta situação venha se perpetuando ao longo do tempo histórico? Não são poucos, mas também não fazem a unanimidade. Aquele que considero mais grave – entendam que esta é a minha posição pessoal, passível de discordância, mas, contudo, merecedora de respeito – é a falta de abertura para a prática do conselho de Murakami (ler livros diferentes) que versem sobre a mesma temática, mas que tragam para a mesa de discussão novas visões, novas análises, novos paradigmas. Li um dia não sei mais onde, que as nossas Dissertações e Teses estão repletas de repetições, por causa da “adoção” de determinados autores como sendo, cada um deles, o supremo sacerdote de “determinadas religiões” (entenda-se o sentido figurativo), intocáveis, inquestionáveis. Muitos desses “endeusados” têm conseguido o milagre da multiplicação dos bens pessoais. Vale salientar que não há crime algum nesse fato, não cabendo, portanto, a menor das admoestações ou reprimendas sociais ou judiciárias, senão a reflexão sobre o ponto de vista da estagnação do ato de pensar.

 

Precisamos entender, também, que esses “endeusados” para atingirem esse status precisaram mostrar seu valor para que a comunidade acadêmica os reconheça e absorva suas teorias de modo bastante tranquilo e os possa elevar àquilo que considero de clássico. Tentando clarear um pouco mais este meu ponto de vista para que ninguém possa dizer que não captou o real significado das palavras e/ou das ideias coloco no patamar dos “clássicos” aqueles autores que deram sua contribuição para o desenvolvimento de processos educacionais que, a seu tempo, foram responsáveis pelo maior ou menor sucesso da educação nacional. Coloco ali, então, pessoas que estão mais distantes de nós, mas, e aí entra o diferencial, é preciso colocar alguns de nossos contemporâneos. Para quem como eu já faço parte da ala da “velha guarda” posso trazer a este discurso figuras que já não estão mais entre nós, mas que continuam fazendo “sucesso” entre os nossos pesquisadores, algo assim como se fosse a cereja do meu bolo fazer uma referência de alguém que já morreu, mas que um dia deu uma enorme contribuição para a educação do seu tempo. Lembro-me de Valnir Chagas[i] (Raimundo Valnir Cavalcante Chagas 1921-2006) intelectual a quem é atribuída a forma 3+1 que se transformaria no curso de formação de professores, reconhecido como Pedagogia; podemos citar outros como Paulo Freire (apesar de sua atualidade) e tantos outros que tento sintetizar com Lauro de Oliveira Lima, defensor da psicogênese que numa de suas obras Intitulada de “Escola no Futuro”[ii] fazia a seguinte imagem da escola:

"A escola é um campo de concentração com mil controles, fichas, horários, torres de observação, representados pelo mecanismo desumano dos processos de verificação, pelo esoterismo lotérico e pitagórico dos processos de promoção através de médias “ponderadas” (sic!) pelo inspetor federal, o homem da moralidade escolar, pelo diretor, o déspota para quem o regulamento “c’est moi”, pelos inspetores de alunos, os “SS” eternamente redivivos, sempre prontos a atirar no trânsfuga ou no rebelde e agora mais (me Hércules!), por um psicólogo escolar encarregado da “lavagem cerebral” de conversão e ajustamento de um homem livre a um sistema de autômatos...".

 

Respeitáveis pensadores, dignos do nosso respeito, mas de quem devemos pensar que, pelo menos parcialmente, o pensar já foi suplantado pelo caminhar da história da educação que estamos escrevendo a cada dia que se passa. É nesse sentido, de preservar o pensar original, o pensar clássico, que se devem avaliar as novas contribuições que estão sendo urdidas as telas sobre as quais se registra a história diária. Eles têm, portanto, sua palavra a dizer que, no entanto, não deve ser tomada como sentença. A dinamicidade do ser e do fazer não permitem que muitas teorias sejam engessadas durante muito tempo, a norma atual é aquela da flexibilidade, à qual me permito de alterar por prefixação e escrever reflexibilidade.

 

Partindo destes pressupostos e refletindo na quantidade de doutores que estão sendo formados nestes últimos 12 anos acredito que a primeira sentença esteja traduzindo, neste momento histórico, a mais cristalina realidade da nossa educação. Precisamos ler outros livros, precisamos estudar outras formas de pensar e agir em educação, precisamos acompanhar a evolução do nosso tempo, a menos que concordemos que a qualidade dessas formações seja defeituosa/deficiente.

 

Precisamos abrir nossas mentes ao novo e dele não mostrar receio. Talvez não seja ele tão novo e sim nós que estamos ficando mais velhos e intransigentes.

 

[i] veja mais em http://www.faced.ufc.br/images/stories/imagens/valnir%20chagas.pdf;

[ii] LIMA, Lauro de O. A Escola no futuro. São Paulo: José Olympio, 1974.

 

23/04/2016

Certamente que ninguém irá dar a mínima para este meu ponto de vista, mas que fazer? Ele é meu e por isso conservo-o até que alguém olhe a problemática por outro prisma e venha de mim discordar. Todos têm esse direito, pois jamais imaginei ou pretendi ser o dono da verdade ou do saber. Portanto, amigas e amigos, aos vossos apontamentos e às vossas críticas que espero sejam construtivas.

 

O meu olhar (esse que me dá este ponto de vista) pousou sobre uma notícia que é - no meu modesto entender - uma afronta ao povo brasileiro, a esse povo que paga caríssimo para que legisladores façam leis que eles mesmos não cumprem. Só por isso merecem, todos cadeia, mas quem acaba sendo culpado, nesse jogo de responsabilidades deturpadas, é o povo que não exige o cumprimento do texto legal escrito e, pior, que vota nesses energúmenos para serem seus representantes.

A Lei nº 9.394/96 (já uma senhorita de aproximadamente 20 aninhos) preconiza que - calma, adequemos os tempos verbais, por favor - preconizava em 1996, lá no seu Art.º62 que:

"A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal".

Atendamos a que a nomenclatura já foi alterada, a seriação terminada e que surgiram, no seu lugar os anos em número de cinco no lugar de quatro. No entanto, lá nas Disposições Transitórias, no Art.º 87, § 4º está estabelecido que:

"Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço".

Se  é letra da lei, cumpra-se. Bem isto seria verdade se não estivéssemos no Brasil, país onde mais leis se fazem e onde menos leis se cumprem. A Década da Educação deveria ter sido iniciada no ano de 1990, tal como foi na maioria dos países do chamado terceiro mundo, mas nós somos Brasil e fomos protelando, protelando, para que a tão sonhada Década só iniciasse em 1997 e terminasse em 2006. Mas estamos no Brasil... e a década foi aumentada especialmente neste país para vinte anos. Atingimos 2016 e eu, como qualquer outro brasileiro minimamente atento aos fatos acontecendo, percebo  que estão sendo veiculadas notícias que nos dão conta que:

Quase 40% dos docentes não têm formação adequada, aponta censo.

Mas vejamos a notícia no seu completo:

Do total de professores ativos nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio da rede pública, quase 40% não têm qualificação ideal, apontou censo divulgado nesta segunda-feira, 28, pelo Ministério da Educação (MEC). Considerando o fato de que um professor pode lecionar mais de uma disciplina, o índice de docentes em sala de aula com formação inadequada sobe para 53%, assinala o levantamento.

Com o objetivo de diminuir essas taxas, a pasta vai lançar a Rede Universidade do Professor, para estimular os docentes a complementar a formação. Serão disponibilizadas 105 mil vagas já para este segundo semestre, informou o MEC. As inscrições vão de 5 de abril a 5 de maio, por meio da Plataforma Freire.

Baseada em dados de 2015, a pesquisa conclui que a situação mais crítica é a da disciplina de Física, em que 64,7% dos professores se enquadram em um dos seguintes quadros: têm bacharelado, mas não licenciatura; têm licenciatura, mas em área diferente da que ensina; têm curso superior (engenheiro lecionando matemática, por exemplo); ou só têm diploma de ensino médio.

"Se todos os físicos que formamos por ano fossem dar aula - o que não acontece -, levaríamos 11 anos para suprir essa demanda. Esse é o tamanho do problema", disse o ministro, Aloizio Mercadante.

Em Ciências e História, 60% dos professores têm qualificações inadequadas. Em Geografia, o índice é de 62%. "São docentes que podem ter experiência de sala de aula, mas acabam lecionando de forma improvisada, só para completar a grade horária", lamentou o ministro, citando pesquisa da Fundação Carlos Chagas que detectou que apenas 2% dos jovens que concluem o ensino médio desejam ser professores.

A Rede Universidade do Professor vai utilizar vagas que estavam ociosas em universidades e institutos federais para disponibilizá-las a esse grupo de docentes. Serão 24 mil presenciais e 81 mil a distância, por meio da Universidade Aberta do Brasil. "Eles (os docentes efetivos) são a prioridade da prioridade", destacou Mercadante. Se houver necessidade de mais vagas, o MEC vai pactuar com instituições privadas.

Para 2017, a previsão é fortalecer o programa Parfor, de formação de professores, de forma que eles possam cursar as disciplinas exigidas durante as férias da rede pública da educação básica, em uma espécie de curso intensivo. O edital será publicado até o fim deste ano.

Fonte:

Estadão – Brasília 29/03/2016

http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2016/03/29/quase-40-dos-docentes-nao-tem-formacao-adequada-aponta-censo.htm

A pergunta que não quer calar é esta: mesmo sabendo que estão sendo produzidos esforço para qualificar os professores veja-se a quantidade de cursos e possibilidades que lhes foram ofertadas (Cursos de Pedagogia em Regime Especial, Cursos a Distância, Proformação, Parfor e outros que não recordo, mas que cada um de nós sabe existirem - além da indústria da educação com seus cursos de fim de semana - onde foram jogados tantos milhões de reais que foram (?) destinados ao setor educacional?

Quem foram os beneficiados, já que os docentes continuam - ao arrepio da lei - a ganhar pouco e a NÃO TER FORMAÇÃO ADEQUADA?

Quem souber ou tiver uma melhor explicação que esta que deduzo do meu ponto de vista, que me convença. Para mim, grande, enorme parte dessa grana está nos paraísos fiscais e nas contas secretas da Suíça. Entretanto, enquanto não se descobre o real paradeiro da bufunfa, vamos fazendo um discurso vazio  e demagógico afirmando nosso interesse (no dinheiro) na educação e colocando nas salas de aulas os nossos eleitores (analfabetos que são quem nos elege).

Pessoalmente passo pela velha vergonha alheia!

Boa noite!

 

04/05/2016

A vulgarização dos títulos acadêmicos

 

Tudo começa quando qualquer um passa a ser tratado de “Doutor” sem ter passado pela angústia da defesa de uma tese doutoral. Pior que isso, existem instituições que, contrariando o pressuposto indicado acima – que também é legal – emitem “legislação” permitindo que seus associados usem o título de DR, “considerando que o uso do título de Doutor, tem por fundamento procedimento isonômico, sendo em realidade, a confirmação da autoridade científica profissional perante o paciente/cliente”, como é caso do COFEN que, através da Resolução nº 256/2001, “RESOLVE: Art. 1º - Autorizar aos Enfermeiros, contemplados pelo art. 6º, incisos I, II, III, IV, da Lei 7.498/86, o uso do título de Doutor.

Vamos chegar um pouco mais próximo da nossa realidade. Recebi recentemente uma comunicação dando conta do Projeto de Lei que  “amplia acesso a mestrado e doutorado para professores”. Numa proposta digna de reconhecimento, do Deputado Chico Lopes, esse projeto de lei avança nas políticas educacionais. Nela, na mensagem, está dito que: “Um novo projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados amplia o acesso a mestrado e doutorado para os professores, criando a Política de Formação e Aperfeiçoamento de Professores da Educação Básica da rede pública”. Vou aplaudir, mas apenas timidamente. Explico:

Louvo a iniciativa do Deputado Chico Lopes (a quem admiro bastante), mas tenho minhas restrições ao processo. Primeiro, por compreender que o problema maior da educação não está na falta de titulação e sim na falta de preparação inicial condigna. Vale lembrar que o mestrado e o doutorado fazem parte daquilo a que podemos chamar de formação continuada. O meu óbice deve ser encarado como a visão de uma destinação de verbas a ser gasta para tentar reformular algo que foi mal formado. Segundo, Sabendo que parte considerável dos dirigentes municipais e estaduais não são “sensíveis” à qualificação do pessoal docente – veja-se a resistência que muito fazem a pagar o salário diferenciado (e merecido) dos mais qualificados – fica-me a pergunta que não quer calar: A quem beneficia mais essa qualificação? Terceiro, quantos de nossos docentes vão frequentar o mestrado e/ou o doutorado com a finalidade apenas, e tão somente, para “ter um dinheirinho a mais na aposentadoria”, como se vem registrando no PARFOR? Quarto, imaginando que os professores se qualifiquem, como vai ficar o discurso “da falta de verba para pagar, pelo menos, a recomposição das perdas salariais daqueles já em serviço”?

Poderia aqui ficar enumerando um pouco mais de perguntas inquietantes que me perturbam, mas prefiro, para encerrar, deixar esta reflexão: Que educação podemos almejar com a vulgarização dos títulos sem a devida valorização e muito especialmente sem se atacar a raiz do problema que são os cursos de formação inicial, onde tudo deve ter seu nascedouro?

Se não acredita muito na minha tese (de que os cursos não preparam os professores para a sala de aula) veja este link e tire suas dúvidas enquanto será levado(a) a perceber que não sou o único louco a pensar nisso:

http://professortopp.com.br/2016/05/03/universidades-nao-preparam-professores-para-a-sala-de-aula/?fb_ref=e808ba883c5a47cc8b68126624a779b9-Facebook

Site do COFEN : http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2562001_4294.html

Você pode, também, ler o PONTO DE VISTA ANTERIOR.

Dê-me a sua opinião... antecipadamente agradeço!

 

15/05/2016

 

O momento que vivenciamos é, principalmente, de reflexão para a ação.

 

O golpe perpetrado contra a democracia ainda jovem que se vivia neste Brasil de muitos subservientes obriga-nos a parar para fazer essa reflexão. Não há setores mais nem setores menos atingidos pela derrocada que os golpistas vêm promovendo: estamos todos afundando – eles primeiro!

 

A “formação” do novo (velho) governo não deixa margem para dúvidas: vamos viver tempos difíceis, de dor e, quiçá, de sangue – o povo está cansado de ser explorado pela mesma máfia e poderá reagir de forma mais violenta à retirada de direitos conseguidos na LUTA! Essa “formação” misógina, homofóbica, racista e machista deixa antever os rumos que traçados por um péssimo “navegador” que sequer sabe onde fica o norte.

 

Numa tentativa de minimizar os estragos feitos pela vaidade e por um ego super massageado por pares da pior qualidade política e dignidade, eis que “o poderoso” (negado e escrachado por todo mundo) tenta uma cartada de mestre – mestre dos aprendizes feiticeiros, diria eu – levar ao convívio de bandidos, uma das figuras bastante singulares e respeitáveis da nossa mídia: a apresentadora Marília Gabriela. Foi a gota de água que faltava para fazer derramar o cálice já cheio de tanto sentimento negativo.

 

A simbologia do NÃO claro e redondo da Gaby deita por terra toda e qualquer possibilidade de salvar uma falsa moral desse governo golpista. Uma mulher, lutadora, derruba um bando de indiciados na justiça e hoje protegidos pelo salafrário maior.

 

Na educação, apesar do já sabido, ainda precisamos ir cautelosamente de tal modo a que o precipício não se abra abruptamente sob os nossos pés. Há que haver cautela, vigilância e muita, mas muita LUTA para tentarmos garantir um mínimo de dignidade em face das ameaças que já pairam sobre nossas cabeças pensantes. Somos vítimas de analfabetos que temem o saber. Eles são, no momento, nossos maiores inimigos. Inimigos que têm o poder que sequestrado de quem foi legitimamente eleito para nos governar.

 

Aguardemos o desenrolar dos acontecimento em vigília e em posição de luta sem tréguas.

 

25/05/2016

Não sei se acontece com os meus leitores, mas comigo cada vez que aparece uma situação transitória ou temporária, as ideias não parecem fluir com a mesma serenidade que a quando "o mar está calmo". Parece... sei lá, é...?! Não consigo definir as coisas/situações, pois, como diz Baumam, tudo fica líquido, tudo se esfuma no ar, dada a sua volatilidade nada segura, parece um aborto social e então, falar disso é temerário, pelo menos eu assim considero.

Vez por outra arrisco comentar um ou outro fato, mas fica-me sempre a incerteza do acordar no amanhã e já não ser nada disso. Como normalmente escrevo à noite, corro o risco de ter que me desmentir no dia seguinte, poucas horas depois - parecendo um pouco o governo fajuto e ilegal do Temer, que uma hora diz, na seguinte já desmente.

Educação. Meu propósito é falar, lutar, brigar, trabalhar por uma educação com um pouco mais de qualidade que esta que aí temos, na bandeja, para nos servirmos em doses modestas para não corrermos o risco de perturbar os senhores poderosos. Nesta área as coisas, os acontecimentos, se precipitam com mais facilidade ainda que em outras, por isso, coloco em prática um conselho que passo com frequência aos meus alunos: fico na posição de defesa, pois o golpe (em qualquer dos sentidos que o queiram entender) vem rápido e feroz, precisamos saber estar alertas e com a defesa armada, mas mesmo assim algumas sequelas são irreversíveis.

Olhar as mídias e perceber que a aberração encarregada neste momento de dar rumo ao processo de desenvolvimento da educação no país se fez aconselhar por um dos piores atores pornôs que esta Terra de Vera Cruz já produziu, me revolta o estômago, me dá nós no cérebro e derruba a minha já pouca confiança na possibilidade de um dia ainda ver a educação no seu devido lugar. É o caso de dizer que quanto mais quero pensar elevado, mais baixo sou levado a cair, ao ponto de rasar a sacanagem, a putaria e o deboche. Já o aqui registrei por outras vezes, mas vou insistir e dizer que razão tinha De Gaule: "O Brasil não é um país sério". E quando falo do Brasil, claro que não falo do país, falo principalmente de uma espécie de animais que por aqui dão cria mais rápido que os coelhos e tem nome pomposo "O Homopulitikus". Uma vergonha!

São desses animais as ações mais vis, nojentas e predadoras que por estas plagas se praticam. Não são seres de pensar ou de sentir, são seres de roubar, de mentir e noutros tempos até de matar. Raça desgraçada.

Mas enquanto isso... a educação vai, tanto bem quanto mal, vai. Precisa ir. Nós temos a obrigação de fazer a nossa parte nem que para isso tenhamos que praticar a desobediência civil. Vai. Vamos.

Sejamos fortes.

 

02/06/2016

 

TEORIZAR A PRÁTICA OU PRATICAR A TEORIA?

Fui desafiado a defender uma tese que tento consolidar no meio acadêmico de onde falo, logo, do lugar que ocupo enquanto formador de futuros educadores. Duas considerações iniciais à guisa de introdução: a primeira – adoro ser desafiado, instigado, provocado, parece até que os neurônios estão condicionados a esse estimulo para funcionarem na sua plenitude; a segunda, um pouco mais complicada, está relacionada à resistência que tenho encontrado, neste local, para, justamente, conseguir a escutatória por parte de meus pares para a temática que defendo. Corro riscos, mais uma vez de não ser sequer ouvido, ou, também, de não conseguir, pelo menos, captar a atenção daqueles a quem o assunto poderá interessar.

Mas, que tese é essa?

Partindo de prática docente vivida, de leituras e discussões com pessoas que têm sobre a educação escolar uma visão mais holística, mais centrada na aprendizagem, em detrimento da centralidade no docente ou no educando, defendo que o ato de formar e por consequente o ato de aprender (ou formar-se) deve ser o resultado de uma teorização da prática e não o inverso – a prática de uma teoria. Aí está a problemática que tentarei desenvolver neste espaço. É quase a teoria do ovo e da galinha, conhecem, não é verdade? Mas vamos à argumentação.

É de consenso que o homem nasce sem saber, malgrado esteja fisiológica e intelectualmente preparado para aprender e isso nos permite, desde aqui, pensar em ver a galinha surgindo através de uma evolução natural de algum outro ser, deixando, portanto, a experiência da reprodução para um estágio superior. Se o homem não sabe ao nascer precisa experimentar de tudo um pouco, principalmente daquilo a que se propõe aprender. É ao que eu chamo, ainda que de forma conceitual neste momento, a necessidade de praticar, a necessidade de aprender pela técnica que contrapõe o erro e acerto. Qualquer que seja o resultado da experiência o aprendizado está garantido: Pelo erro se aprende que não é daquela forma que se chega ao melhor resultado, necessitando da repetição através de outra metodologia; pelo acerto se confirma uma das hipóteses possíveis de se levantar, portanto, à aprendizagem.

Uma vez a aprendizagem realizada será o momento de refletir sobre o aprendido e aí são os velhos questionamentos que a nossa filosofia nos permite formular quem vai permitir o aprofundamento do aprendido, ver mesmo outras formas de chegar até ele. Se eu ficar por aqui já devo ter deixado um caminho para quem assim o desejar poder prosseguir seu percurso, mas como pertenço às humanas, preciso, tenho necessidade de recorrer às confirmações através de outros pensares que se assemelhem, ou convergentes, até como forma de consolidar este meu pensar.

Uma primeira aproximação nos é apresentada pela reflexão de Silva (2016, p 46) quando declina que “O pedagogo ainda deve estar preparado para exercer funções inerentes ao seu campo de atuação, tendo a ciência pedagogia como fundamento para a compreensão da sua prática”. Aí está: a prática deve ser compreendida pela teoria. Numa tentativa de compreensão, questiono: pode alguém, valendo-se inicialmente da teoria fazer-lhe uma avaliação através da prática? Bem duas respostas são possíveis: uma afirmativa outra negativa. Vejamos os embates que serão causados.

Cena um: o pedagogo (professor ou educador, conforme se queira chamar-lhe) entra em sala de aula e começa a teorizar sobre não importa qual assunto. Em seguida solicita aos alunos que pratiquem o teorizado. Resultados? Quem garante que os alunos em destaque tiveram capacidade de abstração para entender perfeitamente a teoria a ponto de praticá-la? Vale salientar que o pedagogo trabalha essencialmente com crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, níveis de educação que envolvem crianças com no máximo 10 anos, isto é, ainda com dificuldades intelectivas para trabalhar com a abstração de forma mais plena.

Cena dois: No contraponto, mostre para uma criança a maneira de fazer algo e depois peça para que a criança pratique o exercício de realização da atividade. Tente em seguida explicar teoricamente o processo. Acredito que os resultados serão bastante mais satisfatórios para ambos: para quem mostra e para quem aprende. Talvez não dê certo da primeira vez (lá está a possibilidade de aprender com o erro), mas a partir da  explicação (abstração) a criança vai refazer a tarefa com mais segurança e com mais vontade de acertar, tendo, logicamente, maiores chances de acerto. A reflexão cabe agora: “percebeu, Zezinho, como agindo de modo diferente se conseguem resultados diferentes”?

Nóvoa (2002, p. 57) quando, ao versar sobre formação docente, nos faz compreender que “a formação não se constitui por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de identidade pessoal”. Temos nas suas palavras a prática antecedendo a reflexão, por mais que esta ação se aplique especificamente à construção da identidade. Se a proposição de Nóvoa é afirmativa para a identidade o será, igualmente, para o restante das atividades.

Pacheco (2008, p.14) afirma que:

A formação de professores é um processo contínuo e participado, decorrente das práticas e a elas referenciado, um processo contínuo de acção e reflexão crítica sobre a acção. Através da reflexão crítica são questionadas formas de legitimação (de autoridade, ou regulação moral, por exemplo).

Mas Pacheco (2008, p.16) vai mais além e concorda com Nóvoa quando tece reflexões sobre a articulação necessária entre a teoria e a prática. Diz ele: “que uma reflexão na prática e sobre a prática valoriza os saberes de que os professores são portadores”. Creio estar focando justamente a teorização (síntese do processo de ação-reflexão-ação) de uma prática. Muito embora aconteça a impossibilidade de separar os dois elementos, isso não fornece, à priori, a informação de qual deva ser a ordem de apresentação. Podemos até concordar que, diante se indivisibilidade, os dois elementos se imbriquem de tal modo que seja impossível perceber qual toma a dianteira na ação, principalmente quando analisado por mentes já suficientemente desenvolvidas para entenderem a abstração que representa esse conceito.

Lima (2008, p.200) questiona: “É possível ensinar o ofício de professor? Qual o espaço da prática na formação para o magistério? E da teorização da prática”? Da mesma autora (p.201), gostaria de chamar a atenção para a segunda parte deste período, que não separo para que não se quebre a contextualização:

O que dá sentido às atividades práticas dos cursos de formação é esse movimento que acontece a partir das leituras, práticas, saberes e conhecimentos, que se confrontam e se intercruzam. As atividades de reflexão e registro poderão auxiliar no entendimento das questões relativas às contradições acontecidas no trabalho educativo.

Sob outro olhar, ou ponto de vista, vale parar para fazer uma análise da reflexão que nos traz Silva (2010), mesmo se a citação é longa:

Aquilo que um profissional pensa e faz é um ‘saber- fazer’, que é resultado de um processo de aquisição e, ao mesmo tempo de um ‘saber prático’ no sentido de um discurso com a práxis, ou seja, práxis no sentido da possibilidade de praticar a teoria e teorizar a prática como momentos de um mesmo e único processo.

Segundo Dewey e Radtke (1993)‘saber-fazer’ é um saber implícito, de preferências pessoais, que não se pode ordenar coerentemente. Nesta concepção, o saber é considerado como um saber contextualizado, que está dentro das variadas ações. Trata-se de um saber com regras e princípios práticos, que é cumulativamente um conhecimento objetivo e subjetivo, ligado às experiências pessoais ao chamado saber do dia-a-dia Clark & Lampert (1986); Berliner & Carter, (1989).

Por esta citação podemos perceber que a dualidade se mantém, mas que nos é deixada a escolha da ordem dos fatores: prática da teoria ou teorização da prática. Contudo, e considerando que o fazer (prático aprendido) é um ‘saber-fazer’ e segundo indicado na reflexão de Dewey, podemos afirmar que esse é “um saber de preferências pessoais que não se pode ordenar coerentemente”, acredito que não há erro possível em pretender que a prática anteceda a teoria na compreensão da aprendizagem. Repito, não se trata de separar uma da outra, pretendo apenas esclarecer que compreendo que é mais fácil entender a teoria a partir da concretude de uma prática reflexiva, que compreender a prática a partir de uma teoria abstrata. É possível que este seja um problema pessoal e eu esteja pretendendo impor meu ponto de vista aos outros, mas tenho consciência da afirmação que faço.

Pimenta (2002) na sua reflexão sobre o ato de formar o professor nos propõe repensar a formação docente partindo da análise consciente da atividade prática diária do docente. Quando atentamos para programas como o PARFOR – Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica - no qual os formandos já são formadores e praticantes do ato de ensinar - a nossa teoria sobressai ao primeiro olhar, pois se depreende que é preciso refletir a prática cotidiana dos “formandos”, para que a partir daí se consiga transformar, na medida do possível e necessário, o ‘saber-fazer’ que os formandos expressam, caso contrário a formação não passará de “discurso vazio” ante a prática que eles já vêm desenvolvendo e se encontra arraigada no seu fazer cotidiano.

Para encerrar por agora esta explanação levanto o seguinte questionamento: Nesta temática deve ser considerada a importância que o conceito de prática individual desempenha na construção de valores; partindo dessa premissa, qual deve ser o lugar da imersão do formando no contexto real cotidiano da escola, quando o objetivo é desenvolver atividades que o levem à maior compreensão do ato de aprender?

 

Referências:

LIMA. M. S. L. Reflexões sobre o estágio/prática de ensino na formação de professores. Curitiba: Revista Diálogo Educacional, v. 8, n. 23, p. 195-205, jan./abr. 2008

NÓVOA, A. Formação de professores e trabalho pedagógico. Lisboa: Educa, 2002

PACHECO, J. Escola da Ponte: formação e transformação. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.

PIMENTA, Selma G.(Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

SILVA, Arlete Vieira da. A articulação entre teoria e prática na construção do conhecimento pedagógico do conteúdo. Revista Espaço Acadêmico, nº 112, Ano X, 2010.

SILVA, José A. A da. O percurso formativo dos professores para os anos iniciais de escolarização e a produção de saberes necessários à atuação docente. In: SANTIAGO, Stella M de M.; FREITAS W. de J. Formação de professores e identidades docentes em questão. Fortaleza: Imprece, 2016.

 

18/06/2016

 

Ora, lá vamos nós a mais uma confirmação do já dito, reprisado, bisado, pisado, mastigado, regurgitado, mas que não consegue (juro que não sei o porquê) fazer adeptos em nosso meio, principalmente no acadêmico. Quem já foi em algum momento meu/minha aluno/aluna já me ouviu, certamente, defender uma tese que não é minha da qual me apodero como se construção minha fosse, tal o crédito que lhe dou: “a educação, no Brasil, só sairá da cepa torta quando se tornar uma política de Estado e deixar de ser marionete nas mãos dos governos", cada um mais incompetente que outro – nesse aspecto – como têm demonstrado. É aquela máxima: “todos sabem onde está o mal, mas nenhum quer curá-lo, pois fazê-lo seria matar a galinha dos ovos de ouro.

 

O problema fica mais visível com as ações (catastróficas) que esse desgoverno temporário, tampão, provisório, interino vem promovendo. Sabe-se, afirma-se e defende-se a política de expansão da escolaridade e da oferta quantitativa da possibilidade de acesso ao saber promovida pelos governos progressistas (talvez nem tanto quanto desejaríamos) do PT. Vemos, agora, a reversão da marcha imposta pelo modelo arcaico e morredouro do neoliberalismo que encontra ainda algum resquício de sobrevivência no ninho de poucas aves repugnantes que compõem a direita brasileira. Triste papel! No entanto, enquanto o gogo e a coccidiose não fizerem seu trabalho de exterminadoras das “plumentas” (aqui entendidas como toda e qualquer ave, por mais rara que seja!) os prejuízos à educação são, do mesmo modo que nas demais áreas sociais, incalculáveis.

 

A passividade com que o povo está aceitando esse desmonte da nação que lhes dá guarida e sustento causa-me gasturas mil. Povo sem reação! Por isso refaço minha proposta inicial de provar uma máxima, alterando para duas. A primeira sobre a direção do processo educacional escolar; a segunda sobre a ideia que Deus é brasileiro, na qual muita gente não acredita; pois pode passar a acreditar, considerando a vossa capacidade de acreditar no milagre dos milagres. É muita crendice para um povo só: veja-se o comércio florescente da fé!

 

Então brasileiras e brasileiros, continuem impávidos e serenos aguardando a obra caritativa do Senhor e não levantem vossas bundas dos sofás diante da estação de tv que me nego a dizer o nome e vão definhando, lenta e progressivamente em todos os aspectos visíveis: físico e intelectualmente. Esperem pacientemente que os ratos se revezem de quatro em quatro anos para irem comendo suas entranhas, com requintes de crueldade – olhem o riso irônico do Cunha – até que você não sirva para outra coisa que não seja a exploração final do enterro, no qual a sua família vai padecer para que possa dar-te um final menos vil. Mesmo morto o capital te come.

 

E o último a ser comido será sempre o Aécio, porquanto tem os s protegidos pelo STF em peso, mas você vive se esforçando para encontrar forças para gritar que ele será o primeiro. Não acredite no capital: se finge de morto, para comer o coveiro!

 

02/07/2016

Há coisas que eu não consigo entender pela lógica nem pela racionalidade.

Talvez seja eu o irracional e o sem a menor das lógicas.

Percebo nas práticas desenvolvidas dentro do nosso curso – e talvez nem só – um quê de desaforismo que me incomoda sobremaneira considerando a irregular sequência de desenvolvimento semestral do nosso currículo desde 2007 (não é portanto algo novo), mas parece que nada se aprende com isso.

Por isso gostaria de compreender, logo solicito a quem tenha o poder de me explicar, que o faça, por qual motivo e com qual embasamento teórico-legal-racional se realiza uma seleção de estudantes candidatos a bolsas de Monitoria em pleno gozo das férias, bem merecidas, que eles e os professores usufruem no período.

Sei que estamos cá no fim dos cafundós do Ceará, mas... Não acreditam que isso seja provincianismo demais?

 

Bem... É o meu ponto de vista!

 

O5/07/2016

Não sei se é uma grande pretensão minha tentar externar mais um ponto de vista que nasce a partir de uma polêmica: “dar ou não dar o título de Dr. Honoris Causa a Lula”. Portanto que fique mais uma vez bem explicitado que, o que aqui externarei é a minha mais firme convicção, logo o meu ponto de vista.

 

Pela internet fico a saber de uma notícia (essa da atribuição do título a Lula) e logo a seguir de uma outra, movida por quem se acha no direito, contrapondo-se ao ato. As duas posições são extremamente aceitáveis – viva a liberdade de opinião – mas alguns detalhes escapam ao processo ético de expressão dessa liberdade, transformando-o quase em libertinagem.

 

A Universidade regional do Cariri – URCA – anunciou essa homenagem que, se não é devida é, pelo menos merecida por aquele que está mundialmente reconhecido como tendo sido o melhor presidente do Brasil até este momento. Um ato de agradecimento pelos feitos do homenageado em prol do Nordeste do país. Posições contrárias têm que ser admitidas, pois a população brasileira não pensa de forma idêntica na sua totalidade (em caso contrário já estaríamos, novamente, num regime político fascista consolidado).

 

Eis, portanto, que algumas vozes se levantam contra a atribuição de tal comenda a esse personagem de grande relevo na História recente do Brasil. Repito, há legitimidade no fato, precisamos apenas analisar as argumentações para a oposição e, muito principalmente, a forma verbal, linguística e sem comprovações das acusações feitas para justificarem a negação da honraria.

 

Dentre essas vozes destoantes, uma chama especialmente a atenção a da Sra. médica, Jácia Maria Neves Coelho que ao referir-se ao ato em apreço assim se expressa:

 

O valor de uma comenda, seja ela qual for, sobretudo aquela proveniente de uma instituição pública deve ser isenta de vieses doutrinários, ideológicos, politico-partidários, carregada de notória representatividade e seriedade nas atribuições sobre si requeridas. Nada disto infelizmente condiz com a anunciação da entrega pela Universidade Regional do Cariri (URCA) de tal título ao ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva. Um politico envolvido com múltiplos escândalos de corrupção, com uma conduta pessoal suspeita, onde o entorpecimento de princípios ocupa toda a sua trajetória pública. Alguém cuja representatividade toscamente pode ser atribuída somente a grupelhos aparelhados pelo marxismo cultural ainda ora vigente no Brasil (https://www.facebook.com/jaciamaria.nevescoelho?fref=ts).

 

A senhora, cheia de revolta “global”, não enxerga que o seu posicionamento é tão político quanto aquele que ela condena e não atenta sequer para o fato de – na ausência de apresentação de provas cabais de tudo de que acusa o ex-presidente – e do ponto de vista de um apoiador do recriminado, podermos entrar com ação judicial por difamação. A senhora, que reverbera as palavras do criador de obra tão nefasta, o Sr. Glauco Ribeiro Brito, que aparece como autor do abaixo-assinado no site da organização Change (https://www.change.org/p/urca-universidade-regional-do-cariri-contra-o-titulo-de-doutor-honoris-causa-de-lula-na-urca?recruiter=378052488&utm_source=share_petition&utm_medium=whatsapp) incorre na mesma penalização que a ele pode ser imputada.

 

Que a Sra. ou qualquer outra pessoa tenha seus motivos para não apoiar este ou aquele candidato é um direito inalienável que precisa ser respeitado, no entanto, o respeito que a senhora exige para si lhe torna tributária de pagamento na mesma moeda, isto é, com respeito, caso contrário esteja preparada para receber o seu justo valor. Não faço parte de “grupelhos aparelhados pelo marxismo” – antes fizesse e com mais convicção –, pois se todos participássemos – e aí se justifica a sua raiva – não estaríamos a pagar feijão caro para justificar um golpe capitalista e apoiar ideologias neo-fascistóides como aquelas que a senhora parece abraçar; Não estariam por aí a gritar FORA PTFORA DILMA, mas agora a reclamar o retorno do FIES para que a vossa cria “linda, joiada e cheirosa” possa cursar medicina e outros cursos que vocês desejam que vos sejam exclusivos e pagos com dinheiro dos impostos da maioria dos brasileiros, para que possam explorá-los no futuro. Lamentável que a hipocrisia de poucos não lhes deixe ver que, se o capitalismo fosse bom, todos teriam as mesmas chances. No entanto, apenas 1% da população detém 90% das riquezas da terra com o apoio de alienados da classe média que sonham em ser alguém. Por favor, acredite que a Revolução Francesa não se repetirá jamais! A vossa classe média vos aprisionou para todo o sempre e vos condena ao "sacrifício do bucho para viverem o luxo"!

 

20/08/2016

Estou de retorno, portanto, para além do famoso Ponto de Vista, trago novas ideias (florescidas na calmaria das férias), algumas propostas audaciosas (ou nem tanto!), mas e sobretudo, as energias renovadas para mais um ano de batalhas que podem ser consideradas partes de uma guerra que necessitamos travar contra um inimigo comum que hoje se hospeda no Palácio do Planalto e de toda a súcia que lhe serve de apoio.

Este estar de retorno representa o regresso - atrasado - às atividades após um período de ausência (antecipadamente anunciado) no qual tive oportunidade de juntar o útil ao agradável, não é sempre que este binômio se encaixa à perfeição. Foram as férias dos reencontros - como lhes chamei após planejamento e articulações várias; reencontro de velhos companheiros de armas numa luta bem mais perigosa que esta que travamos contra um usurpador político - a guerra colonial portuguesa. Foi o resgatar de memórias já distantes de mais de quarenta anos que estiveram guardadas em nossas mentes até hoje e que ali permanecerão até ao fim dos nossos tempos. Muitos já não as conseguem contar e os motivos são muitos, principalmente pelo falecimento (seja ele geral, ou parcial causado pelas doenças que nos acometem quando passamos de um determinado estágio de nossas existências de vida), muitos (quantos?) já não estão entre nós, mas deles também recordamos.

Foi o reencontro de elos perdidos (passe o lugar comum) de uma história de vida - a minha vida - que busquei nas terras em que nasci, cresci e agora me vejo retornado; nas pessoas membros da família que a distância conseguiu afastar física e espiritualmente; em espaços muitas vezes insólitos (como no cemitério onde visitei o túmulo de meu falecido pai); na história que ouvi contada por gentes que a vivenciaram.

Fui construindo um esboço da minha origem (que acredito mais firmemente ser judia) e até me aproximei (assim espero) da origem do meu nome - Pina - que tanto intriga brasileiros e a mim mesmo. Enfim, posso afirmar que me vejo outro depois destes reencontros. Lamento não ter pensado nisso há mais tempo. Mas, como dizem os franceses "avant l'heur c'est pas l'heur, après l'heure c'est plus l'heure" ("antes da hora não é hora e depois da hora não é mais hora", numa tradução livre e pessoal). Logo, acredito que este era o "tempo" dos reencontros. Muitos foram, outros serão - assim espero.

O Ponto de Vista mais crítico fica por conta da politicagem (não podia ser de outra forma). Por cá o desmantelo provocado por uma alucinado e demente que não apresenta condições de gerir a sua própria vida, quanto mais gerir uma nação do porte do Brasil. A culpa deste status quo também é minha que o ajudei a eleger, mesmo se pela via atravessada que representa o posto de um vice. Um colega meu, de trabalho e de lutas diz que "Vice só serve para viçar". Este nosso vice, acredito, nem para isso serve, pois à guisa de querer salvar o país da crise, mergulha-nos na pior embrulhada de perdas e danos que a classe trabalhadora já sofreu depois do governo de GV. Nem no período militar os prejuízos sociais foram tão graves. Por lá, leia-se Europa de um modo geral, a situação não está mais famosa e nem tampouco formosa, greves por todos os lados, lutas de classes rolando à solta em todos os países, uma vitória ali, outra acolá vão equilibrando o perde/ganha, no jogo de cabo de guerra entre patrões, governos e trabalhadores. Aqui é o marasmo! Um povo alienado, embrutecido, entorpecido, hipnotizado... diria: zumbis!

No campo de trabalho posso (podemos) cantar vitória sobre o malefício maior que neste momento inadequado poderia nos atingir: uma nova greve. Não quer dizer que não houvesse motivos mais que justos - a olhar apenas por um dos lados - para que a greve fosse deflagrada, não, caso o tivesse sido não teria sido em vão como aconteceu com última vivenciada. Essa última, aliás, foi o tiro mais errado que alguém possa ter dado - todos os motivos e mais um: paralisaram as atividades para conseguir aquilo que já estava certo; mantiveram a categoria à margem dos acontecimentos e, acredito, não fossem as grandes pressões exercidas pela sociedade de um modo geral, não se teria saído tão cedo desse estado férias antecipadas e prolongadas para muitos dos "grevistas". É a mente humana, mal formada, que não consegue enxergar fora da caixinha de surpresas (cabecinha oca) que a comporta e não percebe a realidade mais próxima, no seu entorno. Hoje, a olhar pelo interesse mais capitalista dessas mesmas mentes, a greve precisaria ser deflagrada, mas não há mais munição e - arrisco dizer - nem condição moral de numa entidade de classe abalada pela derrota acachapante sofrida para dirigir os desígnios da categoria que diz representar. Por outro lado, a necessidade de dar uma resposta adequada à classe estudantil - aquela que, na realidade é a mais prejudicada - que exerceu seu livre direito de reclamar foi importantíssima na hora do NÃO.

O trabalho foi retomado, as energias são positivas, por isso, que o período seja de muita e boa produção.

 

03/10/2016 

 

Costumo dizer que “entendo rápido quando me explicam muitas vezes”.

Claro que é uma zombaria que faço comigo mesmo, mas não deixa de haver uma certa dose de verdade nessa zombaria.  Só lamento que uma imensa massa de brasileiros nem assim consiga entender. A análise de hoje recai sobre “o recado das urnas” nestas eleições municipais.

 

Alguns dado chegam a beirar o limite do alarmante, mas parece que nada aconteceu. Isto, tanto faz que olhe para o povo adormecido, para os candidatos eleitos ou rejeitados e até mesmo para aqueles que por força de mandato ainda se sentem confortáveis no poleiro.

 

Nove em 27 capitais, portanto um terço delas, apresentaram resultados que deveriam ligar todas as sirenes, todos os alarmes, todos os sinais vermelhos da classe política: postulantes e executores – a soma dos votos brancos, nulos e abstenções ultrapassam o número de votos daquele candidato considerado eleito. O que se pode depreender dessa mensagem?

 

Primeiro ponto, porém talvez não o mais importante numa sequência: dinheiro não compra mais voto. Pode até comprar “promessas”, mas o povo parece que já deixou de ser besta e aproveita tudo que lhe oferecem em troca do seu sufrágio, contudo já começa a discernir o que é mais vantajoso para si mesmo;

 

Segundo ponto: a reeleição não é mais uma garantia para nenhum político, por mais que tenha a “máquina” a seu favor, o povo já aprendeu a avaliar a atuação de cada um e se não “der no couro” está fora;

 

Terceiro: há no ar um cheiro de fumaça negra resultante da queima de falsas ideologias pregadas por alguns (todos?) partidos, pois o povo está começando a fixar o olhar com mais profundidade na pessoa do/a candidato/a que no partido que ele/a diz representar;

 

Quarto: o povo anda cansado de tanta trafulhice na política, a ponto de não se dar ao trabalho de sair do conforto do seu lar para ir votar em quem não enxerga mais que seu próprio umbigo. Prefere pagar uma multa irrisória;

 

Quinto: As urnas parecem gritar: “Cuidado, estamos de olho em vocês e vamos cobrar promessas e atitudes”;

 

Sexto: não confiamos mais nesse modelo de eleição em que o voto é obrigatório para eleger aquele que irá (a nosso entender) roubar menos, pois parece ser senso comum que todos roubam, embora alguns façam mais que os outros;

 

Sétimo: não estamos satisfeitos com as vossas regalias que são custeadas com os nossos sacrifícios e ainda nos acusam de sermos os responsáveis pela “crise” que o país atravessa, como forma de imporem mais regras de exploração, cada vez mais penosas para nós trabalhadores;

 

Oitavo (e este no seu devido lugar na ordem numérica): CHEGA!

 

O Brasil está sem rumo e soprado por ventos fortes provenientes da tempestade provocada pela ganância e pelo poder. A desobediência civil não é mais suficiente para colocar um fim a tal episódio, só a revolução popular poderá estancar a prática de tantos desmandos. Política é uma ciência que não deve ser misturada com práticas burlescas (Tiriricas e Cia), ou agremiativas tendenciosas (cristãs, protestantes, policialescas, ruralistas etc.) deve ser praticada por quem tem vontade de ver seu povo ser feliz e receber de volta aquilo que paga com seus impostos. Isto não é um apelo à guerra, mas à revolta das consciências podres e adormecidas que ainda teimam e ser servis ao senhor feudal. Precisamos pular da cama, uma vez que já acordamos!

 

Nas próximas eleições a mensagem deverá ainda ser mais clara e efetiva, a menos que alguma atitude seja tomada (duvido que o cachorro queira largar o osso!) para que possa ser ainda melhor assimilada por aqueles que hoje ainda riem da miséria alheia. Chega de alimentar proxenetas nesta relação amorosa entre o povo trabalhador e a pátria que o sustenta. Todo trabalhador deve ter um salário justo que o possa transformar num também justo patrão desses boas-vidas que usufruem de todas as regalias que se atribuem à revelia do desejo da maioria. Político precisa ganhar tanto quanto o trabalhador médio para sentir o gosto que tem a comida paga com o próprio suor e não com o esforço dos outros para seu gáudio.

 

Por fim, mas mais importante que tudo

           #CADEIAPARATEMEROTRAIDORDAPÁTRIA

 

06/10/16

Entre o quepe e a cruz.

 

Moro (resido, cuidado com as confusões) num país onde juiz e promotor querem prender sem provas;

Resido num local onde o STF não protege a Constituição, defenestra-a, viola-a;

Tento passar desapercebido entre os credos e as práticas;

Não entendo que eu dê o que preciso para depois precisar pedir emprestado;

Abomino quem “teme a Deus” mas espezinha os pobres;

Repudio as forças da Ordem que semeiam a desordem entre os ordeiros...

 

A lista poderia continuar por um espaço bem maior e mais significativo. Prefiro deixar maiores aprofundamentos a cada qual. Sintam-se em vosso direito (vilipendiado) de analisar a situação que este cidadão, idêntico a você, se encontra. Tenho vontade de URRAR!

 

É indignação! Estarrecimento! Descrença! Insatisfação! Mas, pior que tudo isso, é um sentimento de frustração, de nãoseiquêmesmo!

 

Incrédulo seria o adjetivo que melhor me qualificaria neste instante. Vi o Brasil sair das cinzas, ir sacudindo a poeira e começar a dar a volta por cima, mas, no meio do caminho estava instalada a ignorância, a alienação, a subjugação, o sentimento de vira-lata que ao longo dos tempos foi inculcado na população deste paraíso, deste novo “El Dourado”. Acreditei, mais, apostei todas minhas fichas no progresso que, aos poucos, estava surgindo para o gáudio de todo um povo que há mais de quinhentos anos vinha sendo subjugado, humilhado, espezinhado. Mas, retirar a cangalha do jumento de uma só vez, fá-lo pensar em ares de superioridade e já se imaginar cavalo ganhador de corridas.

 

O resultado foi que em pouco tempo o jumento perdeu as estribeiras e os antolhos, vislumbrando em sua alienação a possibilidade de mudar de classe social, passando a ser, simplesmente, burro. Para atingir seu sonho de consumo (ser superior) esqueceu seu sofrimento passado, a fome de criar pelo, a desagregação familiar/social em nome da necessidade de imigrar para “Sum Paulo”, convertido em religioso (para não citar nenhuma religião/seita), a quem teria que entregar o que ganhava para alcançar o reino dos céus, antes que a ordem o prenda por ser “baiano” (que me perdoem todos os baianos, mas acredito que sabem ser esse o apelido do nordestino lá no sudeste maravilha) e sem residência fixa.

 

Mas a sorte mudará (FORA DILMA!). Vestiu-se da nação, nas corres mais corrompidas da CBF. (INTERVENÇÃO MILITAR, JÁ!). Julgou estar do lado certo ao apoiar o misógino, fascistoide e neonazista. Se Malafaia, Macedo e outros dizem... ele respeita em nome da cruz. No confronto com menos crédulos, sente o peso da borracha, quando não é pau mesmo! Mas o Capitão mandou votar e deve estar certo, pois ele tem o apoio do coronel que é sócio do usurpador do poder. “Vou me dar de bem”.

 

Enquanto uma enorme maioria do povo brasileiro pensa dessa forma o BRAZIL vai muito bem obrigado.  Para tanto, basta que “os abestados” (TIRIRICA, 2010) continuem a imaginar que o ÉDEN está entre o quepe e a cruz e que manifestar contra as privatizações e o entreguismo é coisa de PTralha. E que venham os 'ricanos, pois eles são mais espertos e civilizados.