CRÔNICA MENSAL

CRÔNICA MENSAL

CRÔNICA MENSAL - SETEMBRO 2017

A cada dia que passa fico mais convencido que a educação não é tratada com o devido respeito e o zelo que ela merece. Para começar esta crônica vou tentar inventar um ditado: “Da panela em que muitos mexem, o arroz sai queimado”!

 

Não sou o único a pensar dessa forma – nem sequer posso ter essa pretensão, embora já tenha falado neste assunto por diversas vezes – mas, repetindo-me, afirmo que enquanto a educação não passar a ser assunto de Estado, ficaremos nessa desandar rotineiro e nefasto. A educação, como assunto de governo fica à mercê de todo e qualquer interesseiro que veja nela a mínima possibilidade de levar vantagem pessoal, seja pela via direta ou indireta. Torna-se objeto, entre outras coisas, de corrupção. Esta é a panela em que tantos mexem.

 

Se lembrarmos do passado mais próximo vamos lembrar, dentre outros detalhes do PNE que deveria estar em aplicação desde 2011, mas só chegou em 2014... em seguida temos que atentar para a Resolução 002/2015 que obriga os cursos de formação docente (as licenciaturas de um modo geral) a adequar os seus currículos ao “sonho erótico” de alguns iluminados. O tempo vai passando e lá vem a discussão que aporta, em alguns casos, mais elementos e(x)óticos ao sonho de cada um – e o coletivo que se dane! – Estes são o muitos a mexerem na panela.

 

Representantes legítimos de um governo ilegítimo aportam suas ideias “jeniais” e querem enfiar goela abaixo uma tal de “escola sem partido” e outros raios que os partam, mas, como dizem “Deus é brasileiro”, então vamos tripudiar sobre as demais religiões e impor Um Pai que é só Nosso, deixando de fora, o dos outros. Aí temos alguns dos grãos de arroz que vão sair queimados dessa panela. E a escola que já é: depósito de crianças, babá, enfermeira, conselheira, parque de diversão, hospital, prisão, mercado de ilícitos, pode agora transformar-se em CAGADA (Centro Assistencialista Grandes Almas Dogmaticamente Afetadas).

 

A “nova política de formação de professores” promete (pela força das circunstâncias) “preparar os professores que já trabalham nas redes pública e privada a implementar a Base Nacional Comum Curricular [...]” já estou vendo um bocado de cédulas  voando com rumo certo. Num segundo objetivo, “enfatizar na formação inicial, aspectos como a residência pedagógica, o estágio supervisionado e a relação teoria e prática”. Onde é que eu vejo o maior esturro? Justamente aqui, nas palavras que cito, do MEC, pois como sempre se pensa NO que fazer, mas jamais se pensa no COMO fazer.e em QUEM vai fazer. Resultado: o arroz colado no fundo da panela serão sempre os professores.

 

CRÔNICA MENSAL - AGOSTO 2017

Este primeiro dia de setembro me trouxe várias reflexões e certezas algumas que desejo partilhar com meus amigos leitores.

 

À guisa de boas vindas fica uma questão que me parece pertinente, digo bem, parece, não se trata, portanto, de caso fechado:  se o mês é (sete)mbro, por que recebe o número nove...? deveria ser o sétimo mês do ano, deixando o nono para (nove)mbro. Isto não passa de devaneio de minha parte, mas que (nove)mbro seja o décimo primeiro mês do ano, me faz coçar a caraminhola.

 

Da parte das certezas é preciso registrar que estamos caminhando, a passos largos, para o final de mais um ciclo que nos reforça a ideia de idade, de mudança, de projetos, de aspirações... Cada um(a) vai começando a traçar novos planos de ação para alcançar a sonhada felicidade plena. Conseguiremos, no próximo ano?

 

Da minha parte já estou servido. Este primeiro dia do mês de setembro do ano de 2017 marca o começo da minha terceira fase existencial: é o meu primeiro dia como um dos agraciados com o direito de ainda me aposentar e poder usufruir um pouco mais de tempo dos muitos sacrifícios que a vida me foi impondo ao longo da minha existência. Não fui, certamente, dos mais sofredores (afinal o sofrimento pessoal é sempre um fato muito subjetivo que cada um registra apenas para si mesmo). Trocando em miúdos, estou agora consciente de uma realidade que até alguns dias atrás me era um tanto difícil admitir: Já sou ativo na conta da terceira idade. Sempre me julguei (não por vaidade, juro) bastante mais novo que a realidade que o meu registro insistia serenamente em me mostrar. Hoje, a partir de não importa qual ponto de visto (aí incluso o emocional) percebo que já cumpri a maior parte da minha missão. Usando as palavras de um humorista local, falta agora “fechar a conta e passar a régua”!

 

Este processo de transição vinha sendo preparado havia já algum tempo, no entanto, aconteceu de forma meio inesperada em virtude de uma “maleita” que me atingiu. Embora não se trate de nada de gravidade extrema, pois que perfeitamente controlável e, a depender de determinadas condições de possibilidade de transplante, até perfeitamente contornada, impede-me de continuar no ritmo em que vinha habituado, sendo inclusive um dos motivos que pode levar qualquer cidadão a passar ao estado de aposentado. Trata-se de uma DRC conjugada com as respectivas crises agudas de gota, também reconhecido como ácido úrico. Dói! Acreditem que essas crises são doloridas e impeditivas até de andar.

 

Vai ser um pouco difícil sair da rotina acadêmica: o convívio com o jovens, com os companheiros de luta, com os problemas que sempre surgem, com as soluções que nem sempre são as mais fáceis ou melhores, as contradições, os aprendizados... tudo isso vai sortir um efeito negativo nestes primeiros dias/meses da nova situação. Do lado da moeda, sempre elas têm dois lados, a maior liberdade para fazer algumas coisas que me eram fazer de modo tão assíduo e, principalmente, sem a pressão de ter, no dia seguinte que estar apostos para o magistério e suas exigências. Vou passar por um período de adaptação, tal como aquela ave que de repente se vê livre para voar e partir em busca da sua liberdade. Só receio que, tal como o encarcerado por muitos anos, não consiga me adequar a uma nova vida de liberdade. Quem fumou cachimbo durante muitos anos, já tem a boca torta.

 

Mas não quero pensar muito nisso agora, afinal este é apenas o primeiro dia. Embora já tenha batido saudade, logo pela manhãzinha – acordei no horário normal de quem vai dar sua aula, mesmo sendo hoje um dia feriado loca – levantei e só depois lembrei que não preciso mais cumprir essa rotina. Acabei voltando para o mar de lençóis e adormeci novamente, para o merecido repouso dos guerreiros.

 

Fica-me, agora, apenas uma obrigação, não cair no tédio, pois ele mata! Um abraço de um ex-trabalhador que agora terá mais tempo para se dedicar a um de seus hobbies preferidos: escrever!

 

Amplexos gerais e irrestritos

 

CRÔNICA MENSAL - JULHO 2017

Tout va très bien Madame La Marquise

Sim, fui um tanto longe para escolher meu título para esta nova crônica, fui, exatamente a 1935 e na voz do inesquecível Sacha Distel (https://www.youtube.com/watch?v=T5WdpSPeQUE). Haverá, no entanto, algum motivo para essa recordação?

Bem, no cenário político do Brasil, neste momento, está mais que propício a uma reinterpretação do sentido que a música nos apresenta: a hecatombe sendo anunciada de modo suavisado. O Palácio governamental caindo de podridão, mas as notícias são bastante animadoras:

     Tout va très bien, Madame la Marquise,
     Tout va très bien, tout va très bien.
     Pourtant, il faut, il faut que l'on vous dise,
     On déplore un tout petit rien:
     Un incident, une bêtise,
     La mort de votre jument grise,
     Mais, à part ça, Madame la Marquise
     Tout va très bien, tout va très bien.

Da parte pessoal nada mais que possa assustar quando você recebe, com tranquilidade, a notícia que "Tout va très bien, Madame la Marquise". É assim que tem que acabar recebendo a notícia que uma parte importante de seu corpo corre o risco de parar de funcionar e, com ela, a sua integralidade. Mas escute a canção. Sorria e continue seu trabalho.

"Tout va très bien, Madame la Marquise" no campo educacional; na saúde, na segurança e, principalmente, na política. Só um pequeno "nada" que é preciso lamentar: os ladrões levaram todo o dinheiro que atendia essas e outras pastas ministeriais, menos aquela que concede aumento aos políticos e permite a compra dos votos necessários à permanência do status quo criado. Como nos é dito na música, fora isso, está tudo às mil maravilhas.

Só um último comentário final: esta música era o "prenúncio artístico" da segunda grande guerra mundial. Quem dera fosse aqui o anúncio da revolução popular que destronaria esses bandidos que hoje se locupletam com o suor dos trabalhadores, porque além disso: "Tout vá trés bien..."

 

CRÕNICA MENSAL - JUNHO 2017

Nas voltas que o tempo dá

Não há como correr atrás do tempo, a história não para. O homem não para, por mais que ele esqueça de avançar ou regredir, apenas estagna no aguardo de oportunidades de seguir sua viagem. O destino? Quantas vezes o acaso. Sem rumo!

Estive nesse estágio letárgico entre março e este mês, o junino. Falta do que dizer? Não! Antes excesso do que dizer/fazer! Tudo ao mesmo tempo! Embora eu consiga manobrar vários assuntos a um tempo só, momentos vivencio em que o silêncio me é mais proveitoso... é algo pessoal, subjetivo, quase uma marca registrada: silenciar para, depois, poder gritar mais alto.

Retomo meus escritos, cada dia mais cheio de vazios, de incertezas, de dúvidas e de questionamentos. Isso me ajuda a viver e, principalmente, a tentar entender os outros, já que a mim, decididamente, não entendo.

Do ponto de vista profissional posso garantir que estou cada dia mais convicto de que tenho uma missão a cumprir (e cumprirei) mesmo se o caminho está armadilhado, minado e se torna perigoso. Afinal, a vida sem aventuras seria monótona por demais.

Do ponto de vista social confesso estranhar meios e fins praticados por seres que deveriam ser, por princípio moral e ético, semelhantes e irmanados num mesmo ideal: o bem viver dentro das possibilidades conquistadas. O TER, contudo, impõe barreiras cada dia mais intransponíveis ao bom relacionamento entre seres teimam em separar o que deveria ser indissociável.

Na política prefiro esforçar-me (apenas não garanto lograr êxito) para entender as contradições e aberrações que se espalham pela cena de forma assustadora. O país está nitidamente à deriva: o timoneiro foi acometido de loucura súbita e irreversível; a tripulação passou a sofrer de crises agudas de cleptomania que se caracterizam por um transtorno incapacitante pertencente ao grupo de patologias que atingem tanto os homens quanto as mulheres. O tratamento para político cleptomaníaco, no meu ponto de vista, deve ter por base umas férias merecidas em algum presídio de segurança máxima e mordomia mínima em que estejam "hospedadas" celebridades do crime, evitando-se, assim, mais prejuízos financeiros e sociais ao povo brasileiro.

No pessoal, só a lamentar o deterioramento do estado de saúde de minha genitora, que muito me inquieta! São quase 93 anos e algumas sequelas de um (ou vários) AVC. Vivo um suspense!

 

CRÔNICA MENSAL - 03 MARÇO 2017

O mês já se apresenta lépido e fagueiro. Começou ontem e já estamos a 12 - quase metade dele já se foi. Irá mais rápido com os acontecimentos previstos: aos 15 dias uma greve de proporções que se esperam assustadoras a tal ponto que façam ruir devaneios de governo do ilegítimo; encontros acadêmicos de alguma monta no plano intelectual; festinha de "parabéns a você" - para mim - e a comemoração fora do tempo/dia dos 10.000 acessos a este humilde local que se pretende de partilha de algum saber/experiência.

 

De algum modo toda essa "notoriedade" me assusta. Fazendo pequenos cálculos percebo que este meu pequeno site consegue, não sei como, estabelecer uma média de 750 a 800 acessos por mês. Nem por isso lhe dou mais assistência (pai ingrato - desculpem a metáfora!). Não coloquei outros "gadgets" de mensuração que aquele de acessos, por esse motivo não consigo estabelecer uma "fronteira" para o alcance que esses números, modestos, podem representar. No entanto posso afirmar que eles são suficientes para que me façam criar mais ânimo para "prestarmaistenção" (que eu não presto) a algo que se agiganta diante de mim, me trazendo responsabilidades.

 

Antes de tudo mais só preciso agradecer a todos(as) que me visitam e de uma forma ou de outra interagem comigo. Não consegui (sou inábil com estas coisas das tequinologias) colocar um ponto geral de troca de ideias - chamam de bate-papo e outros nomes parecidos - não tenho feedback que oriente minha "linha editorial", por isso esta colcha de retalhos. Posso, contudo, dizer que o que aqui "posto" é, em sua maioria, uma lavagem de alma sob qualquer dos aspectos que se observe o publicado. Simples, mas "Honestino da Silva". Talvez pouco profundo, mas não uma "vulgata qualquer". Sou eu falando àqueles que compõem meu ambiente natural, sem fantasias, máscaras ou hipocrisias; sou o eu, verdade.

 

Assustado, sim, diante dos acontecimentos que estão se precipitando a uma velocidade estonteante, mas jamais desnorteado. Olho em volta, um pouco mais longe que costumeiramente, e o que vejo me arrepia bastante. O mundo está em franco processo de desintegração. É um processo que nasce (infelizmente) no social, perpassa a política e assenta na moralidade. Não é só na minha "casa", é assim de igual forma na casa do vizinho, na rua lá no final da cidade, no país lá do outro lado do mundo.

 

Tenho, por isso tudo, um sentimento ruim que não me deixa focar mais além da minha visão cansada: como será a reação de quem um dia, após a miséria, se apercebeu na possibilidade de ter uma vida melhor e que, agora, lhe querem retirar forçando-o a retornar ao nível que um dia desejou abandonar? Nosso povo é ordeiro, pacato e acomodado, mas me causa pavor saber que do acúmulo de sofrimento pode nascer a revolta. Desejo-a, mas temo-a; temo-a, mas incentivo-a! Ninguém merece nada a menos que uma condição digna de vida, principalmente se isso acontecer em detrimento do bem estar próprio e no benefício escandaloso/vergonhoso de outros que deveriam nos representar e evitar, justamente, que sejamos humilhados e vilipendiados por terceiros. Lamentável é constatar que esses terceiros são exatamente aqueles que deveriam estar do nosso lado.

 

A nova ordem - que de nova só tem velharia - ainda não deu o seu cheque-mate, mas o rei está perigosamente ameaçado. nesse combate, só resta uma esperança, única e não garantida, de sucesso: a revolta dos peões. As torres estão sendo facilmente derrubadas; os bispos são coniventes com a marcha dos eventos; os cavalos, coitados, de famintos estão caindo pelas tabelas do tabuleiro e a rainha, vítima de violência contra a mulher, está prostrada, em pré coma, e com a ventilação artificial comprometida pela pelegagem que teima em não respeitar o tubo de oxigênio sobre o qual pisa com a consciência dos danos produzidos. Resumo da ópera: ou lutamos aguerridamente, com unhas, dentes, inteligência e desapego ao pessoal em benefício do coletivo, ou logo mais não passaremos de cachorrinhos encoleirados, treinados e domesticados a servir de brinquedo aos capitalistas. O perigo aumenta quando você começa a não mais oferecer alguma coisa diferente, uma diversão nova para seu dono, pois ele lhe deixará morrer à míngua ou, num golpe de misericórdia, utilizará qualquer dos meios ao seu dispor para se desfazer de sua incomoda presença.

 

Sem aposentadoria. 

 

CRÔNICA MENSAL - 02 FEVEREIRO 2017

A minha reflexão mensal – mais uma vez um pouco atrasada – tem por base as notícias veiculadas neste site do MEC, no qual (não) são respondidas as dúvidas sobre o novo ensino médio: http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40361#nem_01

 

O site começa conceituando o novo modelo de ensino que está sendo preparado para o futuro próximo (visto que só em meados deste ano se terá uma definição da Base Nacional Comum Curricular – a BNCC) e que a sua implantação se dará apenas a partir de 2018 – tal é uma das duas respostas sistematicamente repetidas pelo MEC ao final do artigo.

 

Quem me conhece, principalmente meus alunos, sabe que eu tenho defendido o fim daquilo que alguém, um dia, classificou como o saber desnecessário. Que saber seria esse? Vejamos a situação do futuro médico que, enquanto aluno do ensino médio, tem que aprender muita matemática, muita física e muita eletricidade. Pergunto: a que serve, neste caso específico, o aprofundamento do saber nestas áreas para esse futuro profissional? Isto não significa, contudo, que esse saber não deva ser ofertado na medida do interesse pessoal do aluno. Esta situação assim apresentada é apenas um exemplo e o meu leitor encontrará com muita facilidade outras que tais. Para todas eles não consigo encontrar a lógica.

 

No entanto, também não encontro nenhuma justificativa para a retirada das disciplinas que nos ensinam a pensar, a refletir, a questionar não só o que está posto, mas e principalmente, aquilo que nos querem obrigar a fazer. Afirmo com toda a convicção que é uma estupidez sem fim levar adiante essa proposta que aí está sendo discutida. É de tal modo estúpida que o próprio MEC não tem resposta mais convincente que aquela que apresenta a quase todas as dúvidas que se “compromete” responder nesse site que indico acima.  A resposta a qualquer questão é, quase que invariavelmente, a mesma:

 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelecerá as competências, os objetivos de aprendizagem e os conhecimentos necessários pra a formação geral do aluno. A previsão é que, até meados de 2017, a BNCC para o ensino médio seja encaminhada ao Conselho Nacional de Educação, que terá de aprová-la para depois ser homologada pelo MEC.

 

A grande questão que sobressai desta resposta é a seguinte: qual será o milagre que o MEC aguarda que aconteça para efetivar essa “formação geral do aluno” se as disciplinas que o ensinam a pensar estão, senão excluídas, pelo menos se encontram colocadas como opcionais?

 

Como educador e formador de novos educadores, também estou sendo convidado a colaborar na discussão/elaboração dessa BNCC, no entanto, por discordar totalmente dos processos adotados para realizar essa discussão, sinto necessidade de permanentemente demonstrar minha total desaprovação ao modelo inicial (que certamente não será alterado uma vez que, pessoalmente, considero essa manobra de chamar as pessoas para alterar algo que foi previamente elaborado por quem tem interesses maiores em que assim permaneça como uma pantomimice), pois tudo está preparado de acordo com o figurino do golpe que está sendo perpetrado.

 

O MEC (não a instituição em si, mas as almas enegrecidas que circulam envoltas em finos trajes dentro de refrigerados ambientes) está perdido na permissividade do culto à corrupção e torna-se defensor de um sub programa educacional para a população de um país que tem tudo para ser uma das potências do mundo, apenas pela necessidade de conluiar-se com a gangue que tomou de assalto o poder estabelecido legalmente, mas colocou em risco suas lindas cabeças; perdido por não ter respostas; perdido por não ter, sequer, perguntas às quais possamos dar nossas respostas; perdido, pois não há situação que para sempre dure e nem pedra dura que resista a muita água mole. A água jamais discute com seus obstáculos, ela simplesmente os contorna. Perdido, pois esquece que o povo ainda é quem mais ordena, pode até demorar a reagir, mas, e por essa razão mesmo, é imprevisível. De repente acontece. Estamos chegando ao ponto de esgotamento da enorme paciência de que somos dotados e catástrofes podem acontecer.

 

As minhas palavras, loucas, não têm o dom de chegar aos céus, mas assim mesmo quero deixar um recado, pois possa ser que ganhe movimentação própria: Estamos ficando saturados de tanta mentira e de tanta hipocrisia, lembrem-se senhores políticos que a mentira tem pernas curtas e, por outro lado, que vocês estão dependendo de um único dedo da classe trabalhadora – aquele dedo que aperta a tecla que registra o nosso voto. Vocês não passam, ressalvadas as honrosas exceções, de pequenas gotas de concentrado de fedor que um dia foram alçados a perfumes franceses contrabandeados e pobremente falsificados. Isto é, o vosso cheiro não dura muito tempo... nós continuaremos aqui!

 

Muito mais haveria para dizer, refletir, mas espero que estejam em condições de fazerem esse pequeno esforço de, junto comigo, somarmos para levar adiante nossa indignação pela situação que se está criando.

 

 

CRÔNICA MENSAL - 01 JANEIRO 2017

Não vi nada novo começar, vi apenas continuísmo de um processo degradador das conquistas historicamente consignadas numa conta dos trabalhadores que nunca encerra, que nunca bate certo. É o caos da desordem – assim mesmo parecendo redundante.

 

Olho em volta e percebo que, infelizmente, não somos os únicos a sofrer com a calamidade política e com a nova cara que querem dar ao capitalismo (em processo de falência) no contexto mundial. Há alguns anos se falava de uma tal de Nova Ordem como se ela fosse apenas mais uma teoria da conspiração. Iluminatis, maçonaria, invasões alienígenas e “tutti quanti” não cansaram de anunciar mudanças (algumas verdadeiras previsões catastróficas absurdas, convenhamos) que o mundo estaria por sofrer. De algum modo a história está aí provando que o mundo entrou em processo de declínio. Não se trata (ou pelo menos ainda não se pode afirmar) do fim do mundo – não que eu acredite nessas teorias da conspiração – mas para quem viveu a segunda metade do século XX e está, neste momento, vivenciando o retrocesso a patamares anteriores à década de 50 (pós guerra) compreenderá que têm sido outros os valores que não só os financeiros que estão despencando: são os valores morais, afetivos, sociais, éticos, estéticos, comportamentais, familiares e cívicos.

 

Perdeu-se o respeito por tudo, exacerbou-se a prática do individualismo desrespeitoso: ninguém mais respeita nada, nem ninguém. A atual sociedade está, sim, precisando passar por um processo de renovação, pois o atual modelo está saturado e não tem mais retorno. À medida que vou escrevendo estas linhas cheias de insipidez tenho na mente, a rodar em slow motion, Mad Max e a Tina Turner cantando “we don't need another hero”.

 

O ser humano parece ter entrado em rota de imbecilização. A prática do pseudo domínio da ciência desumaniza os seres. A apropriação – por parte de alguns – de tudo aquilo que a maioria precisa produz a nefasta exclusão e o aprofundamento das crises sociais. A uns tudo é permitido – mesmo o proibido – a outros tudo é cobrado mesmo o que lhe não é fornecido.

 

Não vejo mais a ação dos “anarquistas graças a Deus” e só percebo aquelas dos cristãos “feitos o diabo”. Não vejo muito mais sentido na educação, nessa educação que serve para aprofundar o fosso entre pobres e ricos. Não vejo mais valor na justiça que se diz cega, mas que enxerga mais de olhos vendados que nós com eles abertos – principalmente aquilo que a ela interessa. Não acredito mais no futuro quando olho para o passado e não consigo me ver no presente.

 

O mundo precisa ser reinventado.

Onde ficou a caverna do Platão? Quem guardou o fogo aceso?

Tenho medo dos mamutes.

 

E o carnaval ainda não passou...

 

 

 

 

CRÔNICA MENSAL - 12 DEZEMBRO 2016

Hoje é o começo do fim mais esperado de algo que sequer devia ter começado: o ano de 2016. Começou rabugento – ou “maussade” (como dizem os franceses) –, mas também  pudera, se fizermos um balanço (coisa que eu não vou fazer, por motivos que não chegam a ser tão óbvios quanto deviam) veremos que pouco fica do lado afirmativo da história que, voluntária ou involuntariamente ajudamos a escrever.

Bom marinheiro, antes de entrar no mar, prepara-se em terra. Depois de tudo e tanto que passamos, ainda existem pessimistas que afirmam (chegam mesmo a jurar de pés juntos) que o 17 será pior. É aí que entra a teoria do marinheiro apontada aí atrás. Vamos preparar mais uma travessia que se aproxima e que traz, envolta em manto espesso, a dúvida que sempre nos é colocada pelo futuro. O que será?

Mas, meu nobre Fernando Pessoa, para além do “Navegar é preciso, viver não é preciso”, permita-me que eu diga que, apesar do mistério que se avizinha, “Viver é preciso, basta saber passar pela tormenta”. Essa travessia está ficando, a cada dia, mais difícil considerando o mar aborrascado, proceloso que nos encara e convida a avançar destemidamente. Todo cuidado é pouco, pois o tridente de Neptuno anda afiado e de haste mais longa para poder, assim, submergir qualquer tentativa de alcançar a costa oposta. E como ele tumultuou nossa travessia neste período que se encerra!

Vimos de tudo um pouco e nada disso foi (pré)visto nem pelos mais renomados praticantes da quiromancia e outros quetais chutadores de previsões catastróficas: fome, peste e guerra! Saímos do conforto do Progresso para sentirmos, na carne, a força da Ordem; vimos nossas crianças nascerem e serem abandonadas devido à má formação, por conta de um mosquitinho de nada; vivemos (passado e presente) a chamada guerra das torcidas – paneleiros contra esquerdopatas – patos contra mortadelas, para, no fim, quem se ferrou foi o peru.

Ao longo desta travessia que gostaria de “olvidar” relembrei múltiplas vezes a mensagem de um fado bem antigo entoado por um fadista lusitano que acredito já não esteja mais entre nós O fadista se chamava António Mourão e o fado que ele perpetuou foi “Ó tempo volta pra trás” escute em: (https://www.youtube.com/watch?v=jTfPYsX7WTA).

Quanto ao futuro que dizem vai começar em dois dias, bem esse só pode ser encarado como um turbilhão de incertezas. Não fosse o contexto sócio-político-econômico do mundo um argumento válido por si só, precisávamos que a igreja viesse dizer que o sangue de Santo Tirso que deixa prever que alguma catástrofe pode acontecer neste ano que se avizinha, face a um fenômeno raro (veja em http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2016-12-23/milagre-sao-januario.html).

Como se fala em São Januário, que a catástrofe não seja mais cruel que uma nova caída para a segundona do Vasco. Pior que isso só uma eleição indireta. Já vais tarde, muito tarde, 2016.

Mas e apesar de tudo... que venha 2017.

 

CRÔNICA MENSAL - 11 NOVEMBRO 2016

O compasso é de espera. Espera ansiosa pelo fim de tanta coisa que mais parece um começo. O começo do fim, que neste caso não deve ser o fim do mundo. Mas anda perto.

Nesta minha já cansada vida não têm sido poucas as ocasiões em que senti que algo se findava, que um ciclo terminava para outro começar - nem sempre de modo mais satisfatório, mas portador de alguma esperança - deste de agora esperamos apenas o fim, não temos sequer - eu pelo menos não tenho - esperança de que dias melhores possam surgir.

Não, não se trata de pessimismo. É uma cruel realidade que se nos apresenta escura, profunda, inimaginável e caótica. Para lutar contra tal estado de pensamento faltam-me armas mais poderosas, não basta que eu seja crítico e tenha uma compreensão mais progressista da questão social, preciso de companheirismo, de protagonismo das massas que sinto anestesiadas, adormecidas, como se nada fosse com elas. Devemos estar lutando, involuntariamente, contra alguma nova droga ou poder que ainda desconhecemos, mas que tem esse poder de entorpecer as mentes humanas.

Estamos sendo vilipendiados, abusados, assaltados em nossos direitos, mumificados em serviço, depauperados, mas inertes, apáticos, robotizados e consentâneos. Esta situação me aflige, me assusta e me revolta.

Continuo na busca por um antídoto contra este novo inimigo social. Conseguirei, pelo menos me manter lúcido, ou duplicarão a dose para me derrubarem de minha postura crítica e não alienada?

 

CRÔNICA MENSAL - 10 OUTUBRO 2016

Com algum atraso motivado dos desdobrar incessante das novidades no campo educacional trago para vocês o meu desabafo do mês que tenta entrar e consonância com a discussão que está sendo feita a respeito da reforma do ensino (que não é só médio) no Brasil. Boa leitura e, se assim o desejarem, estamos à disposição para maior debate sobre o assunto:

 

Mudar é preciso! Mudar o modelo educacional oferecido, seus objetivos e metodologias. Esta é uma verdade incontestável e o governo TEMEROSO teria acertado em cheio se tivesse consultado as bases em vez de nos enfiar goela abaixo a “sua reforma”.

 

Mudar é preciso e consultar as bases mais necessário ainda, mas aí pode morar outro perigo: aquele de patinarmos no solo escorregadio que constitui a mentalidade da maioria da base. Esta análise não é resultado de uma mente menos atenta feito a minha, dirão, mas resultante de análises que vêm sendo feitas e que eu corroboro. Assim, num estudo feito pelo economista e professor da USP Hélio Zylberstajn, em que é feito um cruzamento de dados coletados no Censo do Ensino Superior e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho fica fácil perceber que parte bastante significativa dos nossos diplomas de ensino superior são quase inúteis[1].

 

Temos um excesso de formados em áreas ditas concentradas, nas quais a relação formados números de vagas ofertadas é desproporcional. Estão nesse caso, segundo a mesma fonte, os formados em: Direito, Administração, Professores (e aqui é preciso dar um destaque mais adiante), Saúde e Computação. As causas principais dessa busca incessante pelo curso superior localiza-se, principalmente, na falta de uma conscientização da população que a faça refletir que em vez de um diploma em alguma área saturada é melhor um curso técnico numa área emergente na qual falta mão de obra especializada. Nisso o Brasil está muito bem definido, como diz um antigo ditado popular: “Ou é calça de veludo, ou é bunda de fora”; ou a população é analfabeta funcional (desempregada) e a grande maioria, ou vira “doutor” e cai no subemprego causado pela excepcional oferta de mão de obra, tão ao agrado do capital. No Brasil o desemprego é muito mais pela falta de qualificação do trabalhador que pela falta de oferta de vagas que é a segunda razão do desemprego.

 

Pode parecer contraditória a relação que se estabelece entre os formados em professores – e acima elencados como área de concentração na formação – e a informação de que no Brasil estão faltando, pelas últimas estatísticas, cerca de 170.000 (cento e setenta mil) professores só na educação básica[2]. Claro que não vamos aqui entrar em detalhes sobre todos os motivos que conduzem a essa escassez, mas um desses motivos precisamos esclarecer para que não pairem dúvidas. O conjunto fechado – falta de reconhecimento socioeconômico, a falta de políticas de valorização, a falta de melhores condições de trabalho (para falarmos apenas netas) – é a razão do descrédito que tem atingido a área e que, queiramos ou não, só atrai os menos qualificados. Esta inferior qualificação permite ao empregador (particular e/ou estado) oferecer cada vez mais péssimos salários que não são atrativos. Cria-se uma espécie de círculo fechado (mau pagamento – mau professor – mau trabalhador – mau estudante – mau professor – mau pagamento).   

 

Para Hélio Zylberstajn: “Estamos carentes de técnicos. No ensino médio, deveríamos formar mão de obra em cooperação com as empresas”[3]. Ótimo, talvez esteja aí um caminho, porém, não podemos entregar a galinha para ser engordada pela raposa. A formação de mão de obra qualificada pode e deve percorrer esses caminho desde que ele seja “aplainado” por uma prática educacional, crítica, humanística que consiga perceber muito mais que a simples satisfação do Deus mercado de trabalho. Países da Europa que utilizam, com algum sucesso, esse tipo de formação – estão listados entre aqueles ditos do primeiro mundo e, mesmo enfrentando crises como esta que nos assola no presente garantem à sua população um nível de satisfação de vida considerado aceitável mesmo para aqueles que recebem o famigerado salário mínimo que deveria ser apenas um ponto de referência, mas que acabou se transformando numa prática salarial, principalmente ao sul do equador.

 

A mim me aflige perceber a baixa idade dos nossos estudantes que estão adentrando a universidade, não se trata de capacidade de aprendizagem ou algo parecido o motivo da minha preocupação, não. O que mais me inquieta é saber que esse tipo de estudante – não posso generalizar, mas é sempre possível afirmar que se trata de uma maioria – não tem ainda lustração para fazer escolha de uma profissão que poderá desenvolver pelo resto de sua vida – ou não. Muitos se frustram durante o curso ou, o que é pior, ao final do mesmo e ter que enfrentar o mercado de trabalho. Tudo isto falta de uma abordagem – por mais que superficial ou de nível técnico – que o nosso sistema de ensino não proporciona. Vive-se a ilusão – amplamente difundida pelo capital – que quanto mais estudo, mais facilidade de encontrar o trabalho dos sonhos, a realidade, porém, é bem diferente considerando que uma porcentagem elevada de formados não consegue exercer as funções dentro daquilo para que se formou. Pensando nisso e ainda segundo a mesma fonte, diz Tania Casado, do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP: "É preciso olhar para o lado e ver que há muitas posições não preenchidas, porque as pessoas não têm estudo específico. Os jovens precisam saber disso ao se lançarem em um curso".

 

Então, vamos fazer uma discussão aberta, ampla, com a sociedade; vamos mostrar onde estão os pontos de estrangulamento na busca por um emprego; vamos desmistificar a compreensão de que o povo precisa ser todo “Doutor”; vamos mudar conceitos e práticas; vamos mudar esse governo fajuto que aí está e que demonstra ter um olhar enviesado para o capital em detrimento da melhoria das condições de vida de toda a população.

 

Mudar é preciso, mas não da forma como está sendo feito.

 

[1] http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37867638

[2] ttp://www.em.com.br/app/noticia/especiais/educacao/2015/08/20/internas_educacao,680122/desinteresse-cresce-e-faltam-170-mil-professores-na-educacao-basica.shtml

[3] http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37867638

 

CRÔNICA INICIAL - 01

Surge-me a ideia de lançar, aqui, uma página que resuma, um pouco do trabalho prático/teórico/reflexivo que desenvolvo ao longo do tempo. Considerando que não sou pessoa de remoer muito tempo as ideias - para não perdê-las ou para acabar desistindo delas por considerar que serão causa discutível - nasce, então a Crônica Mensal.

Talvez erroneamente, não determino data exata para a esta vir a lume, pois tal como qualquer outra atividade esta também estará sempre sujeita aos percalços que surgem na vida do seu idealizador. A promessa (Quem promete não quer cumprir - diz um ditado bem velhinho!) é que ao final de cada mês eu produza um "apanhado" das atividades as mais diversas que por aqui tenha veiculado.

Janeiro já se foi para dar lugar ao apressadinho! Sim, apressadinho por ser menor que os outros, parecendo estar com urgência de ver o Março chegar. Mas é uma camaradinha meio perigoso, disfarçado de bonzinho; vejam só, além de apressado é, normalmente, o encarregado de trazer encomendas "nem sempre muito desejadas". Momo ajuda nessa tarefa! Aos descuidados, essas duas peças - Fevereiro e Momo - costumam trazer surpresas um tanto fora dos planos pessoais de cada um, mas para isso há solução - preservar é preciso. Tudo isto para dizer que já estamos no segundo mês do ano e que, portanto, já estou devendo uma publicação.

As notícias, principalmente aqueles que nos envolvem de mais perto, não são muito auspiciosas e em quantidade suficiente para fazer uma publicação específica. Enfrentamos mais um movimento paredista - a que também chamam de greve. Este estado, de coisas sempre emperra um pouco (ou muito) o bom andamento de nossos projetos institucionais e, pela via mais reta os projetos pessoais. Professores que se afastam, alunos que não estão em contato direto com a instituição de forma regular, uma carência de atualização das decisões e das possibilidades de desenvolvimento coletivo e/ou individual.

Temos o caso das bolsas que estão sendo ofertadas: não vou dizer que se corra o risco de não serem colocadas em prática, aponto, tão simplesmente, para a precariedade de seleção de alunos que podem, de alguma forma, ser cerceados no seu legítimo direito de concorrer a elas pelo fato de não estarem em contato com a instituição de modo usual. Quantos deles têm problemas de transporte - do qual dependem para chegar à universidade e que, em ocasiões como este de movimento paredista são suspensos? É desses, principalmente que falo, é deles, principalmente que lembro quando vejo as condições exigidas para que o aluno possa participar. Mas a vida deve continuar.

Do ponto de vista do trabalho interno, continuamos, aqueles que não são apologistas do atual movimento - entenda-se essa particularidade da atualidade - estão a postos para atender, principalmente, a alunos que se submeteram a concursos e passaram. Esses não podem, nem devem ser prejudicados, isto é, não mais que os outros, pois prejudicados todo mundo é, mas esta é uma condição que precisa ser compreendida como parte do processo de formação, de aprendizagem, de construção coletiva de ideias.

As discussões de documentação necessária ao melhoramento das condições de trabalho continuam a acontecer, mesmo se com um público reduzido, mas não menos comprometido com o debate das ideias lançadas por quem tem a incumbência de fazer as regras. Eles fazem as regras e nós somos quem tem que segui-las, por isso, somos responsáveis pela sua análise e possíveis correções das distorções que possam aparecer, de modo a que se tornem viáveis e executáveis. Pena que nem todos estão presentes para fazer essa discussão, fato que poderá, amanhã gerar desentendimentos entre quem discutiu e quem vai dizer que não participou da discussão. Bem, as discussões são abertas e estão acontecendo... cada um terá que entender que prazos são para serem cumpridos e que "quem quer peixe, deve ir pescar". Desculpem a metáfora, mas me pareceu oportuno utilizá-la.

Por hoje pouco mais me resta dizer, no plano da concretude, especulações há muitas, mas não serei eu a alimentá-las. O concreto me dá bastante que fazer.

Continuo sempre aberto ao diálogo e à troca de ideias. Sabem como me encontrar!

Um feliz Fevereiro e já conhecem o surrado bordão: "Se forem brincar, vistam a camisinha"!

 

CRÔNICA 2 - FEVEREIRO

E o mês de fevereiro passou bissexto.

Essa característica específica desse mês do ano faz dele um mês especial, pois permite, de quatro em quatro anos, que fiquemos menos velhos durante um dia. Apesar de não ser o meu mês, sou de março, sempre tive bons motivos para considerar fevereiro um excelente mês. Tempo de realizações, de concretizações, de avanços na vida. Este não foi diferente e com vantagens.

Foi num mês de fevereiro (2013) que concluí o meu doutorado: alegria sem par e a concretização de um sonho que muita gente acreditava que eu não conseguiria realizar. De feliz dancei “O Quebra Nozes” e fiz inveja aos bailarinos do “Bolshoi”.

Fevereiro foi, também, um ponto final num estado de greve que se prolongava por mais de dois anos, na instituição em que trabalho. Não quero entrar, aqui, no mérito ou demérito da ação, pois creio que não deve ser este o foro mais legítimo para fazer essa discussão: quero apenas deixar meu ponto de vista, rápido e rasteiro – fui contra ESSA greve, não sou contra a greve, mas fui contra essa que julguei (e tenho o direito de ter opinião própria) descabida. Só!

Foi também um mês de desilusões do ponto de vista profissional. Não por algo mais abrangente, mas por atitudes que considero menos dignas da parte de quem decide. Tive um projeto de extensão recusado pela incompetências de algun(s) dos meus pares. Negaram-me o direito de continuar trabalhando (de forma institucional) num projeto que vimos desenvolvendo há aproximadamente um ano, do qual temos apenas elogios e resultados relevantes para a educação de uma população mais carenciada. “C’est la vie”, dirão os franceses.

Mas tivemos, também, boníssimas e reconfortantes notícias: Meu parceiro, meu ex-aluno e ex-companheiro nesse projeto que cito acima, o PP (Pedro Paulo), teve sucesso na sua tentativa de ingressar no mestrado em educação na UECE. Parabéns e o maior sucesso, sempre; A também minha ex-aluna e colega de profissão, Cicera Cosmo, foi outra guerreira que também logrou aprovação no mestrado em educação da UFPB. A estes dois, em especial, deixo minha maior força, pois sem falsas modéstias posso afirmar que tenho uma ínfima parcela de contribuição para o sucesso deles, mas o grande mérito é, sem dúvida, dos dois. Quero estender as minhas congratulações com outras ex-alunas que também passaram nas suas tentativas de ingressar no mesmo programa de mestrado. A todos, os meus mais sinceros parabéns.

Mas a cereja do bolo eu deixei para última notícia: Já não é segredo nem novidade para ninguém: foi em fevereiro (decorridos 20 dias dos 29) que recebi a confirmação da minha primeira publicação em revista classificada pelas CAPES como A1 – a top das classificações. Muita felicidade para um recém-doutor (afinal são apenas três anos na categoria) que luta contra um mar imenso e sem fundo determinado de detrações. Mais uma vez faço inveja ao “Bolshoi” e além d’“O Quebra Nozes” dancei também o “Cisne Negro”!

Março, sejas bem vindo! És o meu mês, quero muitas alegrias!

Próximo mês eu conto!

 

CRÔNICA MENSAL 3 – MARÇO

A retomada das atividades docentes, depois de um período assaz longo de greve traz sempre algum desconforto. Não é do ponto de vista da retomada do trabalho, mas muito mais da retomada de um período letivo interrompido abruptamente e a distância entre pontos (de suspensão e de retomada) que obriga a um recomeçar do zero e complicar a carga didática destinada à disciplina. Mas a capacidade de adaptação que somos obrigados a desenvolver nos permite, sem traumas maiores, resolver satisfatoriamente a peleja.

 

O meu mês começava, portanto no sacrifício geral, mas mal sabia eu que as recompensas estavam por chegar. A quantidade de trabalho avolumada que nos aguardava após a greve fez com que quase abandonasse por completo este meu cantinho tão estimado. Cansaço deveria ser o adjetivo que melhor traduzisse o meu estado ao longo do mês, mesmo se com o desenrolar dos dias a tempestade tendesse a amenizar-se. Mas neste Março eu completei a belíssima idade de 65 anos (um jovem, diria!) e essa carga de tempo não costuma perdoar com facilidade os abusos.

 

Felizmente nem tudo são dificuldades! O cenário geral pode até parecer de guerra (veja-se a situação caótica que se estabeleceu na política nacional), a realidade nos chamando à reflexão e nos deixando entre atônitos e paralisados, diante das decisões que se faz urgente assumir. Toda cautela é pouca para não avançar algum sinal de forma imprudente, considerando a intermitência amarela que o sinaleiro nos envia. Foi assim, vagarosa e prudentemente que as instituições avançaram (será que houve algum avanço) num rumo não muito definido, cheio de incertezas, A vida, em sua generalidade se recente desse processo.

 

Cheguei, assim entre indecisões e temores, ao único dia que me dava uma certeza inquestionável em meio a tanta insegurança – o dia do meu natalício. Era fato consumado, completava-se mais um ciclo de minha vida e outro de imediato se iniciava.

 

Atentava durante todo mês para possíveis apontamentos que me dissessem que, pelo menos a educação estava ainda VIVA, mas nada me dava sinais de reação. Parecia que os seus órgãos vitais também haviam sido atingidos com a mesma violência que sofre o pobre fígado do boxeador durante os primeiros momentos do combate, período em que cada um dos contendores tenta minar a resistência do adversário. Inquietava-me! Lembrava constantemente que há um velho ditado que diz que “Quando não há notícias, não há más notícias”. Mas em educação, a falta de notícias tem, para mim, um gosto amargo de quietude, de paralização, de inoperância, de comodismo que me gela a espinhal medula e me causa aquilo que os franceses chamam de “gêne”[1] e o velho ditado é regularmente desmentido.

 

Escolas sem lotação docente efetuada, atraso no início do ano letivo, docentes sem receberem os parcos salários que lhe oferecem em troca de tanta dedicação, a incerteza incomodativa da possibilidade de se dar continuidade a um trabalho iniciado, as crianças servindo permanentemente de joguete entre as práticas diferenciadas de programas aos quais se estavam habituando e com os quais estavam obtendo resultados superiores aos esperados... angústia! A educação não é mesmo uma prioridade, não importa o que digam ou o que propalem aos sete ventos como “desejos” para a área através de discursos vazios de sentido prático e abortados de gestações voluntárias e desejadas. A sua existência está muito próxima daquela da criança abandonada na roda do mosteiro, ou herdeira do acaso, dependente de boas ações praticadas por “estranhos” que dela não querem mais que se aproveitar-se para seus fins mais ou menos escusos!

 

Tenho medo, pois, que também a educação esteja caindo na cilada dos mercadores de negociatas estapafúrdias com o fim último de se locupletarem de uma jovem senhora que tem pouco mais de 55 anos de idade numa existência que se deseja que atinja a longevidade.

 

Não busco recompensas, quando muito algum reconhecimento que nos faz um bem danado ao ego. Este mês foi, nesse aspecto, profícuo e me deixou assaz feliz pela espontaneidade dos acontecimentos. De um lado sou agraciado com uma homenagem pela escolinha na qual venho, tanto bem quanto mal, oferecendo alguns motivos de reflexão na prática docente tendo em vista a formação de seres críticos e socialmente enquadrados. Por outro lado, recebi no decurso deste mês recém-findo, a honraria de cidadão cratense concedida pela Prefeitura desta comarca do Crato/CE. Não sei o que tanto fiz para merecer todas estas honras, mas confesso que as recebo com o coração transbordante de paz, felicidade e, principalmente agradecimento.

 

Que o Abril seja de mais trabalho e resultados afirmativos.

 

[1] Desconforto (T. do A.)

 

CRÔNICA MENSAL 4 - ABRIL

 

Queria muito não ter que fazer esta Crônica mensal. Mas preciso fazê-la até como forma para procurar ultrapassar um momento que a todos entristece, a todos deixa profundas saudades e nos traz à mente momentos inesquecíveis – a passagem para outra dimensão de um ser mais que querido – o pai. Hoje se completam dois anos que o meu foi ao encontro do descanso eterno após uma vida de muita luta, muito esforço e algumas recompensas neste nosso plano. Que ele esteja na paz merecida e que enquanto puder faça cais sobre a nossa família as bênçãos que todos merecemos.

 

Sempre mantive com a morte uma relação respeitosa, mas jamais de medo ou de deboche. Entendo-a como uma fase obrigatória a ser atingida ao fim do cumprimento de uma tarefa que para muitos é, infelizmente, breve e para outros se prolonga por tempos quase imemoráveis, não devendo, portanto, representar uma ruptura na história de um ser. O homem – aqui visto como ser genérico – pode passar de um plano ao outro, mas a sua história sempre permanecerá na mente daqueles com quem teve a oportunidade de privar em vida. Por isso eu não lamento a perda de meu pai, lamento sim, a falta da possibilidade do contato físico, mas me fortaleço no nosso contato espiritual.

 

E nesse fortalecimento que busco a força necessária para encarar as múltiplas facetas que a vida nos prepara. Nesta nossa luta cotidiana somos, muitas vezes, esquecidos, em algumas delas lembrados e noutras até reconhecidos. Somos na natureza, raiz que fixa no chão da nossa luta o tronco, quantas vezes vergado por diversos pesos e ventos agrestes; somos, ocasionalmente, os ramos fortes ou fracos que à sua maneira e capacidade se estendem em resposta à solicitação de apoio; somos, talvez, as folhas que na sua fragilidade respondem pela produção de materiais necessários à sobrevivência que evita, o quanto pode, a ação de dona morte.

 

O meu mês (aquele do meu niver) foi o passado, o mês de março, bem no seu desfecho, por isso e com bastante alegria recebi uma homenagem vinda da escola em que trabalho voluntariamente – a Júlio Joel –, já em pleno mês de abril. Foi emocionante. É sempre uma enorme massagem no ego o fato de sermos reconhecidos e agraciados por aqueles que em nós encontram algo que possa ser útil à sociedade. Só posso agradecer. Valendo-se de pequenos textos que publico aqui e nos meus blogues montaram uma aula, nos moldes que defendo, na qual todos participaram: os alunos, os funcionários, os docentes e o corpo administrativo. Só posso dizer algo simples, pois para o resto sou suspeito: Foi lindo! Tive a presença de minha esposa, de uma das minhas filhas (a outra estava sendo submetida a uma pequena cirurgia) e a presença marcante de minha neta que também poderia ser uma das alunas daquela escolinha, não fosse a distância que nos separa.

 

Mas o mês, para minha surpresa, ainda me reservava mais emoção. No dia 12/04/16 tive a honra de ser agraciado com o “Título de Cidadão Cratense”. Através da iniciativa de um dos vereadores da cidade, nosso amigo e correligionário nas fracas lides políticas em que me envolvo, a Câmara Municipal de Crato concedeu-me esse título. Na cerimônia de entrega estavam presentes, além de toda a vereação local, familiares e amigos, dentre os quais destaco a presença agradável de uma representação da escola supra citada.

 

No meu país costumamos dizer que “não há duas sem três”, talvez não se encontre muita lógica no dizer, mas para nós é bastante emblemático: Algo mais teria que acontecer. Claro está que esse algo (a partir do nosso ditado) é sempre algo mais desagradável, o que talvez justifique a inversão da regra (creio que seria mais lógico dizer que não há três sem duas, mas cada uma sabe o que diz e o porquê diz). Na política sofremos uma quase derrota com os encaminhamentos do processo de impedimento da Presidenta Dilma. Quem acredita na possibilidade de transformação e numa sociedade mais igualitária não pode ter ficado indiferente ante o crime que está sendo perpetrado bem nas nossas barbas e nos percebemos quase que manietados, senão por maiores motivos, pelo baixo quilate do golpe em curso. Nada está perdido, ainda, mas temos que ter consciência que a situação está perigosa. Corremos seríssimos riscos do retorno de uma ditadura que nos trará, principalmente, o retrocesso em todos os patamares em que já tínhamos conseguido grandes vitórias. A classe trabalhadora – a mais carenciada da nossa sociedade – será alvo de perdas que jamais se imaginou que pudessem acontecer.

 

A opinião internacional tenta forçar a declaração do fim do golpe e da permanência da Presidenta Dilma no comando da nação, mas também ela parece insuficiente para atingir o resultado que se espera, talvez por milagre, venha acontecer. Não será fácil e se por acaso vier a acontecer só resta à Presidenta tomar uma atitude diante da impossibilidade que terá de continuar a governar: defender a democracia e convocar eleições diretas, gerais e irrestritas antecipadas. Esse, no fraco entender, o preço que a Presidenta terá que pagar pela incompetência em formar uma equipe vencedora capaz de apoiar as suas decisões. Este não é, em todo o caso, motivo para se pedir o seu impedimento. Motivos maiores para levar as barras dos tribunais e às grades da prisão há em relação aos seus opositores – criminosos reconhecidos e identificados – e no entanto são eles, mais sujos que pau de galinheiro, quem quer e vai julgar alguém que o máximo que se pode dizer é que foi honesta e proba. No Brasil, o crime compensa, principalmente se você for amigo do rei.

 

Hoje somos os “bobos da corte”, os “palhaços” do resto do mundo.  Bem que o general De Gaule dizia: “O Brasil não é um país sério”! Tinha lá as suas razões!

 

CRÔNICA MENSAL 5 - MAIO

 

Maio de Maria, das flores...

 

Mas, como nos diz Djavan, "E o meu jardim da vida / ressecou, morreu / do pé que brotou Maria / nem margarida nasceu".

 

Maria, Marias, foram escorraçadas, espezinhadas, violentadas, estupradas, afastadas e quase depostas. As flores passaram longe do nosso jardim que bem rápido vai ressecando, depois de um período de florescimento que deixava antever o surgimento de um modelo gestacional da economia e da política que se aproximava do recomendável para a coexistência pacífica de todas as classes sociais.

 

Nos campos a sementeira não quer brotar, por falta de insumos; nas cidades o floresce é a violência urbana nos seus mais diversos modelos e práticas; nos corações floresce um sentimento ruim, de raiva, de revolta e ao mesmo tempo de impotência diante dos assaltos vis e sem escrúpulos a que o cidadão vem estando submetido. Na política a deduração que tem, tal qual a moeda, duas faces. Neste caso, as duas faces podem muito bem representar o bem e o mal. Se por um lado ela coloca sob holofotes a porcaria, a sujeira e o roubo deslavado que corrói as entranhas do Brasil, pelo outro lado traz à tona o mau caratismo e o individualismo abjeto de que as pessoas se deixam apossar.

 

O meu jardim da vida está em franca degradação. O tempo foi se encarregando de absorver os nutrientes mais essências à sua robustez deixando-me, agora, com a possibilidade de ir escolhendo entre os restos, aqueles necessários apenas à manutenção de um status minimamente aceitável para dar continuidade a velejar ao sabor da brisa que tomou o lugar dos ventos fortes que sempre enfunaram minhas velas. Lá ao longe, mas embora mais nítida, já dá para perceber a linha do horizonte, o ponto de chegada onde a corrida se encerra. Vou, pois, perdendo o pique para as grandes aventuras. Sigo minha sina de ser sempre sincero e passo a recomendar a quem me aborda que se estiver com medo das minhas respostas, que não faça a pergunta, pois meu lema continua sendo “antes grosso do que falso”!

 

Na vida particular, que ninguém me exige explicações, apenas o registro de um tremendo susto com a saúde de minha genitora, coisas próprias dos seus noventa aninhos, mas que conseguem nos perturbar, mesmo tendo consciência que tudo se pode esperar neste momento. Mas foi só isso, apenas um susto, para felicidade enorme da família. Mas sabemos que as linhas do horizonte começam a convergir.

 

O mundo vive uma agitação ímpar. O homem perdeu o controle sobre si mesmo e não consegue mais estancar o curso tumultuado da história. Já alguém disse que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, esse alguém sabia muito bem o que dizia, pois, queiramos ou não, estejamos distantes ou próximos, pensemos liberal ou pós modernamente, Karl Marx foi, é e ainda será “o cara”. A tragédia já foi vivenciada, a farsa está aí a querer impor sua face metade alegre metade triste – indefinível – e nós ineptos e impávidos assistimos, tal qual zumbis, ao desmoronamento das instituições que fomos construindo com gosto de suor e sangue, como se lá na frente algo melhor nos estivesse sendo prometido. Não vislumbro futuro mais promissor que aquele que teve a Fênix. Acredito que teremos, no longo prazo e depois de um caos generalizado, que renascer das cinzas. Arrepiar caminho e refazer a jornada novamente.

O futuro está bem aí...

 

CRÔNICA MENSAL 6 - JUNHO

Corpos e mentes humanas são passíveis de cansaço. Quando o primeiro já se encontra e adiantado estado de uso, a segunda, por mais que deseje manter-se jovial começa a dar sinais de pequenas interferências provenientes da parcial falta de sintonia entre eles. Nesse momento o ser humano reclama as tão merecidas férias.

 

O nosso semestre teve a exata duração daquilo que anuncia (pela primeira vez na minha vida acadêmica esta é a primeira vez que tal acontece). Eis aí, talvez, um motivo a mais para justificar esta fadiga que todos (funcionários, estudantes e professores) apresentamos ao final de mais esta jornada de trabalho.

 

O mês, em si, mais uma vez foi palco de contendas no campo da política que não conseguiram extinguir-se como as chamas das fogueiras das festas juninas. As únicas fogueiras que foram sendo apagadas foram aqueles dos políticos corruptos que “dona justa” foi pegando no seu caminhar um bom bocado tendencioso, mas foi!

 

A educação, nosso interesse maior ficou mais uma vez à deriva com as (des)medidas que "seu Mendoncinha" vem aplicando – a mando desse presidente interino e temporário (que espero o seja por bem pouco tempo mais) que só tem feito besteira e eu por isso mesmo vai ganhar o olho da rua. Como é que a pessoa tem a possibilidade e ser diferente (como dizia querer ser) e o que faz se transforma na maior das possibilidades detratoras do que seja uma administração honesta?

 

Acabou-se mais um programa que estava dando certo – o “Educação Sem Fronteiras”. Um tremendo tiro no pé, mesmo se somos obrigados a aceitar como verdadeiro que havia os protegidos, principalmente no quesito seleção nas áreas abrangidas que não se pode considerar equânime. O FIES, mais um programa que ajudou muitos pobres a alcançarem o sonhado curso superior foi outro dos jogados por terra por esse simulacro de administração, O povo, sempre ele, o mais prejudicado. Não fosse pelo povo, eu iria rir a bandeiras despregadas com essa medida drástica do “temeroso” e sua quadrilha, pois quem viu a maioria dos estudantes com bolsa do programa gritarem “FORA DILMA” e os vê hoje reclamarem o retorno do FIES... não tem dinheiro que pague. É, para mim e para tantos outros que pensam de modo similar, um orgasmo vingativo perceber essas imagens.

 

Tentando, finalmente, construir uma imagem do Brasil neste virar da metade do ano, diria que ele se assemelha a cachorro em dia de São João, no momento em que as bombinhas (algumas verdadeiras bombas de TNT, pesadas) são “espocadas”. Nessa hora, todos os cachorros dobram o rabo para dentro das pernas e se escondem, ganindo sua raiva, mas inofensivos do ponto de vista ferocidade. Assim são nossos políticos ficam ganindo sua raiva, apenas como uma tentativa de defesa dos maus atos praticados. Muitos chegam a beirar as raias da loucura (Bolsocachorro, Felicachorro, Malacachorro) e outros quadrupedes (caninos ou não) mais.

 

CRÔNICA MENSAL 7 - JULHO

Desculpem imodéstia: o editor estará de férias!

 

CRÔNICA MENSAL 8 - AGOSTO

Agosto desgosto, ou nem tanto?

 

Diz o ditado popular que o mês de agosto é aquele do desgosto, terá o povo razão? Bem sei que são crendices, mas até que se prove o contrário, para uns e para outros pode até ser que o adágio se aplique. Não sou superior a ninguém e faço aqui, de público a minha análise da questão. No entanto, antes de chegar agosto, permitam que fale ligeiramente sobre o Julho, das férias para as quais havia traçado planos de retornar sobre mim mesmo, sobre a minha história, os tempos idos e vividos com alguma (há quem diga que é bastante) intensidade.

Explico um pouco melhor esse "retorno sobre mim mesmo". Antes de viajar para a Europa (meu torrão natal), imaginei poder fazer uma espécie de "regressão" tão cara aos psicólogos. Voltar nos tempos passados (se isso é possível) através de reencontros com pessoas, lugares, sabores... história. Missão cumprida com sucesso e tenho imagens que demonstram isso (inauguro hoje a crônica com imagens, um possível avanço!), senão vejamos.

O primeiro e mais importante dos encontros foi com a minha genitora, linda criança no alto de seus quase 91 aninhos. Uma doçura imersa em seu quase total esquecimento. Não me reconheceu, mas isso só fez aumentar ainda mais o amor que sinto por ela. Já que iniciei com um ditado, permitam que passe mais um que traduz bem melhor que qualquer palavra o que acontece: "De velho se volta a menino". Pronto, essa é a minha genitora que em tempos conheci guerreira como poucas.

Esta é a imagem que vou guardar para sempre na minha memória: a serenidade de quem não tem mais problemas na vida a não ser viver seus dias que ainda lhe resta com a melhor condição possível.

Na sequência dos encontros previstos devo relacionar o volta ao convívio pessoal com antigos companheiros de guerra e de resistência a um regime que não soube, jamais, nos respeitar. Podemos registrar em nossos memoriais que somos ex-combatentes, muitos dos quais entregues à própria sorte que, em muitos casos é a sorte dos abandonados, desprotegidos, ignorados que morrem à mingua em qualquer esquina das cidades em que arrastam suas miseráveis vidas. Nem todos pudemos ou soubemos dar um bom encaminhamento ao nosso destino. Dos que pude encontrar deixo registro, dos que por algum acaso nos impediu o reencontro deixo saudades e a promessa de em breve tentar nova aproximação. Nas imagens abaixo o registro de alguns bons momentos:

   

 

 

CRÔNICA MENSAL 09 - SETEMBRO

Eu pertenci a uma força armada chamada Força Aérea: talvez, daí, o motivo que muitos me chamam de voador. Reconheço que muitas das vezes puxo o manche em direção ao ventre – para elevar o nível do meu voo deixando para baixo aquilo que pretendo não me atinja. Não chega a ser, em aeronáutica, uma manobra arriscada, principalmente se se ainda temos teto a atingir. Colocamo-nos bem acima daquilo que, medianamente, pretende nos atingir, independentemente do que seja, de onde venha e qual a intenção.

 

Nessa mesma analogia é possível dizer que o céu não está para brigadeiro. Nuvens pesadas têm surgido, ultimamente, no horizonte distante de nossa imaginação democrática. Voar por instrumentos nunca foi meu forte. Prefiro a liberdade de escolher rotas, planos de voo, altitude, velocidade de cruzeiro e, principalmente, a tripulação. Sobre passageiros deixo registrado que somos todos, salvo o piloto e o pessoal de bordo. Traçar um plano de voo requer conhecimento e razão. Escolher os melhores e mais apropriados locais para pousar e, se necessário, fazer o reabastecimento de todo tipo de insumos pode requerer tempo, saber e poder.

 

A troca de equipe nem sempre ocorre da forma mais sincrônica possível. Em determinadas ocasiões chega a ser traumática. Apenas relembrando o fato de que substituir (06) seis por meia dúzia não é exatamente trocar Paulo Freire (por muito que eu tenha algumas barreiras contra) por Alexandre Frota (de quem só escrevo o nome com maiúscula por imposição da norma linguística). Relembro, permitam-me um devaneio, uma analogia, com a indústria da discografia nacional em que uma das maiores “produtoras” tinha por selo “A voz do dono”. Inocentes, todos nós, como acreditávamos que ali estava o que melhor existia em se tratando se “som”. Pare. Analise a expressão: “A voz do dono”.

 

A voz é de quem manda e quem manda tem status de quem é “dono”. Dono de quê?

Dono da sua vontade.

Dono do seu futuro.

Dono do seu bem-estar.

Dono de nada que seja dele, mas do qual ele pretende se beneficiar.

Dono de promessas que jamais cumprirá em defesa do seu – leitor – direito de não dizer nada porque ele comprou o seu direito dizer de dizer.

 

Pior:

VOCÊ vendeu seu direito de reclamar;

VOCÊ entregou nas mãos de outro um direito inalienável;

VOCÊ se vendeu por um benefício imediato contra uma penúria constante;

VOCÊ é cego, pois não consegue ver que o voto errado de hoje representa sua miséria amanhã.

 

Na educação – aparelho ideológico de Estado – a crise atinge um patamar de retrocesso que só pode ser comparado com aquele vivenciado no início dos anos 60 – com o sistema militarista – que evidenciava a adesão da elite brasileira aos contornos da ditadura fascista. Outras áreas vitais para a sociedade brasileira estão sendo, igualmente, vilipendiadas por esse governo e esses partidos políticos corruptos e sem a menor vergonha. Precisamos tomar posições firmes. Assumir a revolta popular se isso for necessário.

 

“Submeter-se é preciso, resistir e progredir não é preciso” – é uma boa sátira ao pensar do poeta lusitano Fernando Pessoa que dizia, em seu saber: “Navegar é preciso, viver não é preciso. Importante é manter o capital crescente, mesmo se às custas do mal-estar da população em geral. Mas os tempos são outros. Em poucos anos sem mordaça o povo aprendeu a dizer sua vontade. É nesse povo que eu ainda confio para sair deste emaranhado de fazeres/dizeres que mais confunde (vontade expressa) que ajuda a sair para a luz do progresso (tão caro, ao que parece, na nossa bandeira) e à vontade de um povo por séculos explorado sem a menor chance de mostrar seu real valor. Quando, esporadicamente (ou por acidente) o povo consegue dizer sua palavra, essa palavra é LIBERDADE.

 

#FORATEMER      #CADEIATEMER      #CADEIACUNHA